Beija eu
12 Dar-te-ei finalmente os beijos meus
Notas iniciais
— Não. Te olhar bem de pertinho faz com que você seja muito mais bonito. — Me aproximei e os nossos rostos ficaram a milímetros de distância — Me beija?
— Juliana, eu... — Gustavo parecia nervoso. Quando eu não queria que ele me beijasse e a nervosa da história era a idiota aqui, ele se sentia muito seguro, cheio de si e ainda por cima, com a maior pinta de garanhão. Mas agora que os papéis inverteram, Gustavo simplesmente não sabia como agir.
— Agora.
Gustavo finalmente atendeu ao meu pedido e nós nos beijamos. No começo, foi rápido, quente e excitante, mas depois, foi acalmando e tomando de volta o seu gosto carinhoso e cuidadoso. Ele tinha pegada e isso tornava a nossa situação muito mais empolgante. Suas mãos foram para a minha nuca e para a minha cintura, pressionando-me contra o seu próprio corpo.
No exato momento do nosso beijo, alguém pôs Marcelo Jeneci para tocar e a partir daquele momento, aquela música seria a nossa.
Não te darei flores, não te darei. Elas murcham, elas morrem.
Não te darei presentes, não te darei. Pois envelhecem e se desbotam.
Não te darei bombons, não te darei. Eles acabam, eles derretem.
Não te darei festas, não te darei. Elas terminam, elas choram. Elas se vão.
Dar-te-ei finalmente os beijos meus. Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus. Esses embalam, esses secam, mas esses ficam.
— Melhor a gente ir embora. — Gustavo falou entre o beijo — Você já bebeu demais, eu também...
— A gente não bebeu quase nada. — Empurrei-o.
— Bebeu sim. Não discute comigo. — Ele levantou e pôs a bolsa nas costas, depois pegou as minhas coisas e começou a se despedir de Mônica e Eduardo. Agradeceu pela comemoração, pela comida e pelas bebidas a Plínio e até perguntou quanto dava tudo. Eduardo e o pai ficaram envergonhados, afinal, foi ele quem nos convidou, e disse que era por conta da casa. Mônica também nos disse que poderíamos tirar o dia seguinte para descansar, se quiséssemos. E até lamentou o fato de já estarmos indo embora.
— A gente não precisava sair agora. — Gustavo fingiu não ouvir o que eu tinha dito e não respondeu absolutamente nada — Até porque, amanhã a gente não precisa ir trabalhar.
— Você tá realmente bêbada.
— Quem disse?
— Juliana, toda certinha e responsável, não quer ir trabalhar amanhã? — Ele fingiu estar desapontado.
— A Mônica disse que a gente não precisava ir. Você ouviu!
— Ouvi sim. E também ouvi ela dizer que nós não precisávamos ir trabalhar, se quiséssemos.
— Então... Amanhã vai ser um dia que eu não vou querer sair de casa.
— Nem eu iria querer, com tanta ressaca.
— Eu não to bêbada. Idiota! — Gritei.
— Aham, tudo bem. — Seu tom de voz era de quem não acreditava no que eu estava falando e isso, sinceramente, me deixava bem irritada — Entra no carro que eu vou te deixar em casa.
— Fala que eu to bêbada, mas vai dirigir depois de ter bebido também. — Sussurrei enquanto entrava no carro.
— Que? — Ele gritou.
— Que o que?
— Isso que você disse aí...
— Eu não disse nada.
— Disse sim.
— Não disse.
— Ah não?
— Não. — Gustavo começou a fazer cócegas em mim até que eu implorasse para ele parar. A minha risada estava cada vez mais alta e mais intensa, mas o meu orgulho me impediria de pedir que ele parasse. Eu não daria o braço a torcer. Eu teria que ser uma guerreira! Teria que aguentar até que... — Para! Por favor! — Mal consegui falar em meio aos risos.
— Repete o que você falou. — Olhei rapidamente e vi que Gustavo estava rindo junto comigo. Nenhum de nós dois era o mesmo desde que nos conhecemos. Ele parecia muito mais próximo de mim, e eu parecia muito mais amigável com ele.
— Só se você parar.
— Parei. — Levei um tempo para respirar e conter os risos.
— Eu só disse que você não podia dirigir porque bebeu também.
— Não bebi nem metade do que você bebeu.
— Mas bebeu Gustavo! E se o guarda parar a gente?
— Eu vou preso e você paga a fiança pra me ver fora do xilindró. — Ele falou enquanto ligava o carro e tirava do estacionamento.
— Ei! — Gritei e bati nele, mas ele, claro, debochou de mim e ficou rindo, apenas — Gustavo, eu to falando sério.
— Eu também to falando muito sério. — Me ajeitei na cadeira do carro e olhei para o outro lado, fingindo estar com muita raiva da irresponsabilidade dele — A gente vai por um caminho sem fiscalização.
— E se a gente sofrer um acidente? — Virei e olhei pra ele.
— A gente vai pro hospital. — Virei de volta e olhei para o outro lado — Eu to brincando, Juliana. — Ele pôs a mão na minha e segurou bem firme e forte — Confia em mim.
— Não posso.
— Por quê?
— Porque a sua mão está segurando a minha ao invés de está no volante. — Ele soltou a respiração de forma irritada e pôs as duas mãos na direção.
— Melhorou agora, mulher do trânsito? — Gustavo olhou rapidamente pra mim.
— Só um pouquinho. — Indiquei o pouquinho com os dedos polegar e indicador, e Gustavo riu do meu gesto.
Virei o rosto para o outro lado, mas desta vez, não para indicar que estava com raiva, mas sim, pra deixar solto o riso bobo que estava em mim. Eu estava de fato muito encantada com tudo que estava acontecendo. Gustavo e eu mudamos da água pro vinho um com o outro, assim como a nossa relação. Era impossível não achar graça disso tudo, de como o mundo dá voltas.
Como combinado, fomos por um lugar que não havia qualquer fiscalização que fosse, e pra completar, Gustavo foi cortando caminho para que chegássemos mais rápido. E realmente, deu super certo. Passamos apenas vinte minutos no trânsito.
Chegamos ao meu condomínio e ele parou o carro com bastante delicadeza na portaria. Até me ajudou a pegar as minhas coisas que ele tinha posto no banco de trás.
— Cuidado quando for subir.
— Desde quando o elevador é perigoso?
— Desde quando você ficou bêbada.
— Eu já te disse que... — Gustavo se esticou um pouco e me deu um selinho demorado.
— Posso sentir na sua boca, o gosto apurado do álcool.
— Você me beijou só pra... — Ele notou que o meu tom de voz demonstrava bastante irritação, então foi rápido no gatilho e me beijou novamente, da mesma forma.
— Não. — Depois de falar, Gustavo depositou mais um selinho demorado nos meus lábios — Boa noite.
— Boa noite pra você também.
Peguei o elevador e fui sorrindo do térreo até a porta de casa. Respirei fundo e torci que Mel não estivesse em casa ainda, caso contrário, ela iria especular os meus sorrisos, o meu hálito de álcool, o meu cabelo bagunçado, etc. E tudo o que eu não precisava agora, era de alguém pedindo detalhes da minha vida como se fosse um reality show.
Não é que eu não goste da Mel ou não goste de conversar com ela, desabafar o que eu to sentindo ou coisas assim. Mas é que às vezes ela não espera que eu queira fazer isso, ela simplesmente me obriga a fazer. E isto se torna um pouco incômodo algumas vezes.
Entrei sem fazer barulho e notei que o apartamento estava silencioso. Deixei as coisas na sala e fui olhar todo o resto. Para a minha grande sorte, Mel ainda não havia chegado do trabalho! Involuntariamente, me joguei na cama e comparei meu corpo a um saco de pancadas, completamente esbofeteado. E o travesseiro, como meu bom amigo que é, me fez ter uma sessão de lembranças.
FLASHBACK MASTER ON.
Virei novamente para poder mergulhar e senti quando ele me puxou rápido pela cintura. Nossos corpos estavam definitivamente colados agora. [...] Ele aproximou o rosto do meu e a Juliana revoltada de alguns minutos atrás, não teve qualquer reação.
— Você...
— Eu...? — O rosto dele ficou mais próximo ao meu. Ele brincava com as nossas bocas e mais uma vez, eu fiquei sem reação. Fechei os olhos e ele me beijou.
[...]
— Cansada? — Ele resolveu quebrar o silêncio.
— De que?
— Da praia.
— Quem deveria se sentir cansado é você, que passou o dia inteiro lá.
— Impossível ficar cansado depois de beijar uma boca tão... — Não esperei que a frase chegasse ao fim e joguei um estojo em cima dele.
[...]
E assim, Gustavo o fez. Pegou-me pela cintura de uma forma selvagem, mas ao mesmo tempo, carinhosa. Juntou nossos rostos e brincou com as nossas bocas como havia feito na praia, foi aí que eu percebi que ele procurava sempre repetir o que fez naquele domingo, exatamente do mesmo jeito, como uma forma de não me deixar esquecer o que aconteceu. Mais especificamente, não me deixar esquecer o nosso beijo. [...] Sua boca novamente se aproximou da minha e automaticamente, fechei meus olhos pedindo para que ele me beijasse, pedindo pra que ele me invadisse, pedindo pra que ele provasse o que de melhor eu poderia lhe oferecer no momento.
[...]
— Você não acha possível?
— Possível o que?
— Um relacionamento sério.
— Que relacionamento?
— O nosso relacionamento. — Gustavo aproximou-se mais e até me puxou pela cintura. Brincou com as nossas bocas como só ele era capaz de fazer, e em seguida, pôs a outra mão na minha nuca me puxando para um beijo quente, porém, com um toque de carinho.
[...]
— Vai ficar me olhando o tempo todo?
— Não.
— Se você não vai me olhar, então eu te olho.
— Por quê?
— Porque você fica linda com o rosto corado.
[...]
Ele continuou mexendo no meu cabelo, de um jeito muito mais provocante agora. Começou também, a depositar suaves selinhos no meu pescoço e, involuntariamente, eu o estiquei para que Gustavo pudesse continuar. Algo em mim, dizia que isso deveria parar, mas o outro lado da minha moeda dizia que isso era só o começo.
— Para. — Sussurrei.
— Você quer que eu pare? — Ele falou entre um selinho e outro.
— Não. Não... Quer dizer, eu quero sim. — Gaguejei sem nem ao menos perceber a confusão que estava na minha cabeça.
— Sim ou não? — Ele parou de beijar meu pescoço e me encarou firmemente, esperando que eu lhe desse uma resposta definitiva — Hein?
[...]
— Sobre o que aconteceu lá embaixo, é... Eu queria te agradecer por você ter livrado a gente daquelas perguntas inconvenientes. Mesmo que o que você tenha feito não tenha sido de fato adequado. — Respirei fundo e cheguei mais perto dele — Obrigada.
— Você me deixa louco. — Ele sussurrou — Me deixa com vontade de te beijar de novo.
[...]
Você era mais carinhoso, mais cuidadoso, mais legal — Senti a minha voz falhar um pouco e os meus olhos pesarem — Só não era mais bonito que agora.
— Não?
— Não. Te olhar bem de pertinho faz com que você seja muito mais bonito. — Me aproximei e os nossos rostos ficaram a milímetros de distância — Me beija?
FLASHBACK MASTER OFF.
Dar-te-ei finalmente os beijos meus. Deixarei que esses lábios sejam meus, sejam teus. Esses embalam, esses secam, mas esses ficam.
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