Notas iniciais
Ok, não é terror do tipo oh que medo. kkkk É só uma viagenzinha que me veio quando eu processava que era sexta-feira 13. Um pós-Frozen diferente e obscuro, com Helsa e Hanna bem leve, quase inexistente. Como Olaf disse, Let's go k(ill)ss Hans! Oops :X Posso sonhar com comentários? Vamos lá ;)PS: Adoro o Hans, judiarei dele apenas desta vez, eu acho. Ah, deem um desconto com os possíveis erros, eu estava desmaiando de sono quando escrevi e nem revisei c.c

Consequências ruins não faziam parte dos planos, não que fosse algo inusitado ou impossível, e sim pelo fato de que Hans incrivelmente não era um homem que pensava em situações na sua totalidade. Ele vencera, seu prêmio inclusive veio em maior fartura do que jamais pôde calcular quando arquitetou seu plano. Tornou-se rei e tinha o povo de Arendelle em sua palma, aquela gente o venerava, afinal, quem não seria devoto àquele que arrancou o reino das garras invernais e domou a temível Elsa? Oh sim, Elsa, a sobremesa, sua adorável sobremesa, tão apreciável quanto o prato principal. A expurgada rainha veio junto a todos os lucros que obtivera, foram questões de dias para convencê-la a casar-se com ele antes que a condenassem à morte, bastou persuadi-la usando o nome de seus pais e da desafortunada ingênua Anna. Case-se comigo, Anna não iria querer que você deixasse Arendelle completamente em minhas mãos, tampouco que você morresse. Case-se comigo, e eu a inocento da morte dela. Ela acabou cedendo, depois de manda-lo ao inferno por sujar o nome de sua amada família em seus lábios. Impondo apenas a condição de preservar a estatueta congelada de Anna em sala, ambos oficializaram matrimônio de imediato. Elsa colaborou involuntariamente para engrandecê-lo desde que sua depressão pela morte da irmã deprimiu igualmente seus poderes, tornando o clima bem mais suportável.

Tempos bons. Até Hans começar a cogitar seriamente uma crença em superstições.

Estava em seus aposentos, revirava-se entre os lençóis à procura de agasalho enquanto um frio cada vez maior alastrava-se em sua pele. Com preguiça de abrir os olhos, apenas franziu o cenho e murmurou.

– Elsa, querida... Poderia controlar-se um pouco? Está ficando desconfortável...

Ninguém respondeu, não imediatamente. E a temperatura não amenizou.

– Elsa, por favor, entramos em um acordo de que não faria mais isso. Eu preciso ter um bom repouso. – Resmungou, torcendo internamente para que sua esposa não decidisse travar em uma birra ali mesmo. Até ouvir uma resposta.

– Hans, você tem que me beijar. Agora... – Ele não acreditava em seus ouvidos que certamente estavam pregando-lhe uma peça, dado que ela jamais pediria isso. Normalmente para beijar ou tocar, ele deveria no mínimo força-la. Embora cansado, não perderia uma oportunidade única como tal, sem pestanejar, o rei virou em torno de si e tateou até a nuca de sua mulher, dando-a o que estava pedindo. No entanto, aqueles lábios não eram de Elsa. Hans abriu os olhos de supetão, para ganir horrorizado enquanto se deparava com um par de pupilas azuis escuras vidradas nele, e uma franja branca pendente na testa, e a pele, era tão branca quanto gelada. Ele tentou afastar-se bruscamente, mas uma dor lancinante tomou seu lábio inferior que parecia grudado naquela boca, era como se houvesse tentando beijar um bloco de gelo. O rapaz arfou desesperado, empurrando-se longe do que ele identificou ser um cadáver, priorizando afastar-se daquilo a evitar a dor crescente. Quando finalmente conseguiu, contorceu-se para trás até tombar fora da cama e arrastar-se pelo carpete o mais distante possível, enquanto feixes de suor percorriam suas têmporas. Trêmulo, o rei engoliu e ousou se levantar, ignorando o sangue fluente de seu lábio cujo couro teve de ser arrancado.

Ali estava Elsa, suspirando ao fim de um bocejo enquanto abria os olhos, piscando lentamente para ele em confusão.

– O que faz aí? – Perguntou sem interesse algum.

Ainda processando a alucinação ou pesadelo, seja lá o que o aconteceu, ele arquejaria em alívio, percorrendo os dedos entre os fios ruivos a ponto de puxá-los. E em seguida contou tudo à sua esposa enquanto ela grunhia em arrependimento por tê-lo perguntado.

A partir daí, não havia chá ou remédio que o fizesse ter paz. O mesmo cadáver, o mesmo pedido, o mesmo pesadelo o perseguia. Sejam em breve cochilos, ou durante a noite. Aos poucos isto refletia em sua rotina, reuniões eram canceladas por diversas vezes por que o rei havia dado ataques de pânico após um lapso de sonolência o dominar por cansaço. Hans jamais se considerou um homem covarde até então, até suas olheiras serem amigas inseparáveis, e inclusive sua sombra fizesse sua face deformar-se em temor. E quando a noite chegava, as esmeraldas enegrecidas vasculhavam cada centímetro do cômodo no intuito de evitar que aquilo o pegasse desprevenido.

Quando seus músculos já não relaxavam e seus olhos arregalados já não suavizavam, ele pôde finalmente realizar seu medo por completo, ver sua beijadora por inteiro. Como sempre, ele levantou-se esperando que Elsa aparecesse dormindo no lugar onde estaria o cadáver, no entanto ela não estava lá. Ele só podia ter alcançado a insanidade, já que mortos não voltam para pedir beijos. Com as íris sem vida e estáticas sobre ele, uma Anna cadavérica reforçou seu pedido assustadoramente serena.

– Preciso de um coração novo, este aqui está podre. Vamos, beije-me para que eu possa sugar o seu. – A defunta rolou a língua em torno dos lábios limpando o sangue já seco que ele deixou, antes de arrastar-se pelos cotovelos até a borda da cama estendendo as mãos na direção dele.

O estômago do rei apertou à medida que sua boca amargava anunciando um vômito diante da ideia de beijar aquilo, e pior, de transferir um órgão a ela. Tentou agarrar-se ao fato de que aquilo era fruto de sua imaginação, seus joelhos mal o sustentavam enquanto ele apoiava-se no braço de uma cadeira próxima, sentindo sua garganta pulsar em batimentos cardíacos descompassados.

– Estou ouvindo-o cada vez mais rápido, dê-o para mim. – Ela disse em um gemido.

Sem hesitar, o rapaz disparou porta a fora, cambaleando até a escadaria. Um grito de pavor embolava-se em seu interior, incapaz de ser entoado enquanto seus pulmões ardiam em busca de um ar que ele não oferecia enquanto corria o máximo que podia. Não houve tempo para segurar o corrimão quando ele tropeçou nos próprios pés e tombou degrau por degrau, sem poder evitar a queda até o último deles, quando já estaria desacordado devido a um baque enorme na cabeça.

Uma dor aguda o fez despertar de uma só vez assim que uma pontada de consciência pôde voltar a si. Ofegante ele correu os olhos nervosamente por todo seu campo de visão até estremecer em susto ao avistar Elsa, suspirando aliviado após dar-se conta de que era apenas Elsa.

– O que há com você? – Ela perguntou, de braços cruzados, com o quadril apoiado no fim do corrimão, e ele jamais esteve tão feliz em ver aquele semblante impassível de emoções à sua frente.

– Anna... Anna quer arrancar meu coração... – O rapaz chiou debilmente, ainda convencido de que não era um sonho. – Elsa, meu bem, me ajude a levantar. Ajude-me... – Grunhiu enquanto uma pontada de dor o importunava.

– Eu? Eu espero que ela rasgue você. – Sibilou a rainha torcendo o lábio superior em expressão de nojo, os finos braços descruzando-se e deixando-se cair em seus lados, em seguida os joelhos tombando ao chão, e Elsa estava caída ao seu lado, e o rapaz choramingou horrorizado quando o belo azul dos olhos de sua mulher se tornou o azul que ele mais temia.

– Oh Hans, se ao menos houvesse alguém que te amasse... Você nem precisa de um coração. Agora venha, farei melhor uso dele do que você. – A voz infantil conhecida preencheu seus sentidos enquanto dedos frívolos tocavam sua nuca puxando-o. Ele apenas pôde fechar os olhos, apertando-os até a cor fugir de sua pele, tentando pensar em sua infância, ou em sua mãe, no que apenas agora ele reconheceu ser o verdadeiro sentimento de desespero. Mirar aqueles olhos cheios de raiva e fome não seria a última coisa em sua memória enquanto ela sugava sua vida. – Agora,... Beije-me.

Notas finais
Feliz Sexta 13.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!