Behind Blue Eyes
26 Trying
Notas iniciais
—Posso saber o que está acontecendo aqui? – Logan perguntou firme demonstrando sua raiva no tom de voz. Elisabeth suspirou.
—Eu só vim ajudar com o peso das bolsas e trazê-la em casa em segurança. – Theodore respondeu prontamente, fazendo Logan rir ironicamente.
—Meu amor... – Segurou Lisa pela cintura puxando-a pra perto de si, algo que causou extremo incomodo em Theodore. – Quando for assim me ligue, eu busco você a hora que for e onde for. – Sorriu.
—Eu não queria incomodar ninguém. – Lisa respondeu sorrindo também.
—Nunca me incomoda. – Logan puxou-a para um beijo delicado que fez Theodore sentir seus músculos queimarem. Logan sorriu em seguida. – Agora pode ir, Stormfield, eu assumo daqui, até porque preparei um jantar romântico surpresa pra minha namorada e se me permite dizer, você está atrapalhando. – Alfinetou fazendo Elisabeth sorrir sem graça.
—Obrigada de novo. – Disse firmemente antes de adentrar. Theodore assentiu. Logan apenas se aproximou de Theodore numa pose tão inflada quanto a do mesmo.
—Eu não estou brincando, Stormfield. – Sussurrou. – É melhor ficar longe da minha mulher. – Completou. Theodore bufou em irritação, mas no fundo sabia que havia errado em sua atitude, então apenas se afastou dando as costas para Logan que ao vê-lo descer as escadas rapidamente fechou a porta atrás de si. Elisabeth nesse momento retornou de seu quarto com um sorriso curto e um tanto sem graça em semblante. Não sabia exatamente o que Logan tinha visto, mas a julgar por sua postura mediante a situação podia concluir que ele apenas não gostou de ver Theodore ali, sem notar realmente o momento que ela e ele quase tiveram.
—Me desculpe. – Pediu se aproximando.
—Pelo que? – Logan depositou um selinho em seus lábios.
—Não foi certo aceitar a carona e... – Tentou explicar, mas foi interrompida.
—Não vamos falar disso agora. – Logan a envolveu em seus braços. – Você não podia ir até a lasanha hoje, então eu trouxe a lasanha até você. – Sorriu. – Ainda bem que sua amiga Jennifer estava na porta pronta pra sair exatamente na hora em que cheguei. Ela me deixou entrar. – Explicou.
—Eu já estava começando a achar que você tinha invadido. – Brincou Lisa acariciando o rosto dele.
—Era meu plano b. – Respondeu Logan fazendo-a gargalhar. – Eu te amo... – Disse fazendo-a gelar. Sem saber o que dizer, ela o abraçou. Apertou os olhos na face permitindo que o ar entrasse por suas narinas aquecendo-as e em seguida o liberou com força.
—Eu também... – Sussurrou. Logan sorriu e a abraçou com cuidado.
—O que acha então se sentarmos e comermos? Eu confesso que estou faminto. – Riu junto a ela.
—Acho a ideia maravilhosa! – Elisabeth fez uma careta e logo deixou ele puxá-la pela mão até a mesa onde puxou a cadeira para que ela se sentasse.
***
Matthew estava deitado sobre sua cama. Rose estava ao seu lado, com uma prancheta em mãos empenhadas. Ele a observava escrever com enorme atenção e dedicação. Deixou então seu braço correr em torno da cintura dela puxando-a para se sentar em seu colo.
—Alguma ideia? – Perguntou.
—Estou na dúvida entre algo clássico com tonalidades chá, nude e vermelho, com rosas, ou algo inovador com tons fortes e flores de veraneio. – Rolou os olhos.
—Sabe que nosso casamento não é uma capa de revista de moda, não é? – Brincou Matthew fazendo-a gargalhar.
—Eu sei. – Ela deu língua pro noivo. – Mas quero ele mais perfeito do que qualquer uma delas. – Sorriu.
—Eu só quero você radiante nesse dia. – Ele acariciou seu rosto. – E se quer saber, eu prefiro o inovador. – Comentou espertamente. Rose o encarou com afinco antes de rir frouxo.
—Eu também, por isso somos perfeitos um pro outro. – Ela disse estendendo a mão no ar para que ele batesse e ele assim o fez, rindo junto a ela. – Podemos chamar uma banda, eu adoraria música ao vivo. – Sugeriu.
—E lá estamos nós a caminho de um relationship goals. – Ele piscou pra ela que animadamente anotou aquilo em sua prancheta. De repente o celular de Matt tocou e ele rapidamente o atendeu. – E aí, Nick. – Disse confuso. – Confesso que não esperava que fosse me ligar no meio de uma boate, sentiu saudades? – Zombou.
—Antes eu estivesse em uma boate. – Nicholas rolou os olhos. – Eu estou em casa. – Completou.
—Nicholas Phillips em casa em pleno sábado à noite? – Matthew falou fazendo Rose encará-lo incrédula.
—Você tem perdido a prática mesmo, Nick. – Rose bradou fazendo Nicholas rir frouxo.
—Oi pra você também, Rose! – Falou carinhosamente.
—Agora me explica. – Matt chamou a atenção pra si. – Se você está em casa, por que disse que ia sair? – Questionou.
—A Hunan disse que ia sair, eu não podia simplesmente dizer que eu ia ficar em casa tomando cerveja e vendo esse seriado das Kardashians, aliás, quem foi o herói que inventou esse reality? Merece um prêmio. – Gargalhou.
—Nick, quando vai admitir que está totalmente caído pela Jennifer? – Questionou Rose.
—Matt, explica pra ela. – Nicholas falou.
—Ele prefere chamar isso de "não fazer a Hunan pensar que ele deixou de ser o pegador canalha de sempre, porque se ela pensar isso vai achar que ele está caído por ela, o que não aconteceria porque..." – Matt ia tagarelando o discurso fixo de Nicholas, mas logo foi cortado por Rose.
—"Nicholas Phillips não se apaixona" – Rolou os olhos. – Vamos ver até quando vai negar. – Completou.
—Desiste, Rose. – Pediu Nicholas rindo.
—Tudo bem, eu vou tomar um banho pra poder ir dormir, e pra deixar vocês dois conversarem, já que fazem mais isso do que meninas do colegial. – Cantarolou.
—Sabe o que é pior? – Nicholas falou fazendo Matt começar a gargalhar. – Ela tem toda a razão, somos deprimentes. – Brincou.
—Você realmente é. – Matt constatou. – Nick, você está há meses atrás da Jennifer, é totalmente impossível que não sinta nada. – Comentou.
—Tem razão, as vezes eu quero esganar ela por ser tão "senhorita sabe tudo". – Riu fazendo Matt rir também. – E sinto uma vontade imensa de ganhar ela. – Nicholas sorriu. – E depois jogar na cara dela que eu ganhei esse jogo. – Se gabou.
—Nem tudo na vida é um jogo. – Matthew falou espertamente.
—Tudo bem, senhor supremo da psicanálise, mas por favor, parem de tentar me atirar pra Hunan, não vai colar. – Rolou os olhos.
—Então me diz, por que está em casa? – Perguntou Matt.
—Bom... – Nicholas pigarreou. – Sei lá, eu resolvi ficar e assistir algumas séries do History Channel. – Sussurrou.
—Que por sinal é o canal preferido da Jennifer. – Matt sorriu.
—Eu não fazia ideia. – Nicholas mentiu descaradamente.
—Gigantes da Indústria ou Hatfields & McCoys? – Perguntou. Nicholas bufou.
—Hatfields & McCoys... – Disse. – Olha, não é o que você tá pensando, tá legal? Eu só quero saber maneiras melhores de fazer ela me enxergar como um cara interessante e assim ela vai cair aos meus pés. – Explicou.
—Por que do dia para a noite Nicholas Phillips passou a ter que trabalhar duro para se tornar um cara interessante. – Disse.
—Ah, não enche! – Retrucou Nick. – O que eu posso fazer? Ela resiste as minhas cantadas, meu sorriso, meus músculos, minha ironia charmosa e até mesmo meu sobrenome e meu cargo brilhante. – Praguejou. – Qualquer outra garota seria jogada fácil, mas a Hunan é uma fortaleza, e eu não vou descansar até derrubar isso e ter ela pra mim! – Reforçou.
—Tudo bem, como quiser. – Matthew riu. – Pelo menos dessa maneira ela te dá um pouco mais de cultura, já aprendeu até mesmo música brasileira. – Comentou.
—É, mas confesso que eu não entendo metade do que dizem, o que seria seu coração pirar como bolha de sabão? – Questionou. – Enfim, eu vou continuar assistindo esse seriado, até porque ele realmente é bom. – Disse.
—Se quer mesmo impressionar a Jennifer faça algo pela indústria jornalística. – Matt disse.
—Brilhante, soldado! – Nick disse animado. – E eu já até sei como. – Sorriu. – Matt, eu te amo, se não casasse com a Rose eu juro que te pediria em noivado. – Completou.
—Fico lisonjeado, irmão. – Matt riu antes de se despedir e desligar.
***
Theodore adentrou sua casa para ver Joshua, Greg e Annabeth na sala junto com Victoria que tinha um rosto mais emburrado que o comum. Annabeth como de costume há alguns dias estava quieta, apenas deitada com a cabeça no colo de Gregory que bufou assim que viu o pai.
—Papai! – Joshua vibrou correndo até ele.
—Boa noite... – Theodore falou entre os dentes.
—Estava até aceitável. – Greg disse se levantando. Annabeth suspirou, assim como Theodore.
—Eu devo dizer de novo que tem que dar limites a esse garoto? – Victoria falou fazendo Gregory rir em desaforo.
—Para de agir como se fosse minha mãe! – Protestou raivoso.
—Já chega! – Theodore disse irritado. – Gregory, será que você pode ao menos colocar seus irmãos na cama pra mim? – Questionou.
—Vamos... – Ele disse sem encarar o pai enquanto suas mãos direcionavam os caçulas até a escadaria. Victoria permaneceu séria, por sua vez. Theodore já conseguia imaginar o que viria por aí, uma nova sessão de reclamações, insinuações, e o pior de tudo: todas muito corretas e bem observadas. Não podia negar nada daquilo, mas sempre o fazia.
—Victoria... – Começou a dizer, mas fora interrompido.
—Quando chamei a atenção do seu filho mais velho hoje ele me disse que eu não era a mãe dele, e nem a Elisabeth. – Sorriu ironicamente. Theodore suspirou. – Quando falei com o Joshua sobre irmos tomar um sorvete, ele disse que o meu não chegaria aos pés do da "Lisa". – Fez uma careta. – E enquanto tudo isso acontecia o meu noivo estava dançando com essa mesma mulher que parece muito mais parte dessa família do que eu! – Disse num grito agudo que fez Theodore rolar os olhos.
—As crianças estão acordadas. – Disse seriamente. – Não vamos discutir aos berros, eles não precisam disso. – Completou.
—E quando vamos falar do que eu preciso, Theodore? – Victoria indagou. – Eu estou farta de ser uma intrusa nessa casa, enquanto sua empregadinha é querida e amada por todos! – Retrucou.
—O que espera que eu faça? – Ele disse incomodado. – Eu não posso fazer nada a respeito, as pessoas gostam dela porque ela é uma pessoa fácil de se gostar. – Disse.
—Eu não dou a mínima pros outros. – Victoria se aproximou dele autoritariamente. – Eu quero saber o que você sente. – Sorriu falsamente. Theodore suspirou. – Eu quero sentir seu amor por mim... – Victoria deixou seus lábios percorrerem pelos de Theodore que engoliu a seco. Mas ele logo segurou as mãos dela.
—As crianças estão acordadas. – Repetiu fazendo-a rolar os olhos.
—Somos um casal, eles têm que entender isso de uma vez por todas! – Reclamou.
—Olha eu já não aguento mais tanta reclamação! – Theodore levantou o tom de voz. – Todo dia é uma coisa nova, é o casamento que tem que ser minimamente feito para agradar apenas você, é a relação das crianças com a Elisabeth, é o que você acha que eu sinto por ela! Então me diz pelo amor de Deus, o que eu faço afinal? – Questionou.
—Quero você longe dela. – Victoria cruzou os braços. – Totalmente e completamente. – Bateu pé. Theodore coçou os olhos.
—Eu já estou longe. – Disse.
—Então fique mais. – Victoria declarou se aproximando. – Eu garanto que há motivos de sobra pra se manter longe dessa garota. – Completou. Theodore pensou em Summer rapidamente, mas logo expulsou aquele pensamento.
—Eu preciso deitar. – Disse. – Você vem? – Perguntou.
—Claro. – Victoria bradou. – Mas antes eu tenho que passar no quarto da minha linda Annabeth para dar um beijo de boa noite. – Sorriu da maneira mais falsa que podia, numa atuação perfeita.
—Tudo bem. – Theodore beijou sua testa. – Obrigado por tentar essa aproximação com eles. Eu vou conversar com o Gregory e com o Joshua, pedirei aos dois para assim como a Annabeth darem uma chance pra você. – Disse seco dando as costas, mas ela logo o puxou pela gravata depositando um beijo intenso em seus lábios. Theodore sentiu certo repúdio de si mesmo por isso. Era tão ruim ter aquele ato sem sentimento algum, sem sentir nem ao menos desejo. Na realidade, Elisabeth lotava seus pensamentos mais impróprios. Queria beijá-la e senti-la, mas mais do que nunca sabia que isso era algo que nunca aconteceria. – Boa noite. – Ele disse afastando Victoria de si delicadamente e de forma discreta. Ela apenas sorriu. Theodore caminhou pra cima.
***
Elisabeth estava no sofá de sua casa agora. Logan estava ao seu lado e a beijava intensamente, da maneira mais calorosa que podia. Os dois estavam embalados naquele momento, mas Lisa não podia negar que Logan muito mais que ela. A todo tempo se pegava pensando em Theodore e mais ainda na insegurança daqueles toques junto a Logan. Quando as mãos dele seguraram firme em sua cintura colocando-a debaixo de si e deixando seus lábios tocarem seu pescoço ela o parou.
—Tudo bem? – Logan perguntou confuso. – Eu fiz algo errado? – Questionou.
—Não, é que... – Elisabeth suspirou. – Eu não sei como dizer isso... – Riu sem jeito.
—Eu to começando a ficar assustado. – Brincou Logan fazendo-a rir frouxo.
—Acho que eu tenho que ser sincera. – Lisa falou.
—Se disser que eu beijo mal eu juro que vou chorar. – Fez beiço fazendo-a gargalhar.
—Não é esse o problema, pode ter certeza... – Lisa acariciou o rosto dele. – Eu vou ser direta pra não morrer de vergonha... Eu sou virgem. – Corou. Logan deixou transparecer em seu rosto a surpresa que aquela notícia o causou. – Deve me achar uma menina boba. – Comentou se sentando.
—Não, Lisa, claro que não... – Ele segurou em suas mãos. – Eu só não imaginava, porque se me permite dizer você é uma mulher maravilhosa e independente. – Riu frouxo. – Mas posso perguntar o motivo? – Questionou.
—Nunca me senti pronta o suficiente. – Lisa torceu os lábios.
—Eu não vou avançar nenhum sinal, prometo. – Logan acariciou o rosto dela com todo o carinho que tinha. – E se quer saber, pra mim você está longe de ser uma menina boba por isso, na verdade só me mostra ainda mais a mulher que é por respeitar seu tempo e seguir o que acredita. Isso não determina nada. – Sorriu.
—Você é incrível. – Elisabeth sorriu encantada. Era tão difícil achar um homem que não zombasse disso, afinal, era só dizer essas palavras que logo as milhares de associações carregadas em preconceitos e achismos, mas Logan era um homem de verdade, tinha maturidade para entender aquilo e educação o suficiente para respeitar também. Isso só lhe dava mais certeza de que fazia o certo dando uma chance a ele e a seu amor. Ainda assim não conseguia se sentir preparada com ele. Cada toque de Logan a fazia tremer, mas não de desejo e sim de medo de ter isso apenas por impulso ou por se sentir obrigada já que estavam dentro de uma relação que progrediria, afinal temia que seus sentimentos por Theodore impedissem que os por Logan crescessem a ponto dela se sentir realmente preparada para ter esse momento com ele. Sempre fora romântica, sempre quis ter esse momento com alguém que amasse e somente por isso esperava até hoje. Seria Logan esse homem? Toda vez que se perguntava isso pensava em Theodore e isso era simplesmente uma tortura, porque se julgava boba demais por realmente sentir todo aquele sentimento por ele dentro de si. – Obrigada por respeitar isso. – Disse limpando rapidamente sua mente daqueles pensamentos insanos.
—Eu que te agradeço por ser sincera comigo! – Logan sorriu. – Então, o que vamos fazer, um filme talvez? – Sugeriu fazendo-a rir frouxo.
—Acho ótimo, mas devido ao meu emprego tenho que dizer que os únicos filmes que tenho no momento são Bambi, Divertidamente e Peter Pan... – Fez uma careta. – Jennifer levou os filmes que tínhamos aqui para uma amiga, então, você gosta mais de piratas ou animais? – Balançou os filmes em suas mãos.
—Sobre isso... – Logan disse carinhosamente puxando-a pela mão e fazendo-a sentar-se em seu colo. Ela sorriu. – Eu andei pensando e sabe, sem querer ser invasivo, mas não acha que seu emprego tem um horário abusivo? – Questionou.
—Eu não entendi. – Lisa franziu o cenho.
—Você dorme lá. – Logan foi direto ao ponto. – É a babá, as crianças dormem a noite inteira, então qual a necessidade de dormir lá? – Falou. Elisabeth engoliu a seco. Não podia negar que aquele comentário, ainda que não fosse maldoso a incomodava.
—Eles têm pesadelos, às vezes, e se sentem sozinhos... – Elisabeth tentou explicar, mas logo foi cortada.
—Eles têm um pai. – Logan disse incomodado e deixando nitidamente transparecer isso. – Eles agora já têm uma mãe e ela não é você! – Bradou. Elisabeth respirou profundamente com aquilo. Odiou ouvir aquelas palavras.
—Eu fui uma boba de achar que você não tinha se irritado com o fato do Theodore me trazer em casa. – Riu ironicamente. – Olha, eu sei que eles não são meus filhos, e sei que eles têm um pai, mas infelizmente isso não significa nada. O pai deles é ausente. Eles precisam de mim e eu te peço pra, por favor, se me ama tanto nunca mais diga nada disso. – Elisabeth levantou prontamente. – Eu amo aquelas crianças, amo o meu emprego, concordei em dormir lá, e eu não quero de maneira alguma que você tente controlar isso. – Retrucou.
—Amor, me desculpa... – Logan disse devidamente arrependido pegando-a pela cintura assim que se colocou de pé também. – Tem toda a razão, eu não devia tentar interferir no seu trabalho. – Torceu os lábios. – É que esse horário acaba impedindo que a gente fique mais tempo juntos e eu só queria poder ficar mais com você. – Completou. Elisabeth suspirou.
—Tudo bem. – Falou. – Me desculpa por ter me exaltado também... É que eu amo aquelas crianças e doeu quando você disse que não sou a mãe deles. – Riu frouxo. – Por mais absurdo que possa ser eu gostaria de poder ser mãe de crianças tão especiais. – Sussurrou.
—Um dia você vai ser a melhor mãe do mundo das crianças mais especiais do mundo. – Logan acariciou seu rosto. – E até lá, os minis Stormfields tem sorte por ter você com eles. – Sorriu. Elisabeth sorriu também. – Eu vou pra casa agora, tudo bem? – Disse. Ela assentiu. – Boa noite, meu amor. – Logan a puxou para um beijo intenso. Caminhou até a porta que de repente se abriu dando lugar a Jennifer que sorriu surpresa ao ver o clima romântico do apartamento.
—Ah, não digam que eu atrapalhei. – Implorou.
—Não, eu já estava de saída. – Logan riu simpático. – Boa noite. – Disse dando um beijo na testa de Lisa. – Boa noite, Jennifer! – Cumprimentou.
—Boa noite! – Jennifer disse enquanto ele fechava a porta atrás de si. Seus olhos não desgrudavam de Elisabeth, entretanto. – E aí, o que estavam fazendo? – Disse marota, mas pra sua surpresa Lisa bufou e caminhou até o sofá onde se jogou. – Ei, o que houve? – Perguntou a amiga confusa.
—Tivemos nosso primeiro desentendimento como casal, eu acho. – Lisa rolou os olhos.
—Sério? – Jennifer suspirou tristonha. – Quer falar sobre isso? – Perguntou.
—Ele sugeriu que eu deixasse de dormir nos Stormfield, e quando eu neguei ele não gostou muito e disse coisas que não me agradaram. – Torceu os lábios.
—O que ele disse? – Questionou.
—Que eu não sou mãe das crianças. – Lisa fungou se permitindo choramingar.
—Lisa! – Ralhou Jennifer. – Amiga, o que é isso? – Disse puxando-a para um abraço.
—Eu sei que eu sou só a babá deles, mas eles precisam de mim, Jennifer, eu sei que precisam! – Relutou. – Amo aqueles três como se realmente tivessem nascido de mim e eu sei que é absurdo. – Concluiu.
—E isso tudo é apenas pelas crianças? – Questionou.
—Claro que sim! – Lisa disse em sua própria defesa.
—Lisa, eu sei o que sente pelo Stormfield, e você não precisa mentir pra mim. – Jennifer pegou suas mãos. – Eu vi como vocês se olhavam hoje enquanto dançavam... – Sussurrou.
—Theodore está noivo. – Elisabeth respondeu firmemente. – E eu estou com o Logan, não por obrigação, mas porque escolhi estar! – Bradou. – Ficar perto do Theodore é consequência do meu trabalho e não uma escolha porque sinceramente se eu pudesse escolher... – Fungou. – Ficaria longe. – Disse soltando o ar de seus pulmões. – Talvez assim seria mais fácil tirar ele da minha cabeça. – Apoiou sua cabeça no ombro da amiga que a apertou em um abraço.
—Isso vai passar... – Jennifer disse carinhosamente. – E se eu puder opinar sem te ofender... Acho que o Logan está certo. – Comentou. – Sei que é difícil aceitar, Lisa, mas você tem uma vida também e não pode se prender ao trabalho dessa maneira, e por mais que você ame aqueles pingos de gente não pode esquecer que eles são seu emprego. – Torceu os lábios.
—Eu não quero abandoná-los. – Lisa a encarou.
—E não vai. Estará lá cedo quando eles acordarem e sairá depois que eles dormirem. – Secou a lágrima da amiga. – Não é justo para o Logan não poder ver a namorada dele, ou não poder planejar um jantar a dois porque ela está ocupada num quarto de empregada esperando um possível pesadelo das crianças que pode nem chegar. – Explicou.
—Eu não vou deixar de ficar lá. – Elisabeth disse decidida.
—Tudo bem, é uma escolha sua, mas não fique com raiva do seu namorado por querer ter mais tempo com você, isso só prova que ele realmente te ama. – Jennifer discursou fazendo Lisa suspirar por saber que ela estava completamente correta em suas palavras. – E também não pode esquecer que não é certo aqueles encontros da madrugada com o advogato Stormfield. – Jennifer deu uma piscadela marota para Lisa que riu frouxo.
—Eu e o Theodore somos só espinhos um com o outro agora. – Segurou uma mão na outra encarando suas unhas fielmente. – Eu só quero esquecer ele. – Disse.
—É o certo a fazer. – Jennifer a abraçou fortemente.
—Obrigada por estar sempre comigo. – Elisabeth sussurrou. – É a melhor amiga do mundo. – Completou.
—Você que é. – Jennifer disse carinhosamente. – Agora eu vou deitar, tudo bem? – Disse.
—Tudo bem, eu vou arrumar aqui e também vou. – Disse Lisa sorrindo. Jennifer permaneceu com aquele mesmo riso calmo em semblante. Adentrou seu quarto e jogou a bolsa sobre a cama. Pegou o carregador e conectou seu celular ao mesmo para recuperar a bateria perdida depois de ficar o dia inteiro na rua. Assim que o mesmo ligou uma mensagem nova entrou em sua caixa de entrada. Ela franziu o cenho ao ler.
"De: nicholasphillipsrh
Para: jenniferhunan
Será que seremos igual as famílias Hatfields & McCoys? Lado a lado nessa nossa guerrinha pra depois nos odiarmos por 28 anos? Estamos no século XXI, devemos mudar isso, não acha? "
Ela riu. Nicholas não desistia, mas ela estava pronta para ignorar aquilo, entretanto, seu celular vibrou novamente anunciando uma nova postagem no grupo de sua turma. Começou a ler o texto postado por sua coordenadora de curso.
"Queridos alunos e alunas, é com grande alegria no coração que venho comunicar a todos que recebemos uma doação muito generosa para o curso de jornalismo de nossa faculdade. Com o dinheiro doado podemos investir em novas formas de mídia para matérias importantes ao currículo, reformar salas, comprar equipamentos novos para os estágios e além disso, à pedido da própria alma bondosa que doou o dinheiro, podemos presentear os formandos do último ano com uma formatura maior e inteiramente grátis. Então comecem a comemorar, pois serão reembolsados um a um pelo que já pagaram pelo evento, e terão uma formatura ainda maior e mais especial. Nosso doador preferiu manter o anonimato, ainda assim a faculdade expressa a ele toda sua gratidão e admiração por esta grande ajuda e preocupação com o curso de jornalismo. Att, sua coordenadora. "
—Phillips... – Jennifer disse pasma, deixando um suspiro escapar por seus lábios. Será que o autor de tamanha bondade seria Nicholas? E será que ele realmente faria aquilo apenas para continuar jogando com ela e tentando fazê-la ficar com ele? Era algo grande demais para ser apenas por isso, apesar de estarmos falando de Nicholas Phillips, o homem que não media esforços para conseguir uma mulher. Abriu novamente a caixa de mensagem e começou a digitar rapidamente.
"De: jenniferhunan
Para: nicholasphillipsrh
Foi você? E se foi me diga por que! "
"De: nicholasphillipsrh
Para: jenniferhunan
Considere cessar fogo. Como eu disse: século XXI, chega de guerra. "
Jennifer suspirou com aquilo. Um ato altruísta de Nicholas? Era impossível. Ou será que não? E ele nem ao menos usou isso para se promover? Nenhum outdoor falando "Agradeçam a Nicholas Phillips por ser tão maravilhoso"? Nenhuma frase cheia de gabação, ego inflado ou prepotência? Não era realmente possível. Jennifer suspirou pensamento naquilo. Nicholas podia normalmente ser um completo arrogante, mas ela não podia negar que esse ato havia deixado ela completamente surpresa e minimamente encantada por pensar que ele havia feito isso unicamente por saber o quanto significaria pra ela. Sorriu ainda encarando aquela mensagem.
***
—O senhor tem certeza de que não quer nem ao menos um comunicado impresso em agradecimento pela doação? – Questionou a reitora fazendo Nicholas sorrir.
—Não, obrigado de verdade, mas não é preciso. – Disse.
—Senhor Phillips, uma doação tão generosa merece alguma recompensa! Por que negá-la? – Indagou.
—Porque pela primeira vez na minha vida eu não fiz isso por mim. Minha recompensa é um sorriso que nem a senhora e nem comunicado impresso nenhum podem me dar. Pode acreditar, reitora Heighl, eu já ganhei minha maior recompensa. – Disse visualizando a mensagem que chegou de repente.
"De: jenniferhunan
Para: nicholasphillipsrh
Obrigada, Nicholas..."
—Então devo presumir que esse sorriso seja mesmo muito especial para algo tão grande. – A mulher sorriu.
—Mais do que eu gosto de admitir. – Nicholas rolou os olhos. – Muito obrigado por ligar, reitora. – Completou.
—Nós que agradecemos por sua doação, senhor Phillips. Tenha uma boa noite. – Cumprimentou-o em despedida.
—Obrigado. – Nicholas sorriu e se permitiu continuar encarando aquela mensagem. Era perigoso gostar de ler seu nome sendo escrito por ela?
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