Behind the Ice Mask

2 Capítulo 2 ~ Fim


Victor aproveita o afastamento de Yuuri para ir no banheiro. De volta à mesa, ele pega o celular, observando o horário. Não demora muito e o japonês retorna, se sentando na frente dele.

“Desculpa a demora. Podemos continuar?” Ele fala, e o russo apenas usa a cabeça para afirmar. “Bem, depois da confusão com o mafioso, entrei em época de provas e vieram as férias de verão. Me lembro de ter participado de um festival com meus amigos e então, de repente, tive meu celular hackeado por uma pessoa bastante peculiar. Ela ameaçou divulgar a minha ficha criminal internet à fora. E ao mesmo tempo, tive de ajudar a filha de um conhecido, que por acaso é o antigo dono deste café. Ele me ensinou muita coisa, inclusive a fazer café e o curry. Essa filha é adotada e vivia na frente do computador em seu quarto, se tornando um hacker. Eu me lembro que ao mesmo tempo, os Phantom Thieves foram alvos de um grupo chamado Medjed. Eu e meus amigos decidimos ajudar essa garota, algo que levou as férias quase toda. Como ela era tímida, passei a ajudá-la com o tempo. Fui com ela e meus amigos para a praia, e o pai dela nos levou para um restaurante chique. Lembro até hoje da cara que ele fez quando veio a conta.”

Ele dá risada, fechando os olhos e respirando fundo.

“Você está bem?” Victor pergunta, preocupado.

“Sim, é só que… ele morreu há 3 meses atrás e me deixou este café. Ele já era bem velho quando nos conhecemos.” Yuuri sorri, bebendo um pouco mais de café. “E então, nós viajamos para o Havaí pela escola, por 4 dias. Nessa viagem, encontramos pela primeira vez uma garota cujo pai era dono de uma rede de lanchonetes e que esse pai a controlava. Ele até forçou um casamento arranjado para ela com um idiota para ter mais poder. Na segunda vez que nos encontramos, ele queria forçar ela a ir com ele mas eu e meus amigos não permitimos. É claro que isso causou problemas, mas estávamos mais preocupados é com essa garota. Com o tempo, nós conversamos e ela se juntou a nós. O pai dela se tornou alvo dos Phanton Thieves e quando ele ia divulgar tudo para a imprensa, sofreu algo que foi chamado na época de ‘terrorismo mental’ e acabou morrendo de forma horrível na TV. Claro que nossa nova amiga ficou devastada e o pior de tudo, a culpa caiu em cima dos Phanton Thieves. E então… alguém cuja amizade eu estava construindo aos poucos e que se dizia um detetive, se tornou nosso amigo. Ou melhor, ele achou que se tornou nosso amigo.”

Victor franze a testa, fitando o barista e comendo mais um biscoito. Algo faz ele reconhecer ter trabalhado nesses casos, mas ele não se lembra de nada. Maldita memória!

“Um de meus amigos tem um irmão interessante. Ele era na época um promotor de justiça focado apenas em vencer nos tribunais, mesmo se isso significasse condenar inocentes ou livrar culpados. Tentamos conversar com esse promotor, mas acabou que ele se tornou alvo dos Phantom Thieves. Mas, por me envolver no caso, acabei sendo preso e acusado de ser parte do grupo. Fui espancado e injetaram drogas em mim. Esse promotor entrou no meu caso e eu contei quase tudo para ele. Quase, porque os próprios Phantom Thieves vieram até mim e me falaram que o garoto detetive pretendia nos trair e jogar os incidentes causados pelos Phantom Thieves nas nossas mãos, que ia me matar. E com isso, eu me vi os ajudando. Eu levava a culpa por eles, assumindo ser o líder, e eles prepararam uma armadilha. Como era de esperar, o garoto detetive apareceu logo depois do meu encontro com a promotora e… me deu um tiro na cabeça. Foi anunciado na mídia que o líder havia se suicidado, mas era mentira. Com a ajuda do promotor, eu vim para cá e me encontrei com meus amigos, que estavam preocupados. Nesse período, um político estava fazendo campanha para presidente e quando eu o vi, me lembrei da noite que tudo começou. Da noite em que fui acusado injustamente. Foi ele. Quando meus amigos descobriram, eles ficaram com ódio. Os Phantom Thieves descobriram diversas coisas sobre ele e decidiram o ter como alvo. Eles disseram depois que o garoto detetive se envolveu com eles e depois desapareceu, deixando um pedido de desculpas para mim. Com isso, surgiu a transmissão de TV que informava a sujeira do político e o fato de que o líder deles estava vivo.” Yuuri pega um biscoito e o come, tomando café logo em seguida. “O político, no dia das eleições, revelou tudo em uma coletiva de imprensa. Revelou que mandou matar o pai da nossa amiga, que é o culpado pelo acidente de trem que ocasionou diversas vítimas meses atrás, e que destruiu a vida de um jovem sem piedade. Com a ajuda do promotor, minha ficha foi limpada já que o próprio político, quando me viu, pediu desculpas e me abraçou chorando. É claro que não foi fácil engolir, mas pelo menos, aqui encontrei pessoas que se importam comigo não importa a circunstâncias. Depois de completar o ano letivo, voltei para casa no Japão, mas não fiquei por muito tempo. Voltei para cá quando soube da doença do antigo dono e é isso.”

Yuuri sorri, finalizando seu café.

“Meu deus!” Victor finalmente exclama, o vendo tomar o café. “Essa história parece enredo de filme, de tão surpreendente que é.”

“Eu sei. Se não fosse pelas minhas cicatrizes e minhas lembranças, eu também não acreditaria.” O japonês gira o rosto um pouco para a esquerda e afasta o cabelo, revelando finos traços de tonalidade diferente.

“Com relação a Celestino Ciadinni...” Victor pergunta, fazendo o japonês o olhar. “Você não falou dele.”

“Celestino era cliente e amigo do antigo dono deste café, quando este estava vivo. Inicialmente, ele me obrigava a voltar para casa depois da escola, mas ao poucos, vendo que eu era diferente do que disseram, e as minhas necessidades aumentado, ele me permitiu ficar mais tempo fora contando que não afetasse minhas notas. Como eu passava o dia fora na escola, trabalhando e com os meus amigos, eu só via ele de manhã cedo e de noite. Nós conversávamos muito nos domingos, e ele se tornou como um pai para mim. Agora ele deve estar na Tailândia, se não me engano, mas não sei de mais nada além disso.” O japonês se levanta, recolhendo o prato e as xícaras da mesa e as levando para detrás do balcão, onde começa a lavar a louça suja.

“E os Phantom Thieves?” Victor pergunta, surpreso.

“Depois do caso do político, eles se foram. Devem estar por aí, mudando os corações de outras pessoas pelo mundo.” Yuuri responde.

Deixando-o trabalhar, Victor apenas o observa com curiosidade.

“Você me conhece?” Ele pergunta, fazendo o japonês o olhar.

“Sim?” Yuuri responde, franzindo a testa em confusão para ele.

“Não, espera. Perguntei errado.” O promotor responde. “Por acaso, eu já vim aqui antes? Esse café não me é estranho.”

“Talvez você tenha vindo no passado, na época do antigo dono.” Yuuri comenta, voltando para as louças.

~x~

Yuuri percebe uma borboleta azul voando perto dele, o fazendo dar risada.

Lavenza, então foi você. Obrigada por me dar uma segunda chance de estar com ele novamente. Eu sei que eu pedi para Igor apagar as lembranças de todos depois do incidente em Mementos, mas jamais esperava me encontrar com ele de novo. Talvez agora ele e eu podemos ter um futuro juntos.

~x~

Victor percebe que o japonês dá uma risada, e ergue a sobrancelha, surpreso. Yuuri termina de lavar a louça e enxuga as mãos.

“Bem, foi um prazer em conhecê-lo.” Ele diz, se aproximando do promotor russo e estendendo a mão em direção a ele.

Victor hesita, mas pega na mão dele, o cumprimentando. De repente, Yuuri se curva, aproximando seu rosto do dele.

“Sabe, eu não tenho nada para fazer mais tarde. Talvez poderíamos sair juntos, caso você queira, claro.” Ele sussurra, ainda segurando a mão do promotor.

Este, surpreso com o que escuta, sorri e inclina o rosto, fazendo sua franja deslizar da frente de seu olho esquerdo.

“Claro. Eu até que gosto de você mesmo.” Ele responde, se levantando e abraçando o japonês, que o abraça também.

“Ótimo, porque eu gosto de você também, desde o momento que eu te vi.” Yuuri diz, sorrindo. “Eu quero ser seu namorado.”

“Hm, eu também.” Victor diz, acariciando o rosto dele e o beijando.

~ Fim ~

Notas finais
Sim, eu mudei a Sae para o Victor. A historia que Yuuri conta vai ate o final normal. Mas por causa da citação do nome Igor, então a historia segue ate o final verdadeiro, que com o 'reset' do mundo, as memorias dos social links dele envolvendo os Phantom Thieves foram apagadas a pedido dele e como o Social link de Sae/Victor é 100% focado nos Phantom Thieves, ele foi quem se esqueceu de tudo, até ter conhecido Yuuri.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!