Behind Blue Eyes
28 Save me
Notas iniciais
Christina caminhava pela sala de estar de Theodore. A pedido de Victoria ela organizava o bruto do casamento, tendo que deixar tudo conforme o pedido da noiva. Victoria sorria enquanto via algumas entregas sendo finalizadas, pacotes com copos importados chegando, assim como vinhos e provas de comidas à sua espera. Theodore, por sua vez, desceu as escadas as pressas.
—Bom dia, mãe. – Disse.
—Bom dia, Theodore. – Christina disse calmamente.
—Eu já estou indo. – Ele avisou.
—Theodore, não acha que vai sem nem ao menor provar o caviar que eu espero colocar como prato principal, não é? – Victoria soou ali.
—Eu odeio caviar. – Theodore protestou.
—Eu separo então um prato de salmão para você. – Victoria rolou os olhos.
—Obrigado pela consideração. – Disse ele entre os dentes.
—E quanto as taças? – Victoria o chamou fazendo-o rolar os olhos antes de suspirar. – De acordo? – Perguntou.
—É a primeira vez desde que começou a planejar o casamento que me faz essa pergunta, não é um pouco tarde demais pra perguntar minha opinião? – Ele disse.
—Theodore, não fale assim com sua noiva... – Christina pediu percebendo o clima tenso ali.
—Eu tenho que ir trabalhar. – Ele ratificou. – Escolha o que te agradar, Victoria. – Completou. Ela apenas sorriu. Christina, por sua vez, não podia deixar de reparar como o filho parecia abalado. Ele há muitos anos era fechado, desde que perdera a esposa, mas agora ele parecia pior, mais raivoso, mais impaciente, mais sem rumo. Isso a preocupava. Victoria, entretanto, parecia não perceber isso, ou pelo menos fingia, não ligando o mínimo na verdade. Ver sua atual situação com Jonathan a fazia temer que ela e Theodore seguissem pelo mesmo caminho, se casando sem perceber que aquilo não tinha um futuro real e bom, mas Theo nunca a ouviria, afinal, eles sempre tiveram uma relação um tanto complicada. Pensou em algo.
—Victoria, querida, eu vou até lá embaixo avisar ao porteiro que estamos esperando algumas encomendas. – Avisou.
—Querida, mande algum empregado. – Victoria riu.
—Ah, eu mesma vou, preciso de um pouco de ar fresco também. – Sorriu. Victoria deu de ombros e voltou a provar os quitutes que estavam na sua frente. Assim que ela fechou a porta atrás de si pegou seu celular em mãos e discou um número conhecido.
—Mamãe Stormfield... – Cantarolou Nicholas. – Sabe, a senhora sempre foi um pedaço de mal caminho, mas eu deixei de lado as coroas. – Brincou ele.
—Sempre tão agradável falar com você, Nick. – Ela zombou de volta antes dos dois rirem.
—O que posso fazer pela senhora? – Questionou ele.
—Sabe, eu queria que você conversasse com Theodore, ele não está bem. – Disse.
—Conversar com o Theo no meio de uma das crises existências dele? – Suspirou. – Ah, não, obrigado, eu prezo por minha vida. – Riu.
—Nicholas, por favor. – Implorou Christina. – Vocês dois são melhores amigos desde pequenos, ele escuta você e está precisando de um amigo. – Discursou.
—Não podemos usar o Matthew nesse plano? – Indagou Nicholas. – Ele sempre chora com o Matt. – Acrescentou.
—Mas você sempre soube lidar melhor com ele do que o Matt. – Christina riu.
—É, nós temos um affaire bem forte mesmo, é coisa de super-gêmeos ativar. – Riu. – Tudo bem, eu falo com ele, mas se por acaso ele me matar eu quero ser cremado, pode avisar isso a alguém que se interesse em arrumar meu enterro? – Perguntou zombeteiro.
—Eu até organizo seu enterro se conseguir chamar Theodore a razão e impedi-lo de se casar. – Christina sorriu. – Obrigada, querido. – Completou.
—De nada, mamãe Stormfield, você me deve uma. – Sorriu. – Tchau. – Se despediu em seguida.
***
Lisa ria enquanto via Joshua dentro da banheira com seu barquinho imitando sons de canhões. Ver o menino se divertir um pouco era a maior alegria de seu dia, afinal, a casa estava simplesmente abarrotada de coisas do casamento, tudo o que ela queria evitar, principalmente depois daquela discussão com Victoria. Focaria no trabalho, era o certo a se fazer.
—Lisa, pode fazer mais sabão? – Joshua perguntou.
—Se eu fizer mais você vai sumir. – Lisa riu. – Só mais cinco minutos aí, tudo bem? Sua irmã também quer entrar. – Disse.
—Tudo bem. – Ele cantarolou.
—Annabeth, vem aqui pra eu tirar seu maiô! – Elisabeth chamou e a menina, que a cada dia estava mais contida chegou ali com um sorriso curto. Assim que retirou seu maiô, Lisa viu em sua perna uma mancha avermelhada. – Outro machucado na escola? – Disse um tanto incomodada.
—Não, foi no balé... – Annabeth a encarou.
—Annabeth, se tem algo acontecendo, você precisa me contar! – Ralhou Elisabeth.
—Não tem... – A menina choramingou. – Não briga comigo, Lisa, por favor. – Pediu caindo num abraço apertado em seus braços. Lisa apertou forte.
—Meu amor, o que você tem? – Questionou.
—Eu só quero ficar com você... – Annabeth resmungou em seus braços.
—Eu estou com você, minha princesa, calma, não precisa chorar... – Disse acalmando a menina enquanto sua mente vagava tentando colocar seus pensamentos no lugar.
***
Nicholas adentrou o escritório de Theodore. O mesmo apesar de notar sua presença ali, não se moveu, nem o encarou, apenas continuou deixando seus olhos percorrerem os papéis que analisava. Nicholas o conhecia bem pra saber o que aquilo significava, mas ainda assim se arriscaria.
—Theodore. – Chamou fazendo o mesmo lhe encarar emburrado.
—Eu não estou bom pra conversar. – Adiantou Theodore.
—É, eu conheço a peça. – Nicholas sorriu. – Mas acho que precisa conversar então vou me arriscar a ser assassinado. – Zombou.
—O que você quer? – Theodore largou os papéis finalmente.
—Te chamar a razão. – Nicholas se sentou. – Theodore, somos amigos, somos os melhores amigos há anos. – Disse. – Eu te conheço o suficiente pra saber que você está sofrendo muito. – Falou.
—Nicholas, a minha decisão já está tomada. – Theodore retrucou raivoso.
—Voltar atrás ainda é uma opção. – Rebateu Nick. – Você não precisa se casar com ela, você nem ao menos precisa ficar longe da Lisa. – Ia dizendo, mas logo foi interrompido.
—Eu não preciso dos seus conselhos. – Theodore disse. – Eu nem sei porque você se acha no direito de me aconselhar se nem ao menos consegue admitir que está apaixonado! – Disse fazendo Nicholas engolir a seco.
—Eu não vim pra brigar, eu só vim pra fazer o meu melhor amigo cair em si e ver que está sofrendo, ver que está prestes a cometer o maior erro da vida dele por culpa! – Nicholas também disse irritado agora.
—Não começa com isso. – Theodore implorou.
—Eu não quero começar a falar da Summer e você sabe, mas... – Ia dizendo.
—EU NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO! – Theodore levantou a voz. – Sabe como isso me mata, sabe como isso me deprime, então não fala da Summer nunca mais. – Suplicou. – Nem ao menos fale da minha culpa porque você nem imagina o que eu sinto. – Completou.
—Você a amava. – Nicholas disse. – Amava de verdade, eu via, eu estava lá! – O fitou. – Theo, você nunca mais foi feliz de novo, mas você pode ser. – Falou agora mais calmamente.
—Eu quero que saia. – Theodore disse secamente.
—Theo... – Tentou falar, mas logo foi interrompido.
—Nicholas, sai da minha sala agora! – Theodore ordenou. Nicholas torceu os lábios e se levantou, um tanto incomodado com aquilo.
—Quer saber, vive dizendo que está sendo racional, mas você só faz perder a razão. – Bradou raivoso.
—E o que você sabe? – Theodore falou grosseiramente. – Vive reafirmando por aí como fica com qualquer mulher que quer pra nutrir seu ego e nem ao menos consegue olhar pra mulher que ama e dizer isso. – Alfinetou.
—E você o fez? – Nicholas encheu o peito devido a raiva.
—Eu fiz há anos atrás, e por isso, eu a perdi. – Theodore suspirou. – Por favor, vai embora, Nicholas. – Ratificou fazendo o mesmo suspirar antes de bater à porta atrás de si. Se jogou sobre a cadeira e ali mesmo se pôs a chorar devido à grande dor que sentia dentro de si.
***
Lisa discava um número conhecido em seu celular. Sentia falta de sua mãe, a correria no trabalho, às vezes era tanta que elas mal conseguiam se falar. Ao menos Lisa sabia que agora ela e Paul estavam firmes, o que a fazia se sentir mais tranquila por saber que Ava não estava sozinha.
—Oi, filha! – Ava disse numa voz mais viva que nunca.
—Oi, mãe, que voz boa. – Lisa disse marota.
—Assim você me envergonha. – Riu Ava.
—Oi, Lisa... – Paul falou logo atrás da mãe fazendo-a rir.
—Olá, Paul! – Cantarolou Lisa. – Estou ansiosa pra te conhecer pessoalmente. – Riu.
—Eu também, sua mãe não para de falar de você. – Paul disse simpático. – Agora eu tenho que ir, o restaurante precisa ser aberto. – Brincou fazendo as duas rirem.
—Estão firmes mesmo. – Lisa sorriu.
—Você não se incomoda com isso, não é? – Ava disse num tom preocupado.
—Claro que não, mãe eu estou muito feliz por você. – Disse sinceramente.
—Então por que sinto sua voz estranha? – Ava questionou sempre com aquele instinto materno maravilhoso, capaz de enxergar mesmo há quilômetros de distância algo errado na voz da filha, algo que Elisabeth sempre admirou.
—Eu não sei como explicar, mas acho que tem algo ruim acontecendo com a Annabeth. – Disse.
—Algo ruim? – Ava franziu o cenho.
—Ela está muito introspectiva, muito quieta, triste, e toda hora eu encontro manchas no corpo dela, arranhões, hematomas. – Suspirou. – Eu estou ficando muito preocupada. – Disse.
—Ela costuma apanhar? – Ava perguntou.
—Não! – Lisa disse logo. – De maneira nenhuma, o Theodore é totalmente contra isso e eu também. – Disse. – Mas... Eu tenho minhas suspeitas quanto a noiva dele. – Resmungou.
—Isso é uma acusação muito grave de se fazer, filha. – Ava disse em temor.
—Eu sei, eu nunca a acusaria sem provas, mas eu estou apavorada em ver a Annabeth assim e se ela ou qualquer outra pessoa realmente estiver batendo nela, o Theodore precisa saber pra poder tomar uma atitude. – Tagarelou. – Eu não aguento ver ela assim, e não sei o que fazer, mãe. – Sussurrou.
—Já pensou em uma câmera? – Ava sugeriu.
—Uma câmera? – Elisabeth pensou um pouco.
—Sim, hoje em dia é o que mais vemos, pais que colocam câmeras escondidas nos quartos de seus filhos, sabe, pra monitorar, talvez você possa conseguir uma que te mostre de uma vez por todas o que realmente está acontecendo com Annabeth. – Disse carinhosamente.
—É uma ideia brilhante. – Lisa sorriu. – Por isso eu sei que sempre que preciso devo correr pros seus braços, mãe. – Retribuiu o carinho em seu tom. – Obrigada. – Disse.
—Eu te amo, meu amor. – Ava riu emocionada. – Não demore a comprar isso, afinal, se essa mulher é quem realmente está torturando a menina dessa maneira então é melhor que isso seja sabido antes do casamento, senão pode ser um caminho sem volta. – Completou.
—Eu vou providenciar ainda hoje essa câmera. – Disse Lisa. – Agora tenho que ir, mãe, eu te amo, beijos. – Disse desligando rapidamente assim que viu Victoria vindo em sua direção.
—Onde estão as crianças? – Victoria perguntou.
—Estão terminando de se vestir para irem pra feira de ciências da escola. – Lisa explicou.
—Ótimo. – Victoria disse. – Não pense que acabamos aquela conversinha. – Sorriu.
—Eu não tenho absolutamente mais nada pra falar com você. – Elisabeth disse raivosa antes de deixa-la ali falando sozinha.
***
Naquele mesmo dia mais tarde, Rose e Lisa caminhavam pela rua calmamente. As duas riam enquanto Rose encarava os vestidos mais lindos que Lisa já tinha visto na vitrine de uma boutique no centro da cidade.
—Você vai ser uma noiva maravilhosa. – Constatou Elisabeth.
—Portanto que o Matt me ache linda eu não preciso de mais nada. – Rose sorriu.
—O amor de vocês é tão bonito. – Lisa caminhou ao lado dela. – É realmente inspirador. – Disse.
—E como está o seu coração? – Rose a fitou.
—Bem. – Lisa respondeu sem muitas emoções.
—Então as coisas vão bem com o Logan? – A fitou intensamente.
—Logan é amoroso e carinhoso, eu me sinto bem com ele. – Elisabeth disse. – E então, qual vestido tem em mente? – Mudou de assunto antes que Rose começasse a falar de Theodore.
—Algo despojado. – Disse. – E você o que tem nessa bolsa? – Perguntou confusa.
—Ah, eu comprei uma câmera pra colocar na porta do apartamento, sabe, eu acho que tem alguém roubando o jornal, queria descobrir quem é antes que a Jennifer surte. – Riu frouxo fazendo Rose rir também. De repente o celular de Rose soou ali.
—Alô. – Disse. – Oi, mas ela está bem? – Perguntou preocupada. – Tudo bem, eu vou aí agora. – Disse.
—Tudo bem? – Lisa a encarou.
—Parece que a Christina chegou chorando em casa e se trancou no quarto, se nega a sair ou responder, estão preocupados que ela possa estar tentando algo ruim. – Disse. – Você vem comigo? – Questionou.
—Claro! – Lisa disse as duas logo correram para adentrar o carro de Rose que não hesitou em rapidamente dar a partida.
***
Quando Rose e Lisa chegaram a casa de Christina a senhora de cabelos brancos que trabalhava como empregada da casa logo as recebeu com um sorriso contido.
—Ela não sai do quarto, não quer comer. – Disse.
—Obrigada por ligar, senhora Gale. – Rose disse carinhosamente. As duas caminharam até a porta do quarto onde Rose logo deu duas batidas leves. – Christina... Sou eu Rose, a Lisa está comigo, por que não abre a porta pra conversarmos? – Perguntou. – Por favor, estamos preocupadas. – Disse depois de não obter resposta alguma. De repente, entretanto, a porta se abriu dando as duas visão de uma Christina tristonha, com os olhos cheios de lágrimas, totalmente abatida. Ela logo abraçou Rose com toda a força que tinha e em seguida fez o mesmo com Lisa.
—O que houve? – Rose perguntou carinhosa pra ela enquanto se sentava ao seu lado na cama, assim como Lisa.
—Jonathan. – Ela sussurrou.
—De novo... – Rose torceu os lábios. – O que ele fez agora? – Perguntou.
—Nada na verdade. – Christina choramingou. – Eu é que acabei me encontrando totalmente infeliz. – Riu frouxo. – Eu sempre soube que era infeliz, mas isso nunca me incomodou tanto como agora. Agora me sufoca. – Disse.
—Você não tem que ser infeliz. – Rose retrucou.
—Na verdade você não deve ser. – Lisa acrescentou. – Todo mundo merece ser feliz, mesmo que numa segunda chance. – Sorriu.
—Eu estou velha demais pra uma segunda chance. – Disse ironicamente.
—Claro que não. – Lisa segurou suas mãos. – Nunca é tarde. – Falou.
—Lisa tem razão, você só precisa se reinventar, se livrar do que lhe faz mal. – Rose sorriu. – E isso tem que começar pelo Jonathan. – Completou.
—Não sei se eu consigo. – Christina as fitou. – Sempre que pensei na hipótese de não sermos mais um casal eu retornei a ideia de que era melhor estar ao lado dele do que só. – Explicou.
—Você ainda o ama? – Elisabeth perguntou fazendo-a suspirar.
—Eu sempre o amei. – Christina disse. – Ele era o homem mais lindo que eu já tinha visto na vida. Era carinhoso, amoroso, e nós éramos felizes, nós e nossos filhos, e eu nunca soube onde nós morremos e viramos o que somos hoje. – Chorou. – O Jonathan que conheci nunca me machucava. – Disse.
—Ele te bateu? – Rose arregalou os olhos.
—Uma vez, depois que eu o bati, das outras vezes foram empurrões que me levaram a cair, ou nos atracamos, um batendo no outro e tentando se defender ao mesmo tempo. – Esclareceu fazendo as duas suspirarem.
—Você não precisa passar por isso, Christina. – Lisa a encarou de maneira tristonha. – É uma mulher linda, inteligente, bem-sucedida, você ainda pode ser feliz ao lado de alguém que te proporcione felicidade. – Disse carinhosamente.
—Eu não sei se tenho coragem pra estar sozinha de novo. – Retrucou ela.
—E o que mudaria? – Rose a indagou. – Você já está sozinha. – Sussurrou.
—Ela tem razão. – Lisa disse. – Estar casada não significa não estar sozinha, principalmente se seu marido sai todas as noites, fica com outras mulheres, a maltrata e menospreza. Mas sozinha, você poderá resgatar seu amor próprio, e ele pode ser sua maior companhia. – Discursou. Christina se pôs a chorar e logo puxou as duas para um abraço carinhoso.
—Vocês certamente são as filhas que nunca tive. – Riu frouxo. – Ao menos sei que vão ser as noras que eu sempre pedi. – Completou fazendo Lisa franzir o cenho em estranhamento com aquelas palavras, certamente a mulher estava delirando pra dizer aquilo, mas preferiu deixa-la falar. – Mas não posso fazer isso agora, não no meio da confusão que nossa família está com o casamento de Theodore. – Disse.
—Tudo bem. – Rose sorriu. – Mas me prometa que não vai mais se prender a algo que a faz sofrer, tudo bem? – A fitou numa careta carinhosa que a fez rir.
—Eu prometo, minhas meninas. – Disse carinhosa também.
—Eu vou deixar vocês a sós agora. – Lisa sorriu. – Já está ficando tarde, eu tenho um encontro com o Logan e ainda preciso passar na casa do Theodore. – Disse fazendo as suas assentirem. Lisa andou às pressas para fora do local. Rose encarou a sogra.
—As noras que sempre pediu... – Disse marota.
—Não é tão claro que Theodore ama essa menina? – Riu. – Pudera, é uma menina adorável, e eu espero que meu filho caia em si antes que seja tarde. – Suspirou.
—Eu também... – Rose a abraçou fortemente. – Mas o que acha de você trocar de roupa e sair pra jantar comigo e com o Matt? – Sugeriu.
—Eu vou amar! – Christina riu da maneira mais sincera que podia enquanto via Rose levantar e correr a seu guarda roupa escolhendo um traje apropriado e elegante.
***
Lisa já havia realizado seu plano. Estava confiante de que conseguiria algo para acabar com o sofrimento de Annabeth, e ainda que não achasse ao menos saberia que medidas precisariam ser tomadas em outros âmbitos da vida da menina. Quando desceu, entretanto, viu Joshua ainda na sala chorando enquanto Victoria e Gregory entoavam uma nova discussão.
—EU JÁ DISSE PRA VOCÊ PARAR DE AGIR COMO SE PUDESSE MANDAR EM MIM. – Greg rebateu raivoso.
— E EU JÁ DISSE QUE VOCÊ VAI TER QUE APRENDER A ME RESPEITAR QUEIRA VOCÊ OU NÃO, GAROTO! – Victoria respondeu no mesmo tom. Joshua chorava avidamente.
—Você não é minha mãe. – Greg rosnou. – Para de tentar agir como ela, para de tentar fingir ser ela! – Completou.
—Eu não preciso tentar ser como sua mãe, eu sou melhor do que ela! – Riu ironicamente.
—Cala a boca! – Greg disse irritado.
—Sua mãe não passava de uma hippie maluca, e quer saber, você é igualzinho ao que todos falam dela, insolente e rebelde, totalmente desnecessário! – Bradou.
—LAVA A SUA BOCA ANTES DE FALAR DA MINHA MÃE! – Greg disse quase partindo pra cima dela, mas ela apenas riu.
—JÁ CHEGA! – Elisabeth disse em alto tom fazendo Victoria franzir o cenho.
—Com quem pensa que está falando? – Victoria disse indignada.
—Greg, vai pro seu quarto, e acalma seu irmão, por favor. – Lisa disse e o rapaz logo respirou profundamente antes de caminhar até o pequeno e pegá-lo em seus braços para subir com ele.
—Adora mostrar como tem domínio sobre eles, não é? – Victoria cruzou os braços.
—O que você esconde, Victoria? – Elisabeth inflou o peito. – Você não me compra. – Riu.
—E eu deveria esconder algo? – Victoria a fitou.
—O que você realmente tem feito? – Questionou.
—Eu ia perguntar a mesma coisa, querida. – Victoria riu em deboche. – Mas não vou perder tempo falando disso com você, simplesmente porque esse assunto eu prefiro tratar com o meu marido. – Sorriu.
—Ainda não é casada.- Lisa retrucou raivosa.
—E ainda assim sou maior que você dentro dessa casa, goste você ou não. – Victoria disse.
—Eu não me importo. – Respondeu. – Só quero que deixe as crianças em paz, eu sei muito bem que está tentando enlouquecer a todos eles! – Rosnou.
—Você não sabe de nada. – Victoria sorriu. – Nem mesmo sobre o que pensa saber. – Falou fazendo Lisa franzir o cenho. – Pode ir, empregadinha, e tenha uma noite péssima. – Sorriu antes de caminhar em direção a escadaria. Elisabeth fechou os olhos e os punhos buscando controlar-se para não tomar alguma atitude. Pegou sua bolsa rapidamente ao constatar a hora já tardia e correu em direção a porta.
***
Naquele mesmo dia mais tarde, Logan preparava um belo jantar enquanto esperava por Lisa. Ela estava um pouco atrasada, o que o preocupava um pouco, mas ele preferia se acalmar e esperar, preparando tudo para uma noite perfeita ao lado dela. Quando a porta se abriu dando lugar para ela, ele logo sorriu.
—Atrasada. – Disse carinhosamente.
—Culpada! – Lisa riu antes de correr até ele e ser agarrada pela cintura por seus braços fortes para lhe dar um beijo intenso.
—O que houve? – Logan perguntou. – Já estava preocupado e a lasanha gelada. – Brincou.
—Ah, eu tive que passar na casa dos Stormfield antes. – Disse. Logan engoliu a seco.
—Qual o motivo? — Questionou.
—Acho que tem algo errado acontecendo com a Annabeth. – Ela explicou. – Eu comprei uma câmera e coloquei no quarto dela. – Completou.
—Uma câmera? – Ele perguntou incrédulo. – Lisa, o que você tá pensando? – Falou.
—Eu sei que posso ter passado um tanto do limite fazendo isso, mas eu tenho certeza de que a Victoria está fazendo algo contra a Annabeth e eu quero ter como provar isso. — Disse.
—Olha o que você está dizendo, Lisa! – Logan suspirou. – Olha eu sei que ama essas crianças e eu admiro isso, mas está passando do limite. – Completou.
—Eu só quero ajudar. – Ela falou sem jeito.
—Eu sei disso, aliás é sempre assim. – Logan rolou os olhos.
—O que quer dizer? – Lisa franziu o cenho.
—Você coloca seu trabalho na nossa frente. Sempre. – Disse. – Eu até relevaria se fosse por algo concreto, mas se atrasou quase uma hora pro nosso encontro porque estava plantando uma câmera! – Riu irônico.
—Eu me atrasei na verdade porque acabei tendo que ir com a Rose ver a senhora Stormfield... — Ela tentou explicar, mas logo ele a interrompeu.
—Exatamente, Lisa. – Disse firmemente. – Você está inundada até o pescoço com os problemas dos Stormfields e não percebe que está deixando nosso relacionamento de lado por isso. – Logan retrucou.
—Eu não estou deixando nada de lado, eu estou aqui. – Ela caminhou até ele.
—É, está, mas sempre está lá primeiro. – Logan suspirou. – Todo trabalho tem limites. Eu amo você, mas estou cansado de toda vez que vamos fazer algo você colocar os Stormfields na frente, sempre desmarcando ou atrasando. – Falou. – Sinceramente, acho que precisa começar a estabelecer limites nisso tudo por mais envolvida que seja por aquela família. – Ralhou.
—Eu não pensei que você ficaria tão chateado com isso... – Ela protestou.
—Lisa, se alguém achar essa câmera podem te acusar de mil coisas, tudo isso pode virar contra você, eu quero que tire aquilo de lá amanhã assim que chegar e esqueça isso. Se os Stormfields têm problemas deixe que eles resolvam. – Disse caminhando em direção ao quarto.
—Logan, aonde você vai? – Ela questionou confusa.
—Deitar. – Avisou.
—E nosso jantar? – Perguntou.
—Está frio, e o vinho quente, e sinceramente, Lisa, eu to um pouco cansado de ser sempre seu segundo plano e estar à disposição. – Completou dando-lhe as costas. Lisa suspirou. Não sabia exatamente o que fazer. Torceu os lábios. Sem dizer nada ela tirou de sua bolsa uma roupa de dormir que havia comprado mais cedo. Era toda de seda preta e ela logo colocou sobre o corpo. Caminhou até a cozinha e esquentou a lasanha, sobre o vinho colocou gelo. Caminhou com uma bandeja até o quarto para ver um Logan deitado com um livro em mão. Ele a percebeu ali alguns segundos depois para ficar perplexo com as vestes dela.
—Desculpa se eu te magoei. – Pediu. – Será que podemos jantar? E depois será que eu posso dormir com meu namorado? – Questionou. – Porque o fato é que ele é incrível, e eu não quero terminar a noite brigada com ele, nem fora dos seus braços. – Sorriu. Logan sorriu também.
—Como eu posso resistir a isso? – Logan jogou o livro pro lado fazendo-a rir frouxo. Ela então caminhou até ele que retirou a bandeja de sua mão e a colocou sobre a mesa ao lado da cama. Ele então a puxou para cima de si e a beijou intensamente colocando-a em seguida ao seu lado e passando seu braço com força em torno de seu corpo. Lisa se aconchegou em seu peito e fechou os olhos para sentir as mãos dele afagando seus cabelos castanhos. Logan beijou o topo de sua cabeça. – Me promete que vai tirar aquela câmera de lá? – Disse.
—Eu prometo. – Ela sorriu. Os dois se abraçaram com mais força e se permitiram adormecer daquela maneira.
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