Beija eu

5 Sessão de fotos - Parte II


Notas iniciais
Esse capítulo ficou curtinho, mas tá cheio de emoções! Hahaha

Empurrei Gustavo em busca de ar, apesar de estar tão envolvida no beijo quanto ele. Olhei para Mônica e ela parecia estar amando aquela sessão de fotos, talvez não tanto quanto Alice. O fotógrafo nos orientou outras poses e assim foi registrando em sequência, como ele queria.

Pedi licença para tomar água, mas na verdade, eu só precisava ficar um pouco longe daquele ser que havia me beijado há álbuns minutos atrás. Voltei para a sala em que eu estava inicialmente e percebi quando Alice chegou atrás de mim.

— Nossa! Beijo mais real, impossível. — Não disse nada, simplesmente tomei minha água como disse que ia fazer, apesar de não estar com sede. Novamente, Alice veio para junto de mim em um tom bastante desafiador — Tá acontecendo alguma coisa entre vocês dois?

— Fica tranquila Alice, nada do que acontecer nesse ensaio fotográfico vai impedir que você e o Gustavo saiam juntos mais tarde. — Fui direto ao ponto e ela pareceu não gostar muito. Talvez estivesse achando que eu ia roubar o príncipe encantado dela.

Ao invés de voltar pra continuar tirando fotos, fui ao banheiro. Sei que iria borrar um pouco a minha maquiagem, mas não pude evitar as poucas lágrimas que se formavam por ali. Não tinha nada a ver com o que Alice havia acabado de me falar, ou com o que eu havia dito a ela, tinha a ver comigo e com o Gustavo. Até quando ele vai me beijar por brincadeira e eu vou passar o dia inteiro lembrando e ao mesmo tempo, sentindo a boca dele na minha?

Que idiota você, Juliana! Agora mesmo, você não para de sentir o quão intenso foi aquele beijo e como ele foi tão gostoso que você quer mais. Mas, quer mais pra vida inteira, não só pra agora, pra vida inteira.

Tão idiota que tá falando consigo mesma. Aliás, comigo mesma.

Voltei para a sessão de fotos e assim que entrei na sala, Alice me olhou com um sorriso de canto de boca. Ela era uma ótima pessoa, mas quando se tratava de homem, atropelava quem quer que estivesse na sua frente. Sorri de volta, do mesmo jeito que ela havia feito, e rapidamente o sorriso dela desapareceu. Por fora, eu estava provocando-a e por dentro, eu estava tipo “Qual foi Alicezinha? Por que parou de sorrir?”.

Demorei a perceber que a sala agora tinha uma música ambiente, que cantava mais ou menos o seguinte:

Vou pedir aos céus, você aqui comigo

Vou jogar no mar, flores pra te encontrar.

Não sei por que você disse adeus

Guardei o beijo que você me deu.

Olhei pro Gustavo e ele me olhou de volta, como se estivéssemos pensando a mesma coisa. Não posso dizer nada a respeito dele, mas eu estava pensando que aquele monte de fotos que tiramos, já estava de bom tamanho.

Não bastasse tirar fotos com ele como se fôssemos um casal, ainda beijamos, e além de tudo, colocaram uma música para inspirar o momento. É demais pra mim e é fofoca demais pra Mel.

— Acho que não precisa de mais fotos, Mônica. — Falei finalmente.

— Por quê?

— Porque nós nem vamos usar todas elas, mas vamos ter que pagar por todas. — Tentei lembrá-la da situação financeira da nossa revista.

— Você tem razão! Alice, ajude a Juliana a se trocar. E Gustavo, você também pode ir. — Ela nos dispensou e foi resolver tudo com o fotógrafo.

Não sei se queria a Alice buzinando no meu ouvido sobre a saída dela com o garanhão, então saí na frente pra poder adiantar as coisas. Parei em frente ao espelho e novamente, me achei linda demais para ficar numa sala, presa e intocada.

Lembrei quando o meu pai costumava me chamar de princesa e agora, eu realmente estava me sentindo uma. Parecia que nada mais no mundo importava, só aquela maquiagem bem feita, aquela roupa bem passada e aquelas fotos que no fundo, denunciavam o quão encantada eu estava com tudo isso.

— Você ficou realmente linda. — Alice entrou na sala sem ao menos bater na porta.

— Obrigada. — Comecei eu mesma a desatacar o meu vestido.

— Deixa que eu te ajudo. Esses vestidos com flash atrás são meio complicados na hora de tirar. — Estava prestes a recusar sua ajuda, quando ela já estava com as mãos postas no meu vestido. Senti quando ela fez muita força no flash para abaixá-lo e imaginei que ele não precisasse de tanto pra descer. Não era tão complicado.

Ela continuou fazendo muita força, como se estivesse forçando-o. Rapidamente, eu senti quando o vestido folgou além do normal.

— Ju, me desculpa! O flash quebrou. — QUEBROU? COMO ASSIM QUEBROU? Me virei, ficando de frente pra ela.

— O flash quebrou? Ou você quebrou ele?

— Por que você tá me acusando?

— Porque hoje eu finalmente conheci a Alice que você é.

— Não sei do que você tá falando. — Ela se aprontou para sair da sala como se nada tivesse acontecido. Essa mulher quebrou o flash do meu vestido de propósito, unicamente por ciúmes de um rapaz que é de todo mundo e não é de ninguém. Uma coragem absurda me subiu, juntamente com um ódio totalmente explicável e a minha mão foi ao encontro do rosto dela. Mais especificamente, eu bati na cara da Alice, como nunca havia feito com ninguém.

— Juliana, já se trocou? — Mônica entrou na sala, também sem bater. E quando viu Alice com a mão no rosto e o cabelo bagunçado, se assustou. Ficou parada na porta nos observando e nem se quer, fechou-a.

— Você tá louca? — Alice gritou.

— Nunca mais se atreva a destruir algo meu só porque você está com ciúmes de alguém.

Alice veio pra cima de mim e Mônica começou a gritar, pedindo ajuda. Gustavo e um outro rapaz chegaram e rapidamente, nos separaram. Gustavo segurou Alice e o outro, me segurou.

— EU ODEIO VOCÊ! — Alice gritou novamente, mas desta vez, seu rosto estava vermelho.

— Para Alice! — Gustavo gritou com ela.

— Fala pra ele Alicezinha, por que é que você me odeia! FALA!

— Para você também Juliana!

— Você bateu na pessoa errada. — Alice falou num tom muito baixo agora, diferente das outras vezes.

— Pensa que eu tenho medo das suas ameaças? Piranha.

— Não me chama de piranha! — Ela voltou a gritar, além de se mexer freneticamente nos braços de Gustavo.

— Alice se acalma! — Ele a tirou da sala e ficamos eu, o rapaz que me segurou e Mônica.

— O que aconteceu aqui Juliana? — Mônica me perguntou calma, agora que a poeira havia baixado. Porém, num tom bastante superior.

— Ela quebrou o flash do meu vestido de propósito.

— E vocês brigaram por isso?

— Ela ficou com ciúmes porque eu beijei o Gustavo no ensaio fotográfico. — Agora quem estava gritando era eu.

— Chega! — Ela gritou de volta — Os problemas pessoais devem ser resolvidos lá fora, aqui dentro, os nossos assuntos são meramente profissionais. Vocês sabem disso!

Mônica e o rapaz saíram da sala, e eu sozinha, comecei a chutar as coisas e a dar murros na parede, como se isso fosse resolver o meu problema. Alice havia passado dos limites e sem sombra de dúvidas, o clima no escritório seria totalmente diferente de agora em diante.

Se ela quer guerra, ela vai ter.

Notas finais
Comentários pra tia aqui s2