Ponto de vista: Annabeth Chase



“A vida é sempre assim. Quando a gente pensa que não podia ficar pior, os nossos problemas se triplicam.”


Tudo começou com a morte da minha mãe, Atena Chase.


Ela estava voltando do seu trabalho como sempre, e um caminhão bateu de frente no carro dela. Dizem que morreu na mesma hora, e eu espero que seja verdade, pois minha mãe não merecia sofrer.


Chorei muitas noites e meu pai começou a fumar muito. Todo o dinheiro que tínhamos em casa era usado para ele comprar seus malditos maços. Nunca fomos muito ricos e meu pai sempre fora desempregado, eu não entendi de onde ele tirava tanto dinheiro. Sempre que eu o perguntava, sua resposta era a mesma “Tenho muitos amigos, filha”.


Até que um dia essa farsa acabou. Chego em casa depois de um dia particularmente cansativo do cursinho preparativo para a faculdade e vejo o meu pai chorando muito.


— O que aconteceu pai? — olho para ele preocupada.


— Dinheiro... O dinheiro... — ele dizia coisas sem muito nexo, totalmente desolado.


Olho para ele e forço um sorriso.


— Vamos dar um jeito nisso pai, eu prometo. Eu posso começar a trabalhar...


— Não adianta! — ele grita subitamente. — Eu preciso dele agora. — diz e pega uma garrafa de cerveja vazia do chão. — Estou devendo muito!


Eu me aproximo dele.


— Vai ficar tudo bem pai...


Ele anda em minha direção e me abraça.


— Não minha pequena Annie, nunca mais vai ficar tudo bem. — são as últimas palavras que escuto até ele quebrar a garrafa de cerveja na minha cabeça.


***


Acordo em algum lugar esquisito, minha cabeça arde e me sinto tonta. Não reconheço o lugar em que estou.


Após alguns minutos de confusão, uma porta se abre e um homem entra.


— Aonde estou e quem é você? — pergunto assustada.


O homem abafa uma risada.


— Ele nem ao menos teve a decência de te contar... Mas bom, não tenho direito de julgar ninguém.


— Do que você está falando? — pergunto rudemente.


— Olha os modos, mocinha. — olha para mim com uma expressão fria. — Seu pai te vendeu.


Olho para o sujeito, mais que incrédula.


— Ele nunca faria isso comigo, esta desculpa não cola.


— Tem certeza? Ele não estava devendo muito? Bom, tente-se lembrar da última coisa que você viu antes de estar aqui.


Concentro-me para lembrar, mas minha cabeça lateja muito me dificultando. Após alguns minutos de esforço, me lembro que meu próprio pai havia batido uma garrafa de vidro na minha cabeça e começo a chorar.


— Não! — digo aos soluços. — Isso não aconteceu!


O homem ri.


— É claro que aconteceu, menina estúpida.


— E agora, o que você vai fazer comigo? — digo após o medo ficar maior que a tristeza.


— Te vendo para o Brasil, México, Turquia, Paquistão... Depende do meu humor, docinho. — diz sorrindo sinistramente para mim. — Agora estou saindo. Comporte-se. — e o homem sai da sala e me tranca nela.


Depois de alguns dias que eu nem sei se foram dias de verdade, a porta se abre novamente, e o mesmo homem entra.


— Vamos, levanta essa bunda daí! — diz ele estressado.


Levanto-me rapidamente e fico trêmula.


— Onde você vai me levar?


— Você tem sorte mocinha. — diz o homem com uma expressão azeda. — Vai continuar nos Estados Unidos. Um cara acabou de te comprar! — depois de me contar a “novidade”, puxa o meu braço brutamente e me entrega a um homem de terno.


Ele era bronzeado e seus olhos eram verdes e imprevisíveis. — Está tudo bem Annabeth, eu vou te levar embora.


— Espero que o dinheiro não seja falso, ou você pagará! — resmunga o homem.


— Eu não teria coragem. — diz despreocupadamente o homem de terno dos olhos verdes.


Saímos do estabelecimento e entramos num carro altamente luxuoso, com um motorista. Reúno coragem, e me dirijo a ele.


— Quem é você?


— Sou Poseidon Jackson. Hã, amigo do seu pai. Eu te comprei de volta, porque o seu pai se arrependeu e me implorou.


— Você está me levando para casa? — digo assustada. — Eu não quero vê-lo mais!


— Hã, não estou te levando para a casa que você pensa. — diz o homem um pouco sem graça. — Quando eu disse que te comprei de volta... Bem, eu não fiz isso de graça. Combinei com o seu pai que você irá se casar com o meu filho.


— O QUÊ?! — assusto. Isso não era esperado, não mesmo. — Mas vocês não tem o direito...


— Eu sei que isso é repentino e estranho, mas pense bem... Você deve a mim. Eu paguei muito para te comprar, e te darei um lar. Você tem duas escolhas, garota. Ou casa-se com o meu filho, ou volta para a casa de seu pai, e ele estará me devendo.


Penso por um momento. Morar com o meu pai, depois de tudo o que ele fez comigo nesses dias? Sem chances. Vivi a vida toda com ele, mas no momento ele era menos confiável que o estranho homem de terno que tinha um nome de um deus grego.


Eu não tinha outra escolha. E tinha que resolver AGORA. Tento processar tudo que está acontecendo comigo no momento, e uma súbita vontade de gritar quase escapa pela minha garganta.


Fecho os meus olhos tentando me acalmar e respiro fundo.


Engulo seco.



— Tudo bem. — murmuro. — Eu caso com o seu filho.

Notas finais
Bom, o prólogo é isso. Se gostaram, comentem. Aí eu continuarei a história. A fic será movida por comentários, ou seja, sem comentários, sem capítulos. Espero que tenham gostado.