Being a Princess
1 Billy S.
Notas iniciais
Quinze anos é uma idade maravilhosa, não acham? Eu acho, até porque hoje é meu aniversário de quinze anos. Sou uma pessoa sonhadora, mas consigo manter os pés no chão com frequência. Gosto de ajudar meus amigos, escrever e fazer qualquer outro tipo de arte, exceto pintura e desenho.
Como sou fisicamente? Espero que não se arrependa dessa pergunta, leitor (incrível minha autoestima, não acham?). Tenho pele morena, cabelos negros, assim como os olhos (uso óculos de armação preta), porém meu cabelo é liso, com as pontas cacheadas. Não sou alta, tendo aproximadamente um metro e sessenta e três de altura. Quanto ao peso, fico devendo essa resposta. Ainda é manhã, e, embora seja cedo, preciso levantar da cama, pois preciso ir para a escola. Estudo no Pedro II, no Rio de Janeiro. Lentamente, me dirigi ao banheiro a fim de fazer a higiene matinal. “Está gelada” pensei assim que coloquei minhas mãos debaixo da torneira, porém a temperatura da água não estava muito diferente da temperatura desta manhã de maio, que começara gelada e chuvosa. Depois de uniformizada, arrumei minha cama, tomei café, despedi-me de meus pais e parti para a escola. O caminho não era longo, mas parecia enorme tamanha a minha ansiedade de encontrar minhas amigas nesta data tão especial.
-Caroline! Gritou Marcelle Souza, uma amiga minha já me abraçando fortemente. — Parabéns, Carol. Quantos anos você está fazendo? Cinco?
-Muito engraçada você, Celle. Sabe que estou fazendo quinze anos. — Respondi levando na brincadeira.
Marcelle era uma loura alta, de pele muito branca e olhos verdes. Costumava ser louca como eu e por isso, dizíamos que éramos irmãs gêmeas separadas na gestação. Normalmente, a chamo de Elementa, e ela me chama de Obtusa. Vai entender duas anormais...
Conversamos mais um tempo, recebi muitos desejos de “Feliz aniversário”, mas logo tivemos que subir para a aula de Química. Talvez o dia não começasse tão bem quanto eu esperava, até porque, meu professor de química consegue ser mais enjoado que mulher de TPM.
Depois de terríveis seis tempos de agonia, fomos libertos da escola. Fui rápido para casa, tomei um banho e me arrumei, pois havia combinado de almoçar com Marcelle (Celle),Catarina (Tina), Sandra (Sandy), Mariana (Mari), Julia (Ju) e Daniela (Dani) no Shopping. Fomos ao Mcdonald's e cada uma comeu um Big mac e tomou um refrigerante.
-Carol, você não disse que sua família tem o costume de entregar o “Brasão da familia” quando uma garota completa quinze anos ou quando um homem se casa? — Questionou Dani, fazendo aspas no ar, quando pronunciou Brasão da família.
-Disse. — Respondi, tentando entender onde ela queria chegar, porém Mari foi mais rápida e completou.
-A questão é a seguinte, Carol, QUANDO isso vai acontecer? — Perguntou.
-Não faço ideia, meninas. — Respondi no tom anterior.
-Você já viu esse Brasão alguma vez? — Foi a vez de Tina fazer a pergunta.
-Uma vez, na estante de casa.
-E como é? — Agora foi Sandy quem questionou.
-É uma coisa horrorosa. Cheio de rosas vermelhas e um anjinho no meio. — Falei.
-Que gay! — Exclamou Celle.
-Nem me diz. Mas por que as senhoritas estão me perguntando isso, posso saber? — Como uma garota inteligente, eu já sabia que elas escondiam algo de mim.
-Nada não Carol. — Despistou Ju.
Não forcei a barra. Sabia que alguma hora elas iriam me contar o que estava rolando. Enquanto comíamos nossa sobremesa (cupcake), eu vi um casal de namorados, o que me fez lembrar do Guilherme, um amigo, que bem.... Eu sou afim dele, mas ele não faz nem ideia. Se soubesse, poderia ser capaz de me dar um gelo, como todos os garotos anteriores. Na verdade, eu nunca namorei/fiquei, logo, sou BV. Sim, BV aos 15 anos é uma coisa meio rara nesses tempos.
Guilherme é um garoto muito branco, de cabelos negros, alto e que simplesmente ama jogar Basquete. Temos muito em comum, mas sinto que ele não quer nada mais além de amizade. Gui (como costumo chamá-lo) é doce, amável, divertido, fofo, inteligente... Enfim, um sonho de garoto para qualquer garota.
-Carol? — Chamou Celle. — Pensando nele?
Em resposta, apenas fiz um aceno positivo com a cabeça.
-Não rolou nada até hoje, né? — Perguntou a loura.
-Não... Sabe, o amor, parece até uma morte lenta e dolorosa... Que você fica agonizando e sofrendo... É simplesmente inútil esperar. Já me conformei que jamais serei feliz no amor. Esperar por alguém que me ame, é como esperar o pai de Julieta permitir seu namoro com Romeu: Impossível. — Presumi.
-Caroline Farias dos Santos! Não diga isso nem brincando. — Brigou Mari.
-Mari, devo aceitar os fatos. Cansei de me alimentar de sonhos e esperanças. Se Afrodite queria fazer da minha vida um mangá de Itazura na Kiss, eu não sou Kotoko Aihara. Eu desisto do meu Irie Naoki. — Rebati.
-Meninas, chega! Carol, hoje é seu aniversário. Esqueça isso, por favor. — Pediu Tina. Ficamos em silêncio o restante do tempo e seguimos para a casa de Julia sem tocar no assunto. Foi quando percebi que tecnicamente não íamos para a casa da Julia.
-Gente, a casa da Julia é para a outra rua. — Falei.
-Quem disse que vamos para a casa da Julia? -´Perguntou Sandra marotamente.
-E para onde nós vamos? — Devolvi a pergunta.
-Surpresa. — Responderam.
Andamos mais um pouco e chegamos em um prédio que eu nunca havia visto. Marcelle tocou o interfone duas vezes. Como eu costumava fazer com meus familiares.
Quem atendeu o portão foi Guilherme e antes que eu pudesse dizer algo, Guilherme me puxou para o salão de festas, onde muitas pessoas gritaram “Surpresa”, dentre elas, amigos e familiares.
-Ah gente. Obrigada. Eu disse que não precisava de nada. — Agradeci, visivelmente emocionada.
Assim iniciou-se a festa. Com muita dança, conversa e fotos. Quando deu cinco e cinquenta e oito da tarde, minha mãe, Laura, abaixou a música e pegou o microfone.
-Desculpe atrapalhar a festa, mas todos sabem que a nossa aniversariante nasceu às seis horas da tarde de uma sexta-feira. Bom, como de costume nós entregamos o brasão da família para a garota aniversariante.
Após suas palavras, subi no palco improvisado e sentei no banquinho localizado em seu centro. Isso deve ter durado os dois minutos restantes, pois logo ouvimos o relógio soar. No fim da sexta e última badalada, ouvi o som magnífico de trombetas, como se faz quando um membro da realeza é anunciado, e assim se fez.
-Sua Alteza Real, a princesa Diana Caroline Teresa Izabel Anastásia Sakura de Órleans e Bragança e Dobrzensky de Dobrzenicz, A Princesa Real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, Baronesa de Bragança e Duquesa do Brasil.
Notas finais
Xoxo
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