Behind Blue Eyes
14 Capítulo 14 - Remember me
Vinte anos atrás....
Summer havia acabado de chegar à casa de sua mãe. Normalmente evitava o lugar, afinal sua relação com a mãe não era nem de longe uma das melhores existentes no mundo. Elas tinham problemas em absolutamente tudo o que poderiam tentar pensar. Summer era intensa, viva e movida em suas atitudes unicamente pela paixão que cada coisa poderia conter. Já sua mãe sempre colocava seus próprios interesses a frente dos sentimentos da filha. Summer nunca se esqueceria do quanto sua mãe tentou impedir que ela fizesse artes na faculdade ao invés de medicina ou direito. Mas hoje estava feliz, leve, simplesmente encantada com a noite maravilhosa que havia passado ao lado de Theodore Stormfield, e por algum motivo estranho queria poder contar isso a sua mãe, mesmo que temendo o que isso poderia gerar. Ainda assim, sua mente se ocupava mais em lembrar-se da noite ao lado daqueles olhos azuis intensos. Foi divertido pra ela ver o rapaz se esforçando pra acompanhar a peça de Romeu e Julieta, demonstrando interesse a cada ato, claramente a fim de impressioná-la. Depois ele a levou até um pequeno restaurante e os dois degustaram um belo jantar acompanhado do vinho mais delicioso que ela já pôde provar. Quando ele resolveu que era hora de deixa-la em seu alojamento na faculdade, ela simplesmente não conseguiu se despedir sem deixar seus lábios tocarem nos dele com certa delicadeza. Mas pra sua surpresa – ou não, Theodore a segurou pela cintura com propriedade depois e lhe deu o que certamente foi o melhor beijo de sua vida. Quente. Intenso. Forte. Entorpecente. Os dois simplesmente exalavam desejo gratuito um pelo outro. Ela pulou em seus braços fortes e assim os dois entraram em seu quarto e fizeram amor. Sim, amor. Summer não se apegava com tanta facilidade, mas era impossível dizer que a noite que passara ao lado de Theodore era simplesmente uma noite de sexo vazio. Os dois haviam estabelecido uma conexão, algo maior que o sexo puramente simples. Se sentou sobre o sofá com um sorriso frouxo em semblante, ainda se lembrando do toque dele a cada momento daquela noite mágica. Seu corpo tremia só de pensar em passar mais uma noite daquela ao lado de Theodore, mas de repente a presença de sua mãe a despertou de seus pensamentos quase impuros.
—Summer? – Sua mãe franziu o cenho. – Que milagre é esse pra estar em casa sem que eu tenha que obriga-la? – Zombou de cara. Sempre ríspida.
—É bom ver você também, mamãe. – Summer disse antes de sorrir. Não conseguia evitar sorrir.
—O que você tem? – Sua mãe se sentou ao seu lado com a sobrancelha arqueada, como se o estado de espírito da filha fosse incomum demais para passar despercebido por ela. – Está sorrindo feito uma boba. – Completou.
—Conheci alguém. – Summer disse com as bochechas coradas.
—Deixe-me adivinhar.... Conheceu um... artista. – Disse com desdém. Marta sempre fez questão de demonstrar para a filha o quanto suas escolhas lhe desagradavam, mas ainda tinha a esperança de que ela encontrasse pelo menos um homem de uma boa posição social para um dia se tornar seu marido e tirá-las da situação econômica deplorável que se encontravam desde que seu marido faliu.
—Resposta errada. – Summer disse irônica. – Ele faz direito se quer saber. – Falou entre os dentes. Já começava a se arrepender de estar abrindo a boca para contar sua aventura amorosa para a mãe. Quando Marta descobrisse que Theodore era um Stormfield sem sombra de dúvidas faria de tudo para interferir e leva-la carregada até a capela mais próxima para que os dois se casassem.
—Direito? – O sorriso de Marta logo se alongou em seu rosto de meia idade. – Por favor, Summer, me diga que uma vez em sua vida está fazendo a escolha certa! – Disse antes de gargalhar em animação.
—Ai, mãe, por favor. – Summer rolou os olhos. – Não existe isso de escolha, amor não é uma escolha. – Completou.
—E quem disse que eu estou falando em amor? – Marta riu. – Eu nem sequer acredito nessa palhaçada de amor, eu estou falando de sucesso, minha filha, de dinheiro. – Concluiu.
—Como sempre, não é? – Summer suspirou em desagrado.
—Ele é de alguma família da área do direito conhecida? Talvez a Thompson... Donovan, ou quem sabe... – Ia dizendo, mas logo Summer abaixou o rosto como se tivesse revelando algo, e logo o rosto de Marta se iluminou com aquilo. – Stormfield. – Decretou. Summer então apertou os próprios braços em torno de si e torceu os lábios enquanto via a mãe ter um mini ataque de emoção, vibrando como uma criança que acaba de ganhar seu presente de natal. – Esse rapaz é um Stormfield! – Vibrou.
—É, mãe. Theodore Stormfield. – Summer disse seca.
—Minha filha, isso é simplesmente maravilhoso! – Completou.
—Mãe, por favor... – Ela ia pedindo, mas logo foi interrompida.
—Ah, meu Deus, deixe de bobeira, Summer Fitzgerald! – Retrucou. – Não me condene por estar feliz de saber que seu futuro pode ser ao lado de um dos maiores nomes da área de direito de todo o país ao invés de um hippie apaixonado por Shakespeare. – Encarou a filha. – Meu amor, sabe como eu fico feliz de saber que seu futuro pode estar garantido. – Sorriu.
—O meu futuro, mãe? – Summer perguntou irônica antes de rir. – Você está preocupada com o seu futuro, o dinheiro que vai arrancar de mim caso eu me case com alguém de grande porte econômico. – Se colocou de pé. – Caramba, é simplesmente incrível como você pode colocar seus interesses na frente dos meus sentimentos. – Completou.
—Ah, me desculpe, mas parece que você está errada dessa vez, já que chegou aqui com aquele sorrisinho bobo no rosto eu devo acreditar que estamos unindo o útil ao agradável. – Comemorou.
—É, mãe, mas o fato de eu e ele termos passado uma noite maravilhosa juntos não significa que eu vou me casar com ele. – Rolou os olhos.
—Passaram a noite juntos? -Marta perguntou quase que emocionada.
—Sim, mãe. – Ela respondeu já incomodada.
—Você se cuidou? – Perguntou.
—Claro, mãe! – Summer retrucou.
—Como você é burra, minha filha. – Marta disse pontualmente fazendo Summer arregalar os olhos.
—Meu Deus! – Summer riu. – Você é totalmente insana, olha o que está dizendo, mãe. – Balançou a cabeça em negativo. – Realmente ficaria orgulhosa de mim se eu desse o golpe da barriga num homem só pra conseguir ter dinheiro garantido pra toda a minha vida? – Questionou incrédula.
—Claro que sim. – Marta respondeu como se fosse óbvio fazendo a expressão de choque tomar conta do rosto de Summer. – E te digo mais, isso é questão de inteligência e não de interesse. – Completou.
—Claro. – Summer respondeu sarcástica.
—Querida, continue vendo o rapaz, é nítido que está envolvida. – Sorriu.
—Você não quer saber se eu estou envolvida ou não. Você só quer que eu me case com ele. – Riu.
—Eu acho que já que podemos unir os dois pontos, que seja. – Marta vibrou. – Quando vai vê-lo de novo? Por que não o convida para um jantar? – Perguntou.
—Com você? – Summer riu. – Nem pensar. – Completou. – E eu nem sei se vou ver o Theo de novo, e sinceramente eu to totalmente arrependida de ter vindo contar pra você. Eu achei que ficaria feliz por mim, que me apoiaria, que podíamos rir e conversar como mãe e filha, mas você só pensa em você e está totalmente insana. – Disse enquanto suas mãos recolhiam seus pertences de cima do sofá de couro.
—Isso não é verdade. – Marta rebateu. – Estou pensando nos eu futuro. – Concluiu.
—Para de fingir que se importa comigo! – Ela levantou o tom de voz agora. –Eu sou adulta, mãe, eu posso tomar minhas próprias decisões, fazer meu próprio futuro e se for ao lado do Theo que seja, mas se não for eu espero que minha mãe esteja ao meu lado pra me apoiar. – Disse batendo a porta atrás de si com força. Marta suspirou, mas deixou a filha ir.
****
Naquele mesmo dia mais tarde, Summer finalmente chegava de volta ao seu alojamento. As palavras de sua mãe rondavam sua mente. Tinha medo, na verdade pavor de se tornar alguém como ela. De falhar como mulher, como mãe, como ser humano. Tinha medo de um dia se deixar levar por coisas fúteis e vazias, coisas que ela nunca se importou. Mas pra sua surpresa, um Theodore com um buquê de rosas em mãos a esperava na frente da porta despertando-a de seu transe. Ela arregalou os olhos antes de sorrir de volta pra ele, que o fez assim que a viu ali.
—Theo... – Ela disse um tanto encantada.
—Não consigo parar de pensar em você. – Theodore falou entregando as flores nas mãos dela. Summer deixou suas narinas inspirarem o odor das rosas antes de lhe encarar de novo.
—São lindas. – Disse com as bochechas coradas. – Você não existe. – Riu.
—E estou esperando você dizer que também não parou de pensar em mim. – Ele disse segurando-a pela cintura.
—Eu não parei. – Ela riu sem graça. – Mas não queria ser a primeira a dizer. – Completou numa careta.
—Eu não me importo em dizer primeiro, portanto que a gente possa continuar tendo isso seja lá o que for. – Riu sem graça também. Os dois deixaram os lábios se encostarem mais uma vez e logo o corpo de Summer estava colado ao de Theodore. Abriram a porta do quarto ainda aos beijos e as mãos de Summer tiveram tempo apenas para colocar as flores em cima de sua cômoda e em seguida se dirigiram para a blusa de Theodore que sem pudor algum começou a desabotoar. Enquanto isso, Theodore deixava suas mãos apertarem o corpo de Summer num ato de propriedade, e seus lábios intercalavam entre seus lábios grossos e seu pescoço fazendo-a soltar alguns suspiros incontroláveis. Ela pulou em seus braços enquanto as mãos dele escorriam por sua cintura baixando sua saia, algo que a fazia rir.
—Por que a gente é tão empolgado? – Ela perguntou rindo enquanto ele a jogava sobre a cama e se deitava sobre ela, sentindo as mãos dela abrirem o botão de sua calça e a descerem vagarosamente.
—Eu não sei, mas eu não consigo parar... – Theodore respondeu afobado e rindo também. As mãos de Summer seguraram firme em sua própria blusa e a arrancaram do seu corpo. Theodore a encarou apenas com a lingerie branca sobre o corpo.
—O que foi? – Summer perguntou preocupada.
—Você é completamente linda. – Ele disse sério vendo um sorriso tímido se formar no rosto dela. – Acho que estou apaixonado por você. – Completou. Summer arregalou os olhos e logo se levantou rapidamente como um ato impulsivo e assustado. Theodore suspirou. – Eu sei que é maluquice. – Disse num sussurro. – Desculpa, eu sou ridículo, dizer que estou apaixonado, eu só conheço você há algumas horas. – Riu sem graça enquanto ela continuava o encarando. – Você deve achar que eu sou um virgem deprimente que se apaixonou pela primeira garota com quem transou, mas eu juro, eu não sou assim, eu não sei o que houve. – Completou. Summer parecia tentar colocar seus pensamentos em ordem, mas era difícil, principalmente enquanto ele continuava tagarelando. – Eu não sei o que você fez comigo, mas quando eu olhei pra você eu sabia, eu sentia uma coisa que não consigo explicar e aí quando fizemos amor... – Ele ia dizendo, mas ela pareceu acordar e o interrompeu.
—O que você disse? – Ela perguntou confusa. Theodore franziu o cenho.
—Disse que eu não sei o que você fez comigo. – Ele falou como se fosse uma pergunta.
—Não... – Ela se aproximou. – O que você disse depois. – Ela riu frouxo. – Disse que fizemos amor? – Questionou.
—É... Parece que sim. – Ele disse sem graça. – Me desculpe... – Ele ia dizendo, mas Summer logo pulou nos seus braços e voltou a beijá-lo intensamente pra logo em seguida encará-lo rindo. – O que eu fiz afinal? – Theodore perguntou rindo junto a ela.
—Você também acha que o que fizemos foi amor... – Ela riu. – Eu já estava começando a me perguntar se eu era maluca por estar pensando isso. – Completou.
—Eu não consigo parar de pensar em você e de querer estar com você. – Theodore acariciou seu rosto.
—Nem eu... – Ela riu. – Estamos loucos? – Perguntou. – Porque eu nunca me senti assim antes e nunca acreditei que pudesse ser possível sentir algo assim em tão pouco tempo por uma pessoa que eu mal conheço. – Corou as bochechas.
—Não... Só estamos apaixonados. – Theodore disse fazendo-a rir.
—Acho que tem razão. – Ela acariciou seu rosto também. – Estamos completamente apaixonados, Theodore Stormfield. – Gargalhou.
—O que devemos fazer a respeito? – Ele disse zombeteiro.
—Acho que devemos continuar juntos, nos apaixonando ainda mais a cada dia. – Summer falou carinhosamente.
—Ótima ideia. – Ele riu e voltou a beijá-la intensamente.
****
No fim do dia, Theodore e Summer permaneciam deitados sobre a cama dela. A cabeça dela estava deitada sobre o seu peito e ele acariciava seus cabelos, desenrolando-os. Ela o encarou e sorriu. Realmente se sentia insana por estar totalmente apaixonada por ele, mas sempre acreditou na intensidade dos momentos e Theodore e ela conseguiram uma nova definição para as palavras espontaneidade e intensidade. Era como se o destino tivesse cruzado duas vidas totalmente perfeitas que podiam facilmente complementar uma a outra, ainda que em tão pouco tempo.
—No que você está pensando? – Theodore a questionou.
—Na minha mãe.... – Summer suspirou.
—Não é uma coisa meio estranha de se pensar depois da tarde sexo incansável que tivemos? – Ele riu fazendo-a rir também.
—É, é sim. – Summer respondeu. – Posso te confessar uma coisa? – Ela se sentou, segurando sobre o corpo apenas o lençol que lhe cobria e direcionou seus olhos castanhos até os azuis dele.
—Claro. – Ele sorriu.
—Eu não sei bem por onde começar, mas acho que se vamos continuar juntos você vai acabar sabendo hora ou outra de qualquer forma e eu gosto de ser aberta, então... – Corou as bochechas. – Minha mãe é uma interesseira. – Disse. Theodore franziu o cenho.
—O que quer dizer com isso, Summer? – Riu frouxo.
—Quero dizer que ela sempre colocou dinheiro e poder acima de tudo e bom, por isso não nos damos nada bem. – Ela torceu os lábios. – Vivemos brigando, porque ela nunca me apoia em nada. Reprova meu estilo de vida simples, meu desapego as coisas materiais, minha prioridade aos sentimentos, meu curso de artes. – Riu. – Minha família está falida, meu pai perdeu tudo no jogo e desde então vivemos na maior simplicidade possível. – Completou.
—Bom, eu não me importo nem um pouco com isso se é o que está pensando. Não valorizo o dinheiro também, na verdade eu vejo de perto o que ele pode causar numa família. – Suspirou.
—Eu sei que você não liga e eu também não, mas... minha mãe liga. – Disse.
—Aonde você quer chegar? – Theodore perguntou confuso.
—Contei a ela hoje sobre o que tivemos e ela quer literalmente me empurrar pro altar com você, porque...bom... você é um Stormfield. – Ela disse sem graça. Theodore fez uma careta e riu em seguida.
—Típico. – Respondeu.
—Por favor, Theo, acredite em mim quando digo que eu não concordo com isso e que a última coisa que eu quero é me envolver com você por dinheiro. – Ela tagarelou. – O que eu estou tendo aqui com você é real, eu juro. – Concluiu. Theodore deixou sua mão acariciar o rosto tenso dela.
—Eu sei... – Sussurrou.
—Jura – Summer perguntou. – Confia mesmo em mim? – Sorriu.
—Claro que sim. – Theodore riu. – Você não é como ela, né. – Disse.
—Não, não mesmo. – Summer riu. – E eu morro de medo de me tornar algo do tipo um dia. – Ela se deitou novamente encarando o teto. Theodore se deitou ao lado dela. – Eu só quero ser feliz, sabe? Quero encontrar alguém que eu amo e que me ame, alguém que saiba priorizar as coisas boas da vida e que não seja um escravo do dinheiro e do poder. – Ela riu. – Quero ser uma boa esposa e uma boa mãe, quero viajar, conhecer o mundo, sentir o amor e a intensidade de tudo. – Summer sorriu.
—Quando você fala dos seus sonhos assim fica ainda mais linda, sabia? – Theodore disse rindo.
—Eu sei. – Ela se gabou brincando. – Eu só não quero me amargurar, viver dentro de uma bolha, cercada de gente vazia, como meus pais... – Rolou os olhos. – E principalmente eu quero me casar por amor e não por interesse. – Riu.
—Então você casa comigo? – Theodore perguntou fazendo-a arregalar os olhos.
—O que? – Summer gargalhou. – Está brincando, né? – Arregalou os olhos.
—Quem sabe a gente não se casa um dia. – Riu.
—Um dia. – Ela deu uma piscadela pra ele.
—Agora vem cá. – Ele a puxou pra cima de si. – Eu não quero perder nenhum momento com você. – Sorriu enquanto seus lábios grudavam nos dela, iniciando mais uma vez a onda de amor que os envolvia.
***
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