Behind Blue Eyes

6 Capítulo 06 - Informalities


Notas iniciais
Pessoal, desde já pedimos desculpa, pois postamos o capítulo Challenges erroneamente antes do capítulo certo que é o Informalities! Nos perdoem pela distração! Releiam o capítulo, pois ele é bastante importante! Beijos da Alina e da Ya!

Theodore estava sentado em sua cadeira acolchoada do escritório da empresa. As veias de seu rosto estavam sobressalentes devido a reunião extremamente tensa que se encontrava acontecendo bem agora entre ele e Logan Donavan que era de longe seu maior concorrente nos negócios e alguém que ele particularmente detestava. O tal Logan falava empolgadamente enquanto Theodore buscava manter-se focado em suas palavras, mas só o queria mandar embora.

—Stormfield, admita, é um bom acordo o que estou propondo. – Disse.

—Prepotente você quer dizer. – Theodore respondeu prontamente.

—Olha sei que eu e você não somos muito receptivos um com o outro, mas estamos falando sobre o bem das empresas Stormfield e das empresas Donavan, então eu proponho que encerremos de uma vez nossa concorrência, e nos unamos para ter mais força. – Completou.

—Proponho que façamos uma reunião com os acionistas das empresas antes de tomar quaisquer decisões. – Theodore falou impaciente.

—Ainda não toma as decisões sozinho, Stormfield? – Logan riu frouxo. – Não mudou nada mesmo desde a faculdade, não é? – Perguntou num tom irônico. – Sempre fazendo tudo o que a vovó manda. – Completou.

—Não se espante, mas você também não mudou nada, Logan, na verdade continua tão metido e arrogante de que me lembro. – Theodore alfinetou de volta fazendo Logan rir.

—Tudo bem, conversa com a vovó e convoque a reunião, meus acionistas estarão lá. – Disse. De repente interrompendo os dois a porta do escritório se abriu dando lugar pra Elisabeth que bateu delicadamente a mesma e pediu licença em seu melhor tom. Ambos a encararam agora. Theodore pôde sentir um arrepio desde a espinha quando a presença daqueles olhos intensos dela lotava a sala de forma inesperada.

—Senhorita Sullivan? – Ele perguntou confuso.

—Desculpe por sair entrando, senhor Stormfield, mas a recepção estava vazia, e eu vim entregar sua pasta, pensei que pudesse precisar dela. – Ela disse fazendo-o fazer uma careta por constatar somente agora seu esquecimento.

—Obrigado. – Disse entre os dentes, já de pé pegando. Ela apenas sorriu e já ia caminhando até a porta até que Logan deixou o tom suave de sua voz sair pela boca fina.

—E essa quem é? – Perguntou despertando-a. –Me desculpe, Theodore Stormfield pode ser totalmente mal-educado quando se trata de mim. – Comentou fazendo Elisabeth rir confusa. – Sou Logan Donavan e certamente é um prazer conhecer alguém tão radiante como você. – Disse pegando na mão de Lisa e depositando um beijo caloroso na mesma. Ela não podia negar que ele era peculiarmente encantador e charmoso. Os olhos dele eram intensos e calorosos e o sorriso estonteante e ela simplesmente não conseguia não sorrir de volta ao vê-lo.

—Prazer, senhor Donavan, eu sou Elisabeth Sullivan, a babá. – Ela respondeu com as bochechas coradas. Theodore encarava aquilo e sentia que poderia arrancar Logan das mãos dela a qualquer momento. Não entendia bem os motivos disso, mas sabia o quanto ele e Logan se odiavam desde que se conheceram na faculdade, então preferia acreditar que era apenas a rivalidade entre eles lhe incomodando como de costume.

—Primeiro, mocinha, me chame de Logan. – Ele falou cativante fazendo Elisabeth assentir com um riso bobo em semblante. – Segundo, não é nova e linda demais pra ser babá? – Questionou.

—Parece que não. – Elisabeth respondeu um tanto envergonhada.

—Estou esperando que me dê permissão pra chama-la pelo seu nome também. – Ele mais uma vez sorriu e mais uma vez ela teve que sorrir de volta.

—Ah, claro, na verdade pode me chamar de Lisa é como todo mundo me chama. – Ela disse num sorriso intenso. Theodore agora se sentiu ainda mais incomodado com aquilo tudo. Desde o dia em que Gregory se meteu em confusão ela o privava de receber aquele sorriso também e agora estava distribuindo-o gratuitamente para o imbecil do Logan Donavan, que ela nem sequer conhecia?

—Senhorita Sullivan, obrigado por trazer minha pasta. Pode voltar aos seus afazeres. – Disse Theodore em seu tom grosseiro.

—Não precisa expulsar a moça, Stormfield, eu já estou de saída. – Logan disse antes de rir frouxo e encarar Elisabeth de novo. – Lisa, foi um enorme prazer conhecer você e espero que possamos nos ver mais, tipo amanhã à noite talvez, eu prometo me comportar. – Logan falou prontamente. Elisabeth corou. Ele estava chamando-a para um encontro assim de repente? Theodore bufou.

—Pare de importuná-la, Logan. – Theodore disse grosseiro e devidamente incomodado.

—Ah, tudo bem, senhor Stormfield. – Elisabeth respondeu sem graça. – Desculpe, mas eu tenho que trabalhar. – Ela completou fazendo uma careta se formar no rosto de Logan que riu em seguida.

—Uma pena, infelizmente não posso contar com a boa vontade do seu patrão pra te liberar pra sair comigo, não é mesmo Stormfield? – Disse ele encarando Theodore que rolou os olhos sem responder. – Mas se prepare pois eu não desisto fácil, Lisa e estou completamente encantado por você. – O sorriso de Logan era malicioso e seu olhar maroto. Elisabeth normalmente detestava esse tipo de homem, mas seu charme era inegável e apesar de estar marcando em cima totalmente ele era divertido e inusitado, o que o deixava simplesmente encantador.

—Tudo bem. – Ela respondeu sem graça.

—Já estava de saída, Logan. – Theodore falou seco já de pé novamente.

—Sim. – Logan respondeu pra ele. – Até breve, Lisa! – Falou mais uma vez agora dando um beijo delicado na bochecha rosada e envergonhada de Elisabeth. – Adeus, Stormfield. – Falou mais uma vez antes de sair. Lisa deu um último sorriso pra ele até que finalmente ele saiu porta à fora. Ela então se lembrou de encarar Theodore que parecia totalmente irritado pra ela.

—Eu já estou indo, senhor Stormfield. – Ela falou fazendo-o suspirar.

—Lisa... – Ele chamou fazendo-a parar. Primeiro ela achou que estava delirando, afinal, Theodore Stormfield deixou claro no primeiro dia em que se encontraram que nunca se tratariam com informalidades já que sua relação era unicamente profissional. Elisabeth pensou então que a explicação para ouvir seu apelido ali agora naquela sala onde apenas ela e Theodore estavam só poderia ser fruto de uma mente insana. Mas depois ele repetiu, como se ainda a chamasse e ela agora viu seus lábios se mexerem para deixar sua voz mais máscula escapar, confirmando que ele era realmente quem a chamava. Ela engoliu a seco e franziu o cenho. – Sei que está magoada comigo, e eu queria pedir desculpas pelo modo como a tratei no dia em que Gregory foi peso. Eu estava nervoso, você só queria ajudar e eu acabei sendo extremamente grosseiro e insensível. – Completou.

—Tudo bem, senhor Stormfield. – Ela respondeu, pouco depois de sair do transe que aquelas palavras a colocaram.

—Não, não está tudo bem. – Ele retificou e se aproximou dela vagarosamente agora. – Desde o ocorrido você me evita e me nega sua simpatia que é algo característico seu com todos. – Concluiu. Ele se importava com isso? Foi a primeira coisa que Elisabeth pensou. Afinal, por que cargas d’água o importante e independente Theodore Stormfield se importava se ela não estava sendo simpática e sorridente pra ele? Ela era apenas a babá de seus filhos, nada além disso, os dois sequer se falavam antes mesmo do incidente, então o que ele pretendia com aquilo? Ela permaneceu o encarando. – Acho que se vamos conviver precisamos acertar nossos pontos e diferenças e ser amigáveis. – Ele quem engoliu a seco agora. Não sabia exatamente onde chegaria, nem qual seria a reação de Elisabeth, mas torcia que fosse boa o suficiente pra ela lhe abrir um daqueles sorrisos maravilhosos dela. – Então mais uma vez me desculpe pelo modo como a tratei e como prova de meu arrependimento e da sinceridade de minhas palavras, peço pra que me chame de Theo, e passarei a chama-la de Lisa. – Disse.

—Ah, isso não é necessário, senhor Stormfield. – Ela respondeu prontamente, mas ele logo interrompeu suas palavras seguintes.

—Eu sei que não. – Ele colocou as mãos no bolso da calça, deixando seus músculos ainda mais sobressalentes sobre a camisa social de cor azul marinho. – Mas é o que eu quero. – Completou. Lisa suspirou agora. Era difícil decifrá-lo, e mais ainda entender os rumos e o sentido de tudo aquilo, mas não pôde conter um sorriso frouxo que ele retribuiu em um torto e tímido.

—Tudo bem, Theo. – Ela disse numa careta por ter que se forçar a chama-lo assim. Não soava mal, ela pensou, mas ainda assim era diferente, inusitado demais. – Eu tenho que ir agora, prometi ao Joshua que quando ele chegasse da escola que teria macarrão com queijo. – Ela disse em uma careta, fazendo ele sorrir.

—Ele adora isso. – Theodore disse tímido.

—Eu sei, é uma das suas coisas favoritas no mundo, junto com dragões, carros e.... – Ela ia falando, mas ele logo a cortou, completando sua frase.

—Você. – Ele agora fez as bochechas dela corarem.

—Eu ia dizer: Piratas! – Ela disse sem jeito colocando uma das mechas do cabelo que caía sobre o rosto para trás da orelha.

—Ele me disse ontem que você entrou pra lista. – Theodore riu. – Joshua está totalmente encantado por você. – Disse esperto e novamente ela riu sem graça.

—Eu tenho que ir. – Ela ratificou a fim de sair dali. Não que não estivesse adorando aquele momento cheio de ternura com Theodore, e sim porque não conseguia fazer as bochechas pararem de ficar rosadas pela vergonha, e sentia que estava demonstrando totalmente a ele que estava caída e isso era a última coisa que precisava.

—Até mais tarde então, Lisa. – Ele disse seriamente e ela sorriu.

—Até, Theo. – Ela respondeu. – Ah eu já ia me esquecendo. – Ela chamou a atenção dele pra si novamente. – Será que posso ir pra casa hoje depois que as crianças forem pra cama? É aniversário da minha amiga Jennifer, vamos fazer um bolinho lá em casa. – Ela disse um tanto sem jeito.

—Tudo bem. – Theodore respondeu pontualmente.

—Obrigada de novo. – Elisabeth pediu e logo caminhou porta a fora. Ele suspirou. Nem podia dizer que sabia o que tinha acabado de fazer, mas não conseguiu evitar, ainda assim sabia os riscos que corria engatando uma relação amigável com a bela jovem dos olhos azuis que tanto o cativavam. Queria poder evitar isso. Pensou ele, mas ao mesmo tempo pensar que aquela atitude fez com que os sorrisos espontâneos e envergonhados dela voltassem a surgir fazia o dia parecer melhor. Theodore se sentou novamente em sua cadeira e começou a revisar seus contratos, agora com um sorriso curto em semblante.

***********

Era o primeiro dia no colégio novo. Isso fazia Gregory querer correr e se trancar numa sala escura. Não bastasse o fato de que em todo lugar em que chegava era tratado com especialidades por conta de seu sobrenome, ainda tinha que lhe dar com o fato de ser um aluno novo entrando no meio do período letivo. As pessoas costumam odiar esse tipo de aluno novo, não é? Que chega de repente, quando todos os grupos já estão formados, quando todos já se conhecem e são amigos e aí de repente chega um alguém e estremece o equilíbrio das panelinhas. Seria simplesmente uma tortura. Gregory só conseguia pensar em como seu pai estava sendo severo nessa punição. O lugar era totalmente cercado por seguranças e guardas, prometendo ser o colégio mais seguro de toda a região, mas ele se perguntava se Theodore não tinha feito questão de pagar um extra ao diretor para contratar ainda mais homens para vigia-lo integralmente. Quando o sinal bateu ele apenas rolou os olhos num gesto totalmente entediado. Caminhou até a sala com seu papel de transferência na mão. Todos os alunos descontraidamente se sentaram em suas cadeiras, mas ele caminhou até a mesa do professor.

—Bom dia a todos. – Disse o professor num tom de voz alto, chamando a atenção de todos enquanto Gregory permanecia ao seu lado sendo aos poucos encarado por todos. – Esse é Gregory Stormfield, ele é um aluno novo que acaba de se transferir. – Avisou.

—Stormfield? – Um dos rapazes perguntou astutamente. – Das empresas Stormfield? – Perguntou. Logo o rebuliço começou e todos pareciam cochichar coisas diferentes. Alguns já demonstrando que ele seria alvo de implicâncias, outros de veneração – puro interesse, mas uma menina se destacava ali. Ela apenas o encarou, ouviu as palavras do professor e voltou a escrever em seu caderno, como se nada verdadeiramente importante tivesse sido dito. Enquanto o resto da turma permanecia entoando cochichos ela escrevia em seu caderno descompromissada. Ele se agradou notando isso. Era como se pra ela Gregory Stormfield fosse só uma pessoa normal e isso ele sempre quis pra sua vida. E ela era linda, a cor morena da pele somada aos cabelos longos castanhos e enrolados lhe deixava simplesmente cativante aos olhos azuis de Greg. Os lábios grossos, os olhos também em tons escuros e uma roupa despojada lhe faziam parecer totalmente independente. Pra sua sorte uma cadeira vazia estava bem ao lado dela e foi pra lá mesmo que ele encaminhou.

—Aí, seu pai é mesmo o Theodore Stormfield? – Uma garota perguntou praticamente se jogando pra ele enquanto o professor começava a escrever no quadro. – Vi uma matéria sobre ele na Forbes. – Ela sorriu frouxo. Gregory quis rolar os olhos, mas preferiu ser um pouco simpático.

—Sim, sou eu. – Ele respondeu sem muitas emoções.

—Nossa, sua vida deve ser incrível. – Outra comentou, sentada na cadeira atrás da menina que continuava a escrever em seu caderno.

—Nem tanto. – Ele respondeu.

—Mas você é lindo, sabia? – A primeira falou novamente, claramente interessada unicamente no dinheiro que Gregory poderia vir a ganhar um dia.

—Nossa, isso é sério mesmo? – A menina largou a escrita concentrada em seu caderno para encarar a cena. As duas meninas logo levaram seus olhos a ela. – Vocês não se valorizam nem um pouco? Ele é só um cara normal, parem de dar em cima dele descaradamente só porque ele tem grana. – Ela rolou os olhos.

—Por que não cala a boca, Laura? – A garota rebateu.

—Só quando você deixar de ser ridícula e deprimente. – A tal Laura rolou os olhos. Gregory não sabia exatamente como se sentir agora. Não sabia se estava ainda mais encantado por além dela não babar ovo de sua pessoa ainda se incomodar com os que faziam isso, ou se estava um tanto decepcionado por ela não parecer se interessar nem um pouco por ele. Preferiu respirar fundo e se concentrar na aula, e essa pareceu se arrastar longamente e ele a todo segundo que conseguia direcionava seus olhos à Laura e pra sua frustração vez alguma ela fazia o mesmo. Sempre pensou que os clichês dos filmes eram verdadeiros, mas claramente os olhos deles não se encontrariam de repente num laço estonteante. A vida, às vezes poderia ser um romance, desejou ele. Quando o sinal bateu indicando o fim da aula, alguns garotos se levantaram prontamente e começaram a tirar sarro de Gregory, chamando-o de filho do papai, mimado, entre outros adjetivos estúpidos, grosseiros e sem sentido. Ele obviamente, preferiu não responder. Estava realmente disposto a ficar na dele para evitar mais castigos de seu pai. Laura já ia saindo da sala, mas de repente ela voltou os olhos pra cena e caminhou até eles.

—Por que não deixam ele em paz? – Perguntou num tom desafiador.

—Não se mete, Laura. – Um deles respondeu num tom um tanto íntimo que fez Greg se questionar se ele e ela não tinham algo ou talvez um parentesco.

—Eu vou me meter sim e sabe por que? Porque é ridículo o modo como vocês e todos nessa sala estão tratando ele só por causa do seu sobrenome. – Laura disse grosseiramente e num tom de voz mais alto que o normal. – Fala sério, gente, ele é só uma pessoa normal, o fato dele ter dinheiro e ter um pai conhecido não muda isso, então parem de pegar no pé dele. – Ela disse agora como se pedisse isso. Um tanto constrangidos os rapazes logo se afastaram de Gregory e caminharam pra fora da sala. Laura e Gregory permaneceram ali se encarando alguns segundos.

—Obrigado. – Ele disse simpático. – Você sabe por me tratar como uma pessoa normal. – Sorriu.

—Pode ficar tranquilo, Gregory, não vai ter especialidades comigo. – Ela riu e logo começou a caminhar pra fora da sala. Gregory logo apressou os passos para alcança-la.

—Eu fico feliz por isso. – Disse.

—Fica mesmo é? – Ela perguntou fazendo uma careta ainda andando. – E por que? – Questionou.

—Estou acostumado com pessoas que me tratam como se eu fosse um deus, pessoas falsas e interesseiras que nem sequer tentam me conhecer de verdade. – Ele explicou fazendo-a rir frouxo.

—Mas aposto que já conseguiu muitas garotas por isso. – Ela disse esperta.

—É, eu mentiria se dissesse que não. – Gregory riu de volta. Ela parou então em frente ao seu armário. – Mas se quer saber, é legal pensar que pela primeira vez estou diante de uma garota linda que está falando comigo só por falar e não porque eu tenho dinheiro. – Gregory fez uma cara de esperta vendo as bochechas dela corarem levemente pelo elogio.

—Nem todas as pessoas do mundo são iguais e interesseiras. – Ela deu uma piscadela pra ele.

—Tem razão. – Ele voltou a segui-la. – Escute, eu realmente gostei de você e sei que parece meio precipitado, mas adoraria conhecer você melhor se você quiser, é claro. – Ele disse com um sorriso maroto que a fez parar.

—Escuta, eu espero que não pense que só porque você está acostumado a ter tudo o que quer e todos aos seus pés eu vou simplesmente topar sair com você assim. – Ela respondeu grosseira fazendo o sorriso dele se desfazer. – Eu não sou esse tipo de garota. – Completou se pondo a caminhar novamente, agora com passos mais firmes e brutos.

—Espera, Laura! – Ele correu até ela e a segurou com cuidado pelo braço trazendo-a pra si. – Eu jamais quis intencionar isso. – Ele encarou seus olhos fielmente. – Se te propus isso foi justamente porque vi que você é diferente das outras garotas que já conheci e seria maravilhoso estar com alguém como você, mas tem razão, eu me precipitei, mas por favor, só quero conhecer você e ser seu amigo. – Gregory se explicou fazendo-a encarar os pés por uns segundos.

—Tudo bem, me desculpe, eu só não quero que pense que eu sou fácil e caída de amores pelo senhor Gregory Stormfield. – Ela riu frouxo fazendo-o rir junto.

—Eu acho isso um lisonjeio se quer saber. – Ele colocou as mãos no bolso.

—Você é engraçado, Greg. – Ela comentou balançando a cabeça enquanto um sorriso bobo ainda lotava seu rosto.

—E que tal você me mostrar a escola, Laura? – Ele perguntou. – Assim fico feliz por te conhecer melhor e você não se ofende por eu estar tentando te levar pra um encontro. – Greg corou. Nunca se sentiu solto assim. Na verdade, ele era extremamente tímido e se sentia surpreso por conseguir deixar que aquelas palavras saíssem tão naturalmente por sua boca, mas o sorriso dela e o modo como ela parecia rir de tudo que ele falava, fosse inteligente demais ou estúpido demais o fazia sentir seguro pra continuar falando abertamente sobre si, sendo quem ele realmente era.

—Tudo bem. – Laura rolou os olhos e riu de novo. – Vou te mostrar a escola e aí quem sabe se você realmente for legal a gente não sai qualquer dia. – Ela deixou suas bochechas corarem.

—Eu vou adorar. – Ele sorriu cativantemente, fazendo com que ela sorrisse também. Os dois então se puseram a caminhar pelos corredores da escola, lado a lado.

**********

Christina Stormfield permanecia com seus olhos fixos no vazio de seu quarto. Não que os dias normalmente fossem marcados por momentos bons, mas hoje estava se sentindo especialmente deprimida. Ouviu as palavras grosseiras de Matthew e Theodore para o marido na noite anterior, assim como viu a maldade em seus lábios ao elogiar a jovem Elisabeth. Sentia repúdio por ver quem ele se tornou. E se questionava agora como o homem amoroso e charmoso que ela conheceu anos atrás pôde se tornar um canalha que lhe causava tantos sentimentos ruins. Jhonatan não havia perdido apenas o respeito por ela, mas também a si próprio. Um homem de idade se portando como um garoto com hormônios aflorados, dando em cima de mulheres de todas as idades pra alimentar seu ego sujo, pra se sentir mais homem, mais novo, mais viril, enquanto fazia ela se sentia mais velha, mais humilhada e mais infeliz. Onde foi que seu casamento acabou? Onde foi que ele se tornou aquela mentira sustentada apenas pelas aparências que são cobradas pelo seu sobrenome? Christina não sabia, e doía toda vez que tentava buscar as respostas. De repente foi despertada por um Jhonatan que adentrou ao quarto com a voz embriagada de sempre.

—Estou saindo. – Avisou.

—Vai encontrar alguma de suas ninfetas hoje? – Christina perguntou num tom desafiador recebendo uma risada irônica do marido.

—Não diga besteiras, Christina! – Jhonatan respondeu. – Sabe que eu vou apenas me encontrar com alguns amigos. – Explicou.

—E você sabe que eu não sou burra, Jhonatan, então pare de me tratar como uma! – Christina levantou a voz. – Ouvi sua discussão com nossos filhos ontem. – Ela falou fazendo ele arregalar os olhos devido a surpresa. – Eu vi o modo como estava elogiando e olhando para aquela garota, seu canalha! – Suas mãos agarraram a primeira coisa que havia em sua vista e jogaram sobre Jhonatan.

—Você está ficando maluca? – Ele a questionou grosseiramente. – Está delirando, Christina! – Completou. – É só uma empregada, por que eu arriscaria meu casamento por uma empregada? – Ele riu.

—Você me dá nojo. – Christina choramingou. – Se arrependimento matasse, certamente eu estaria morta. – Disse.

—Seríamos dois. – Ele respondeu grosseiro fazendo-a chorar ainda mais, e sem nenhum dó partiu em retirada do quarto para poder ir encontrar com alguma mulher enquanto Christina permanecia ali, chorando, agoniada se questionando o porquê de ainda estar casada com Jhonatan Stormfield.

**********

Theodore deixava sua gargalhada rolar solta agora. Isso era completamente raro e ele tinha consciência disso, mas era totalmente impossível pra ele segurar o riso na presença cômica de Nicholas. Eles eram grandes amigos na verdade eram os melhores em todo o mundo, e tirando Matthew era a única pessoa em quem Theodore conseguia realmente confiar. Nicholas era mulherengo e se orgulhava disso, principalmente por conseguir facilmente todas as garotas que lhe encantavam, que por sinal não eram poucas, e ele também amava se gabar por isso, algo que rendia enormes gargalhadas de Theodore que achava incrível que na idade em que Nicholas estava ele ainda agia como um adolescente de fraternidade popular da faculdade.

—Eu faço sério, Theo, ela era maravilhosa, mas parecia um grude, carente e sensível, eu pulei fora antes dela começar com a história de “devíamos levar isso a outro nível”. – Nicholas falou espertamente.

—Quando você vai tomar jeito, Nick? – Perguntou Theodore dando uma longa golada em seu vinho.

—O dia em que alguma mulher valer a pena pra me fazer abrir mão de todas as outras que estão por aí, quem sabe eu tome jeito, mas sabe, não vai acontecer. – Ele disse prepotentemente arrancando novamente uma risada frouxa de Theodore. – Mas, e você? – Perguntou.

—O que tem eu? – Theodore arqueou a sobrancelha.

—Fala sério, Theo, me diz qual é a sua com a babá. – Falou numa careta como se ordenasse o amigo a contar seus segredos e em seguida riu. – Ela é uma graça. – Completou.

—Não seja imbecil. – Pediu Theodore. – É apenas uma boa menina que trabalha aqui em casa e cuida dos meus filhos. – Ele disse tentando disfarçar como aquele assunto parecia delicado pra ele.

—Até parece, eu vi como você olhou pra ela no jantar ontem, e também te conheço bem o suficiente pra ver como fica nervoso quando falo dela. – Nicholas gargalhou recebendo um olhar torto e raivoso de Theodore.

—Cala a boca. – Theodore pediu.

—Eu posso até calar, mas te garanto que não olha pra Victoria do mesmo jeito. – Nicholas falou maroto antes de dar uma golada em seu vinho.

—Você não é a pessoa com a maior moral do mundo pra me cobrar sobre meus sentimentos pelas pessoas. – Theodore respondeu.

—É, tem razão, mas sou seu melhor amigo e eu te conheço e nunca mais te vi assim desde a Summer. – Nicholas falou. Nesse momento, Theodore o encarou com uma feição totalmente desgostosa. Summer era um assunto delicado, do qual ele preferia nem sequer falar, mas as vezes as pessoas a sua volta teimavam em lembra-lo de sua esposa e isso doía demais, e certamente Nicholas entendeu isso e completou sua frase. – Desculpe, eu não devia ter falado da Summer. – Falou.

—Não devia mesmo. – Disse Theodore irritado. Nesse momento, Joshua apareceu na sala com os olhos cheios de lágrimas fazendo o pai encará-lo assustado e correr em sua direção. – Joshua, o que houve? – Perguntou.

—Cadê a Lisa? – Joshua perguntou agora chorando mais.

—Ela foi pra casa. – Theodore respondeu.

—Eu to com dor de barriga. – Joshua falou fazendo bico. Theodore levou suas mãos ao rosto do filho e constatou que sua pele estava quente demais e provavelmente seria febre.

—Está ardendo em febre. – Theodore disse assustado e encarou Nicholas.

—Não me olhe, eu não faço ideia do que fazer. – Nicholas respondeu prontamente. Nesse momento, Joshua se inclinou pra frente e vomitou no chão o que o fez ficar ainda mais assustado para entoar um choro alto, que o deixava com o rosto vermelho, enquanto as lágrimas escorriam descontroladas pelo rosto infantil.

—Eu quero a Lisa! – Joshua gritou assustado, ainda em meio ao pranto. Theodore suspirou.

—Filho, a Lisa está de folga, não precisa ficar assim, eu vou te dar um banho e levar você ao médico. – Theodore falou calmamente, mas Joshua aumentou o choro enquanto balançava a cabeça em negativo.

—Eu não quero ir pro médico, papai. – Ele disse inocentemente, demonstrando seu medo. – Eu só quero a Lisa! – Completou.

—Tudo bem, tudo bem. – Theodore falou já um tanto nervoso. – Nicholas, por favor, eu vou ligar pra Elisabeth e pedir pra que ela volte pra cá, vá busca-la, por favor. – Pediu.

—Você não tem um chofer pra isso? – Nicholas franziu o cenho.

—Ele está de folga, será que dá pra você ir logo? – Theodore perguntou irritado fazendo Nicholas rolar os olhos. – A não ser que prefira que eu vá e você fica aqui com o Joshua passando mal, e tomando conta também da Annabeth e do Gregory. – Ele completou. Nicholas o encarou e logo correu até a porta já demonstrando em sua atitude a resposta negativa algo que arrancou uma risada de Theodore. — Vem, filho, vamos ligar pra Lisa e tomar um banho pra se limpar. – Theodore falou e Joshua apenas assentiu.

***********

—Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!!! – Elisabeth cantarolou junto a Rose, Matthew e Harry, enquanto as bochechas de Jennifer coravam.

—Parabéns!!! – Rose gritou carinhosa enquanto Jennifer agora apagava as velas.

—Vocês são demais mesmo. – Ela disse abraçando Lisa e em seguida Rose.

—Você merece! – Harry brincou e fez uma careta. De repente o celular de Lisa tocou e constatando o número de Theodore ela encarou a todos.

—Eu preciso atender. – Avisou e saiu do lugar. Enquanto isso Jennifer começou a partir o bolo, sendo ajudada por Rose.

—Eu sinto por não podermos ficar mais. – Disse Rose. – Mas tem um evento de um amigo do Matthew que não podemos faltar. – Explicou.

—Sei como é. – Jennifer respondeu simpática. – Não tem problema, eu nem sequer queria comemorar, mas você sabe como a Lisa é. – Rolou os olhos antes de rir.

—Ela é apaixonada por você. – Rosa brincou.

—Amor, vamos? – Perguntou Matthew.

—Vamos sim. – Respondeu Rose. – Tchau, Hazz. – Ela abraçou o amigo e em seguida encarou Jennifer. -–Tchau, Jenny. – Disse carinhosa se despedindo dela também. – Nos vemos amanhã? — Perguntou.

—Claro. – Jennifer respondeu.

—Combinado, então mande um beijo pra Lisa. – Disse Rose e Matthew assentiu antes dos dois fecharem a porta atrás de si. Nesse mesmo momento Lisa voltou ao recinto.

—Aonde estão Rose e Matthew? – Perguntou confusa.

—Festas pra ir. – Respondeu Harry antes de rir.

—Ah, não acredito. – Lisa reclamou.

—Calma, isso não tem importância. – Disse Jennifer tentando acalmá-la.

—Não é isso.... – Ela suspirou. – Era o senhor Stormfield, ele me ligou pediu pra eu voltar pra casa dele porque o Joshua está passando muito mal e está assustado, quer ficar comigo. – Disse.

—Tudo bem. – Jennifer sorriu.

—Não queria que ficasse sozinha no seu aniversário, me desculpe. – Lisa a abraçou fortemente fazendo a amiga rir.

—Por acaso esqueceu de mim? – Perguntou Harry.

—Até parece que você vai ficar. – Jennifer riu irônica.

—Eu não fico justamente por suas atitudes grosseiras e de ódio gratuito para com a minha pessoa. – Ele deu uma piscadela pra ela que riu.

—Que pena. – Brincou Jennifer.

—Quer saber? Eu vou embora também. – Disse Harry depositando um beijo na testa de ambas e depois dando uma piscadela. – O motivo da minha estadia permanente nessa casa está indo embora. – Completou jogando novamente e como sempre uma de suas cantadas baratas pra Lisa que rolou os olhos e riu.

—Dá pra parar? – Ela pediu.

—Você é minha garota, o que eu posso fazer? – Ele brincou antes de fechar a porta atrás de si.

—Sabe que ele fala sério, né? – Perguntou Jennifer fazendo Lisa a encarar com os olhos arregalados numa careta engraçada.

—Claro que não! – Disse. – Ele só esta brincando.

—Até parece! – Jennifer disse rindo. – Ele é totalmente afim de você desde sempre, e você nunca deu a mínima pra ele, ainda mais agora por causa do senhor Theodore Stormfield. – Ela ironizou recebendo um olhar entediado de Lisa.

—Vou arrumar minha bolsa pra ir pra lá, o amigo dele está vindo me buscar, então abra pra mim, por favor. – Pediu.

—Claro, patroa. – Respondeu Jennifer espertamente fazendo a amiga rir. Ela então se sentou sobre o sofá e começou a folhear uma revista de moda que estava sobre a mesa de centro da sala. De repente a campainha tocou despertando-a. Jennifer se pôs de pé e arrumou em seu corpo o vestido florido em tons coloridos para poder abrir a porta em seguida. Quando ela assim o fez, pôde ver um rapaz, aparentemente de sua idade, talvez um pouco mais velho, de cabelos louros escuro e músculos fortes bem marcados por sua camisa polo branca acompanhada de um jeans despojado e apertado. Ele parecia distraído demais pra notar a porta já aberta, pois encarava o chão de olhos fechados enquanto sua cabeça estava encostada em seu braço que o apoiava no batente da porta. Jennifer então pigarreou para despertá-lo. Ele ouvindo aquilo levantou a cabeça para poder finalmente encará-la e foi inevitável pra ele não levar ao seu rosto um semblante de surpresa. Ela era linda, ele pensou e isso foi o suficiente para que ele sorrisse encantadoramente.

—Boa noite. – Ele disse cativante.

—Oi.- Ela respondeu confusa por conta do tom sensual que ele deu a sua voz. – Você é o amigo do Stormfield que veio buscar a Lisa? – Perguntou.

—Eu mesmo. Nicholas Phillips. – Ele respondeu ainda sorrindo. – E você é? – Ele questionou.

—Jennifer Hunnan. – Ela estendeu a mão para cumprimenta-lo. – Ela está terminando de arrumar as coisas, pode entrar e sinta-se à vontade. – Jennifer falou dando lugar para que ele passasse e ele assim o fez encarando tudo ao seu redor.

—Bela casa. – Disse esperto. – É seu o aniversário? – Perguntou.

—Sim. – Jennifer respondeu.

—Feliz aniversário, Jennifer. – Ele disse se aproximando. – Sabia que você é completamente encantadora? – Perguntou num olhar maroto que a fez rolar os olhos.

—Sério que não vai esperar nem cinco minutos pra começar a me cantar? – Ela o questionou arrancando dele um riso frouxo.

—Por que esperar? – Ele disse esperto. – Não gosto de perder meu tempo e bom se você topar eu volto pra cá depois que deixar a Lisa na casa do Theo. – Ele agora estava mais próximo ainda dela que riu.

—Não pode estar falando sério, não é? – Jennifer disse grosseira. – Eu nem conheço você, seu maluco. – Ela completou fazendo-o franzir o cenho.

—E precisa? – Ele perguntou.

—Como você é prepotente. – Jennifer falou. – Se acha tão irresistível assim pra que eu te conheça há menos de dois minutos e já queira ir pra cama com você? – O indagou.

—Não quero parecer mais prepotente ainda, mas normalmente não tenho dificuldades pra conseguir isso. – Ele colocou as mãos no bolso ficando ainda maior que ela que riu irônica.

—E o que te faz pensar que eu sou como as outras com quem você passa seu precioso tempo? – Disse esperta. Nicholas suspirou.

—Isso é um não? – Perguntou.

—O que você acha? – Jennifer disse grosseira.

—Não estou acostumado a ouvir isso, e pode ter certeza de que eu vou insistir e vou continuar te cantando até você ficar completamente caída por mim. – Ele se gabou arrancando uma risada de Jennifer que simplesmente não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

—Vai perder seu tempo. – Ela cruzou os braços ficando ainda menor que ele. – Já disse que não sou como as garotas que está acostumado a sair. – Ela falou decidida.

—Isso eu já percebi e se quer saber já gostei do desafio. – Ele riu se aproximando. – Seu gênio é completamente sexy. – Ele sorriu maroto pra ela que apenas rolou os olhos.

—Você é nojento. – Ela se sentou novamente.

—E eu vou conquistar você. – Ele disse naturalmente como se falasse a coisa mais comum do mundo.

—Até parece... – Jennifer sussurrou alto o suficiente pra ele ouvir. – Boa sorte com isso, mauricinho. – Ela sorriu.

—Desafio aceito, cabeça dura. – Ele retrucou e ela lhe lançou uma careta. Nesse momento, Elisabeth apareceu despertando os dois.

—Já se conheceram pelo visto. – Disse simpática.

—Infelizmente. – Jennifer respondeu fazendo a amiga franzir o cenho.

—Sua amiguinha não gostou das minhas cantadas. – Nicholas fingiu tristeza em sua voz. – Mas já combinamos aqui um esquema e estou oficialmente desafiado a conquista-la. – Completou. Elisabeth riu frouxo com aquilo. Sabia que ele certamente estava subestimando o gênio forte de Jennifer.

—Boa sorte, não vai ser tão fácil quanto parece. – Ela lhe disse fazendo Jennifer rir.

—Vamos ver. – Ele riu se volta. – Foi um prazer te conhecer, Jennifer. – Ele disse carismático fazendo-a encará-lo fielmente.

—Não posso dizer o mesmo, Phillips. – Ela deu uma piscadela marota pra ele e voltou a ler sua revista.

—Vamos? – Ele agora encarou Elisabeth que apenas assentiu e caminhou para fora do apartamento junto a ele que antes de ir mandou um beijo desafiador e sensual pra Jennifer que apenas terminou de bater a porta no rosto dele como resposta.

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Joshua finalmente havia apagado e Lisa se sentia cansada. Ele vomitou mais algumas vezes até ela conseguir finalmente fazer sua febre abaixar e aceitar a presença de um médico da família que prontamente o diagnosticou com infecção alimentar. Inicialmente Elisabeth se sentiu extremamente culpada por isso, afinal, a alimentação de Joshua era totalmente responsabilidade sua, ainda assim sabia que saiu cedo e ele podia ter se alimentado por algum biscoito escondido fora de horário. Ela acariciava seus cabelos suavemente e um sorriso encantado estampava seu rosto. Era incrível o amor que sentia pelo pequeno Joshua, e mais incrível ainda era se sentir tão apegada a ele mesmo que o conhecendo há apenas alguns dias. Ele era como um pequeno filhote pra ela, que cuidaria sempre que fosse preciso. Theodore abriu a porta vagarosamente fazendo-a se virar para encará-lo.

—Ele dormiu? – Perguntou.

—Sim, acabou de pegar no sono. – Lisa respondeu num sussurro e se levantou para em seguida cobri-lo e dar um beijo em sua testa. Theodore sorriu com aquilo. Não podia negar como ficava balançado ao vê-la daquela maneira maternal com as crianças. Ela se virou e saiu fechando a porta atrás de si. – O remédio fez efeito... Graças a Deus. – Ela disse antes de sorrir pra Theodore que sorriu de volta, arrancando um suspiro mental da garota.

—Obrigado por ter vindo, Lisa e perdão por ter estragado a sua festa. – Ele abaixou a cabeça para encarar os pés. – Espero que sua amiga não tenha ficado chateada por você não ter podido aproveitar sua folga. – Completou.

—Não precisa me agradecer, e a Jennifer entende que esse trabalho requer muito de mim e que eu faço com prazer. – Ela respondeu carinhosa. – Acho que ela ficou mais incomodada com o senhor Phillips dando em cima dela. – Comentou fazendo uma careta se formar no rosto de Theodore.

—Nick não pode ver uma mulher sem cair em cima. – Ele riu fazendo Elisabeth rir também. Por um momento ela pensou se o fato dele não ter dado em cima dela significava algo bom ou ruim, não que sentisse atração por ele, na verdade apenas o achava divertido e gostava da presença dele por que isso causava sorrisos infinitos no rosto de barba por fazer de Theodore, algo que ela podia admirar por horas.

—Ele é engraçado. – Lisa agora colocou uma mexa de seu cabelo pra trás da orelha.

—E abusado. – Theodore acrescentou e mais uma vez eles riram juntos. – Se quiser ir pra casa agora, eu posso pedir para o motorista leva-la. – Disse.

—Não, eu prefiro ficar pro caso do Joshua acordar sentindo algo durante a noite. – Ela disse em seu tom mais maternal possível arrancando dele um olhar completamente intenso.

—Eu não sei como te agradecer por todo o carinho e amor que dá aos meus filhos. – Theodore suspirou. Sentia uma vontade totalmente estranha de se aproximar dela agora. Normalmente seus instintos primitivos de sua masculinidade não se afloravam assim, mas quando aqueles olhos azuis dela brilhavam na direção dele, sentia que poderia deixar o cavalheirismo de lado a qualquer momento e agarrá-la ali mesmo para sentir seu gosto. Ainda assim não podia, afinal estava comprometido com Victoria e prometera a mesma um dia antes que tornaria a relação deles mais séria. Não que se fosse apaixonado por Victoria, não que fizesse questão de manter o relacionamento deles, tampouco leva-lo a um outro nível, mas gostava de pensar que os dois tinham um relacionamento racional, sem aqueles delírios e intensidades da paixão, o que o fazia sentir seguro de que agiria sempre da maneira correta e sensata com Victoria. Mas Elisabeth, ah! Ela mexia com tudo o que Theodore pensava ter esquecido. Seu coração acelerava e o estômago revirava cada vez que estava perto dela e isso era completamente irritante pra ele que se julgava velho demais para tais delírios e emoções adolescentes provocados pelos hormônios em chamas. Ficar longe dela era essencial pra sua sanidade mental. Então, lembrando disso ele engoliu a seco e se recompôs. – Eu preciso ir me deitar. Tenho um dia cheio amanhã, então, por favor se Joshua continuar a passar mal me chame e o levarei ao hospital. – Disse.

—Tudo bem, Theodore. – Lisa disse mais naturalmente agora, e até gostou do modo como aquilo soou.

—Boa noite, Lisa. – Theodore sorriu frouxo.

—Boa noite, Theodore. – Ela respondeu sorrindo também.

Notas finais
Esperamos que gostem! ♥