Notas iniciais
Música: http://www.youtube.com/watch?v=RzhAS_GnJIc

Eles estavam escondidos em uma pequena barraca no meio daquela devastação. Gritos e choros de mulheres e crianças. Lágrimas caíam do rosto daquela garota que tinha esperança que tudo ainda iria ficar bem. Ele limpava aquelas lágrimas que ela derrubava, sentia-se um completo idiota por vê-la chorar assim e não poder fazer nada. Ele se sentia perdido, como as sombras da maldade que tentavam arrancar a luz do dia e cega-los. Ele queria sair para buscar ajuda, ele sabia que ninguém poderia detê-lo. Mas ela estava com medo. Ela não queria se separar dele de jeito nenhum. Ele era tudo que ela tinha.

- Não me deixe aqui sozinha. – Ela suplicava para ele. Mesmo sabendo que aquela noite já estava se passando.

Tudo lá fora estava caindo. Como se a vida clamasse para a morte vim confronta-la. Ele pediu para que ela fechasse seus olhos. A garota não precisava se preocupar, ele estava ali para protegê-la de qualquer coisa. O sol estava se pondo e o melhor para ela era um pouco de descanso. Ele via o quanto a pálpebras dela lutavam para ficarem abertas. Ela merecia descanso.

- Você ficará bem. – Ele fazia essa jura para ela.

Sua voz suave a acalmava. Era como a melodia da sua música favorita. Ela sabia que ninguém poderia feri-la ali. Ela o tinha. Ela confiava nele mais que ninguém. A noite poderia ser longa, mas o sol ainda surgirá. Ele olhava pela brecha da janela para ver o que estava acontecendo do lado de fora. Mas ela tinha medo que ele fosse visto. Ele não poderia se atrever a olhar por aquela janela. O lado de fora era como as portas do inferno. Era a guerra que tentava bater na porta deles. Ele não poderia mais se atrever a olhar pela janela. Eles só precisavam ficar quietos, a música no rádio tocando os acalmavam, eles precisavam continuar ouvindo aquela música e mesmo quando ela acabava, na mente dos dois a música continuava e continuava, como um disco arranhado. Eles precisavam de uma base para continuar a sobreviver a guerra que continua lá fora.

O som de galhos secos sendo pisados. Aquilo era atordoante. Mas eles ficavam quietos e quando a noite chegava mais uma vez, a voz dele a fazia dormir, como uma canção de ninar. Ela em seus braços sobrevivendo a mais um dia longo. Tentando transformar uma guerra entre duas pessoas, em algo parecido com o amor. Onde dois corações perdidos, sem amor fortalece um ao outro. Sobreviventes da vida lutando pelo amor. Transformando a guerra em uma melodia. Como os pássaros cantando um para o outro.

- Vamos ficar são e salvos. – Era o que ele dizia para acalma-la.

Aquela guerra não teria apenas um vencedor. Não teria mais uma morte em vão. Seria os dois desfrutando daquele amor surgido do caos. O mais puro amor. Nem o fogo lá fora poderia fazê-los fugir um do outro. Eram como almas gêmeas. Não importa o quanto eles tentarem separar esse amor. Nada seria tão forte quando essa música que os deixam sãos e salvos.

Notas finais
Espero que gostem!
Vou escrever o pedido de todos, ok? Só bastam um pouquinho de paciência.
Hoje ou amanhã tem mais.