Beijos de Cerveja
1 ◇ . único
Notas iniciais
As noites que Yoake e Onoya visitavam a casa de Arata, a bebida seria a atração principal. Beberiam pelo trabalho, pela escola, pela tensão, pelos bons momentos, para conversar, e simplesmente, para beber.
Com o final do experimento ReLIFE de Kaizaki próximo, os encontros agora eram todo fim de semana. Bateriam na porta do apartamento da cobaia às 21:00 toda sexta-feira, querendo ele ou não.
Não que se importasse muito, já que era bom conversar sem medo de deixar algo escapar — nunca teria uma conversa 100% verdadeira com Ooga, Hishiro ou Kariu e sentia-se mal por eles.
E se os dois o usavam de desculpa para beber, qual era o problema?
Era por volta de 1:40 da madrugada, An estava dormindo profundamente em um dos futons do quarto — sim, dormindo de verdade. Haviam confirmado para que ela não estivesse fingindo. Yoake olhava para seu copo meio cheio de cerveja como se fosse algo demasiadamente interessante e Arata não conseguia mover a cabeça um centímetro que fosse, parecia estar à ponto de explodir.
“Ei, Arata, poderia me trazer mais uma cerveja?” O veterano da divisão de apoio pediu preguiçosamente se esticando sobre a mesa.
“Vá você. Ah, aproveite e pegue gelo e um copo de água também, minha cabeça parece em ponto de ebulição.” resmungou de volta.
“Ahhh~ Se você não vai pegar a cerveja para mim, eu não pegarei seu gelo.”
“Se eu levantar para pegar sua cerveja, eu mesmo posso pegar o gelo.”
“Então pode ir.”
Se tivesse forças, tentaria tirar aquele sorriso irritante do rosto do outro.
Por longos, porém poucos minutos, nenhum dos dois se moveu, dando braço à torcer.
Mas foi Yoake quem levantou indo até a geladeira após tomar o resto da cerveja — provavelmente já quente, do copo.
Com muito custo, pegou também alguns gelos colocando os numa bolsa para Arata.
“Obrigada Ryo, você até que é bonzinho quando quer.” A frase fora dita cedo demais, a bolsa de gelo estendida para si fora parar de volta na cozinha e Yoake voltou com apenas uma grade de cerveja em mãos.
“Desgraçado.” Ralhou.
Ryo deu seu costumeiro sorriso sádico.
“Sabe… Eu não sou uma pessoa tão má. Dito isso, aqui está uma pedra de gelo. Pode ficar com ela, se quiser”
Realmente, havia uma pedra de gelo que derretia rápido em suas mãos. Não que fosse ajudar de muita coisa uma pedra de gelo, ainda sim esticou seu braço para pegá-lo e o braço de Ryo se afastou.
“Só há uma e não seria efetivo de forma alguma assim, então tenho uma ótima ideia de como usá-la.”
Kaizaki reconheceu o sorriso que Yoake. Recheado de segundas intenções.
Sua cabeça dizia não, absolutamente não, entretanto só com palavras pôde sentir seu corpo esquentar e Kaizaki amaldiçoou sinceramente sua falta de contato físico e de um relacionamento naquela hora.
Seria apenas uma pedrinha de gelo. Deixaria Yoake se divertir um pouco e só. Ou deveria ser, porém o primeiro beijo, desajeitado e sem jeito, por culpa da pedra de gelo grande demais para ficar na sua boca junto à língua de Yoake, deu lugar para o segundo, mais normal e com a pedra de gelo inexiste, que cedeu para o terceiro, quarto, quinto, e atualmente sexto, que fora acompanhado com uma ereção de ambos.
Se deixava levar muito facilmente pelos lábios e boca de Ryo, também pelas palavras proferidas pela mesma. Desconfiava de que talvez Yoake fosse sua atual fraqueza.
Interrompeu o beijo a muito custo, para propor que saíssem do campo de visão de An.
Tamanha era sua pressa para colocar seus lábios na pele clara de Yoake, o mesmo para suas mãos, queria tocá-la em cada canto possível e impossível enquanto ainda lhe restasse sobriedade. Sequer esperou que a porta do banheiro fosse devidamente fechada para prensar o corpo do outro entre o seu e a parede, marcando todos os lugares visíveis como seus.
Arata estava confortável o bastante naquela noite, Yoake percebeu, ele não havia resistido muito e ainda havia tomado iniciativa. E por um momento pensou em tentar ir até o final naquela noite.
Não adianta se ele não lembrar depois.
A proposta ficou na ponta da língua, mas não deixou que a outra a roubasse. Por mais que já lhe houvesse roubado a sensatez e vergonha, sobrando nada mais que puro desejo carnal.
O resto da madrugada fora regado de beijos inebriados de desejo, carícias e gemidos contidos em um banheiro.
Com a manhã batendo na porta, voltaram ao cômodo em que a amiga estava.
E como se os momentos luxuriosos de alguns minutos atrás tivessem sido esquecidos, ambos deitaram acreditando fielmente que o outro esqueceria de cada toque e beijos trocados na noite anterior ao acordar na tarde seguinte.
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