Behind every door is a fall
2 Capítulo 2
Capítulo 2
(Música: I come with knives – IAMX)
O segundo momento foi quando eu curei suas feridas e vi você chorar.
Estava tudo muito confuso naquele ano, e eu não estava conseguindo acompanhar as inevitáveis mudanças em todos nós. Ainda estremecia tarde da noite quando sentia seus lábios em minha nuca em uma prece silenciosa, e eu nem sabia que você rezava antes de tê-lo tão próximo de mim. Nós não conversávamos sobre aquilo, e embora me julgasse uma pessoa muito esclarecida, não sabia o que fazer nessa situação. Odiava o fato de que meu conforto era nas palavras duras e nos olhares audaciosos que direcionava à você quando estávamos no meio de tanta gente, e ainda assim só tínhamos olhos um para o outro. Odiava admitir que, enquanto me enrolava no cobertor ao lado das outras meninas, que conversavam alegremente sobre aquele cara com quem haviam trocado uns beijos debaixo da árvore, eu sentia sua falta. E era horrível não ter com quem conversar sobre você, uma vez que meus melhores amigos o detestavam publicamente. Passei as férias sem ter noticias suas, e me perguntando como seria se você fosse alguém ''aceitável'', como seria se eu pudesse lhe mandar cartas e esperar ansiosamente sua resposta. Eram pensamentos ridículos, e eu me reprimia por sequer existirem.
Ainda assim, tarde da noite, no ano seguinte, lá estávamos nós, abraçados tão forte como se qualquer movimento brusco pudesse nos afastar para sempre.
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Enquanto abraçava você, pele contra pele, minha boca no teu pescoço e teus cabelos no meu rosto, eu pensava em quanto tempo tinha até Voldemort descobrir que eu falhara na minha missão e me matar. O medo era um sentimento conhecido pra mim, pra quem vivera sob a sombra de um pai atormentado pela arrogância e quase morto por ela, mas esse era um tipo de medo diferente, o tipo de temor que sabe que não haverá uma segunda chance, e que sua única maneira de sobreviver é sacrificando alguém. Ali, abraçado a você, eu sabia exatamente quem eu estaria ferindo se cumprisse minha missão, e ainda assim, toda vez que me sentia sujo com aquele sentimento egoísta, eu lhe procurava. Você, como legítima grifinória, nunca me deu as costas, e eu odiei você por isso.
— A água está ficando gelada. – Você comentou em um fio de voz, e demorei uns segundos para voltar dos meus pensamentos obscuros e procurar algo para dizer.
— Vamos esquentá-la outra vez. – Lá no fundo, eu ainda tinha a habilidade de ser canalha. Você riu e se mexeu sob meu aperto, e meus pensamentos se desviaram para outro lugar. Beijei seu pescoço e massageei seus seios com minhas mãos, ouvindo-a murmurar de prazer, e esse som era suficiente para me distrair de todo o resto.
— Não acha que está de hora de fazermos algo sobre isso? – Inconscientemente, eu sabia sobre o que você estava se referindo, mas não queria enveredar por esse caminho naquele momento (talvez nunca). Desci uma das mãos para seu íntimo e lhe arranquei outro murmúrio alto.
— Muito na hora. Vem cá. – Já estava rouco de desejo outra vez, o que era incrível, e virei seu rosto para que pudesse beijar-lhe a boca. Nossas línguas se encontraram e eu saboreei teu gosto irritantemente doce de grifinória, tentando esquecer o contraste do verde e vermelho esquecidos sobre o chão. Então você virou todo o corpo pra mim e nos seus olhos havia aquela mistura inebriante de desejo e hesitação, porque você sabia que aquilo era um erro gigante. Eu estava satisfeito por ver que o desejo sempre acabava vencendo.
Por fim, você não conseguiu dizer o que estava tentando, nós fizemos amor outra vez e no fim das contas, o desespero em nossos toques eram tão visível quanto o contraste entre o verde e o vermelho das nossas casas.
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Eu lembro de tudo, desde o primeiro momento em que você colou os lábios nos meus, até cada instante que vi a mentira nos teus olhos. Você era intrigante demais para mim com toda aquela amargura nos olhos acinzentados, e eu, com minha eterna mania de querer consertar os outros, tentei entrar naquele teu mundo, sabendo que, inevitavelmente, acabaria me machucando.
O sol custava em aparecer lá fora enquanto tomávamos café da manhã no salão principal, encolhidos nos casacos por causa do frio. Harry folheava aquele livro idiota de poções, que estava me rendendo o segundo lugar na matéria, e Rony tagarelava sobre Quadribol e como Lavender Brown não o deixava em paz. Enquanto folheava um dos livros em meu colo, me peguei pensando sobre como seria se Draco Malfoy estivesse sentado comigo, sua mão na minha, seus olhos acinzentados faiscando com piadas maldosas que você guardaria para si, porque aprendera a se comportar. Era uma ideia tão idiota que eu ri sozinha e atraí a atenção dos meninos, que fizeram aquela cara de ''só você pra encontrar graça em um livro'', mas eu não lhes dei atenção. Iríamos para Hogsmeade naquela tarde e eu estava distraída demais com as ideias soltas para me incomodar. Engraçado como eu fiquei imediatamente alerta quando vi sua figura esguia entrando no Salão, sem capa e sem a costumeira gravata verde que eu adorava. Vi na sua expressão que tinha algo errado, e meu coração deu um pulo desconfortável no lugar. Procurei você com os olhos e nos breves segundos que nos encaramos, levantei-me e dei desculpas a Harry e Rony, dizendo que precisava estudar, e segui você pra fora do Salão Principal. Alcancei-lhe no terceiro andar, quando você reapareceu e segurou minha nuca, levando-me até uma das estátuas que levava a um corredor deserto, que havíamos descoberto recentemente. Seu beijo me envolveu desesperadamente e suas mãos já estavam embaixo da minha blusa quando me soltei.
— O que aconteceu?! – Meu corpo gritava pelo seu toque, mas me obriguei a parar. A expressão em seus olhos era perturbada demais.
— Estou louco de desejo. – Foi sua resposta seguida de outro beijo intenso que tirou meu folego e me fez querer tirar tudo. Por baixo de tudo isso minha consciência gritava. Tentei empurrar seu peito com as mãos, mas você segurou meus pulsos e me empurrou contra a parede, acabando com meu controle. O pensamento que circulava na minha cabeça era ''foda-se'', mas eu geralmente perdia essa batalha.
— Malfoy... não aqui, e não agora. Tem alguma coisa de errada com você... — Era difícil escolher palavras enquanto você beijava meu pescoço. Com muito esforço, porém, consegui te afastar.
— Fale comigo! – Pedi, vendo pela sua expressão que nada sairia dali a não ser sexo, mas desta vez eu estava determinada a conseguir algo de você. Aquilo tudo, aquele desejo louco e aquela falta de diálogo não podia continuar. Você não mr encarou, apenas passou as mãos pelo cabelo louro que grudava nos olhos e andou de um lado para o outro.
— Eu fiz algo errado. – Assustei com seu tom de voz e desejei tocá-lo, mas você se afastou de mim.
— Desfaça então. – Foi mais um pedido do que uma ordem, embora eu não estivesse acostumada a medir palavras enquanto falava com você.
— Não posso. É eu ou ele. – Houve uma mudança no seu tom de voz. Notei algum perigo ali, algo que fez meu estomago revirar. Assumi uma postura mais defensiva e segurei em seu braço.
— Do que você está falando? Não é do Harry, é? – A dúvida me assomou de uma vez, e meu aperto ficou mais insistente. Lembro que seu rosto se contorceu, e você encarou meu aperto como algo intruso, afastando-se de mim outra vez. Fiquei ainda mais irritada.
— Malfoy, se você tocar um dedo nele... – Não cheguei a completar minha frase, porque você se virou com violência e cuspiu as palavras.
— Nem tudo é sobre seu precioso Potter. – Aquela arrogância que eu lidara por cinco anos havia voltado nos teus olhos e na tua voz, e eu odiei você outra vez. Empurrei seu peito com as mãos, sentindo os olhos arderem com a proximidade das lágrimas.
— O que você fez?! – Tornei a empurrá-lo, e desta vez você agarrou meus pulsos com força e me puxou contra seu corpo, tornando a nossa diferença de tamanho algo intimidador. Me forcei a encará-lo e procurar por uma resposta, mas seus olhos mentiam.
— Isso foi um erro. Não posso continuar fingindo com você. – Você me soltou com um tom de encerrar conversa, mas não me dei por vencida. Não acreditava no que estava ouvindo.
— Do que diabos está falando? Como você tem a coragem de dizer sobre fingimento? – Gritei com você, esquecendo de que ainda estávamos no Castelo e qualquer um podia se aproximar. Estava mais irada que nunca, e todos aqueles encontros sem palavras explodiram na minha frente, desesperados por um embate. Eu sabia que aquele seria um marco de qualquer relação que tínhamos alimentado até ali, mas não tinha certeza para que lado iria ceder.
— Nós aproveitamos o que tinha para aproveitar, Granger. Não tenho mais o que dizer pra você. – A expressão perturbada havia sumido do teu olhar, e no lugar havia algo mais frio, como se você tivesse finalmente cedido a determinado sentimento. Não gostei disso.
— Você nunca conseguiu conversar comigo, sempre que tentei dar um rumo pra o que quer que tenhamos, você fugiu, fugiu como um covarde. Qual o seu problema? – Queria desesperadamente voltar àquela manhã, enquanto ainda éramos amantes desafortunados, mas não havia mais volta.
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''Qual o seu problema?'', você gritou pra mim. Eu quis jogar tudo em você naquele instante, quis lhe revelar que tinha enfeitiçado um colar com magia das trevas para matar Dumbledore; que estava ficando louco com a necessidade de impressionar o Lord das Trevas, e como o odiava em demasiado, tanto que quase não temia mais. Quis dizer que a única coisa que estava me mantendo são naquele ano eram as noites com você, quando tudo que me preocupava era o desejo pela tua boca, e que eu havia lhe procurado naquele momento com esperança de que você me beijasse e afogasse aquela culpa que eu sentia em todos os membros do meu corpo pelo que eu havia feito. Quis te amar, mas acabei te odiando, porque acima de tudo você era uma grifinória, e você tentou me curar, quando naquela hora tudo que eu precisava era esquecer. Eu odiei você e quis te machucar, e esse foi um dos grandes arrependimentos da minha história.
— Meu problema? – Ri, histérico, louco. – É você, Granger, com essa mania de sabe-tudo, acreditando que tem o poder de me fazer destruir tudo pelo que eu luto por causa de umas noites com você. Sua hipocrisia é maior que a minha. – Virei-me e cuspi no chão, expelindo toda minha arrogância contra você e esperando que você a engolisse e fosse embora.
— E pelo que você luta? – Você continuou insistindo e eu a odiei outra vez, querendo que aquilo acabasse, que você sumisse e eu pudesse despejar todo o meu ódio em algo menos frágil. No entanto, você ficou, e eu quis feri-la outra vez.
— Por mim. Pelo meu sangue. – Sangue. Eu sabia que essa palavra lhe ofenderia, embora eu não tivesse mencionado ela nenhuma vez após nossa primeira noite. Você recuou, ainda sem acreditar no que estava ouvindo, e eu li a pergunta em seus olhos castanhos. Me custou todo o esforço do mundo acabar com você.
— Sexo. Foi só isso. – Respondi à pergunta, e você atingiu meu rosto com um tapa. Não voltei a encará-la depois disso, nem ousei levantar a mão para apalpar a face. Só ouvi suas lágrimas mascarando as palavras e o som de passos se afastando, e então estava tudo quebrado.
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