Behind the illusion
5 Five
No outro dia acordei meio atordoada, aquela sala branca faziam meus olhos doerem. Me sentei na cama e esfreguei as mãos no rosto, e quando tirei vi que minhas mãos tinham manchas de sangue bem fracas, fui ao banheiro e lavei o rosto e as mãos e fiquei me encarando no espelho. Aquela cara de ''sofrida'' me incomodava, olheiras e o resto pálido. Ouvi que alguém ia entrando pela porta, me apressei e fu atender, ficaria feliz se fosse Clara, mas era só o médico e uma enfermeira mal encarada. -Beatrice, o que houve? tens um corte na testa.- Ele me disse querendo forçar o tom de preocupado, sem sucesso. -Nada não, cai da cama.- comentei sem interesse de qualquer tipo de explicação. Ele foi fazer alguns exames em mim, ver como estava minha pressão e tudo mais, e enquanto ele fazia isso, eu conseguia ouvir umas risadas estranhas bem de fundo. O olhei nos olhos e podia ver o Dr. Thomas sorrindo, como se fosse fazer algo perverso. Fechei os olhos e pisquei várias vezes, o olhei de novo e seu rosto estava normal, sério e concentrado no que fazia. -Eu ando vendo coisas...- Comentei ao ar. -Que tipo de coisas?- Ele me questionou. -Hm, pessoas. Ouvindo vozes, essas coisas.- Expliquei meio por cima. -Hm, logo mais tarde veremos sobre isso, ok? Agora tenho coisas um pouco mais importantes para fazer.- Ele não me parecia muito interessado no que eu falei. A enfermeira estava de pé perto de nós observando, deveria ser estagiária, olhada tudo com um grande interesse, cada detalhe ela anotava mentalmente. Olhei para a janela, tudo meio escuro, aquele clima de chuva e frio. Enquanto olhava para a janela, aquelas mesmas risadas vinham na minha mente, eu fiquei parada e agora encarando a parede, tentando prestar atenção para ver de onde vinha as risadas. Olhei para o médico e ele estava normal ajeitando as coisas que trouxe para me examinar, fiquei aliviada, até que olhei para a enfermeira. Ela estava tremendo, rindo, suando. Ria do nada, estava com os olhos arregalados. Ela passava as mãos pelo rosto e peito, parecia estar agoniada com algo. Eu fiquei apavorada com aquilo, levantei da cama e me afastei deles. O médico me olhava com um olhar assustado e perguntava o que ouve, eu não conseguia responder nada. Eu apontei para a enfermeira, com a mão tremendo. Ele olhou para a enfermeira, e depois para mim, e fez uma expressão de ''o que foi?'' e quando voltei a olhar para ela, ela estava normal. Me sentei na outra cama e coloquei as mãos sobre a cabeça. -Estou ficando louca aqui.- Falei. -Vou te trazer um calmante- ela disse, e foi se retirando rapidamente da sala. O médico ficou comigo até ela voltar, ela voltou, tomei meu remédio e os dois se retiraram do quarto comentando algo em tom baixo e fazendo anotações em vários papéis. Eu queria sair daquele quarto, tomar um ar puro, mas duvidava que fossem me deixar sair depois de presenciarem a minha crise. Eu estava vendo coisas, e meio que já esperava que tudo que passei desde a infância uma hora ou outra ia danificar minha sanidade. Eu chamei a enfermeira pelo botão do lado da cama e pedi para que eu ligasse para a minha irmã, pois queria que ela me trouxesse algo para eu me distrair.
–Oi Clara, tudo bem?
–Eu to sim, e você Bea, como tá ai? Tão te tratando bem?
–Tão sim não se preocupe, apenas traga para mim uns dois livros, umas folhas e lápis.
–Tem certeza que posso levar esse tipo de coisa? Lápis?
–Eu dou um jeito, provável que quando eu for usar vão me monitorar e mana, tu sabe que eu não faço nada perigoso acordada.
–Beleza, logo to ai.
Clara trouxe para mim o que eu havia pedido, mas não podia ficar muito tempo me acompanhando. Eu precisava conversar com alguém, desabafar o que havia recém acontecido, se aquilo foi real ou não. Eu abrecei minha irmã com força, estava com saudade, ela percebeu e retribuiu o abraço apertado, foi um momento deveras fofo. Ela foi indo embora e eu a obrservara andando naquele corredor meio vazio, e notei que enquanto ela andava o corredor ia ficando mais e mais escuro à sua frente. -Para ae!- gritei para Clara. -O-que foi?- Clara se assustou com o meu grito que deu eco naquele corredor estreito. -Isso não tá certo, tá tudo escuro lá!- falei para ela ofegante. -Escuro...onde? aqui tem tanta luz que chega arder meus olhos!- Clara fez uma cara de debochada. Olhei para o corredor e estava tudo claro, olhei para Clara, e ela estava me olhando nos olhos com cara de ''O que diabos ela está fazendo...'', fiz uma expressão de quem não se importava mais e entrei no quarto. Fechei aquela porta tão forte que quase prensei meus dedos no vão. Achei que Clara iria atrás de mim, mas nada. Respirei mais forte por uns momentos e reabri a porta, para ver se ela já havia ido embora e, quando fui abrindo a porta, notei que havia pouca luz. Olhei para direita e ninguém lá, olhei para esquerda e levei um choque com o que presenciava: Clara atirava no chão praticamente morte, toda retorcida. -O QUE É ISSO?- Meu grito foi tão forte que fiquei rouca. Corri em direção à ela e a peguei nos braços. -Clara...? Mana, acorda, acorda!- Eu não conseguia falar mais nada, estava apavorada e sem reação. Senti que meus olhos começaram a doer muito, mas a dor de ver Clara daquele jeito era mais forte. Clara estava com os olhos fechados, sem expressão alguma. Dei uma longa piscada por causa da dor, e quando reabri os olhos, percebi um leve sorriso na face dela. -Clara...- Eu só conseguia falar o nome dela. Em fração de segundos Clara acordou e saiu rapidamente dos meus braços; ela ainda estava sangrando muito pelo corpo todo. Ela me olhava com um olhar super arregalado e aquele sorriso medonho só piorava a expressão. Eu não sabia o que fazer, não sabia o que estava acontecendo ali. Ela começou a se arrastar em minha direção, e eu me arrastei para trás, já não tinha mais forças pra correr. Quando ela finalmente conseguiu subir (estranho) em cima de mim, botei as mãos em frente aos olhos e comecei a gritar e chorar. Senti que não havia mais ninguém ali, reabri os olhos e senti que estavam escorrendo muitas lágrimas dos meus olhos, limpei com as mãos e reparei que o que eu estava chorando era sangue. Desmaiei.
–Vamos Beatrice, acorde.- Ouvi uma voz muito distante falar comigo. Fui acordando aos poucos mas notei que estava tudo escuro.
–Aqui é o Dr. Thomas. Você se sente bem?
–É... está escuro...Me sinto...mole...- Falei meio baixo, sentia um grande peso no corpo, como se não dormisse há dias.
–Ah, a anastesia ainda não passou, mas logo passa e, sobre o escuro...bom... Você andou machucando seus olhos. Queria saber como é que você fez isso ein, mocinha. Nos causou um grande alarme.- O Dr. estava calmo.
–Como assim machuquei?
–Não sei dizer, as câmeras vão ser revisadas daqui a pouco para ver o que houve, não havia ninguém naquele corredor aquela hora para ser testemunha. Peço que seja paciente. (pausa de uns segundos) Você foi encontrada atirada contra a parede, com os olhos saindo um pouco de sangue e as mãos com esse mesmo sangue. Você mesma se feriu, não lembra?
–Não...Eu to me sentindo tonta...Eu vou inchergar depois?
–Vai sim, mas vai demorar um pouco, ok? Não se esforce. Peço que durma mais um pouco. Vai ajudar a descansar seus olhos que estão bem sensíveis.
–Ok...
As coisas estavam de mal a pior, e eu já não sabia como reagir. Essas loucuras estavam acontecendo durante o dia também, e acordada. ''Qual a dessa Sarah? Será que ela tem algo a ver com isso?'' Eu só conseguia pensar nela e que isso tudo era obra dessa criatura que queria foder com a minha sanidade e meu físico. Algo precisava ser feito, e assim que minha visão voltasse eu falaria tudo que tinha pra falar com aquele médico sonso pra ver se agilizava com o meu ''problema''.
Dormi por mais algumas horas e acordei perto da noite, e meus olhos iam aliviando a dor, e a visão voltando aos poucos. Estranho, eu sempre curava rápido desses machucados que eu mesma provocava. Esperei eu aliviar por completo, isso demorou um pouco, e pensei por umas horas de como iria explicar tudo isso para o Dr. sem que ele mande me tocarem numa solitária e não ouvir tudo que eu tinha para falar. Com certeza isso tudo seria difícil de engolir sem que achem que eu era pirada desde criança, e eu sabia que não se tratava de algum tipo de loucura. Era real.
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