Notas iniciais
Era para eu postar mais tarde... Mas eu me senti boazinha hoje. u.u

Ponto de Vista: Annabeth Chase



Acordo com o despertador soando em meu quarto. Espere, tinha um despertador aqui?! Bato nele para que pare de “gritar” em meu ouvido e me levanto. Depois de fazer a higiene e trocar de roupa, saio do meu quarto e encontro Brianne, a governanta, me esperando.



— Ora, aí está você senhorita Chase. — diz ela satisfeita. — Fico feliz que não seja como o senhor Perseu e respeite o despertador sempre.



Dou um sorriso de canto para a mulher.



— Hã, obrigada. Eu ahm... Vou fazer algo? Para acordar mais cedo assim... — vejo as outras empregadas carregando várias caixas e fico um pouco curiosa. — Se puder me responder, o que são aquelas caixas?



Ela me avalia por um momento e ajeita os seus óculos, que já estavam na ponta do seu nariz.



— Respondendo as duas perguntas. Aquelas caixas são entregas para o senhor Perseu, mas não sei exatamente o que são. — diz e realmente parece aborrecida e preocupada com as caixas. — E hoje você terá aulas de boas maneiras. — eu a olho um pouco assustada. — As aulas serão para você aprender a se portar na alta sociedade, já que será noiva do senhor Perseu... Você já é bem educada, mas se me permite dizer, é um pouco desajeitada na escolha de roupas e falta um pouco de elegância enquanto anda. — fico indignada com o que ela diz e já tento protestar, mas me lembro de que eu realmente não tenho jeito para andar, principalmente em sapatos de salto: sou uma perdição.



— Ahm... Certo. — estava com um pouco de medo dessas aulas.



— Pode se encaminhar para a cozinha que a sua tutora já está a sua espera. — diz a governanta e sai andando para fazer os seus outros deveres.



Sigo em direção a cozinha e encontro possivelmente a mulher mais linda de todo o universo. Os seus cabelos são de um castanho avermelhado e ondulado, caindo como uma harmoniosa cascata até a metade de suas costas. Seu olho esquerdo é verde e o direito é azul. Sua boca tem um tom avermelhado e sua cabeça tem uma forma completamente simétrica. Sem contar no estilo. Ela se vestia como uma adolescente, mas isso fazia com que ela parecesse ainda mais bonita. Fico olhando para ela, um pouco assustada.



Ela sorri para mim.



— Bom dia! — diz de uma forma energética. — Eu sou Afrodite, irmã de Poseidon, e serei a sua tutora nas suas aulas de classe e boas maneiras. — diz ajeitando o cabelo atrás da orelha delicadamente. — É um prazer em te conhecer, Annabeth Chase! Ouvi falar tão bem de você... Sally disse que você é uma graça.



Com certeza Afrodite era um nome apropriado para aquela mulher. Mas confesso de que fiquei um pouco intrigada. Ela e seu irmão tinham nomes de deuses gregos. Seriam os avôs de Percy viciados em mitologia como os meus?



— Prazer em conhecê-la, Afrodite. — digo timidamente à mulher.



— Bom, agora vamos ao assunto que interessa... Você e o Percy já...



— Não! — respondo na mesma hora corando feito uma louca. Eu acabara de conhecê-la e ela já estava me perguntando coisas complicadas.



Ela dá uma risada em resposta ao meu comportamento.



— Que interessante... Vocês dois parecem que irão render história... Enfim, sobre as aulas. Bom, hoje vamos começar com o modo de comer. Quero ver como você utiliza os talheres e estas coisas. Depois iremos ver como você anda de sapato de salto. — gelo quando ouço sobre sapatos de salto.



— Tudo bem. — digo um pouco tensa.



Uma das empregadas trás o café da manhã e como do mesmo jeito que sempre comi. Ela parece aprovar, pois sempre sorria para mim quando eu a espiava.



Quando termino de comer, ela me mostra um joinha.



— Acho que essa parte da aula foi desnecessária... Você come com elegância, não entendi porque eles me mandaram te ensinar... — ela parece pensar um pouco e um sorriso divertido aparece. — Agora vamos para os sapatos!



***



Vou resumir a minha manhã e parte da tarde para vocês: quase quebrei os dois pés tentando andar de salto. Fiquei horas andando para lá e cá com um sapato de agulha com quase quinze centímetros e ainda sim não consegui aprender a andar direito. Pelo menos agora não andava mais como um robô.



Depois que finalmente acabaram as aulas, entro no meu quarto e coloco um chinelo confortável. Alguém bate na porta.



— Entre. — digo um pouco surpresa e Percy entra com uma expressão cautelosa.



— Você não está... Hã, com raiva ainda, não é?



— Já superei o fato de você ser um idiota. — digo calmamente.



— Ah, qual é... Eu sei que você nem conseguiu dormir de tão perfeito e gostoso eu sou. — diz com um sorrisinho convencido.



— Então, o que você quer? — pergunto ignorando o que ele disse.



— Quem cala consente. — ele diz como se tivesse falado a coisa mais esperta do mundo e eu o fuzilo com um olhar assustador. — Enfim... Sua biblioteca já está com bastantes livros.



Meus olhos brilham ao escutar biblioteca.



— Espera, você fez uma biblioteca?! — pergunto assustada.



— Mas você não pediu livros?



— Não precisava ser uma biblioteca... Mas de qualquer forma, obrigada! — digo sorrindo.



Não entendi bem o motivo, mas Percy desvia o olhar de mim, parecendo muito interessado em olhar o teto.



— Nossa você parece ser mais nerd do que eu imaginava. — diz ele depois de um tempo.



— Gostar de livros não implica em ser nerd! — digo inconformada.



— Mas no seu caso é... Nerd, chata, machona, grossa, abusada... — ele diz com um sorriso debochado.



— E você é um idiota narcisista! — rebato. Qual era a dele? Fazia-me um favor e agora começava a me xingar? Deuses...



Ele rola os olhos.



— A diferença entre narcisista e realista é grande demais para se confundir. — antes que eu retruque, ele continua a falar. — Minha mãe me obrigou a te levar hoje para comprar o anel de noivado. — ele diz.



— Não precisa de me comprar um anel...



— Está recusando a boa vontade do foda, generoso, lindo, gostoso e sensual Percy?



Reviro os olhos.



— Foda? Sonha mesmo.



— Mas não nega a parte do lindo, gostoso e sensual. — o seu sorriso sarcástico estava começando a me deixar desconfortável.



— Você é um idiota mesmo.



— Agora vamos logo comprar o anel, antes que a Thalia e o Nico cheguem.



— Já disse que não precisa... — será que ele é surdo?!



— Fala isso para a minha mãe. — revira os olhos.



Ele me puxa pela mão e me leva até o seu carro. Não sei que carro exatamente era (nunca entendi muito bem de carros), mas era um lindo conversível. Não me surpreendi ao perceber que era azul. Percy entra no carro sem abrir a porta do mesmo e eu faço o mesmo.



Ele me leva até uma joalheria super luxuosa. Fico boquiaberta ao ver a quantidade de anéis de ouro, prata, diamante, esmeraldas...



— Escolha. — diz Percy.



— Eu?! Mas você é quem vai me dar. Você é que tem que escolher.



Percy revira os olhos e bufa.



— Você acha que eu sei escolher essas coisas? Eu tenho cara de ser romântico? — diz de uma forma sarcástica e quase que eu respondo que sim, pelo menos pelo que Thalia havia me contado. Mas decido me manter calada, acho que ele não ia gostar de saber que sua prima tinha me contado sobre Calipso. — Realmente não vai escolher? — continuo calada e ele franze o cenho. — Se achar feio não vou poder fazer nada...



— Combinado! — exclamo e sigo em direção a porta da loja. — Vou te esperar fora.



Ponto de vista: Perseu Jackson



— Vou te esperar fora. — Annabeth sai da loja após dizer isso.



Suspiro estressado. Onde já se viu Perseu Jackson numa joalheria comprando um anel de NOIVADO?! Ironia da vida, só pode...



Vou até a vitrine e depois de uns minutos olhando vejo um anel com uma pedra preciosa que eu não faço ideia do nome, mas que eu achei suficiente. Motivo: A pedra era grande e azul.



Mostro a pedra para o atendente e a compro. O anel foi até caro, mas como sou rico simplesmente passo no cartão de crédito e o compro sem nem ao menos dividir.



Saio da loja e vejo Annabeth olhando para o céu perdida em pensamentos.



— Comprei! — grito atrás dela e ela pula, assustada.



— Ah, mas que merda! — diz aborrecida. — Quase que você me mata de susto!



Limito-me a rir.



— Comprei o anel. — entrego o pacote e ela pega, o abrindo sem rodeios.



— Uhm... Ele é lindo! — diz com um sorriso de canto me deixando desconcertado.



O sorriso dela era tão bonito que me deu vontade de agarrá-la ali mesmo. Merda, o que está havendo comigo? Dou um sorriso convencido a ela.



— É claro que é, fui eu que escolhi.



Ela começa a rir.



— Pensei que tivesse dito que não sabia escolher... — zomba. — E tudo seu é azul... Acho que o seu sonho é se casar com um avatar, porque né...



Avatar? Começo a me imaginar numa igreja casando com um avatar e a ideia me dá náuseas. Começo a rir.



— Francamente... — digo tirando a cena bizarra da minha cabeça enquanto ela ainda continua a rir de mim.



Franzo o cenho e cruzo os braços, estarrecido, fazendo-a rir mais ainda.



— Annie... — vejo a voz masculina de algum adulto dizer.



A expressão doce e feliz de Annabeth muda completamente para raiva, mágoa e desespero. Ela se encolhe e se aproxima de mim. Sinto uma enorme preocupação porque eu nunca havia visto alguém tão assustado assim, ainda mais ela. Tão forte aparentemente... Coloco os meus braços em torno de Annabeth protetoramente e olho em direção ao homem. Ele tinha uma aparência completamente acabada e o tom do seu cabelo era idêntico ao de Annabeth.



— Não chegue perto de mim! — ela diz ao homem com os olhos marejados.



— Espere, minha filha, me escute...



— Não! Vai embora! — ela segura a minha mão e aperta forte.



Ele disse filha. Filha?! Então era por isso que a cor do cabelo era igual... Mas por que ela estava assim? O que havia acontecido?



Minha cabeça se enche de perguntas que eu não faço ideia da resposta. O homem começa a se aproximar e Annabeth começa a ficar trêmula. Tiro os meus braços em torno dela e fico em sua frente.



— Ela mandou ir embora. — minha voz era fria como um gelo.



O homem me analisa e cerra os punhos.



— “Ela” é a minha filha! VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE AFASTÁ-LA DE MIM! — berra o homem e cerro os punhos também.



Aquele homem já estava me dando nos nervos. Fez Annabeth chorar só de encará-lo e ainda grita comigo. Ah, ele ia ver... Antes que eu faça alguma coisa, ela me abraça pela cintura atrás de mim ainda trêmula.



— Percy... Vamos sair daqui, por favor... — sua voz já estava embargada de tanto que chorava e era cheia de suplica.



— Tudo bem. — não entendo bem ao certo, mas a sua voz me acalma um pouco. Pego a chave do meu carro no meu bolso. — E nem pense em nos seguir. — olho para o pai de Annabeth assustadoramente e ele não nos segue.



Entro no carro e Annabeth já estava aos soluços. Meu celular toca. Nico chamando. Rejeito a chamada.



— Me leve para algum lugar que não tenha ninguém. — diz ela no meio do seu choro.



Penso em algum lugar deserto e o único que vem a minha mente é o apartamento em que usava quando namorava Calipso. Fora o dia do meu aniversário, eu nunca ia lá. Mas agora não era hora de pensar nisso.



Dirijo até o apartamento e estaciono o carro. Entramos rapidamente nele e nos sentamos no sofá.



— O que aconteceu entre vocês, Annabeth? — pergunto e ela se limita a me olhar enquanto chora. Arrependo-me da pergunta instantaneamente. — Desculpe, não é da minha conta.



— Não, eu... Eu falo. — ela olha para baixo. — Meu pai... — menciona pai com desprezo e mágoa na voz. — Estava devendo muito depois da morte de minha mãe. Então... Ele... Ele me vendeu... — volta a chorar imediatamente.



Fico paralisado em choque. Como algum pai faria isso, ainda mais com ela? Conhecia-a há pouco tempo, mas sabia que era uma ótima pessoa, mesmo sendo um pouco nerd. Puxo-a para perto de mim e limpo suas lágrimas com a minha mão.



— Olhe... Ele é um filho da puta desgraçado. — o meu tom de voz era de ódio. — Não merece ser o seu pai. Eu sei que é difícil, mas pode contar sempre comigo agora. Eu sei também que você me odeia, mas eu sempre irei ajudá-la, tudo bem? — digo com a voz mais gentil que consigo reunir. — E desculpe por ser um merda em tentar consolar.



Ela olha em meus olhos com uma expressão indecifrável e depois faz algo que eu realmente nunca pensei que faria: ela me beija.



Não foi algo normal, como os que eu sempre dou nas mulheres que conheço. Era completamente inocente, apenas um selinho. Mas ele me transmitiu o quanto ela estava agradecida.



— Obrigada, Percy... — ela sussurra em meu ouvido e volta a chorar. — E eu não te odeio. — a escuto falando baixinho, e suspeito ser porque não queria que eu ouvisse.



Annabeth me abraça forte, com a cabeça emperrada em meus ombros enquanto chora e eu acaricio o seu cabelo. Era a primeira vez que eu reparava bem no cabelo dela. Tinha um tom loiro dourado (infelizmente como o do pai), e era encaracolado. Como o cabelo de uma princesa. Acaricio seus cabelos até o momento em que adormecemos no sofá.



***



Acordo meio desorientado e vejo Annabeth dormindo em meus braços. Pego o meu celular no bolso e descubro o horário: duas e quarenta da manhã. “Puta merda, Nico e Thalia irão me matar.” — penso.



Carrego Annabeth delicadamente e vou em direção ao quarto do meu apartamento. Coloco-a na cama cuidadosamente para que não acorde e abro o guarda roupa. Pego um cobertor e a cubro.



Fito o seu rosto adormecido. Tão linda...



Imprudentemente aproximo-me dela e dou-lhe um beijo no rosto. Arrumo o seu cabelo, que estava no rosto dela e saio do quarto para dormir no sofá.

Notas finais
Não ficou do jeito que eu queria, mas enfim... Não esqueçam de comentar para que eu poste o próximo mais rápido! Kisses :)