Beifong
5 4 Anos - Toupeira Texugo (parte 2)
Notas iniciais
Não liguem se alguns trechos ficaram muito idiotas ou sem sentido... Ou se eu usei poucas falas. É que eu escrevi algumas partes de madrugada, e sabe como é... A gente fica meio sem noção.
Espero que gostem :}
(PS: eu falei que o capítulo tinha ficado enorme)
Kori voltou um pouco tarde de mais.
Pedira para Toph ficar esperando no quarto que ela voltaria logo, mas carregaram ela para fora de casa para resolver um problema no jardim, e ela já não tinha tanta certeza que Toph ainda estava lá. Principalmente porque Poppy não a deixava sozinha por um minuto. Kori achava isso desnecessário, mas infelizmente, não havia nada que pudesse fazer.
Ao entrar em casa, assim que passou pela porta da frente deu de cara com mais de dez guardas juntos.
-O que aconteceu? – perguntou a um deles, preocupada.
-O que está fazendo parada aí? Não ouviu as ordens do senhor Beifong? – foi a resposta que teve. De cara fechada, virou as costas para ele e foi procurar por Lao.
O encontrou não muito depois, na vasta sala de estar.
-Onde esteve? – ele perguntou assim que a viu.
-Tive uns, ahn... Probleminhas. O que está acontecendo? Isso aqui está tão agitado...
-A Toph...
-O que? Ela está bem??
-Não sabemos... Toph fugiu.
Kori se espantou?
-Por que ela fugiu? Faz quanto tempo?
-Ela ouviu coisas que não devia, e... – Kori fez que sim, entendendo o que ele queria dizer – já a procuramos na casa, no jardim, do lado de fora e até agora nada.
-Eu sinto muito – falou – vou fazer tudo que puder para encontrá-la.
Silêncio desconfortável.
-Ah, como eu pude esquecer – Lao disse de repente – descobrimos que ela é uma dominadora.
-Dominadora??
-É, dominadora de terra.
-Que incrível! *olhos brilhando* Isso é praticamente um milagre, não é? Poppy não tem dominadores na família, e o senhor não tem há quatro gerações. Puxa!
-Eu sei, muito improvável.
-Como descobriram?
-Foi meio sem querer. Ela estava sozinha no quarto e saiu para... – sozinha no quarto.
Então quer dizer que se não tivesse a deixado sozinha no quarto, Toph não teria fugido? “Que bom saber que eu poderia ter evitado essa bagunça toda”, pensou. “Se eu não tivesse saído, estaria tudo bem, ela não teria ouvido as discussões de Poppy e Lao, não teria fugido e não teria...”
-...Entendeu?
-Ah. Ah sim, sim, entendi *sorriso amarelo* acho que eu vou ali, er... Procurar a dominação de terra... Quer dizer, a Toph. Na cozinha, já volto.
Kori saiu apressada, rezando para Lao não notar seu nervosismo. Se ele notasse, talvez percebesse que Toph só tinha fugido porque Kori não estava com ela. E o que isso queria dizer? Provavelmente ela seria despedida. Sem contar que a sensação de culpa já era ruim o bastante só em seus pensamentos, ela não queria que Lao a fizesse se sentir mais culpada ainda.
Kor encostou na parede e respirou pesadamente. Não sabia se devia ficar feliz por Toph ser uma dominadora ou preocupada por ter fugido.
*****
Algumas horas depois...
Era a décima vez que Toph passava por aquele lugar.
Mais ou menos uma hora antes, ela decidiu que queria sair dali e ir para casa, porque lá pelo menos teria Kori. Então levantou e andou... Andou... Andou... Mas sempre dava no mesmo lugar. E mesmo sendo cega, Toph percebia.
Ela se jogou de costas no chão.
“Agora eu não tenho mãe, não tenho pai, não tenho a Kori e estou presa” pensou, ameaçando chorar de novo. Então levantou o corpo e ficou sentada. “Quem sabe eu não possa morar aqui com os bichinhos da caverna...”.
-Mas não tem nem bichinhos morando aqui! – choramingou em voz alta – alguém me saaaaaaaaaaaalva!
Toph fez silêncio, esperando alguma resposta. Mas nada.
-Vou morar sozinha na caverna – disse, chorando.
Foi quando ela ouviu um pequeno barulho. Tão pequeno que poderia ser coisa de sua imaginação.
Mas logo...
...O barulho pequeno, em uma fração de segundo, se transformou em um barulho estrondoso atrás da pequena Toph. Ela arregalou os olhos ao sentir que a parede tinha quebrado. E não quebrou sozinha.
Toph pôde sentir alguma coisa enorme se aproximar dela. Uma coisa com as garras maiores que seu próprio corpo. Uma toupeira texugo. A garota se encolheu, com medo.
Por que tinha que fugir?
Assustada, tentou pensar em uma maneira de se esconder antes que fosse devorada. Mas, é claro, não tinha onde se esconder ali. E mesmo que tivesse, qual era a chance do bicho ainda não ter visto ela?
Provavelmente viraria agora comida de um “bichinho da caverna”.
Mas não.
Ele chegou cada vez mais perto até que o focinho estivesse a cinco centímetros da amedrontada dominadora de terra, que encolheu mais ainda os ombros. E tudo que fez foi... Cheirar?
Toph até estranhou. Primeiro fez cara de dúvida, imaginando o que aquilo queria dizer. Depois abaixou a cabeça ao sentir a respiração da toupeira, como se esperasse ser atacada. “Por que ainda não morri?” pensou. “Será que ele quer que eu faça alguma coisa?”.
Então, relutante, se virou e o cheirou também, como se fosse outra toupeira.
Para sua surpresa, o bicho a lambeu do cotovelo direito até o topo da cabeça, deixando-a encharcada. Ela deixou uma risada escapar ao sentir a baba do bicho pingando. Então acariciou a ponta do seu nariz.
Mas aí se lembrou... Kori uma vez a disse que os bichos mostram afeição lambendo os outros. Toph o lambeu de volta e riu ao sentir seu focinho gelado e úmido. Sentindo como se fosse seu novo bichinho de estimação que sua mãe nunca a deixaria ter.
-Quem é você? – perguntou, ainda acariciando seu focinho – meu nome é Toph. Pra um monstro grande da caverna, você é legal *outra lambida* eu fugi de casa porque ninguém gosta de mim. Você gosta de mim?
Em resposta, ela recebeu outra lambida. E riu.
-Eu vou morar com você nessa caverna, monstro gigante.
A toupeira texugo a lambeu de novo e virou de costas, andando para o outro lado da caverna, como se estivesse chamando Toph para ir com ele.
A garota o seguiu, engatinhando. Atenta a todos os sons para saber em que direção ia e atenta às vibrações da terra quando as patas dinossáuricas do bicho batiam no chão. Em momento algum ela bateu em alguma parede ou tropeçou em uma pedra. Parecia saber exatamente onde ia.
A pequena dominadora, por mais estranho que fosse para ela, sentia na palma das mãos cada movimento das patas da toupeira. E repetia o movimento com as mãos, como se tentasse ser ela.
Alguns minutos depois, Toph a sentiu parando. E, claro, parou também, atenta ao que viria.
Toph sentiu o “monstro da caverna” tirando uma pata do chão e quebrando uma pedra em centenas de pedacinhos. Em seguida, o bicho se virou para ela, como se esperasse que fizesse alguma coisa.
Então ela se levantou. Com um movimento das pernas que ela aprendeu sabe-se lá onde, Toph quebrou uma pedra menor, exatamente como a toupeira fizera.
-Eu sou igual a você! *repetindo movimento* eu sei quebrar uma pedra igual você faz! Vou morar aqui pra sempre! – disse, pulando em seu focinho, realmente acreditando que iria morar ali.
Enquanto isso...
-Onde essa menina se enfiou?
Os guardas, cansados de procurar, reclamavam sem parar uns para os outros.
-Estamos há horas procurando e até agora nada.
-Eu achava que era pago pra tomar conta da casa dos Beifongs, não da filha deles.
-A culpa de estarmos aqui é toda da Kori. Pra quê foi deixar a garota sozinha?
-Estava resolvendo alguma coisa no jardim – disse outro.
-Mas ela é babá, não jardineira. Devia tomar conta da Toph! Por um descuido dela nós estamos aqui...
Olhou em volta, tentando descobrir onde estava.
-No meio de árvores, e árvores, e mais árvores... Na boca de uma caverna, procurando uma criança que pode estar em qualquer lugar.
Os outros dois guardas olharam para a caverna. Não haviam percebido que estava ali até o outro falar.
-Ela pode estar aqui.
-Nessa caverna? Eu duvido que ela tenha vindo tão longe.
-Se não veio, por que estamos aqui? ¬¬
-Oras, temos que procurá-la!
-Então vamos procurá-la lá dentro!
-Eu não entro nessa caverna nem morto.
-Por que? – o terceiro guarda deu uma cotovelada nele – tem medo de escuro?
-Eu? Não, é claro que não!
-Então anda, deixa de frescura – dois dos guardas entraram.
-Eu vou, er... Ficar de guarda aqui fora. Caso a menina apareça.
-Até parece...
Os dois desceram silenciosamente no escuro completo, cada vez mais distante da entrada. Procuravam algum sinal de que Toph estava ali. A voz dela, som de passos ou de pedras, já que ela era dominadora. Mas tudo que ouviam era o som de suas respirações.
Que escuridão ameaçadora. Frio, cheiro de terra, sensação ruim. Parecia que estavam sendo observados o tempo todo.
Depois de alguns minutos, um deles parou.
-Acho que a gente devia chamá-la daqui.
-Não vai dizer que também está com medo?
-Não, mas não vai adiantar nada continuar andando. No mínimo vamos nos perder.
-Tem razão. E o que fazemos agora?
-TOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOPH – um deles gritou, ouvindo o eco de sua voz depois. E esperando alguma resposta.
-Será que isso vai dar certo?
-É o jeito.
Então começou um barulho interminável com suas vozes, e em seguida o eco, e o eco do eco, e suas vozes de novo... Quem sabe assim alguém não ouviria se estivesse dentro da caverna?
Depois de chamarem por Toph incontáveis vezes, os dois se calaram, esperando uma voz responder. A expectativa aumentou, até que...
“Rwoaaaaaaaaaar”.
Ouviu-se um vago grunhido, que parecia vir de muito longe, das profundezas da caverna.
-Eu acho que ela não está aqui...
-Ou não está agora.
-O que quer dizer com isso?
-Um bebê em uma caverna... Com uma coisa estranha que grunhe alto... Não pode ser bom sinal.
-Temos que checar – um deles virou e subiu de volta, acompanhado de perto pelo outro.
Ao saírem da escuridão, com os olhos ardendo por causa da luz do sol, deram de cara com o primeiro guarda sentado em uma pedra.
-Por que estavam gritando? – foi a primeira coisa que perguntou. Mas foi ignorado completamente.
-Acho que a menina pode estar aí dentro.
-Por que?
-Não sei, mas algo me diz que ela está aqui.
-Eu acho que não – o outro disse.
-Que “algo”, espertalhão?
-Um grunhido que veio lá de dentro.
-Bebês grunhem e eu não fiquei sabendo? – riu-se.
-Tudo bem, fique aí.
-Espera, aonde vocês vão?
-Atrás do Lao, é claro. Se ela estiver aí e nós deixarmos passar... Adeus, emprego.
*****
Toph dormia encostada nos pelos da toupeira texugo, que ela agora chamava de “Monstro”. E Monstro também dormia, encostado na parede. Haviam andado por boa parte da caverna, Monstro estava cansado de tanto quebrar pedras para Toph repetir. Era como um “professor” que ensinava sem palavras. Muito mais fácil de aprender, mas muito mais cansativo.
O que era pra ser um cochilo rápido acabou virando sono de verdade. Monstro desmoronou no chão e Toph apenas o acompanhou. Desde estão, nenhum dos dois sequer abriu os olhos.
Até que...
- TOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOPH!
Um grito ao longe os acordou ao mesmo tempo.
-Monstro, o que foi isso? – perguntou, sem esperar realmente por uma resposta – alguém gritou dentro da caverna.
Uma série de gritos a interrompeu. Gritos que pareciam ser distantes, mas ecoavam sem parar na caverna. E não era só uma pessoa, eram duas.
-Estou com medo – disse ela.
Monstro grunhiu alto, como se estivesse espantando alguma coisa. As vozes silenciaram.
-Será que você espantou eles?
Monstro se levantou do chão lentamente, se sacudiu para tirar a poeira, e andou na direção do som, chamando Toph para ir com ele.
-Por que está indo por aí? – a toupeira nem mesmo virou a cabeça. Deixou Toph falando sozinha – Monstro! Você está indo na direção das vozes! E se elas quiserem me pegar? Você está me ouvindo?
Monstro grunhiu de novo, mais distante de Toph.
-Espere por mim!
Ela o seguiu, sem ter idéia do por quê de estarem indo para lá. “Mas ele já morava aqui”, pensou. “Ele sabe o que está fazendo. Não é?”.
Subiram pelos túneis lentamente, Toph engatinhando como antes. Sentia-se como uma toupeira, mesmo sem saber realmente o que era uma toupeira. Apenas... Se sentia como Monstro. Menos na parte de ir em direção às vozes. Isso ela achava que era maluquice.
Depois de quase dez longos e cansativos minutos subindo, Toph parou de andar e sentou no chão. Logo em seguida, como se esperassem o momento certo, as vozes surgiram de novo, seguidas de passos. Mas dessa vez muito mais perto.
-Monstro! O que estamos fazendo aqui? A gente devia se esconder dessas pessoas! Elas não gostam de mim.
Em resposta, Monstro grunhiu. E acabou chamando a atenção dos guardas, que se aproximavam cada vez mais.
-Ah, não, eles estão vindo pra cá! – Toph ficou em pé e se virou para correr de volta para onde estava – vamos embora, Monstro! Antes que eles nos encontrem!
Oh, Monstro.
A toupeira foi de volta para o túnel de onde tinha saído. Mas correndo, batendo com as patas enormes no chão. Em poucos segundos, sumiu da vista dos pés de Toph, deixando a caverna toda tremendo.
-Monstro! Cadê você??
Sem conseguir se concentrar, Toph tropeçou em uma pedra. E não conseguiu se levantar antes de ser vista pelos guardas.
-Droga – foi tudo que disse quando a pegaram no colo.
-Toph! Você está bem? – reconheceu a voz do pai – como foi que veio parar aqui? Algum bicho te atacou? Você se machucou?
Um suspiro de tristeza.
-Tchau, Monstro...
-O que você disse?
-Nada, papai.
-Nunca mais faça isso! Nós ficamos preocupados! Podia ter acontecido alguma coisa com você!
-Eu estou bem, papai.
-Que bom, que bom – Lao suspirou, aliviado – deve estar com fome, precisa de um banho. Ah, Toph! O que fez para ficar tão suja?
-Eu caí – respondeu, com a cabeça fora dali.
-Está machucada?? Assim que chegarmos em casa vou chamar o enfermeiro. E agora que sabemos que você é uma dominadora, temos que encontrar um professor rápido. Ah, puxa, deve estar com frio, essa caverna está congelando. Como pude deixar que saísse de casa? Deve ter ficado assustada nessa caverna cheia de bichos e...
Toph, cansada de ouvi-lo falar, bocejou alto e fechou os olhos, fingindo dormir em seu ombro.
-Ah. É claro. Deve estar cansada...
“Isso mesmo” pensou, como se estivesse respondendo.
Mas não estava cansada. Estava mais acordada do que nunca.
Ao fugir de casa, mesmo que por poucas horas, ela não sentiu falta de todos os mimos e cuidados. Pelo contrário. Nunca esteve melhor. Havia encontrado um amigo, e melhor, um amigo que também era dominador de terra. Aquilo fazia Toph mais feliz do que qualquer coisa de gente rica que já ganhou.
Mesmo que escondida... Com certeza voltaria ali.
Notas finais
Um soco do Monstro pra todo mundo.
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