Notas iniciais
O que está achando da história até aqui? Comente para sabermos! Recomende aos amigos!

Elisabeth desceu as escadas da casa dos Stormfields com cuidado. Mais uma vez o sono havia lhe abandonado, deixando-a acordada em plena madrugada. Queria beber um pouco de água, ou quem sabe um copo quente de leite ou chá, assim quem sabe poderia relaxar e voltar a dormir. Mas a tranquilidade logo lhe abandonou ao avistar a luz da cozinha acesa e um Theodore virando um gole de uísque. Ela paralisou. Não sabia se ele tinha notado sua presença ali, o que impossibilitava saber se poderia voltar correndo ao quarto ou se deveria seguir em frente. Ele então a encarou gelando também.

—Lisa... – Falou sem jeito. Ela engoliu a seco.

—Boa noite, eu... perdi o sono, só vim pegar um pouco de água. – Falou sem encará-lo. Ele assentiu, sem dar nem um pio sequer. Ela caminhou até a geladeira e de lá pegou um pouco de água.

—Então você e Logan estão oficialmente namorando. – Ele falou entre os dentes. Lisa não sabia exatamente o que responder, afinal, nem imaginava que ele soubesse disso, já que ela não anunciou nada.

—Pois é. – Respondeu curta.

—Nunca imaginei uma garota como você com um cara como ele. – Theodore resmungou.

—Logan é um cara incrível. – Lisa o defendeu prontamente.

—Ah, me desculpe por falar mal do seu namorado. – Theodore rolou os olhos.

—Sabe que não pode me julgar por isso. – Elisabeth disse irritada.

—O que quer dizer? – Ele a fitou.

—Eu só estou tocando minha vida pra frente. – Elisabeth respondeu confiantemente. – Olha, eu venho me controlando todos os dias pra não tocar no assunto, mas eu tenho que perguntar, o que aconteceu? – Ela caminhou até ele. – Da última vez que me lembro estávamos comprando o presente da Annabeth, rindo, jantando juntos, e você estava falando sobre viagens que poderíamos fazer. E no dia seguinte você estava noivo. – Riu irônica. – Você pode até me dizer que eu confundi as coisas, que me deixei levar, mas aonde está aquele Theodore? – Questionou. – Você mal olha pra mim, mal fala comigo, e eu realmente achei que pelo menos amigos nós tínhamos nos tornado... – Comentou. Victoria se colocou atrás da porta ao ouvir aquelas vozes. – Foi tudo invenção da minha cabeça? – Elisabeth o fitou com toda a dor que sentia dentro de si. Ele queria poder falar, queria como pensou o dia inteiro em fazê-lo, mas os olhos dela eram tão doces, tão inocentes. Em meio a toda dor que ele mesmo já sentia e sentia por causar a ela, ainda assim sabia que era preferível e mais fácil se ela o odiasse, ainda mais agora que ela já tinha um outro alguém.

—Sim. – Respondeu seco. – Foi tudo obra da sua cabeça. Eu nunca passei de seu patrão e você nunca passou de minha empregada. – Engoliu a seco com suas próprias palavras. Lisa respirou fundo por receber aquele impacto inesperado. – Eu tentei ser amigável pela Annabeth e pelos meus filhos, me perdoe se passei uma impressão errada. – Completou. Victoria sorriu ouvindo aquilo, por mais que soubesse que não passava de uma grande mentira. Lisa assentiu.

—Eu não sei por que se preocupa com o Logan, ou porque o critica tanto... – Lisa disse parando de caminhar. – Ele sim é um homem de verdade, porque eu sei que eu nunca inventei nada. – Concluiu acelerando seus passos em direção a escada. Victoria rapidamente se escondeu para não ser vista. Estava feliz por ver Theodore tão decidido a se afastar dela, assim seria ainda mais fácil mantê-los longe, mas pra sua surpresa quando levou seus olhos a ele novamente o viu chorando. Queimou em raiva por notar agora mais do que nunca o quanto ele nutria sentimentos por Elisabeth. Precisava afastá-los, e já sabia exatamente as armas que usaria pra isso. Sem se fazer presente retornou ao quarto. Theodore se sentia como se cada parte de si estivesse quebrada. Era tão difícil e torturante ter que se manter afastado dela, mas era o certo e mais do que nunca se empenharia para fazê-lo. Lisa, por sua vez adentrou seu quarto totalmente entristecida pelas palavras dele, sabia que elas não podiam ser verdadeiras, será que ela realmente seria tão boba? Será que realmente tinha inventado toda aquela situação de romance com Theodore? Se jogou sobre a cama buscando findar esse pensando, mas tinha certeza de que agora mesmo o sono não voltaria.

***

No dia seguinte, Matthew estava sentado em sua poltrona. Sobre a mesa alguns documentos eram fielmente lidos com toda a atenção que ele possuía. Quebrando, entretanto, a mesma, Theodore e Nicholas adentraram a sala entoando uma conversa animada. Matt sorriu ao ver os dois ali, afinal, fazia tempo que eles não se reuniam os três, na verdade, sua relação com o irmão ainda era delicada em meio a toda a situação ali instalada desde o anúncio de seu noivado com Victoria. Ainda assim, Matthew queria os dois ali para dar um passo extremamente importante em sua vida.

—Olha eles aí... – Matthew bradou se levantando.

—Eu sabia que nossas reuniões de meninas superpoderosas iam retornar. – Nicholas falou no tom mais sarcástico que possuía fazendo os dois gargalharem.

—Pois é, eu não resisti. – Comentou Matt.

—Disse que tinha algo importante pra dizer. – Theodore encarou o irmão. – Fico feliz que tenha pensando em mim pra isso. – Completou.

—É, meu irmão, você não me fala muito da sua vida, mas eu quero cultivar isso aqui. – Matthew alfinetou fazendo Theodore sorrir derrotado. – Bom, indo direto ao ponto... – Matthew levou sua mão ao bolso do paletó tirando do mesmo um anel de brilhantes.

—Eu sempre soube que ele queria me pedir em casamento... – Nicholas bufou. – Matthew, sabe que a gente só tem sexo casual! – Reforçou fazendo Matthew gargalhar.

—Matt! – Theodore falou em alegria puxando o irmão pra um abraço. – Meus parabéns, isso é incrível! – Sorriu.

—Não me parabenizem ainda. – Disse espertamente. – Primeiro preciso que a Rose aceite meu pedido. – Explicou.

—Eu já estava quase aceitando, por que ela não aceitaria? – Nicholas falou puxando-o pra um abraço também. – Vocês dois são o casal mais sensacional do mundo, eu estou realmente feliz por isso. – Disse.

—Eu sabia que ficariam assim, e sinceramente, foi por isso que eu quis que meus melhores amigos fossem os primeiros a saber que decidi tomar esse passo. – Matthew falou sorridente.

—E como pretende pedir a mão dela? – Questionou Theodore curioso.

—Hoje à noite. – Disse. – Vou leva-la ao jardim público, onde tivemos nosso primeiro encontro de verdade depois daquela festa maluca da fraternidade. Pedi ao Bernardi que organizasse um jantar para nós dois lá, pretendo pedir exatamente no lugar onde eu a pedi em namoro. – Riu frouxo antes de corar.

—Ela está no papo. – Nicholas falou risonho dando um soco leve no ombro de Matthew que riu.

—Eu amo aquela mulher mais que tudo na minha vida. – Matt disse seriamente. Theodore respirou profundamente ouvindo aquilo. A coragem do irmão sempre o deixou maravilhado, e sua entrega para seus sentimentos era simplesmente inspiradora, algo que ele queria saber fazer também. Ao menos podia se contentar em ver seu caçula feliz e realizado ao lado de Rose que certamente era a mulher certa pra ele, algo que ninguém poderia negar. – Eu quero que seja tudo perfeito. – Disse.

—Vai ser. – Theodore sorriu pra ele. – E eu quero que saiba que eu estou muito orgulhoso de você, Matthew. – Concluiu.

—Obrigado, Theo. – Matthew o abraçou de novo.

—Eu não resisto abraços grupais... – Nicholas disse ironicamente antes de rir junto a eles e os abraçar também. – Açúcar, tempero e tudo que há de bom... – Sussurrou zombeteiro antes deles se soltarem e voltarem a rir.

***

Logan caminhava pela empresa com o telefone em mãos. Hoje seria a reunião dos acionistas com Theodore, a primeira na verdade, pois ele bem sabia que Theodore não faria a fusão entre as empresas com tanta facilidade, não sem ao menos convocar uma dúzia de reuniões infindáveis até ter certeza das reais intenções de Logan. Nas mãos o celular, no rosto um sorriso por estar falando com Elisabeth.

—Então o que você me diz de hoje à noite nós saímos juntos, ou então podemos viajar no final de semana. – Falou animado.

—Ah, eu ia adorar, mas eu tenho que trabalhar. – Ela respondeu torcendo os lábios.

—Mas isso não nos impede de sair à noite, eu te pego depois do expediente. – Falou.

—Acontece que eu durmo aqui. – Ela explicou fazendo-o suspirar.

—Eu tinha me esquecido desse pequeno detalhe.... Você costuma dormir no Stormfield. – Logan deixou sua voz sair um tanto incomodada.

—Eu sinto muito. – Elisabeth respondeu sentindo isso. – Mas que tal na sexta, podemos almoçar depois que eu deixar o Joshua e a Annabeth na peça de teatro com a avó deles. – Sugeriu.

—Tudo bem. – Ele respondeu ainda em desanimo. – Eu tenho que ir, a reunião já vai começar. – Disse se despedindo em seguida e desligando o telefone. Bufou. Não demorou muito para uma Victoria aparecer ali com um sorriso estampado.

—Logan! – O saudou animadamente.

—Tenho que dizer, Victoria, seu casamento a deixa radiante, eu não me lembrava que sorria tanto. – Logan falou zombeteiro recebendo uma risada forçada dela.

—Posso dizer o mesmo em relação ao seu namoro, mas hoje especialmente você me parece desanimado. – Comentou.

—Coisas normais de todo relacionamento. – Logan tentou desconversar.

—Ah, me desculpe, eu não pude deixar de ouvir sua conversa. – Victoria torceu os lábios.

—Eu não esperava nada diferente de você, Victoria. – Logan riu.

—É, mas diferente do que pode acreditar eu vim aqui lhe fazer um favor grandioso. – Ela o fitou. – Não deve ser nada fácil pra você querer passar mais tempo com sua namorada e não poder porque ela trabalha incansavelmente como babá do seu maior rival, ainda mais sabendo que eles tem um certo encanto um com o outro. – Disse. Logan franziu o cenho.

—O que disse? – Perguntou confuso.

—Ah, você não sabia? – Victoria fingiu surpresa. – Desculpe, eu realmente achei que soubesse que os dois ficaram muito próximos quando eu e Theodore demos um tempo, mas me esqueci, foi justamente quando você estava viajando a negócios. – Sorriu.

—O quer dizer com próximos? – Questionou incomodado.

—Saindo juntos, sendo amiguinhos. – Victoria rolou os olhos. – Acontece que nunca saberemos ao certo, então seria bom se pudesse garantir que ela ficaria o menos perto dele possível sabe, como se por exemplo ela não dormisse mais lá. – Comentou.

—Eu confio na Lisa. – Logan protestou. – Mas se está tão preocupada por que você mesma não dá essa ordem já que em breve será a senhora Stormfield? – Sugeriu alfinetando-a.

—Pra você ver... Theodore faz questão de que ela esteja lá o tempo inteiro caso as crianças precisem, e a não ser que ela queira o contrário, assim permanecerá. – Cantarolou. – E eu imagino que deva confiar muito mesmo na Lisa, afinal, ela é uma garota de ouro e certamente te contou da conversinha dela com o Theodore ontem de madrugada. – Disse. Mais uma vez Logan deixou um semblante surpreso tomar sua face. – Ops... – Ela riu. – Parece que não. – Completou.

—Victoria, o que você está pretendendo? – Logan perguntou prontamente.

—Eu quero garantir o meu casamento, e você quer garantir sua namoradinha. Acontece que eu sei controlar o Theodore, mas ela é uma mulher bonita que se quiser consegue mexer com ele em níveis que nenhuma outra poderia, além de você sabe quem. – Falou seriamente. – Se você não abrir seus olhos nós dois vamos perder tudo, então comece a colocar condições no seu relacionamento ou em breve vai perde-lo, afinal... Quem é Logan Donovan comparado a Theodore Stormfield. – Alfinetou sabendo que aquilo seria sua cartada final. Mexer com o orgulho de qualquer homem era sucesso garantido, e disso ela tinha vasta experiência. Começou a caminhar deixando Logan ali parado, respirando profundamente enquanto pensava em suas palavras.

***

Theodore abotoou o botão do paletó se colocando de pé dentro da sala de reuniões onde se reuniam todos os acionistas da Stormfield e da Donovan. Estavam lá, entre eles, Matthew, Geórgia e Jonathan. Logan entrou logo atrás dele, com cara de poucos amigos. A reunião não demorou a se iniciar, e pra surpresa de Theodore, Logan pouco falava, apenas ouvia as propostas de todos os presentes.

—Eu não acredito que fusionar as empresas seja exatamente a melhor opção. – Matthew falou. – Seria semelhante a dizermos que estávamos enfraquecidos meio à crise e por isso nos unidos para não cair. – Comentou.

—Ora não seja bobo. – Geórgia rebateu. – Fusionar as empresas abriria nosso campo de atuação, seria pontual para a Stormfield. – Falou.

—Acontece que não estamos aqui pra pensar apenas na Stormfield. – Uma das acionistas da Donovan rebateu também. – Sabemos da grandiosidade das duas empresas, e a questão em jogo é: uni-las vai aumenta-las ou dividi-las, criando uma empresa com metade Donovan e metade Stormfield? Porque se essa for a resposta então é totalmente inválido em frente ao mercado. – Completou.

—Eu concordo. – Theodore se pronunciou. – Na realidade a Stormfield quer manter sua autenticidade, não roubar o que é da Donovan, se for pra uma união ser feita ela tem que garantir que nada será dividido, apenas somado. – Explicou.

—E de divisões e tentativas de divisões você sabe muito, não é. – Logan falou fazendo Theodore franzir o cenho enquanto todos os presentes demonstravam confusão diante de sua constatação.

—Eu acabo de dizer que não temos interesse algum de diminuir seu lucro, e sim somar os dois. – Falou.

—Na realidade, eu começo a achar que sua intenção é justamente acabar com o meu lucro. – Logan falou raivoso.

—Eu nem ao menos poderia, já que temos áreas de atuação diferente dentro do mercado. – Theodore retrucou.

—Exatamente, áreas de atuação diferente, você chegou ao meu ponto, mas o que fazemos, Stormfield, quando nossa finalidade é exatamente a mesma e não estamos dispostos a dividi-la? – Riu irônico. Theodore engoliu a seco, começando a entender onde Logan queria chegar com aquela cena.

—Desculpem, mas ainda estamos falando da fusão entre as empresas? – Jonathan falou confuso.

—Acho que não... – Matthew respondeu enquanto via os dois se encararem com olhos flamejantes. – Bom, está claro que os acionistas de ambas as empresas precisam avaliar muito ainda, então acho que podemos encerrar essa reunião e aguardas pelas propostas da próxima. – Falou. Todos ali assentiram, começando a se levantar e caminhar em direção a saída. Logan, por sua vez permaneceu em seu lugar. – Tá tudo bem? – Matt sussurrou no ouvido do irmão antes de também sair da sala. Theodore assentiu, fazendo-o sair e deixar os dois ali sozinhos.

—Que cena, Donovan. – Theodore disse incomodado. – Achei que você tinha sugerido essa fusão. – Completou.

—Não se faça de imbecil, sabe do que eu estou falando. – Logan se aproximou dele também irritado.

—O que só me dá mais certeza de que eu não quero fechar negócio algum com você. – Riu irônico. – Usou uma reunião de trabalho pra me alfinetar sobre um assunto pessoal. – Disse.

—Aparentemente não sou eu quem tem dificuldades em separar a vida pessoal da profissional. – Logan comentou sarcástico. – Eu quero você longe da Elisabeth. – Falou. Theodore riu.

—E de onde você tirou que estamos próximos? – Questionou colocando as mãos nos bolsos.

—Eu estou namorando ela. – Logan sorriu vitorioso. – E você está noivo. – Concluiu.

—E você está dizendo tudo o que eu já sei. – Retrucou Theodore.

—Sei que vocês têm uma história mal resolvida, mas ela me escolheu, então seja homem de verdade e respeite isso, assim como sua noiva. – Rosnou.

—Não tente me ensinar a ser homem quando você nunca aprendeu a ser um. – Theodore rosnou de volta fazendo os dois se encararem com ainda mais ódio. – Elisabeth trabalha pra mim e sinto muito que isso te incomode, mas não vai mudar, e quanto a minha noiva, peço pra que não se meta e se preocupe com sua namorada. – Bradou.

—Eu o farei, pode ter toda a certeza. – Logan esbarrou no ombro de Theodore antes de caminhar em direção a saída da sala. – Não cante vitória, porque seja lá o que pensa que a Lisa pode sentir por você eu te garanto que vou apagar. – Completou fechando a porta atrás de si. Theodore respirou fundo buscando algum controle, algum ainda que mínimo que não o fizesse quebrar a cara de Logan.

***

Elisabeth estava ao telefone com Jennifer enquanto esperava chegar o horário de buscar Annabeth no balé. As duas riam entoando uma conversa animada. Mas no fundo Lisa só queria a primeira oportunidade adequada para mencionar o que acontecera de madrugada.

—Enfim, eu acho que isso era tudo o que eu tinha pra dizer a respeito da minha formatura. – Jennifer riu. – Dá pra acreditar que tá chegando? Eu sonhei com isso desde que entrei na faculdade e agora falta pouquíssimo. – Riu animada.

—Você com toda a certeza merece e vai ser uma jornalista maravilhosa. – Elisabeth falou carinhosa.

—Ah, você é um amor! – Jennifer riu. – E quero você lá no dia. – Disse.

—Eu estarei, não tenha dúvidas. – Respondeu ela.

—E então, o que vai fazer hoje? – Perguntou.

—Ficar trabalhando, talvez assistir Bambi com as crianças. – Lisa riu com sua própria resposta.

—Com um advogato maravilhoso como o Logan a sua espera ver Bambi é uma ideia interessante? – Questionou Jennifer.

—Ele entende que é meu trabalho. – Lisa falou. – Bom, pelo menos eu espero que entenda. – Disse.

—Lisa, trabalho tem horário pra iniciar e pra acabar, e você vive aí, as vezes fico dias sem te ver, até esqueço que moro com alguém. – Comentou.

—Eu sei, mas com os preparativos do casamento as crianças estão mais nervosas, ansiosas, tem ficado tão manhosas e eu só quero garantir que eles vão estar bem. – Explicou.

—E isso não tem nada a ver com o Theodore? – Ela falou espertamente.

—Sobre isso... – Lisa disse desanimada.

—Ah, Lisa, o que houve? – Jennifer demonstrou preocupação.

—Meio que trocamos uns arranhões ontem à noite quando por acaso nos encontramos devido à falta de sono. – Bufou. – Acabei falando mais do que deveria e to totalmente arrependida. – Completou.

—O que você disse? – A voz de Jennifer era mais tensa do que curiosa agora.

—Falei sobre nossa proximidade e como isso mudou desde que ele noivou. – Falou.

—Elisabeth! – Jennifer ralhou.

—Eu sei, eu não devia ter dito, mas ele estava lá claramente criticando meu namoro com o Logan que a propósito eu nem sei como ele descobriu e eu não aguentei, quis jogar na cara dele que ele não podia me cobrar nada, nem opinar nada. – Reclamou.

—Lisa, eu sei que tem um turbilhão de emoções dentro de você agora, mas caramba, você sabe melhor do que ninguém que estar dentro de um relacionamento requer confiança e dedicação e quanto mais próxima do Theodore e mais envolvida nessas questões mal resolvidas de vocês, mais você acaba colocando seu namoro numa posição ruim. – Falou.

—Eu sei. – Lisa engoliu a seco. – Não vai mais acontecer, até porque ele deixou bem claro que eu confundi tudo e que ele só estava sendo sociável pelas crianças. – Suspirou.

—Então se tem sua resposta siga em frente, tudo bem? – Jennifer sorriu.

—Eu vou. – Ela respondeu torcendo os lábios. – Tenho que ir, é hora de buscar a Annabeth. – Comentou. As duas se despediram e ela logo desligou o telefone, mas o mesmo rapidamente tocou de novo fazendo-a estranhar pelo número desconhecido. – Alô. – Falou.

—Oi, senhorita Sullivan, sabemos que normalmente é a senhorita quem busca a Annabeth, mas a madrasta dela, Victoria acabou de busca-la e pediu para que a informássemos. – Disse. Elisabeth fechou os olhos em irritação.

—Obrigada por avisar. – A sequidão tomou sua voz. Odiava o fato de Victoria se intrometer, na realidade sua vontade era de lidar para Theodore e questionar se isso realmente era correto, mas em meio as condições seria uma pergunta no mínimo absurda, afinal, eles eram noivos, e era óbvio que cada vez mais Victoria teria esse tipo de liberdade com as crianças, mas não adiantava, toda vez que Lisa a via se aproximar deles sentia todo seu corpo entrar em alerta, como se algo de muito errado acontecesse ali e colocasse seus instintos mais profundos em alerta total. Caminhou lentamente ao quarto de Annabeth, encarou ao redor vendo tudo seu devido lugar. Sorriu encarando uma foto dela abraçada aos irmãos e outra abraçada ao pai. Era tão estranho o fato de não haver rastro algum da falecida senhora Stormfield pela casa, pelo menos não em lugares permitidos a ela frequentar, mas era como se a visão dela tivesse sido apagada e Elisabeth não podia deixar de se perguntar o motivo pra isso. Todos davam a entender que o amor de Theodore por ela era grandioso e consumidor, mas então por que as crianças mal citavam a mãe, e por que sempre que ela era citada por Gregory, ele e Theodore entravam em uma discussão gigantesca? Tudo na vida dos Stormfield parecia tão sombrio e misterioso, principalmente com a vinda de Victoria que apesar das palavras rudes de Theo na noite anterior, havia sido a coisa mais inesperada por todos. Se perguntava até que ponto tudo aquilo podia estar interligado, e também até que ponto estava exagerando em suas suspeitas. Seus olhos então focaram o colchão da cama para ver um pedaço de papel grudado a ele, como se fosse algo escondido. Lisa franziu o cenho e logo se abaixou ao lado do mesmo, puxando-o para encontrar um desenho feito pela menina. Era uma garotinha, parecia mais um autorretrato na verdade, mas ao contrário do comum em Annabeth, a garota tinha um rosto triste e chorava. Lisa respirou fundo. Mais uma vez sentiu seu corpo entrar em alerta, mas não conseguia entender o motivo. Soube de cara quando começou a trabalhar ali que as crianças tinham sim seus medos e dores, mas apesar de tudo Annabeth e Joshua sempre foram crianças amorosas e risonhas, o que a fazia estranhar aquele tipo de sentimento guardado por ela. Colocou o desenho dentro de seu bolso assim que ouviu uma movimentação chegando no lugar, mas pra sua surpresa era apenas Joshua que havia acordado.

—Lisa... – Ele chamou fazendo-a caminhar até ele para pegá-lo no colo. – Eu tive um sonho ruim... – Reclamou.

—Fazia tanto tempo que seus pesadelos tinham parado... – Lisa disse colocando a cabeça dele deitada em seu ombro.

—É, mas dessa vez eu não tive medo. – Joshua explicou.

—É mesmo? – Elisabeth sorriu. – É porque você é corajoso... – Explicou.

—Não, é porque fiquei com raiva. – Ele a fitou. Elisabeth franziu o cenho.

—Como assim com raiva? – Perguntou.

—Já tive esse pesadelo antes, mas sempre de noite, e é a Annabeth chorando baixinho, com dor, e eu fico com raiva porque tem gente machucando ela. – Falou. Elisabeth não pôde deixar de respirar fundo com aquilo, além do mais porque a cada minuto tudo parecia ainda mais estranho ali. Ela encarou Joshua.

—Você viu alguém machucar sua irmã? – Perguntou.

—Não, eu só sonhei. – Ele riu.

—E se você visse, o que faria? – Elisabeth perguntou.

—Eu contaria pra você, Lisa! – Ele respondeu dando um abraço apertado nela que retribuiu.

—Eu sei, meu amor... – Ela sorriu. – Vamos te colocar no banho agora. – Completou.

***

Victoria puxava Annabeth pelo braço com força, jogando-a dentro do carro fazendo a menina choramingar. No braço da garota uma mancha avermelhada se formava devido à força aplicada pela mulher. No outro, entretanto, uma boneca, nova e bela.

—Você vai chegar e dizer ao seu pai que eu te busquei e te levei pra passear e ainda te dei uma boneca nova, entendeu? – Perguntou. Annabeth assentiu. – Eu não ouvi, monstrinho! – Reclamou.

—Sim, Victoria... – A menina sussurrou.

—Muito bem. – Ela sorriu maldosamente. – E espero que continue calada e se comportando, ou então já sabe, não é? – A fitou.

—Sim... – Annabeth respondeu de novo.

—E antes que eu me esqueça... – Victoria virou para encará-la. – É bom mudar esse rostinho chorão antes de chegarmos, pois eu não quero de maneira nenhuma que sua querida babá comece a supor coisas, então engula o seu choro e limpe esse rosto. – Mandou. A menina logo passou um pedaço de pano sobre o rosto. – Muito bem, Annabeth, se continuar assim quem sabe eu te deixe morar com a gente depois que eu e seu pai nos casarmos, porque bom... – Riu. – Você sabe que seu destino será um internato logo logo... – Gargalhou. A menina apenas engoliu o choro, sem encarar Victoria, tampouco responde-la.

***

Rose e Matthew caminhavam naquele fim de tarde pelo parque, local escolhido a dedo por ele para fazer a grande proposta, já que o mesmo era lugar das mais importantes lembranças para ambos. Ele sorria, segurando firmemente a mão fina dela que encarava tudo ao redor com atenção. Rose sempre fora detalhista e ele não podia negar que isso o encantava. Amava ver o modo esperto como ela encarava tudo ao seu redor, o modo como percebia as cores alternativas de algumas flores, ou os detalhes rústicos da arquitetura antiga das fontes, ou como ela fechava os olhos para apurar melhor o cheiro da brisa que trazia consigo o odor do orvalho. Tudo isso a tornava uma mulher maravilhosa e especial pra ele, sempre capaz de enxergar seus mínimos detalhes, perceber no ar seus pontos fracos e trabalhar em cima deles com seu amor e delicadeza. Aquilo, além do mais, também a tornava extremamente talentosa em sua profissão. Rose era uma estilista fantástica, com uma futura carreira brilhante pela frente, ao qual Matthew podia dizer que queria estar ao lado para vê-la trilhar.

—Você está muito misterioso... – Ela cantarolou despertando-o.

—Pois é, acho que aprendi com você a encarar os detalhes... – Ele falou antes de sorrir.

—E então, vai me dizer por que estamos no nosso lugar? – Rose comentou esperta. – Se bem me lembro, sempre que viemos aqui foram datas importantes... – Ela parou de frente pra ele.

—Eu te amo, Rose, e eu amo esse lugar porque é o nosso lugar, e hoje... Ele é só nosso. – Matthew disse fazendo-a virar para ver uma mesa para dois no meio da ponte de madeira onde os dois começaram a namorar. Ela sorriu.

—Você fechou o parque público pra nós dois? – Perguntou radiante.

—Às vezes, ser um Stormfield pode ser muito bom. – Matt segurou na mão dela e a puxou lentamente até a mesa. Ele puxou a cadeira para que ela se sentasse e depois fez o mesmo. Não demorou muito para que Bernardi aparecesse ali com duas taças de champanhe.

—Você é maravilhoso... – Rose sorriu encantada enquanto seus olhos o encaravam fielmente. – O que estamos brindando? – Perguntou. Matthew se colocou de pé e parou ao lado dela.

—Há alguns anos, meu colega de quarto me arrastou pra uma festa de fraternidade. Assim que eu entrei lá eu avistei uma garota ruiva, distraída, bordando a ponta da saia que tinha descosturado. – Ele riu fazendo-a rir também. – Ela era a mulher mais linda que eu já tinha visto na vida. Peguei o primeiro copo de bebida que vi na frente e caminhei até ela só pra fingir que tínhamos esbarrado e derrubado tudo em cima de mim, só pra ter a desculpa de convidá-la pra um drink. Pra minha sorte ela disse sim. – Matthew segurou a mão de Rose. – Naquele dia eu não sabia, mas eu estava conhecendo minha futura esposa, a mulher com quem eu queria passar a eternidade, com quem eu iria e vou, construir uma família. Então... – Matthew se colocou de joelhos fazendo os olhos de Rose se arregalarem ao perceber o que era tudo aquilo. – Rose Newman, meu amor... Nenhum outro lugar poderia ser mais perfeito do que esse pra te fazer esse pedido. Aqui eu te beijei de verdade depois daquela festa. Aqui nós fizemos amor quando todos foram embora. – Ele riu junto a ela que agora tinha os olhos marejados devido as lágrimas emocionadas. – Aqui eu te pedi em namoro. E agora, é aqui, onde eu quero pedir pra que você seja minha esposa. – Ele falou tirando de seu bolso a caixa que rapidamente abriu dando lugar ao anel de brilhantes que mostrara mais cedo aos amigos. Rose chorou, da maneira mais contente que conseguia. – Você aceita se casar comigo? – Perguntou. Ela riu frouxo.

—É claro que sim! – Ela pulou nos braços dele depositando um beijo intenso em seus lábios molhados pelas lágrimas que escorriam prontamente. Matthew a abraçou com toda a força que podia, e logo depois retirou o anel do apoio e colocou sobre o dedo dela que sorria radiante. – Eu te amo demais, Matt... – Rose acariciou seu rosto.

—Eu te amo ainda mais, Rose. – Ele sorriu puxando-a pela nuca para um novo beijo marcado por sorrisos bobos de ambos.

—Sabe... – Ela segurou na gola de sua camisa. – Bernardi já nos deixou um jantar maravilhoso e o parque está fechado só pra nós... – A voz dela era maldosa. – O que acha de fazermos amor aqui de novo, mas agora como noivos? – Indagou. Sem responde-la Matthew a puxou pra um beijo intenso, deitando-a ali mesmo debaixo de si. Rapidamente correu sua mão até a cintura dela, abrindo pela lateral seu vestido, que rapidamente retirou enquanto sentia as mãos dela desabotoarem sua camisa depois de já ter arrancado seu paletó. Ela o puxou pela gravata para beijá-lo, e ele enquanto isso, retirava as roupas íntimas dela, para ter seu corpo colado ao dele em seguida. Ele a encarou sorrindo. Acariciou seu rosto e voltou a beijá-la, envolvendo-se novamente naquele ato que sabia ser apenas o primeiro de muitos ao lado de sua futura mulher.

***

Annabeth estava sentada sobre sua cama, penteando o cabelo da boneca nova a mando de Victoria que a fez encenar para todos, sua paixão pelo presente. Elisabeth, entretanto, parou em frente a porta do quarto e sorriu pra menina que retribuiu num sorriso curto.

—Tudo bem, mocinha? – Elisabeth questionou.

—Sim, Lisa. – Annabeth respondeu sem encará-la.

—Sua boneca é bem bonita. – Disse se aproximando. – Você deve adorar a Victoria, não é? – Falou. Annabeth apenas balançou a cabeça em sinal positivo. – E deve estar feliz porque seu pai vai se casar com alguém que você gosta, né... – Completou. Mais uma vez a menina apenas assentiu. – Annabeth, meu amor, olha mim... – Pediu carinhosamente fazendo a menina encará-la. – Pode me explicar esse desenho... – Elisabeth tirou o mesmo de seu bolso fazendo Annabeth arregalar os olhos. – Você está triste? – Perguntou.

—Não... – Annabeth respondeu rapidamente. – Eu só guardei pra uma amiga. – Respondeu.

—Você prometeu não mentir pra mim... – Lisa falou mais seriamente agora.

—Eu não to mentindo. – Respondeu. Elisabeth respirou fundo.

—O que houve com sua amiga? – Mostrou sua curiosidade.

—Ela viu os pais brigarem e ficou triste. – Annabeth encarou o vazio.

—E aí te deu o desenho e pediu pra guardar para os pais não verem? – Indagou.

—Sim... – Annabeth voltou a pentear a boneca.

—Tudo bem... – Lisa se colocou de pé. – Boa noite, meu amor. – Disse dando um beijo no topo da cabeça de Annabeth que apenas sorriu antes de se deitar sobre sua cama novamente. Assim que Lisa fechou a porta, ela se pôs a chorar.

Elisabeth caminhou até o quarto de Gregory onde o menino estava jogado sobre a cama jogando uma bola sobre a parede. Ela deu duas batidas na porta, fazendo-o fita-la rapidamente com um sorriso curto.

—Olá... – Lisa se aproximou.

—Oi, Lisa. – Ele respondeu.

—Você anda tão quieto. – Comentou.

—Acho que perdi as forças até pra reclamar. – Greg riu fazendo-a rir também.

—Só vim ver se você está bem. – Ela se sentou ao lado dele.

—Segui seu conselho e estou dando o espaço que ela precisa, mas antes deixei bem claro que gosto dela e que estarei esperando. – Explicou.

—Tudo vai melhorar. – Elisabeth falou confiantemente.

—É, eu sei que vai. – Greg falou. – Obrigado por se preocupar, Lisa. – Ele a abraçou fortemente e ela retribuiu.

—Boa noite, Greg. – Sorriu. Theodore parou ao lado da porta ao ouvir a voz dela ali.

—Boa noite, Lisa. – Ele sorriu também. – Já disse que você até que é uma babá legal? – Brincou fazendo-a rir frouxo. Theodore sorriu também.

—Você não é tão ruim também. – Ela fez uma careta e quando saiu da porta e a fechou atrás de si acabou topando de frente com ele, na verdade um esbarrão tão forte que acabou caindo em seus braços. Eles se fitaram intensamente, mas ela logo voltou a si se soltando dele. – Me desculpe, senhor Stormfield. – Falou antes de correr em direção ao seu quarto.

—Eu que peço, Lisa... – Theodore suspirou encarando o quarto do filho para vê-lo virado para a parede, já pronto para dormir. Apenas puxou a porta, terminando de fechá-la e voltou a seu quarto.