Behind The Clouds
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Estou aqui com uma one-shoot especial de dia dos namorados porque estava assistindo ao episódio Weredad/Lobipai esses dias e essa ideia me veio à mente.
Ah, só um aviso: essa fanfic se passa depois do episódio "Senhor Pombo 72", que saiu dublado no Gloob nesta terça-feira (08/06/2021).
Espero que gostem e nos vemos nas notas finais. Boa leitura!
Marinette levantou-se de um dos bancos verdes do Place des Vosges após uma tentativa frustrada de encontrar inspiração para seu novo design. Imaginou que observar o chafariz do parque faria com que o lápis em suas mãos captassem a ideia de “movimento” que Jagged Stone pedia para a capa do próximo disco, mas a única coisa que passava pela mente dela ao olhar para o chafariz era a lembrança de alguns anos atrás, quando ela, Alya e Manon tinham ido ao local no momento em que Adrien Agreste realizava uma sessão de fotos, pouco antes da vilã akumatizada Tormenta atacar a cidade pela primeira vez.
“Onde eu estava com a cabeça? Era óbvio que não conseguiria tirar inspiração nenhuma para desenhar olhando para o chafariz, ainda mais hoje”, concluiu, observando os inúmeros casais caminhando de mãos dadas naquele dia dos namorados. Certamente o clima romântico daquela noite poderia trazer alguma inspiração para os desenhos da garota no ano anterior, quando ela não estava com os pensamentos no término com Luka, exatamente dois meses atrás, ou em sua reaproximação de Adrien nas últimas semanas.
Ela saiu do parque, decidida a voltar para casa e fugir daqueles sentimentos. Porém, quando estava aguardando o sinal fechar para atravessar a rua que levava à padaria dos Dupain-Cheng — a mesma rua na qual, há dois anos, ajudara um senhor a atravessar, nem imaginando que ele lhe entregaria um miraculous mais tarde —, ela olhou para trás, observando as escadas do Colégio Françoise Dupont. Com todo o clima daquela data comemorativa, foi impossível evitar a lembrança de um certo dia em que havia aceitado um guarda-chuva preto na porta da escola. Com esse e diversos outros momentos se repetindo em sua mente, ela caminhou até a escola, já fechada naquele horário, e sentou-se em um dos degraus. Abriu o caderno de desenhos e começou a rabiscar.
***
Chat Noir admirava as luzes da cidade daquela noite nublada de dia dos namorados do topo de um prédio. Olhou para o relógio do bastão, notando que já fazia uma hora da patrulha que realizou com Ladybug, então também já fazia uma hora que ele saltava de telhado em telhado, certo de que aquilo era infinitamente melhor do que retornar para a casa na qual passaria o resto da noite sozinho e entediado, uma vez que seu pai tinha um compromisso — como sempre — e que seus amigos naquela noite estavam comemorando o dia dos namorados.
Assim, o loiro levantou-se do telhado do Hotel Le Grand Paris, começando a pensar qual caminho deveria seguir agora. A torre Eiffel e a Pont des Arts certamente estavam lotadas com casais apaixonados naquela noite, assim como todos os outros pontos turísticos da cidade que ele costumava visitar para observar a cidade quando estava com os trajes de super-herói.
Decidiu seguir pelo Place des Vosges, saltando sobre os telhados e sentindo algumas gotas da chuva fraca que começava a cair molhar a sua pele. Parou por um segundo pensando se não seria melhor voltar para casa, sabendo que a chuva poderia deixar Plagg doente. Mas, antes que pudesse voltar para a mansão, viu que havia alguém sentado nos degraus do Colégio Françoise Dupont. Será que estava triste por estar sem ninguém no dia dos namorados? E se estivesse prestes a se tornar mais uma vítima dos akumas de Hawk Moth?
Chat Noir foi na direção da escola, surpreendendo-se ao perceber que conhecia a pessoa que estava lá.
— Acho que agora a escola só vai abrir segunda-feira. Está tão ansiosa assim para estudar? — Disse ele e Marinette tomou um susto com a fala repentina.
— Chat Noir? Tem algum akuma por perto? Por que não me lig… quer dizer, ligou para a Ladybug para avisar? — Ela falou, tocando inconscientemente a bolsa em que Tikki estava.
— Não, não. Hawk Moth não enviou nenhum akuma hoje, de repente ele arrumou uma companhia para o dia dos namorados desse ano. — Os dois riram levemente.
— Espero que sim. — Ela comentou, sentindo uma gota da chuva fraca cair em sua bochecha, passando as costas da mão direita para secá-la logo em seguida.
— Então… eu estava passando por aqui e te vi aqui sentada sozinha, está tudo bem?
— Está sim, só parei para desenhar.
— A porta de entrada da escola é tão inspiradora assim? — Ela riu.
— Tenho algumas lembranças daqui. Achei que seria difícil colocar algo no papel pensando nesses momentos, principalmente no dia de hoje, mas acabou que, desde que me sentei aqui, desenhei bastante. — Disse a última parte mais para si do que para o super-herói.
— "Principalmente no dia de hoje"? Então quer dizer que mais uma vez nos encontramos enquanto estamos sofrendo por amor? — A garota sorriu ao lembrar da noite em que enfrentaram Glaciator.
— Hoje ainda tem o diferencial de ter várias pessoas de casalzinho por toda parte. — Eles riram e depois ficaram em silêncio durante alguns segundos, observando a chuva parar.
— Aí, acabei de ter uma ideia. O que acha de me acompanhar em um passeio pela cidade evitando os pontos românticos?
— Bom, agora que a chuva parou… — Marinette concluiu, estendo a mão e não sentindo mais nenhuma gota cair. — Aceito sim.
Chat Noir sorriu e Marinette levantou-se do degrau em que estava sentada, aproximando-se dele. Depois de um breve momento um pouco constrangedor sem saber como ele a levaria, Marinette passou os braços ao redor do pescoço do herói, que segurou a cintura dela com um braço, enquanto o outro segurava o bastão. Logo, estavam sobre os telhados, sentindo o frio daquela noite nublada ir embora aos poucos com a adrenalina de estarem saltando pelos prédios.
— Ok, qual será nosso destino “nada romântico”, guia turístico Noir? — Marinette perguntou, fazendo o loiro rir.
— Lamento informar, Dupain-Cheng, mas a senhorita está na cidade do amor no dia dos namorados. Vai ser um pouco difícil pensar em algum lugar sem casaizinhos hoje. — Os dois riram.
Pararam sobre um prédio que oferecia uma perfeita visão do Jardin du Luxembourg e de Notre-Dame, ao longe.
— Bom, aqui ficamos longe dos casais. — Ele pontuou.
— “Beeem” longe, né? — Ela comentou, rindo. — Amei sua escolha, gatinho. — Marinette tomou um susto ao perceber que falou a última parte e que Chat Noir certamente a associaria a Ladybug, mas ele apenas fez uma expressão surpresa, seguida de uma reverência que arrancou risadas aliviadas dela.
Os dois sentaram-se sobre os telhados, apreciando a vista em silêncio durante alguns instantes.
— Estou impressionado que você não sentiu medo de altura em momento algum. — Chat Noir comentou, olhando para baixo. — Estamos bem alto.
— É o costume. — Respondeu ela, esquecendo-se que estava como Marinette por um instante e só relembrando quando Chat Noir a encarou surpreso. — Quero dizer, eu sempre fico… observando as ruas da minha varanda e ela é bem alta, né? — Se corrigiu, notando que tinha falado mais rápido que o costume.
— Sim, mas não é a mesma coisa que pular sobre os telhados. — Ela assentiu, concluindo que, se tentasse se justificar, poderia acabar revelando que era Ladybug. — Então… o que te leva a fugir dos casais no dia de hoje? Se quiser falar, claro.
— É uma longa história…
— Ainda bem que já estou sentado para ouvir então. — Marinette riu.
— Bom, resumidamente, hoje completa dois meses que terminei um namoro.
— Ah, eu sinto muito. — O loiro falou, lembrando dos ensaios da Kitty Section que Marinette e Luka saíam juntos.
— Não, não, está tudo bem. Como dizem, “não era pra ser”.
— Era dele que você estava lembrando na porta da escola? — Ele só percebeu que a fala tinha saído em voz alta quando Marinette respondeu.
— Na verdade não, as lembranças da escola já é uma outra longa história. E você?
— Também terminei um namoro recentemente. — Ela tentou esconder a surpresa em sua expressão, aquela informação era nova. — E… também tenho uma longa história com outra pessoa.
— A Ladybug? — Marinette também não tinha notado que o pensamento saíra em voz até o loiro assentir com a cabeça.
— Além de tudo, acho que agora entrou mais uma garota na história. — Ele comentou, se arrependendo logo depois. Ele estava como Chat Noir, não como Adrien. Um silêncio se instalou até que Marinette o quebrasse.
— Achei que era você quem partia corações por aí. — Ela disse, para descontrair, e Chat Noir riu levemente.
— Ela é uma grande amiga minha, sabe? Na vida por trás da máscara. Ultimamente temos passado muitos momentos juntos e eu gosto bastante da companhia dela. Meu kwami vive me dizendo que eu e ela deveríamos ser mais que amigos. — O loiro falou e Marinette riu ao imaginar Plagg falando aquilo enquanto mordia um Camembert. — Mas não sei muito bem o que fazer. — “Também não sei onde estou com a cabeça pra falar sobre isso com você, que é literalmente a amiga a que estou me referindo”, completou mentalmente.
— Acho que te entendo. — Ele a encarou, surpreso. — Também estou passando momentos incríveis com alguém que só pensava ser meu parcei… meu amigo. — Marinette se corrigiu. — Mas não sei se é a coisa certa dizer a ele o que eu estou sentindo. Quer dizer, e se for algo momentâneo? Eu sei que ele sente algo por mim há bastante tempo e não quero magoá-lo se perceber que não era o que eu estava pensando. Ainda mais que tem o Ad… digo, o garoto da porta da escola. Além disso, não poderia acontecer nada entre nós, nós nem nos conhecemos por trás da más… digo, nem nos conhecemos direito.
Quando ela encarou Chat Noir, notou que estava com uma expressão confusa e um tanto engraçada no rosto.
— Eu falei muito rápido?
“Estou começando a me acostumar”, ele quase respondeu.
— Um pouquinho, mas acho que entendi. — Os dois riram. — Pelo visto temos bastante coisa em comum.
“Incluindo o fato de que também sou super-heroína”, ela pensou.
— Se você também se atrapalhar todo perto da pessoa que gosta, será mais uma coisa em comum. — Marinette disse, fazendo Adrien rir ao lembrar-se dos momentos que passou com ela em Nova York, tentando passar pela porta automática e do dia em que bateu a cabeça no carro após fechar o guarda-chuva preto sobre eles dois na porta da escola.
— Ultimamente tenho ficado mais atrapalhado que o normal perto daquela minha amiga.
— Diagnóstico: paixão. — Ambos riram, mas logo depois Adrien ficou pensativo. Será que Plagg estava certo e ele realmente gostava de Marinette?
— Ok, já que você parece uma especialista no assunto, farei algumas perguntas relacionadas aos meus sintomas.
— Tá bom… — Ela respondeu, rindo um pouco.
— Eu olho para ela sem perceber, só notando que estou fazendo isso quando ela olha de volta ou quando alguém me traz de volta à realidade.
Marinette o escutava com atenção.
— Meu kwami e meu melhor amigo sempre dizem que nós deveríamos ficar juntos, já perguntaram várias vezes por que eu continuo querendo só amizade com ela..
“Sei bem o que é isso. A Tikki e a Alya, agora que sabe que sou a Ladybug, já me perguntaram algumas vezes se eu gosto do Chat Noir”, pensou.
— Eu gosto muito da companhia dela, nossas conversas, até sobre coisas simples, sempre duram.
“Minhas conversas com você também sempre duram. Lembra daquela patrulha em que quase vimos o sol nascer?”, ela se segurou para não completar.
— Ela sempre me faz rir, tudo com ela parece ser tão leve…
“Poderia dizer o mesmo sobre você, amo seu senso de humor e até as piadas que você faz durante as batalhas têm deixado tudo, principalmente esses últimos dias complicados, mais leves", Marinette pensava.
— Eu amo o sorriso dela, os olhos dela, o jeito que trata as pessoas, o jeito que está sempre lá para ajudar a quem precisa.
“Também amo seu sorriso, seus olhos, tudo em você.”
Os dois sentiam o coração batendo tão forte que se perguntavam se o outro conseguia ouvir. Ambos se questionavam se deveriam ou não dizer, naquele momento, que estavam falando um do outro. Sentindo as palavras “estou falando de você” presas na garganta, desviaram o olhar e voltaram-se para observar a lua, que até o momento estava coberta por nuvens, deixando apenas uma luz fraca aparecer. Porém, agora, as nuvens pouco a pouco saíam dali, revelando a beleza daquela fase cheia da lua, que passou a iluminar a cidade.
— Isso está me lembrando uma música. — Marinette comentou, rindo levemente. — Sabe aquele filme “Enrolados”?
— Claro! Eu amo esse filme!
— Sério?
— Espera, você está pensando em “Vejo enfim a luz brilhar”, né? — Marinette riu, assentindo surpresa ao ver que Chat Noir conhecia a música. Ela ficou ainda mais surpresa quando ele começou a cantarolar. — Vejo enfim a luz brilhar, já passou o nevoeiro.
— Vejo enfim a luz brilhar, para o alto me conduz. — Marinette começou a cantar também, fazendo o loiro sorrir, ambos ainda mantinham os olhos na lua.
— E ela pode transformar de uma vez o mundo inteiro. — Cantaram juntos. — Tudo é novo, pois agora eu vejo…
Seus olhares se encontraram ao perceber como a letra da música parecia se encaixar perfeitamente naquele momento. Não apenas em relação à lua, que saía de trás das nuvens, mas ao que sentiam um pelo outro. O nevoeiro começava passar.
— É você a luz.
Os dois sentiram seus rostos se aproximarem involuntariamente, até que pudessem sentir o choque da respiração quente do outro contra a pele.
— Se nos beijarmos agora, nos tornaremos um casalzinho do dia dos namorados, não é? — Perguntou Marinette.
— Aham. Os mesmos dos quais estamos fugindo desde o início da noite. — Os dois riram levemente, mas não se afastaram.
— Mas… por que nos beijaríamos? Não estamos aqui justamente por estarmos com, se eu contei direito, três pessoas ocupando nossas mentes?
— Eu estou apenas com uma agora, e você?
— Preciso responder? — Ele sorriu.
— Bom, se eu for essa pessoa, sim.
Marinette aproximou-se ainda mais dele e selou seus lábios em um beijo calmo e apaixonado.
— Isso responde? — Questionou ela, após se separarem.
— Acho que precisaria de mais um para ter certeza. — Ela riu e iria beijá-lo mais uma vez quando algo passou por sua cabeça e ela se afastou de súbito.
— Espera um segundo! Você disse que era amigo da garota na vida por trás da máscara? A gente… se conhece? Nós somos amigos? — Ela perguntava, surpresa ao relembrar tudo o que Chat Noir falou sobre a garota que gostava. — Você disse que a garota… que eu ajudo meus amigos! Nós somos próximos?
Ela nem conseguia filtrar seus pensamentos para que chegassem à boca. Não poderia saber quem Chat Noir era, não poderia fazer aquelas perguntas. Mas… quem ele seria? Sem que percebesse, começou a pensar em todos os seus amigos. Qual deles poderia ser Chat Noir? A maioria já tinha ganhado um miraculous e lutado lado a lado com eles contra um akuma...
— Tão próximos que eu também lembrei da chuva na porta da escola hoje… — Adrien nem percebeu que aquilo tinha saído em voz alta.
Marinette sentiu-se como se estivesse caindo daquele prédio.
— Espera aí! Você é o… — Ele colocou o indicador sobre os lábios dela, pedindo silêncio.
— Vamos manter o segredo, my lady. — Adrien riu levemente ao ver os olhos arregalados de Marinette, mas, ao contrário do sermão sobre as identidades precisarem ser secretas que ele esperava, ela selou novamente os lábios deles com um beijo.
Acima deles, brilhava a lua cheia, totalmente descoberta das nuvens, e também dessa maneira sentiam-se os dois jovens, com os corações acelerados da revelação se acalmando aos poucos ao perceberem que, finalmente, se encontravam nos braços um do outro.
Notas finais
Então, a minha ideia era uma fanfic (na verdade um capítulo único né kkkkkkk) de Marichat em um estilo mais “fofinho”, sabe? E em um cenário diferente da tradicional varanda da Marinette (que é uma marca de Marichat, vamos combinar né? Hahah!)
É isso, eu fiquei sumida por aqui porque estava em uma pausa (bem grande) da escrita, estava sem ideias mesmo e quando elas vinham eu ficava sem ânimo para começar. Estou com algumas ideias arquivadas e quem sabe essa one não marque o retorno da ChattBug? Hahah!
Muito obrigada a todos os comentários e favoritos nas minhas outras fanfics, fiquei tão feliz lendo tudo o que vocês escreveram nesse meu sumiço, sério.
Espero que tenham gostado dessa e até logo :)
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