Notas iniciais
ei! demorei né? sorry!! a música desse capítulo é We'll be coming back - Calvin Harris —J

POV Chris

Andei pelas ruas do bairro bem iluminado no qual eu agora morava. A lua cheia brilhava e o movimento de pessoas voltando para suas casas era grande. Cheguei na portaria do prédio a tempo de ver Alice sair correndo até o taxi mais próximo, corri atrás dela e entrei no carro junto com a mesma.
— Ei, tá tudo bem? — perguntei ao vê-la aflita.
— O que você quer, garoto? — respondeu mal-humorada depois de dar as coordenadas ao taxista.
Olhei pra ela, que suspirou e baixou o olhar.
Tínhamos nos conhecido há poucas horas, mas eu sabia que havia algo errado com ela.
— Alice, fica calma!
— Desce do carro, Christian.
— Não, eu não vou descer.
Ficamos alguns minutos em silêncio até que o carro parou em frente a um hospital. Paguei o motorista e sai atrás de Alice, que corria para dentro do prédio movimentado. Paramos na recepção, onde nos indicaram uma enfermaria. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas não deixaria a garota sozinha ali. Ela parecia desesperada, andou rápido até a enfermaria e então parou ao ver sua mãe deitada em uma das macas. Sentei-me em uma das cadeiras para acompanhantes e observei enquanto a garota ia até a mulher desacordada. Alice segurou a mão de sua mãe e deu-lhe um beijo na testa. Uma enfermeira logo entrou na sala e explicou a situação, aparentemente, Marta tinha tido uma queda de pressão e batera a cabeça em uma mesa ao cair, o que tinha provocado o desmaio. A mulher seria levada a um quarto no andar de cima, e a enfermeira sugeriu que Alice desse uma volta antes de voltar para o lado da mãe.
— Vem, Alice, vamos tomar alguma coisa — me levantei e segurei em uma de suas mãos.
Ela apenas assentiu e foi comigo até a lanchonete do hospital, onde nos sentamos e tomamos café.
— Pode ir agora — ela disse.
— E te deixar aqui sozinha? Sem chance.
— Você não tem que ficar aqui, vai pra casa!
— Deixa de ser marrenta! — respirei fundo — Sua mãe vai ficar bem...
— É, eu sei — ela me olhou por alguns segundos antes de desviar o olhar — Meu irmão está com os meus avós, e eu não quero ligar pros meus tios, acho que vou ter que passar a noite aqui e...
— Eu pego o que você precisar lá no seu apartamento e trago aqui pra você.
— Não precisa, eu me viro.
— Eu sei, mas eu vou te ajudar, tá? Pode confiar em mim...
Ela sorriu, agradeceu e começou a falar alguma coisa, mas de repente ficou séria e se levantou. Olhei pra trás e vi que um garoto alto nos encarava.
— Rodrigo... — Alice sussurrou antes de sair correndo.

POV Alice

Ver o rosto do maldito garoto me fez entrar em choque. Eu não o via desde as férias do ano passado, quando ele foi embora sem se despedir.

"O primeiro dia de aula foi, sem dúvida, um dos piores dias da minha vida. Quando acordei, Gabi me sacudia e gritava que íamos nos atrasar. Levantei depois de alguns minutos, vesti uma calça jeans rasgada no joelho esquerdo, a camisa de uniforme que eu havia cortado nas mangas e na gola, uma camisa xadrez de mangas compridas amarradas na cintura e calcei os coturnos surrados de sempre. Coloquei todos aqueles colares prata e com pingentes indefinidos, os anéis que pareciam encher demais os meus dedos e, por fim, coloquei uma touca e olhei pra Gabi.
– E aí? Vamos?
– Vamos.
Peguei uma maçã verde na mesa de café que minha mãe havia preparado e saí com a Gabi. O colégio não era muito longe, e ver todos aqueles alunos chegando já era muito comum, mas tinha algo de diferente naquele dia. As pessoas estavam me encarando, mais que o normal. Eu já estava acostumada a isso, no início eu achava que era porque achavam que eu era uma garotinha frágil e inútil, que havia sido abandonada pelo pai, mas depois eu percebi que era pelo meu jeito de vestir ou pela minha "aura de menina machucada", como dizia a Dininha, dona do Temporal. Mas naquele dia estavam encarando demais. Eu não havia mudado, ainda era a mesma pessoa do ano passado, talvez um pouco mais magra devido aos esportes que eu havia praticado nas férias. Então eu percebi. Não demorou muito até que eu me aproximasse do muro do colégio e visse a pixação.
"nunca pensei que Alice e terceira base combinariam tanto..."
-R

Senti tudo começar a rodar, olhei pra Gabi e pro Ricardo, que se aproximava.
– Seu irmão não tinha o direito, Ricardo — falei.
– Mas o que é terceira base, Lili? — a Gabi perguntou enquanto me abraçava.
– Oral, Gabriela, mas eu não o fiz — a afastei e entrei correndo no colégio, indo em direção à sala do diretor."

Notas finais
é isso, espero que tenham gostado :) beijos de luz -J
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.