Notas iniciais
Desculpem a demora, estou estudando MUITO para as provas finais agora, espero que gostem do novo capítulo.

“Pode começar.” Julie falou.

“Bem, por onde começo?” os cavalos andavam a trote “O que você quer saber?” estávamos lado a lado.

“Quem é esse Lucas?” ela olhou para mim.

“Ele era meu par no treinamento quando ainda éramos crianças, crescemos juntos, e depois que nós saímos para trabalhar e viver nossa vida, nós não nos separamos, compramos uma casa juntos quando tínhamos doze anos, e bem acabamos nos apaixonando.” eu deveria estar vermelha, eu tinha muita vergonha de falar sobre isso.

“E vocês foram separados quando você foi para a prisão?” ela me encarava.

“Sim, você lembra dos boatos da morte de mais de cem guardas?” ela assentiu “Foi Lucas, ele tentou me salvar, mas não conseguiu, até hoje ele se culpa pelo o que aconteceu.” eu comecei a lembrar daquele dia.

“Você se sente bem em me contar o que aconteceu.” eu ponderei um pouco, Julie era minha amiga, eu poderia desabafar com ela.

“Eu prefiro não falar sobre essa história, mas após algumas traições de amigos” falei ironicamente “eu fui presa, Lucas conseguiu fugir, mas na pressa não percebeu que eu tinha caído do barco.” eu me entristecia só de pensar sobre aquele dia.

“Desculpe ficar perguntando muitas coisas, mas você mentiu para mim sobre Lucas.” o olhar dela furava a minha alma.

“Eu sei, desculpe Julie, mas eu não gosto de falar de meus sentimentos, e você sabe disso.” eu olhei para a crina do cavalo “Essa é uma história que se mantem entre eu e Lucas.”

Continuamos o caminho em silencio, os altos portões do cemitério dos presos se erguiam a nossa frente, o cheiro de morte se alastrou pelas minhas narinas, o corpo dos presos eram jogados em fossas fundas e quando ficavam quase cheias eram fechadas, então não seria uma experiencia muito boa.

Desci do cavalo e o amarrei na grade, Julie estava ao meu lado, coloquei meu pé num vão do portão, então me impulsionei para cima, segurei mais a cima, e puxei o peso do meu corpo, e consegui pular por cima fazendo um baque surdo ao cair no chão. Endireitei meu corpo e então caminhei por um caminho de pedras e terra batida, os altos pinheiros se erguiam a nossa volta, e o som de corujas me incomodava. Chegamos a um campo aberto certado altas árvores, onde ninguém a não ser os coveiros se aventuravam, uma cova cheia até quase a boca de corpos recém-mortos. Eu fechei os olhos e rezei por eles durante um instante, rezei para que a alma deles fossem libertadas da prisão que é o mundo.

“Jasmine, o que é isso?” ela me perguntou.

“Um cemitério de presos Julie, não vou matar um inocente, vou pegar um desses corpos, não reclame, a não ser que queira me ver matar alguém.” ela negou e continuou ao meu lado.

Circulei pela cova eu sei que isso seria um desrespeito, mas eu não iria matar alguém inocente. Olhei para dentro da cova, um homem recém-morto estava no topo bem perto de uma borda. Chamei Julie com a mão, apontei para o corpo, e ela me ajudou a tira-lo da cova.

Era um homem alto de ombros largos, estava extremamente magro, o que o deixava um pouco mais fácil de carregar, o corpo estava em perfeito estado, deveria ter sido jogado na cova por volta de 48 horas atrás, era novo, novo demais para morrer, seus olhos estavam abertos e eram brancos, fechei-os com os dedos, depois daria um enterro decente para esse homem.

Coloquei o corpo desacordado sobre os ombros e voltei para o caminho de pedras caminhei com Julie sempre ao meu lado. O portão alto se ergueu a minha frente, agora precisava pensar em um jeito de jogar o corpo do outro lado.

“Julie cuide dele aqui para mim.” coloquei o homem no chão.

Peguei uma adaga do meu pulso, e peguei na ligação entre o cabo de madeira e a lamina, peguei no cadeado que fechava a porta com a outra mão e o segurei forte, e bati com a maior força possível nele com o cabo da adaga, um tilintar forte se espalho quando o cadeado e as correntes se encontraram com o chão, com toda a força empurrei o portão que fez um rangido ensurdecedor. Julie saiu o mais rápido que podia, enquanto eu voltei para buscar o corpo.

Joguei-o por cima do lombo do cavalo, e o amarei com algumas cordas para que não caísse então subi no cavalo, eu precisaria arranjar um jeito de fazer o corpo passar pelos guardas do castelo o que não seria nada fácil.

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Eu olhava as estrelas, a brisa fria de outono batia em meu rosto, o jardim principal do castelo dava vista para a entrada principal, eu e Jasper estávamos sentados lá a mais de duas horas, totalmente quietos sem qualquer sinal de Vivian ou Beatrice, o enorme relógio marcava exatamente 11:55 alguém ia morrer em cinco minutos. Droga! Eu não perco, eu nunca perdi, dizem que a perda faz nós querermos mais ainda a vitória, Jasmine fugiu da prisão agora, ela deve estar com fome de vitória.

“Nós precisamos melhorar Peter.” Jasper olhava para as estrelas.

“Eu sei Jasper, alguém vai morrer por nossa culpa, porque nós não conseguimos capturar Jasmine.” eu olhei para as minhas mãos.

“Peter, nós vamos acha-la e vamos mata-la” o sino soou exatamente doze vezes.

“Droga!” eu coloquei a mão no rosto “Droga.... Droga, droga droga.” Jasper colocou a mão nas minhas costas.

“Peter, se acalme...” Jasper me dizia palavras de consolo.

“Desculpe atrapalhar o seu surto existencial, mas o tempo de vocês... Acabou” uma risada baixa ecoou, era Jasmine.

“Onde você está?” eu esbravejei.

“Olha lá, que nervosinho” ela estava atrás de mim e Jasper segurando um corpo morto em seu ombro “Se acalme e sente aí!” puxei minha espada “Ah! Acho que alguém está com vontade de morrer hoje mesmo!” ela largou o corpo no chão.

Puxou de suas botas uma garrafinha com um rolha tampando a sua abertura.

“Sabe o que é isso?” neguei com a cabeça “Vai descobrir agora.” ela puxou a tampa e jogou o liquido no corpo ao seus pés que se incendiou “Burnia, o líquido que se incendeia ao toque na pele humana, já ouviu falar? Aposto que já, um assassino mercenário como você!” ela sorriu amargamente “Você quer que esse seja o seu final?”

Eu segurava a espada com mais força, minhas juntas doíam, Jasper estava em pé ao meu lado segurando sua faca, nós atacamos, ela puxou de suas costas dois chakram de altíssima qualidade, e num piscar de olhos ela atirou um contra mim, a força foi tão grande do impacto do chakram contra a minha espada que eu caí no chão desarmado, olhei para ela enquanto sua arma voltava para sua mão como um bumerangue, só então percebi que ela tinha jogado os dois, um em mim e outro em Jasper ele estava caído no chão com um pouco de sangue a sua volta e ele estava completamente desacordado.

Jasmine se abaixou ao meu lado segurando a minha espada contra o meu pescoço, um fino fio de sangue escorreu para o chão.

“Espero que isso sirva como uma lição.” ela jogou a minha espada longe “Você tem amor a vida, não quer perde-la para uma assassina, não aqui e não agora.” os olhos negros dela encarravam os meus “Não me subestime Peter, eu conheço suas habilidades, eu sei do que você é capaz, e tome cuidado.” eu sentia seu sorriso sob a máscara “seu amigo está vivo.”

“Você não tem coração, você é só mais uma assassina de baixo calão, isso só prova como você tem sangue frio!” ela me deu um tapa na cara.

“Me chame do que quiser, menos de sem coração.” ela se levantou.

Mas, ainda não foi embora, ela se abaixou ao lado de Jasper e pegou outro frasco de sua bota, este tinha um líquido verde em seu interior espalhou um pouco nos dedos e esfregou no topo da cabeça de Jasper, então percebi que eu tambem estava sangrando e muito, um corte no meu braço, um enorme e fundo corte.

“O que é isso, que você está passando em Jasper.” ela me ignorou “Me responda!”

“Espere que um dia mude seus conceitos sobre mim.” ela sorriu e correu para longe.

“Sua sem coração!” eu gritei com toda a voz.

Meus músculos estavam tensos eu precisei de um tempo para conseguir me levantar, e assim que eu consegui me manter de pé eu andei até Jasper, ele estava com sangue em suas mãos e no topo da cabeça, o chakram deve ter sido desviado da faca para sua cabeça o que o deixou desacordado.

Eu joguei meu peso ao seu lado e olhei para o sangue espalhado no chão, havia um longo corte que ia de sua mão até o seu cotovelo, não pegou nenhuma veia muito grossa, ele não corria risco de vida, o pote com o conteúdo verde estava no chão fechado pela rolha, peguei-o e coloquei em meu bolso, precisava levar Jasper para o quarto.

Puxei seu pesado corpo por cima do meu ombro, o homem morto não passava a ser mais que cinzas, eu fechei os olhos e rezei por sua alma. Coloquei força sentindo a dor em meus joelhos e corri com todo o folego que eu tinha até o nosso quarto.

Eu estava com dor nas costas quando finalmente todo sujo do sangue de Jasper e o meu, empurrei a porta e me joguei no chão. Meus olhos estavam pesados, eu tinha perdido muito sangue, eu ouvia ao longe as vozes de Leo, Marcos e Laura, mas a sensação de calor e tranquilidade me cercava eu não queria ficar perto deles, eu queria ir para onde o calor emanava.

“Peter, acorda! Não feche os olhos, você vai morrer, acorde!” a voz de Laura ficava cada vez mais baixa.

Será que eu ia mesmo morrer, não sei, talvez. Rasgaram a minha camisa, uma brisa fria percorreu minhas costas, eu senti o peso do corpo de Jasper se esvaindo, alguém mexeu em minhas calças, em meus bolsos e tirou o pequeno frasco de Jasmine de lá. E então os meus olhos ficaram mais pesados que pedras ao mar. E eu apaguei.

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“Como conseguiu colocar o corpo para dentro do castelo?” estava com uma sopa em mãos ouvindo as perguntas de Lucas.

“Havia uma brecha nos guardas, entre o portão leste e o nordeste, eles deixavam o portão quase totalmente desprotegido de meia em meia hora na troca de lugares, ficavam somente dois guardas, o que deixava tudo mais fácil.” tomei uma colherada “Eu honrei o corpo daquele homem queimando-o com o fogo mais raro do reino, e rezei pela sua alma.” coloquei o pote sobre a mesa no quarto de Lucas.

“E qual foi a reação deles?” Lucas perguntou.

“Medo, eu acho, e indignação por não terem conseguido me matar, eu causei alguns sérios ferimentos neles porque eles me atacaram, amanhã irei ver se estão bem.” eu tomei mais uma colherada da sopa.

“Como a duquesa Vivian?” ele pegou a colher da minha mão e pegou um pouco da sopa para ele mesmo.

“Sim, mas daí eu precisarei arranjar uma desculpa para sair do castelo, até amanhã eu penso nisso, eu vou levar alguns remédios amanhã, Peter deve estar em péssimas condições.” eu me sentia um pouco culpada por te-lo machucado.

“Se foi com o seu chakram, ele deve estar em péssimas condições mesmo, com a sua mira, e a lamina disso daí, não deve ter sido nada legal não.” eu assenti “ Você realmente está preocupada com ele, não está?”

“Sim, estou, não quero matá-lo, não vou sujar minhas mãos mais ainda.” eu olhei para ele “Se ele ameaçar a minha vida, ele não terá mais a dele, não se preocupe, eu me arrisco, mas nem tanto.”

Me levantei do sofá e tirei as pesadas armas das minhas costas, tirei as cintas, e todas as armas, e as coloquei no chão, aliando-me de todo o peso, me espreguicei e voltei a me sentar agora somente com a blusa e a calça que me deixavam muito confortável, deixei somente em meu tornozelo uma faca por precaução.

“Bem melhor!” ele sorriu para mim, ele estava desarmado, nunca havia visto Lucas sem uma sequer.

“Aposto que sim.”

Julie já estava dormindo na sala no primeiro andar, eu estava sozinha com Lucas, eu sentia falta, mas muita falta de nossas conversas. E agora eu finalmente estava de volta ao seu lado. Apoiei meu corpo contra o dele e ele me abraçou e beijou o topo da minha cabeça. Olhei para cima e vi seu sorriso para mim, eu beijei seus lábios com ternura, eu fechei os olhos e entrei no meu antigo mudinho, somente meu e do Lucas.

Ele virou meu corpo e se deitou em cima de mim, e me beijou com mais amor, seus dedos estavam entrelaçados nos meus, sua outra mão acariciava a minha cintura, quanto tempo fazia que eu e Lucas não ficávamos juntos?

“Você quer voltar para os velhos tempos?” Lucas sussurrou ao pé da minha orelha.

“Sim.” sussurrei de volta.

Sua boca tocou a minha e então sua língua invadiu minha boca, então sua mão começou a descer, eu estava feliz por estar ali com ele, eu precisava relaxar um pouco, e Lucas era a saída perfeita, eu poderia voltar a namorar com ele talvez, mas hoje eu tenho certeza que essa noite ia ser divertida. Tomara que Julie não acorde.

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"Eu morri?" eu falava comigo mesmo em minha mente "Acho que sim, acho que eu morri. Eu queria poder matar Jasmine, e dar adeus a Vivian antes disso." eu senti um aperto em meu braço "é, a vida é curta" olhei para o lado e não vi ninguém "Viu Peter, na hora que você acha alguém, você morre." outra vez o mesmo aperto no braço. Eu olhei para o lado e vi o rosto de Vivian.