Being A Millionaire
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Ponto de vista: Annabeth Chase
Acordo num pulo e me sinto trêmula. Tive um pesadelo, mas não me lembro bem como foi. Sei que envolvia meu casamento e uma ruiva empregada tentando me esfaquear.
Fico deitada na cama absorta em pensamentos até que o despertador posto no meu novo quarto soa. — Dez horas da manhã. — Aperto ele e me levanto, indo até o banheiro. Faço minha higiene matinal, coloco uma regata branca e um short jeans e desço até a cozinha.
Ao chegar, me assusto ao ver Perseu sentado na mesa esperando o café. Ele parecia ser o tipo de pessoa que acorda depois das duas da tarde. O garoto/homem estava com os olhos quase fechados com uma expressão de sono. Estava muito fofo. Rio com o pensamento. Aquele cara? Fofo? Tinha que ser algum tipo de milagre.
— Bom dia. — digo a ele.
— Bom dia... — me responde com uma voz cansada demais para tentar me irritar.
— Então, o que irão querer? — pergunta Rachel, a empregada ruiva, sem olhar para mim.
— Café e um pedaço do bolo azul. — diz Percy.
— Azul? Um bolo azul? — olho para ele incrédula.
— É, nem tente zombar. Foi minha mãe que fez. — diz Percy.
— Uhm... Acho que vou querer o bolo também.
Percy sorri com o meu pedido e Rachel me fuzila com os olhos. Ela sai e após uns dois minutos volta com o café da manhã.
— Valeu Rach. — diz Percy distraído, olhando para o bolo.
A ruiva fica instantaneamente mais vermelha que o seu cabelo. Então era por isso que me odiava? Porque gostava do metidinho do filho de Poseidon? Bom saber...
Depois de comer o bolo azul Percy sai da cozinha sem ao menos dirigir um olhar a mim e me deixa sozinha com Rachel. A garota não é simpática comigo, mas também não me irritou ou tentou me matar como em meu sonho.
Fico distraída comendo o bolo azul, que estava delicioso.
— Caramba, esse bolo está ótimo... — penso em voz alta.
— Você ainda não viu a lasanha azul da tia Sally, ela é no mínimo setenta vezes melhor do que o bolo! — diz Rachel sorrindo e depois de alguns segundos volta a fechar a cara, provavelmente lembrando que não gosta de mim.
Depois de tomar o café da manhã, saio da cozinha e sigo em direção ao meu quarto, até que sou interceptada por Poseidon.
— Annabeth, aí está você! — exclama Poseidon satisfeito. — Quero te apresentar para a minha mulher e sua futura sogra.
Sinto o meu corpo gelar.
— Ahn, tudo bem.
Logo Percy aparece.
— Vamos logo, vou te levar até lá. — diz revirando os olhos, como se realmente não quisesse fazer isso.
Percy me guia ao último andar da sua mansão e quando para perto de uma porta enorme ele se vira para mim com um olhar de suplica.
— Olha, POR FAVOR. — ele começa com o tom de voz já desesperado. — Finja que não me odeia perto da minha mãe e que vamos nos casar por que “nos amamos”. — diz Perseu fazendo aspas com os dedos e dizendo sarcasticamente a parte de amar.
Eu olho para ele um pouco surpresa
— Por quê?
— Só faça, tudo bem? — ele parecia um pouco nervoso.
— Ok. MAS... Tem condições... — começo e ele engole seco. — Desde que eu cheguei aqui, eu tenho ficado trancada o dia inteiro dentro de um quarto. — reclamo. — Eu quero fazer alguma coisa nova, para variar.
Ele me avalia por um momento.
— Tudo bem, o que você quer fazer? O que você gosta de fazer? — ele falava muito rápido, parecia um pouco apreensivo.
— Eu quero sair de vez em quando! E eu gosto de ler livros, não ficar deitada o dia inteiro.
Ele forçou um sorriso.
— Ótimo, amanhã vou providenciar uma biblioteca para você e no final de semana eu te levo para sair comigo e com uns amigos.
— Sair? — meus olhos brilham de expectativa. Será que veria algum monumento ou algo assim? Sempre adorava fazer isso, não importa a má companhia. — Onde?
— Onde você acha que eu sempre vou? — ele me pergunta zombeteiro. — É claro que em algum bar ou boate. Prepare-se para a pior ressaca da sua vida. — dizendo isso, ele bate na porta e após ouvir um fraco e gentil “Entre!”, a porta é aberta.
Entramos no quarto e vejo uma mulher deitada em uma enorme cama de casal de dorsel. A mãe de Percy tinha o mesmo tom de cabelo que ele, e tinha feições humildes. Parecia ser muito bonita, se não tivesse com esse ar de doença. De primeira já me simpatizei com ela.
— Mãe? — pergunta Percy com uma voz surpreendentemente gentil.
— Estou ouvindo filho. — diz a senhora com um sorriso brotado nos lábios.
— Eu... Hã... Vim te apresentar a minha noiva. — ele diz coçando o queixo e olhando para a mãe.
Ela se senta na cama e me observa sorrindo.
— Nossa Percy... Não é que você tem bom gosto... — diz e eu coro fervorosamente.
— Ela é linda mesmo. — ele comenta casualmente me deixando mais embaraçada. Seria atuação ou estava falando a verdade?
— Obrigada. — digo corando.
— Ora, mas não é uma graça? Venha mais perto!
Vou até perto da enorme cama completamente envergonhada. Ela continua me olhando intensamente e sorrindo.
— Prazer, sou Sally Jackson!
— Annabeth Chase. — digo. — Prazer senhora Sally.
Ela me olha em desaprovação.
— Nada de senhora, não é necessário cortesia ao se falar comigo. — o tom de voz era sereno e humilde, nem parecia ser a dona de uma mansão. — Annabeth... É um nome lindo como os seus olhos...
— Er... Obrigada, minha mãe que escolheu o nome.
— Então ela tinha bom gosto! — comenta Sally por fim. — Quando vocês dois irão se casar?
Ela me pegou de surpresa. — Hã...
— Ainda não marcamos a data. — admite Percy por fim.
— Entendo... Percy, gostaria de dar uma palavrinha com a Annabeth a sós, tudo bem?
Ele parece avaliar a situação por um momento, mas por fim cede.
— Claro.
Ele se vira até a mim, segura a minha mão e a beija suavemente. Uma descarga elétrica parece ocorrer dentro de mim. O que era aquilo?! Nunca havia sentido antes... Não deixo de corar novamente.
— Até mais tarde, Annie. — e Percy sai do quarto.
… Annie? A última pessoa que me chamou disso tirando o meu pai, fora a minha mãe. De uma forma ou outra, acabou mexendo um pouco comigo. Fico abobada olhando para a minha mão até que Sally dirige a palavra.
— Ele é um ótimo garoto. Mas você já deve saber disso. — diz Sally, orgulhosa de seu filho. — Honestamente, pensei que ele nunca mais iria gostar de uma garota de verdade, depois de Calipso... — ela parecia absorta em pensamentos e pronunciava o nome dessa garota com um pouco de desprezo, o que me deixou intrigada. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que faria isso sem motivo. — Você... Você vai deixar o meu filho feliz e nunca magoa-lo? — os olhos de Sally Jackson me fitavam intensamente, e ela estava falando sério.
Não sabia direito o que falar. Não poderia prometer que faria Perseu feliz, nós nem nos gostávamos...
— Hã, tudo bem. — digo meio sem graça.
— Você promete? — ela me pergunta.
Fico um pouco assustada, não gosto de mentir. Ainda mais para alguém tão boa como ela. Mesmo a conhecendo hoje, via que era uma excelente pessoa.
— Desculpe, estou te pressionando. — diz Sally abaixando a cabeça e deitando novamente, começando a tossir.
Não sei ao certo o que deu em mim. Talvez fora a sessão de tosses, o seu olhar determinado, o fato de me sentir triste por tê-la decepcionado ou ainda por Percy ter me chamado de Annie, eu fiz um grande erro.
— Eu juro. — digo a ela após parar de tossir. — Juro pelo rio estige.
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