Behind Blue Eyes
4 Capítulo 4 - The Dinner
Ainda era cedo quando Elisabeth desceu na ponta dos pés em direção a cozinha. Há essa hora Theodore já tinha ido para o trabalho, portanto seria mais fácil começar o dia tranquilamente sem ter que encará-lo. Estava decidida a se aproximar do Greg e começaria por hoje. Como ele seria transferido, não iria para a escola e aquela seria sua chance. Ao chegar à cozinha, Grace já estava arrumando tudo para o café da manhã. Grace era uma mulher de meia idade bastante simpática. Sua pele da cor de chocolate esbanjava um rosto arredondado. Seus lábios grossos sempre estavam repuxados num sorriso receptivo e seus olhos de cor de jabuticaba sempre brilhavam em animação quando alguém elogiava sua comida.
— Bom dia, Grace! — saudou animada, vendo a mulher se virar para olhá-la.
— Bom dia, querida. Vejo que ainda está com a cama nas costas. — a mulher riu ao observar o pijama rosa bebê que a mais nova ainda usava.
— Eu só estou apressada para levar o café do Gregory. Quero fazer isso antes que ele acorde. — explicou com um sorriso maroto enquanto pegava uma bandeja e começava a colocar as coisas.
— Sabe... eu acho ótimo o que você está fazendo por ele. Mesmo sendo desse jeito, Gregory é um menino de ouro. — confidenciou Grace, a olhando com carinho.
— Eu sei disso, Grace. Só espero que ele mostre esse lado para mim. — ela sorriu para mulher e, em seguida, pegou a bandeja já cheia de comida. — Bom... agora vou lá antes que as crianças acordem.
Calmamente Elisabeth caminhou em direção às escadas, porém a figura de Theodore surgiu fazendo com que ela estancasse no lugar. O mesmo, de começo, não percebeu a presença da mesma, pois estava olhando para o celular, porém, quando ergueu o olhar se surpreendeu por encontra-la com uma bandeja cheia de comida na mão e vestida com seu pijama. A morena se xingava mentalmente por não conferir se ele ainda estava. Não queria ter que falar com ele depois de ontem. Na verdade, havia decidido que o trataria da mesma forma que estava sendo tratada. Falaria somente o necessário e somente isso. Claro que ainda manteria o respeito, afinal, ele era o seu chefe, porém não daria brechas para receber uma resposta grosseira como a de ontem. Contudo, ela sentiu seu rosto corar ao notar que ele a olhava com curiosidade devido às roupas.
— Me desculpe, eu não sabia que o senhor ainda estava em casa. Eu vim pegar o café do Gregory. — se adiantou, levantando a bandeja sobre os peitos tentando evitar a completa exposição.
Theodore — que até então não havia dito nada por estar olhando para o pijama dela — ergueu os olhos e encarou o rosto corado de Elisabeth. Queria poder pedir desculpas por ontem. Não deveria ter gritado com ela, muito menos, descontado a sua raiva. Ele sabia muito bem que ela só queria ajudar e mesmo assim conseguiu se sair um completo idiota. Entretanto, não conseguia dizer nada, apenas encarava aqueles olhos azuis tão puros e belos.
Elisabeth franziu o cenho diante do silêncio dele e apenas suspirou, preparando-se para subir.
— Bom... vou levar isso aqui para o Greg e acordar as crianças. Com licença, senhor Stormfield.
— Espere! — ordenou ele, com a voz autoritária.
No mesmo instante, Elisabeth parou de andar e o encarou, esperando o que viria a seguir.
— Não precisa se desculpar pelas roupas. Eu entendo perfeitamente. Apenas quero lhe avisar que hoje a noite haverá um jantar para Victoria aqui em casa às sete da noite. As crianças devem estar devidamente arrumadas para uma ocasião formal e estar aqui em baixo na hora certa. Entendido, Srta. Sullivan? — questionou ele, olhando-a atentamente.
— Sim, senhor. As crianças vão estar devidamente arrumadas. Devo estar aqui as seis da manhã, no dia seguinte?
— Como assim? — ele franziu o cenho, não entendendo a pergunta.
— Eu vou embora depois de arrumar as crianças. Não é isso? — questionou, confusa.
— Nada disso! — ele se opôs veemente. — A senhorita terá que ficar para ter a certeza que Joshua e Annabeth se comportarão. A senhorita também deverá se arrumar formalmente, por favor. — informou, seco.
— Tudo bem. Agora se me der licença, senhor. — falou.
Theodore apenas concordou com a cabeça e observou a mesma se afastar. Não pode deixar de olhar para as pernas dela. Elisabeth era uma mulher linda, porém ele percebeu o jeito como ela agiu. Não lhe dirigiu nenhum sorriso simpático, ou muito menos falou mais que o necessário. Com certeza isso foi pelo fato da noite passada e isso só fez com que ele se sentisse ainda mais incomodado. Com um suspiro exasperado, ele pegou sua pasta e seguiu porta afora.
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Gregory se remexeu um pouco ao escutar algumas batidinhas na porta. Ainda era cedo demais pra quem quer que fosse incomodar seu momento de sono. Uma leve dor de cabeça surgiu devido ao choro da noite passada e isso o irritou ainda mais. Novamente as batidas na porta voltaram a aparecer fazendo com que ele bufasse e se sentasse.
— Entra! — ele rolou os olhos e esperou.
Elisabeth sorriu e colocou a cabeça para dentro do quarto deixando o adolescente surpreso. Em suas mãos havia uma bandeja com o café da manha. Ninguém nunca tinha feito isso por ele. Atentamente ele a observou entrar e caminhar devagar até a cama, onde deixou a bandeja.
— Eu trouxe isso aqui pra você. Imaginei que, talvez você não fosse querer descer. — ela deu de ombros e o encarou com um sorriso.
Gregory agora olhava para o café da manhã com a testa franzida. Ainda não entendia ao certo o que ela estava querendo e sim, ainda tinha um pé atrás com ela, mas mesmo assim era incapaz de sentir aversão a esse gesto.
— Eu coloquei torradas no lugar das panquecas. — ela riu. Ao ver que ele não falaria nada, ela suspirou e se pôs de pé. — eu vou ir acordar os seus irmãos para a escola, tudo bem? Depois venho pegar a bandeja.
Antes que ela pudesse sair completamente, um sussurro a fez sorrir largamente, sentindo seu dia se iluminar.
— Obrigado. — sussurrou ele.
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Christina se serviu de mais um pouco de suco. Como sempre o café da manhã só não era totalmente silencioso pelo barulho dos talheres e do folhear do jornal que Jonathan só lia enquanto estava comendo. Ela o observou sentado à sua frente e então bufou, pegando um pedaço de queijo branco. Tal ato não passou despercebido por Jonathan que desviou os olhos do jornal e encarou a esposa que esbanjava uma expressão desgostosa no rosto. Ela sempre estava com essa expressão. Já sentindo perder a paciência, Jonathan suspirou e dobrou o jornal, colocando-o sobre a mesa. Com calma, pegou um pedaço de queijo e colocou no prato. Mais uma vez, Christina suspirou, fazendo-o se segurar para não sair dali.
— Algum problema? — questionou ele, a olhando irritadiço.
Odiava quando ela fazia isso do nada, procurando algum motivo para lhe chamar a atenção.
— Não sei... você vê algum problema? — ela retrucou com ironia, fazendo-o bufar e tomar um gole do seu café.
— Só consigo ver os problemas que você inventa, Christina. — ele a olhou com raiva. — O que foi agora? — esbravejou.
— Eu invento? — questionou, incrédula, soltando uma risada em seguida. — Esses problemas existem há muito tempo. Só que você não liga. — acusou, com a face vermelha em irritação.
— Que inferno! — praguejou ele, batendo na mesa e levantando. — Não tenho paciência para isso. Não agora!
— Você não tem paciência para nada! — cuspiu a mulher se levantando também. — Você é omisso.
— E por acaso eu deixei de lhe dar algo? — gritou, observando Christina de assustar.
Devagar, ela se sentou e lhe lançou um sorriso calmo. O que fez com que ele franzisse o cenho, estranhando aquela atitude.
— Você deixa muito a desejar, Jonathan. — comentou amargurada, enquanto dava mais um gole do seu suco.
— Quer saber? Eu vou pra empresa. Não tenho paciência para ficar com você! — exclamou com raiva. Ela apenas deu de ombros, o fazendo bufar. — Você vai ficar ranzinza que nem sua mãe! — proferiu exasperado, antes de marchar para fora de casa.
Depois que a porta bateu com força, Christina deixou uma lágrima cair, mas rapidamente a enxugou. Há muito tempo se proibiu de chorar e não seria agora que se permitiria fazer isso.
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Após sair do quarto de Gregory, Elisabeth foi até seu quarto, tomou um banho e trocou de roupa, colocando uma calça rosinha bebê e uma blusa preta de mangas curtas. Optou por um tênis já que a sapatilha machucou seu pé no dia anterior. Desistindo de arrumar o cabelo, ela apenas fez um rabo de cavalo e saiu. Annabeth dormia tranquilamente ao lado da boneca Elsa do filme Frozen. Não demorou muito para conseguir acordá-la e colocá-la no banho quase que imediatamente para poder ir à escola. Como de costume, gostava de deixar as coisas adiantadas e por isso caminhou prontamente ao guarda roupa da menina e de lá tirou o vestido mais bonito que encontrou. O vestido era rosa bebê com um laço rosa choque na cintura.
— Eu adoro esse vestido.— Vibrou Annabeth, saindo do banho.
— Ele é lindo. — Elogiou Lisa colocando-o sobre a cama. — Acha uma boa escolha para o jantar de hoje à noite? — Perguntou sorridente.
— Não queria ir pra esse jantar, então tanto faz. — A menina respondeu um tanto manhosa, o que fez Elisabeth franzir o cenho por essa atitude que não lhe condizia em nada.
— Por que? — Ela se sentou ao lado da menina começando a escovar seus longos cabelos. — Vai ser divertido! Toda sua família vai estar aqui! — Ela sorriu tentando convencê-la de que seria algo bom.
— O vovô e a vovó vivem brigando, e brigando com o papai e com o tio Matthew também. — Ela contou espertamente. — E a bisa também briga com todos. — Continuou explicando seus motivos para acreditar que o jantar seria um fiasco. — E eu não quero dar boas-vindas a Victoria. — Completou fazendo Elisabeth franzir o cenho.
— Boas-vindas? — Questionou confusa.
— Papai disse ontem que esse jantar é pra dar boas-vindas a ela. — Annabeth disse agora já devidamente arrumada. Elisabeth ofegou. Não que tivesse algum direito de se incomodar com isso, afinal, ela era apenas a babá da família, e não tinha absolutamente nada a ver com a vida amorosa de Theodore. Mas só de imaginar que mais uma vez estaria na presença áspera e incômoda da tal Victoria lhe causava ânsias, e por um momento se perguntava se não devia pegar as crianças e fugir com elas pra algum lugar mais agradável. Infelizmente essa opção era inexistente, então ela já podia começar a se preparar pra uma noite intensa.
— Eu prometo que vai ser divertido dessa vez. — Tentou contornar a situação.
— Só porque você vai estar lá. — Annabeth disse carinhosa fazendo Lisa abraçá-la.
— Agora eu vou acordar o Joshua. — Avisou. — Escolha o sapato que vai usar e deixe separado junto com o vestido, depois me encontre lá embaixo para o café e depois escola. — Ditou a lista de afazeres da menina que apenas sorriu em concordância. Ela era simplesmente uma princesa.
Elisabeth agora correu para o quarto de Joshua. Não foi surpresa nenhuma pra ela demorar alguns longos minutos até conseguir arrancar o pequeno preguiçoso da cama. Ela até achava divertido, afinal Joshua era esperto e tentava contornar a situação a fim de fazê-la desistir de acordá-lo, mas como já de costume perdeu a batalha. Separou as roupas dele, lhe deu um bom banho, e logo estava lá embaixo na companhia agradável de Grace, Annabeth e Joshua tomando um reforçado café da manhã. Em seguida, correu para o carro para poder levar as crianças à escola e na volta resolveu que passaria em sua casa para pegar algo mais formal para o jantar de boas-vindas da Victoria.
— Jennifer? — Ela chamou ao abrir a porta. Não demorou muito para que a mesma surgisse de repente ali a fazendo sorrir.
— Bom dia. — Jennifer a saudou. — E aí, como passou a noite? — Perguntou.
— Tensa e irritada. — Elisabeth rolou os olhos. — Gregory, o filho mais velho do Theodore, foi preso por roubar uma loja. Eu tentei melhorar a situação, mas ele gritou comigo me dando um enorme fora. — Ela bufou com a lembrança.
— Mamãe sempre me disse pra não me meter nos assuntos alheios. — Jennifer cantarolou dando uma longa golada em seu chá enquanto seu rosto era tomado por uma careta esperta.
— Eu sei. Minha mãe também me diz isso sempre, mas eu não imaginei que a reação dele seria tão dura. — Se jogou sobre o sofá ao lado da amiga ao terminar suas palavras. Jennifer riu e segurou na mão de Lisa.
— Sei que está muito empenhada pra fazer Theodore Stormfield ir com a sua cara, mas reconsidere. O filho dele foi preso por roubo. Isso é grave, e certamente o abalou muito. — Disse sempre inteligente e astuta aos sentimentos alheios.
— Tem razão. — Lisa bufou. — Mas mesmo assim acho que ele não precisava ter falado como falou, então por isso decidi que irei tratá-lo da mesma forma que ele me trata, só que com mais respeito porque afinal ele é meu chefe. — Sorriu.
— Isso sim é correto. — Jennifer gargalhou. — Já disse que não deve se deixar levar pelo encanto dos olhos azuis dele, principalmente se não sabe o que há por de trás deles. — Completou.
— Pois é, e como sempre você está certa. — Elisabeth deu uma piscadela esperta pra amiga que reproduziu uma careta apenas divertida. — Você tem algum vestido que possa me emprestar? Tem um jantar formal de boas-vindas pra namorada do Theodore e ele me pediu pra estar lá e devidamente arrumada. — Ela rolou os olhos.
— Namorada? — Jennifer arregalou seus olhos castanhos esverdeados de imediato. — Por que não me contou isso? — Perguntou com indignação.
— Eu esqueci. — Elisabeth suspirou. — Descobri ontem pouco tempo antes do Gregory ser preso. Acabei esquecendo. — Explicou-se.
— Sabe que isso é mais um motivo pra tirar esse encanto bobo do seu coração, não sabe, Lisa? — Jennifer levou um tom de seriedade a sua voz e nesse momento, mais do que nunca, Elisabeth teve certeza de que ela estava coberta de razão em tudo o que disse até agora acerca dos Stormfield.
— Eu sei. — Respondeu seca, a fim de encerrar aquela conversa que lhe causava incômodo incomum. — E então, tem algum vestido? — Perguntou.
— Acho que tenho algo perfeito. — Jennifer sorriu. As duas caminharam lado a lado até o quarto de Jennifer, e esta abriu seu armário para de lá tirar um vestido deslumbrante que fez Elisabeth arregalar os olhos pelo que via. — Sabe, eu disse que tem que tirar o Stormfield da sua cabeça, mas isso não significa que não possa entrar um pouquinho na cabeça dele. — Ela sorriu astuta fazendo Elisabeth rir.
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Ava carregava uma sacola de compras em mão. Só de pensar que teria que preparar mais um almoço solitário o coração apertava de saudades de Elisabeth. Já há um bom tempo que não se lembrava o que era desfrutar de uma boa companhia e isso era particularmente triste. Sempre gostou de estar cercada de pessoas, e apesar da simplicidade em que viveu toda sua vida sempre imaginou que seria a matriarca de uma família grande que lhe renderiam momentos maravilhosos que se lembraria pra sempre. Ao invés disso era uma mãe solteira de uma filha única que morava longe dela buscando um futuro melhor que o dela. De repente seus olhos focaram o novo restaurante de esquina que inaugurou há alguns dias. Pensou que talvez fosse uma boa ideia comer lá, pelo menos hoje, que estava especialmente nostálgica e saudosa. Adentrou o lugar e pôde deixar um sorriso lhe aparecer em semblante, afinal o estabelecimento era realmente aconchegante e bonito, um pouco rústico, mas de tremendo bom gosto. Ela se sentou em uma das mesas e pegou o cardápio para ler. De repente, foi surpreendida por uma voz masculina que lhe despertou.
— Olá. — O homem de cabelo castanho e barba por fazer sorriu. Ela o encarou para constatar os belos olhos castanhos convidativos em face, e uma roupa um tanto despojada lhe realçava os músculos.
— Ah... oi... — Ela respondeu um tanto confusa.
— Se interessou em algo? — Ele perguntou num tom maroto fazendo-a franzir o cenho.
— O que quer dizer com isso? — Ela franziu o cenho, se sentindo incomodada.
— Ah, me desculpe, mas por que estaria aqui se não estivesse interessada? — Ele perguntou confuso.
— Escute, eu sou uma mulher de respeito! Vim aqui pedir meu almoço pra poder ir pra casa, e não pra ouvir uma cantada barata de um homem insolente e mal educado. Vou falar com o dono do estabelecimento para que você não incomode a outras mulheres. — Ava disse decididamente já de pé e se pondo a caminhar, mas ele então a puxou pelo braço fazendo-a chocar-se contra seu peito.
— Em primeiro lugar, dona encrenca, eu sou o dono do estabelecimento, e em segundo lugar, apesar de ser extremamente bonita eu só estava perguntando se algo no cardápio te interessava. — Ele explicou. Ava sentiu que suas bochechas coraram instantaneamente. Como pôde surtar daquela maneira? Ela não sabia o que dizer, aliás nada poderia ser dito além de um enorme pedido de desculpas e correr pra sua casa e pedir a Deus pra nunca mais cruzar o caminho dele novamente para que assim pudesse esquecer de vez o vexame que acabara de pagar.
— Meu Deus... — Ela sussurrou. — Me perdoe. — Pediu sem jeito.
— Tudo bem, acho que não fui suficientemente claro. — Ele riu soltando-a.
— Não, é claro que foi! Eu não sei o que me deu pra pensar um absurdo daquele. Obviamente o senhor nunca chegaria assim de repente numa mulher, ainda mais uma mulher como eu. — Ela riu sem graça.
— Uma mulher como você? — Ele a questionou maroto.
— O senhor sabe... não sou mais uma garota. Bom mais uma vez me perdoe pelo mal-entendido, eu já estou indo embora. — Ela falou decidida e se pôs a caminhar novamente, porém mais uma vez ele a segurou agora mais delicadamente.
— Nunca gostei de garotas. — Ele falou rindo. — Mulheres fazem mais minha cabeça, até porque eu sou tudo menos um garoto. — Completou. — Por que não deixamos essa confusão de lado, eu lhe preparo o prato da casa por minha conta e você me deixa te conhecer melhor, dona encrenca? — Ele disse. Ava engoliu a seco. Primeiro por não entender exatamente onde ele queria chegar. Estava dando em cima dela depois deles brigarem por ela pensar que ele estava dando em cima dela quando na verdade não estava? Não fazia nenhum sentido. Segundo que o que um homem forte, e belo — apesar da idade — poderia querer com uma mulher como ela? Nem se lembrava da última vez que teve um relacionamento, nem se lembrava o que era se sentir jovem, se arrumar, na verdade agora mesmo estava com as unhas por fazer e o cabelo desarrumado devido a correria até o ponto de ônibus.
— O que está me propondo? — Ela perguntou confusa.
— Não vai gritar comigo de novo e ir embora, não é? — Ele abriu um sorriso.
— Desculpe, mas eu... eu acho que o senhor esta cometendo um grande equívoco. — Ela riu frouxo.
— Primeiro, deixemos as formalidades de lado. — Ele falou espertamente. — Paul Wollin. — estendeu a mão para cumprimentá-la.
— Ava Sullivan. — Ela respondeu apertando a mão forte dele, o que lhe causou um leve arrepio.
— Ava é um nome completamente encantador. — Paul arqueou as sobrancelhas. — Mas então? O que me diz, Ava? Me daria a honra de preparar algo especial para almoçarmos juntos? — Perguntou.
Ava não sabia se estava certa em fazer isso. Todos os relacionamentos que se lembrava de ter tido, lhe renderam um coração partido e inseguro nos dias de hoje, mas Paul parecia tão sincero e ao mesmo tempo o charme dele lhe causava sensações que ela não sentia desde o pai de Elisabeth. Sem controle de si mesma acabou assentindo sem notar fazendo-o sorrir estonteantemente por sua resposta positiva. Ela então se sentou no balcão que dava visão total da cozinha e ele correu para a mesma a fim de iniciar um prato misterioso pra ela. Algumas horas depois ali estavam eles ainda, já degustando uma sobremesa divina depois de um almoço delicioso. Ava não pensou que sorriria assim novamente, principalmente desde a partida de Elisabeth para Boston, mas Paul tornava as coisas simples e era divertido.
— O que achou da comida? — Ele indagou.
— Estava maravilhosa. — Ava respondeu prontamente. — Você realmente tem muito talento e com certeza seu restaurante vai ser um sucesso. — o elogiou, lançando um sorriso depois.
— Fico feliz por ouvir isso. — Paul sorriu também.
— Mas e então? Você sempre costuma ir nas mesas fazer os pedidos? — Ava o questionou fazendo um sorriso maroto e ao mesmo tempo frouxo surgir em seu rosto.
— Na verdade foi a primeira vez que fiz isso. — Ele levou sua mão até a dela. — Também foi a primeira vez que me encantei por uma mulher assim que a vi entrando no meu restaurante, Ava. — Paul deixou seus dedos se deslocarem suavemente pela pele da mão dela que gelou. Sem dizer uma só palavra ela se pôs de pé se soltando das mãos dele.
— Me desculpe, Paul, eu tenho que ir. — Disse de forma nervosa.
— Espere! Eu disse algo errado? — Ele perguntou assustado.
— Não, é que eu acabo de lembrar que tenho um problema pra resolver. — Ava mentiu descaradamente. Sabia que na verdade só queria sair dali se afastar daquela presença que lhe sugava suspiros e arrepios.
— Tudo bem. Então podemos nos ver depois? — Ele sugeriu sorridente.
— Claro, nós nos vemos por aí, Paul. — Ela respondeu e logo caminhou para fora do restaurante para poder respirar novamente. Sua nova missão oficial era se manter longe dali, e longe dos problemas que Paul Wollin poderia lhe render. Não tinha mais idade pra se envolver com um homem e recomeçar pela milésima vez a juntar os cacos de seu coração, e por mais encantador que ele fosse, Ava já estava decidida. E foi com esse pensamento que caminhou até sua casa.
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