Bela OBSESSÃO
1 Capter One.
Notas iniciais
O burburio das pessoas era inaudível, quase causando uma enxaqueca daquelas. O aeroporto estava cheio, devido à alta temporada de casamentos que acontecia em Vegas. Sim, isso mesmo que você ouviu. Eu moro em Las Vegas. Pode-se imaginar que Vegas não é um dos melhores lugares para se passar a infância, ou a adolescência, por que a maioria das crianças daqui não teve uma infância normal como essas em que brincam no parquinho de pique-pega, nosso parquinho eram os Cassinos em que nossos pais nos levam.
Eu carregava uma pequena mala preta, com as poucas roupas que tenho de frio, pois aqui é calor quase sempre. E uma mochila com as necessidades básicas de qualquer garota. O calor era sufocante, e parecia que chegava cada vez mais pessoas, enquanto alguns estavam anciosos para chegar, eu estava anciosa para sair e escapar desse inferno.
Não que Las Vegas seja um inferno, mas sim a vida de quem viveu aqui a vida inteira. Minha mãe estava voltando do trabalho por que era meu aniversário de 17 anos, e como meus aniversários anteriores foram festas em Cassinos, eu quis algo diferente dessa vez. Mamãe largava o turno no hospital às 22hrs e eu pedi que estivesse em casa às 21hrs, para comemorarmos apenas nós duas, já que papai passa a maior parte do tempo apostando e jogando. Informaram-me que ela estava perto de casa quando houve o acidente, ela bateu em um poste de eletricidade. A última vez que falei com ela foi ao telefone quando pedi que chegasse mais cedo, a culpa foi minha.
Depois disso, há exatamente uma semana, todos começaram com os consolos e eu me tornei a coitada da escola. Até aquelas loiras siliconadas que tanto me odeiam – ou odiavam – vieram dizer que sentiam com minha perda. Basta acontecer uma tragédia para que todos se tornem seu amigo. É fácil assim. O único problema era que eu não queria isso. Eu odeio essa pena, eu odeio esse lamento, odeio essa falsidade. Como alguém pode viver assim? Foi necessário apenas três dias para que a papelada do intercâmbio fosse resolvida e efetuada, eu tinha dinheiro, o suficiente para pagar e me virar lá. A maior parte, vieram das apostas que ganhei ao longo dos anos jogando.
O número de meu vôo é chamado, e me levanto apressadamente em direção a fila de embarque. Apresento meu passaporte à comissária que me deseja “boa — viajem”, e logo desço pelo longo corredor que levava até o avião. Encosto minha cabeça na janela, e me permito dormir um pouco, por que a viajem até Londres seria longa.
Xxxx
Acordei com uma das comissárias falando no microfone, dizendo que havíamos chegado e era para desembarcar do avião. Era notável a diferença entre os dois aeroportos, esse era mais silencioso e com certeza não tinha gente fantasiada de Elvis Presley nem Bob Marley – era tudo ordenado e diciplinado. Foi fácil achar a saída do aeroporto, e rapidamente uma rajada de vento congela todos os órgãos do meu corpo. Eu não havia trago um casaco sequer na minha mochila, e todo o resto da minha mala não seria apropriado para o clima daqui. Pego a mala na esteira e me encaminho para o local onde a família na qual me hospedaria estaria me esperando.
Um homem com uns cinqüenta e poucos anos carrega uma placa escrito “Abby Abernathy” junto com dois garotos que não aparentam ter mais de vinte anos, julgo serem filhos do homem. Me aproximo e ele me estende um sorriso:
– Mas a Srta é muito mais bonita pessoalmente..! – diz ele enquanto me abraça.
– São seus olhos, Sr Maddox. Ah e só Abby por favor.
– Como quiser querida...
Os outros dois garotos – lindos – se aproximam e se apresentam com um beijo em minha bochecha.
– Trent, prazer. – diz ele sorrindo.
– Tyler – diz o outro mais contido.
– Onde estão Thomas, Taylor e Travis?
Uau, ele tem tudo isso de filhos?!!
– Trav está lutando no porão que o Adam arranjou, Thomas está no trabalho e Taylor eu nãos sei – diz Trent.
– Tudo bem..vamos Abby!
O caminho até a casa foi longo, ela se situava bem perto da escola, então poderia ir a pé, economizando passagem de ônibus. A casa é bem rústica, linda por fora e extremamente aconchegante por dentro. Meu quarto havia sido da mãe deles, porém ela morreu há anos e me disseram que era o único quaro disponível na casa, mas que se eu me sentisse desconfortável um dos meninos trocaria comigo. Achei que isso seria horrível, eu mesma não gostaria, por isso aceitei o quarto. Eu não tinha prazo de ficar aqui, eu poderia fazer até a faculdade se quisesse. O quarto fica entre o do Travis e o do Trent.
Troco de roupa, colocando ma calça de moleton e um casaco também de moletom, um coque solto e pronto. Alguém fazia a comida e rapidamente me ofereci a ajudar, fiz o frango assado e o molho que acompanhava o arroz. Na janta disseram que estava tudo exelente. Apenas Travis estava ausente, todos os irmãos eram legais – e lindos. E falando nele, este chega puto da vida em casa. Bonito, com tatuagens lhe cobrindo o corpo, olhos castanhos, e bonito – já disse isso?
– Travis, tem mais gente na casa... – diz o Sr Maddox,..oops Jim.
– Foda-se – diz ele curto e grosso, e sobe escadas acima.
– Ahn, perdoe o comportamento de meu filho Abby..
– Tudo bem Jim.
– E sua mãe, como deixou-a vir para Londres?
– Não tem o que deixar...ela morreu.
– Ah...sinto muito – diz ele realmente sentido.
Nesse momento, todos da mesa param de conversar e de comer para voltar sua atenção a mim.
– Então...eu vou subindo, estou cansada do vôo, até amanhã.
– Dorme bem Abby.
Dou beijo em todos e subo, vou ao banheiro já que em meu quarto não tem, pois tinham medo de a Diane se suicidar. Me tranco no banheiro e solto as lágrimas que havia segurado ao ver a pena nos olhos deles. O choro era livre, não era forçado, era contínuo e cheio de emoção que acho que se você estivesse aqui, também choraria comigo. Depois de uns dez minutos chorando, lavo o rosto com a água gelada e saio do banheiro, indo rápido para meu quarto. Deito na cama, e adormeço com os gemidos de uma mulher que vinha do quarto do Travis.
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