Behind Blue Eyes
7 Das Ende Des Anfangs
Notas iniciais

O coração de Hadassa estava completamente afundado em mágoa e desespero, havia três meses que ela havia procurado por Christoff e mais uma vez o recado era que o loiro viajara.
No dia anterior ela havia encontrado uma mulher de nome Adele Müller a qual havia oferecido um emprego para ela e Ezekiel.
Hadassa agora estava parada em frente à casa da mulher, ela sabia que Christoff não viria mais e precisa criar o bebê que crescia em seu útero.
– Hadassa – a mulher abriu a porta mostrando um sorriso estonteante – Fico feliz que tenha decidido aceitar a minha oferta – segurou a mão da judia.
– Serei eternamente grata pela ajuda que a senhora está me dando – Hadassa forçou um pequeno sorriso.
Logo que adentraram a casa, Hadassa se espantou com tamanha beleza. Havia uma escadaria enorme que parecia flutuar refletindo no chão de madeira encerado, o lustre de cristal brincava no teto, as paredes tinham um tom claro que uma cor que Hadassa não reconheceu.
Os olhos amendoados de Hadassa não demoraram a encontrar o par de olhos azuis tempestuosos, ela examinou inconscientemente o rapaz a sua frente.
Loiro, alto, olhos imensamente azuis, sobrancelhas grossas e franzidas mostrando que ele também a examinava, os lábios finos contorcidos em um sorriso meio sem jeito, a pele pálida poderia facilmente mostrar todas as veias dele. Ele parecia ser confuso, irracional, mas com certeza ele era lindo.
“Lindo como um príncipe” Foi isso que o pensamento de Hadassa a disse.
– Hadassa, querida – a mulher alta segurou a mão da judia – Esse é o meu filho Erick Müller – apresentou.
O rapaz caminhou até ela, tomou sua pequena mão entre as dele e pousou um pequeno beijo arrepiando cada pelo do corpo de Hadassa, ele sorriu ao ver o efeito que causara, ajeitou-se e olhou dentro dos olhos castanhos dela.
“Tão linda, tão perfeita quanto um anjo” Pensou.
Os olhos dele rolaram até a barriga crescida da garota, procurou uma aliança no dedo dela e não havia, um misto de euforia e decepção entrou em seu coração.
– Filho – a mulher chamou a atenção do rapaz – Esses são Hadassa e Ezekiel Hakim – apresentou.
Pela primeira vez os olhos de Erick enxergaram o rapaz ao lado de Hadassa segurando algumas bolsas.
– Belo casal – elogiou.
– Somos primos – Hadassa consertou o mal entendido.
– Achei que fosse o pai do bebê – disse.
A mãe do rapaz pigarreou disfarçando o beliscão que dera no filho.
– Sinto muito se fui... Se fui inconveniente – gaguejou.
– Tudo bem – Hadassa respondeu extremamente corada.
– Eles trabalharão aqui – Adele disse – Soube que seu sonho, Ezekiel, é ser médico – disse encarando o rapaz a sua frente.
– Posso ajudar com isso – Erick ofereceu.
– Eu agradeceria, mas tenho que cuidar deles – Ezekiel soou triste.
– Eu posso cuidar deles enquanto estiver fora – o loiro sorriu de orelha á orelha.
– Não seria preciso, sei me cuidar – Hadassa respondeu rapidamente.
– Vejo que sabe – Erick olhou para a barriga da judia.
– O senhor está insinuando alguma coisa? – Hadassa disse entre dentes.
– Dassa! – Ezekiel repreendeu.
– Tudo bem, ela está certa – Adele olhou feio para o filho.
– Sinto muito – revirou os olhos azuis.
Um pequeno sorriso vitorioso brotou nos lábios rosados da morena.
– Erick leve-a para um dos quartos de hóspedes – Adele pediu – Vou pedir para que alguém leve Ezekiel para o único quarto de empregados que está vazio – disse.
Ambos subiram as escadas em silêncio, logo pararam em frente á um quarto e ele abriu a porta devagar.
– Esse será o seu quarto – colocou duas pequenas malas no chão – Seja bem vinda – encarou-a.
– Estou agradecida – sorriu de canto.
– Se sentir alguma coisa é só avisar, sou médico – segurou a maçaneta.
– Obrigada – abaixou a cabeça.
O loiro não conseguiu segurar seus instintos e caminhou até ela, com a ponta dos dedos ele tocou o queixo dela fazendo-a o encarar.
– O que o senhor está fazendo? – Hadassa perguntou corando violentamente.
– Você é tão fascinante como uma estrela no céu – elogiou.
Ele parecia estar sendo tão sincero. Mas Christoff também parecia e, no entanto destruiu-a.
– E o senhor precisa ficar bem longe de mim – afastou-se bruscamente.
– Seja lá quem tiver te deixado tão magoada – começou – Jamais seria tão cruel, eu apenas estou tentando ser agradável – saiu.
Hadassa sentou na cama, seus olhos se fixaram na porta e sua mente ficou conturbada. Por que ela havia sido tão dura com alguém que apenas estava tentando ser legal com ela?
– Querida – a voz revelava quem batia na porta.
– Está aberta – Hadassa respondeu.
– Queria me desculpar pelo meu filho – Adele sentou ao lado da garota.
– Sei que ele não falou por mal e no fundo ele está certo – abaixou a cabeça.
– Devo confessar que nunca vi Erick tão acuado e atrapalhado perante alguém, mas lhe garanto que meu filho é uma boa pessoa – levantou-se.
– Eu sei – assentiu.
– Seja bem vinda, querida – Adele saiu do quarto.
Hadassa levou as delicadas mãos a sua barriga e fechou os olhos por alguns segundos meditando em sua vida ou o que sobrara dela.
~~~ ➹➹ ~~~
No outro dia de manhã cedinho Hadassa saiu com Ezekiel para comprar alguns alimentos no mercado próximo á casa.
– Esperem – a voz rouca soou próxima e ambos pararam – Estão indo para onde? – perguntou.
– Para o mercado – Ezekiel respondeu.
– Eu conversei com meus pais e resolvemos pagar um curso de medicina para você Ezekiel – Erick sorriu.
– O senhor está falando sério? – Ezekiel mal conseguia esconder sua alegria.
– Estou e pode me chamar de você, somos amigos agora – respondeu.
– Serei eternamente grato por essa oportunidade e prometo não decepciona-los – o judeu estendeu a mão.
– Estou certo disso – apertou a mão do judeu.
Em um movimento discreto Erick acompanhou os passos de Hadassa, mas manteve-se em silêncio, Ezekiel apressou os passos para deixar os dois sozinhos.
– Então... – Erick começou – Bom dia – disse.
Hadassa riu.
– O que foi? – perguntou.
– Já é tarde, senhor – Hadassa lembrou-a.
– Senhor? Eu tenho cara de um senhor de idade? – questionou.
– O senhor é o meu patrão – esclareceu.
– Acho que o Senhor está no céu – retrucou.
– Certo, então como quer que eu lhe chame? – perguntou.
– Erick – sorriu de lado – Eu posso te chamar de Anjo? – parou na frente do mercado.
– Pode – Hadassa continuou a caminhar.
Erick mostrou um sorriso vitorioso e correu atrás da judia.
De longe havia uma garota loira encarando tudo o que acontecia sem ouvir os sons da conversa, os olhos azuis dela encontraram os olhos castanhos que ela mais amava.
Ezekiel. O nome dele ecoou em sua mente preenchida de saudade. Ela caminhou até ele com passos tímidos, as bochechas estavam mais vermelhas do que sua saia rodada.
– Quanto tempo – a voz macia de Liesel ecoou na mente de Ezekiel da mesma maneira de sempre.
– É, faz bastante tempo – concordou.
– Como vai? – perguntou.
– Bem e você? – desviou o olhar.
– Melhor agora – respondeu.
O olhar inquieto de Ezekiel pousou na mão direita da loirinha, o coração dele pareceu congelar em seu peito.
– Para quando é o casamento? – perguntou com amargura.
– Acho que depois do seu – Liesel corou ainda mais e escondeu mão.
– Eu não vou mais casar – respondeu.
– Por quê? – colocou as mãos na cintura, seu coração acelerou.
– Preciso cuidar da Dassa – abaixou a cabeça.
– Ela está doente? – assustou-se.
– Pergunte á seu irmão, ele sabe exatamente o que ela tem – fechou os punhos.
– Meu irmão? – perguntou – Diga-me – segurou a mão do judeu.
– Senhorita Gärtner? – a voz de Tamar soou atrás deles.
– Já vamos Tamar – Liesel respondeu ainda olhando para Ezekiel.
– Acho que é melhor irmos, seu noivo não gostaria de ver algo assim – aconselhou.
– Então eu perguntaria á ele se ele se importa com o que eu penso sobre ele passar mais tempo com você do que comigo e sem contar que ele já dormiu no seu quarto – disse com tom de ironia.
– Acho melhor eu ir – Ezekiel afastou-se – Adeus – despediu-se.
– Isso é uma despedida definitiva? – questionou.
– Provavelmente – abaixou a cabeça e saiu andando.
De longe Liesel viu Hadassa fazendo compras acompanhada por um belo rapaz e quando os olhos de Liesel fixaram na barriga da ex-amiga sua boca se abriu em sinal de surpresa. Hadassa estava grávida e possivelmente casada.
Já Hadassa ria das atrapalhações de Erick, era como se ele estivesse totalmente indefeso perto dela e isso a divertia.
~~~ ➹➹ ~~~
Alguns meses depois...
Todas as vezes que Hadassa ia ao mercado era escoltada por Erick, ela gostava de conversar com ele e ele amava estar ao lado dela desde a primeira em que colocara seus olhos nela.
Tudo ia bem, eles jamais haviam se desentendido por nada, a amizade era sadia e fazia bem a ambos. Até aquele dia, maldito dia.
Hadassa e Erick estavam no mercado quando uma bela moça com um sotaque diferente chegou perto de ambos, a moça rebolava feito cobra mal matada, ela enroscou seus braços no pescoço de Erick e depositou um beijo estalado na bochecha do rapaz.
A bela afastou-se do médico e analisou Hadassa do dedo do pé até o último fio cacheado, a mulher a olhava com nojo.
– Então Rick, quem é ela? – a mulher alta questionou.
– Minha empregada – respondeu.
Hadassa prendeu a respiração.
– Digo minha amiga – Erick percebeu que havia falado besteira.
– Anda fazendo amizade com esse tipo de gente? – revirou os olhos.
Hadassa fechou os olhos não permitindo a si mesma chorar na frente das pessoas e saiu com passos apressados.
– Hadassa – Erick chamou-a em vão.
Quando o médico alemão saiu do mercado não conseguia localiza-la no meio da multidão que por ali passava.
– Droga – praguejava a si mesmo em sua mente.
Ao finalmente chegar a sua casa dirigiu-se para a cozinha, mas Hadassa não estava lá.
– Hadassa chegou um pouco abalada e estava passando mal, pedi para que se deitasse – a mãe do garoto esclareceu – O que você fez? – perguntou com feições bravas.
– Besteira, para variar – fechou os olhos.
– Já contou á ela? – questionou.
Ele não respondeu, apenas subiu as escadas correndo.
– Hadassa abra a porta – pediu.
A judia permaneceu em silêncio, as lágrimas escorriam por seu rosto, ela mordeu o lábio inferior e abraçou o travesseiro.
– Anjo... – começou – Eu sei que você está brava pelo que eu disse, mas... Não tem explicação. Só me perdoe – afastou-se do quarto.
~~~ ➹➹ ~~~
Hadassa servia o jantar para Erick e seus pais, enquanto ela servia o vinho os olhos de Erick tentavam desesperadamente encontrar os dela.
– Um brinde ao meu amado filho que recebeu a oportunidade de sua vida e irá fazer uma nova vida em um novo país – o pai do rapaz levantou a taça.
Hadassa sentiu seu corpo amolecer, suas vistas embaçarem e derrubou alguns talheres no chão, seu corpo apenas não colidiu com o chão porque ela foi amparada pelos braços protetores de Erick.
Ele a ergueu em seus braços com um super herói faria e levou-a para o quarto dela. Ele deitou-a com cuidado na cama e sentou ao lado dela.
– Você está bem? – perguntou cheio de preocupação.
– Por que se importa tanto comigo? – Hadassa cruzou os braços.
– Somos amigos, não somos? – questionou com um sorriso maroto brotando em seus lábios perfeitos.
– Não, não somos – respondeu secamente – Eu sou sua empregada – ironizou – Não foi assim que disse para aquela loira?! – arqueou a sobrancelha.
– Você é... – começou.
– Sua passadeira, lavadeira e cozinheira – cortou.
– Você quer realmente saber o que significa para mim? – vociferou – Só não diga depois que eu não tentei esconder – avisou – Você é a garota que eu amo – declarou-se.
– Você não faz a mínima ideia do que é amor – gritou.
– Sei mais do que você – aproximou-se – Amor não é o que o pai do seu filho sentiu por você – disse – Porque quando se ama jamais se abandona – a voz rouca soou mais perto do que Hadassa desejou – Você não tem ideia do quanto eu amo você – segurou a mão da moça – Me dê uma única chance – pediu.
– Não posso me dar ao luxo de ter meu coração quebrado outra vez – respondeu.
– Vai dizer que não sente nada quando eu te toco – acariciou a bochecha da garota e ela sentiu o coração acelerar.
Hadassa sentiu um dos braços de Erick rodear a sua cintura trazendo-a para perto demais, com a mão do braço livre o médico tirou uma mecha de cabelo do rosto de Hadassa e colocou atrás da orelha, ele a encarou com carinho e vagarosamente tocou seus lábios quentes nos lábios dela, Hadassa sentiu os fios suaves do cabelo do rapaz correrem por entre seus dedos, ele apertava a cintura dela com certa força e puxava os cabelos dela para trás conforme o beijo ia se aprofundando, então Erick afastou-se preocupado em não machucar a barriga da moça.
– Vai dizer que o que eu sinto não é real? – colou as testas.
– Isso é apenas um jogo para você Erick – uma lágrima teimosa escorreu por seu rosto.
– Anjo... – ele segurou o pulso dela.
Ela precisava dar o alvará de soltura para ele, ela precisava liberta-lo para que ele seguisse em frente, construísse uma família coisa que ela jamais poderia dar á ele. Então as palavras mais duras e mais irreais saíram da boca dela.
– Eu nunca amarei você como amo o Christoff – soltou o pulso – Eu realmente sinto muito – levantou-se e caminhou até a penteadeira.
Erick sentou na cama com seus olhos ardendo imensamente, ele enterrou o rosto entre suas mãos, ele quase não conseguia respirar.
– Você se sente perseguida? Eu te pressiono demais? – questionou com a voz embargada.
Hadassa permaneceu em silêncio prendendo as palavras que queriam sair de sua boca, mas ela não podia permitir-se sentir amor por alguém novamente.
– Por favor, eu só preciso de uma resposta – Erick pediu.
– Eu já a dei – esforçou-se para ser dura.
Erick assentiu e saiu batendo a porta.
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Uma semana depois as malas já estavam espalhadas pela escada quando Erick foi até a cozinha.
– Me pede para ficar e eu ficarei – disse em pé na entrada do cômodo.
– Não posso – virou-se com os olhos vermelhos e inchados.
– Posso apenas pedir uma coisa – olhou dentro dos olhos dela.
– Pode – assentiu.
– Chame-o de Daniel – pediu.
Erick caminhou até ela e abraçou com toda a força restante em seu corpo esforçando-se para não cair de joelhos e pedir para que ela implorasse para que ele ficasse.
– Adeus – segurou o rosto dela entre as mãos e selou-a demoradamente.
– Adeus – virou-se de costas.
– Eu te amo tanto – disse – E eu sei que você está fugindo de mim porque você sente algo também, talvez com compaixão ou até pena, mas sente – saiu.
Hadassa pôs-se sob seus joelhos inchados.
~~~ ➹➹ ~~~
Aaron procurou por Tamar em cada canto da casa de sua noiva, mas ela não estava em lugar algum. Uma ideia súbita de ir ao quintal tomou conta dele e o fez.
O alemão encostou-se á entrada do quintal e observou a bela garota á sua frente, tão linda. Suspirou sem querer.
A garota levantou o olhar, olhos azuis levemente acinzentados, os lábios finos estavam rosados, suas bochechas estavam pálidas que o normal, seus cachos rebeldes e castanhos caiam em cascatas em seus ombros magros, os dedos da menina continuavam esfregando as fardas militares espalhadas pelo chão, seus vestidos nude estavam completamente molhados, a garota passou o braço na testa secando o suor que escorria por sua face angelical.
Aaron não conseguia tirar seus olhos dela, tudo nela parecia tão chamativo, tão bonito, tão perfeito.
Já a garota queria evitar o olhar, mas seus instintos eram maiores que ela, ele a assustava com todo aquele porte prepotente, seus olhos azuis fitando-a, seus lábios crispados, seu cabelo louro sujo coberto quase que por completo por uma espécie de boina.
O soldado cedeu á seus instintos e marchou até ela e parou em sua frente de maneira prepotente.
– Acho que não se lembra de mim – começou – Eu... – estava a falar quando ela o interrompeu.
– Sem brincadeira Fhurman – fechou os olhos.
– Eu sinto muito por aquele episódio – coçou a nuca.
– Tudo bem, você não precisa pedir desculpas e não deveria falar comigo – desviou o olhar para longe.
– Eu sei, mas não consigo evitar – confessou –Eu não sabia a Liesel iria surtar e gritar aquelas coisas com você e eu juro que não contei á ela sobre a noite que dormi no seu quarto – esticou a mão.
A garota cruzou os braços e se encolheu seu desespero estava aparente, ela sentia medo dele agora.
– Me perdoe, não posso suportar viver com sua indiferença – os olhos de Aaron arderam.
– Tamar entre – a governanta parecia estar em pânico.
Tamar assentiu e virou-se para se retirar, mas Aaron segurou seu pulso com certa urgência, ela voltou á olha-lo.
– Por favor, eu preciso de você, espero que você me perdoe – sorriu para ela mostrando seus dentes alvos e perfeitos.
– Eu espero o contrário – foi rude e puxou o pulso.
Mas Aaron sabia que seus olhos mostravam o contrário, por isso puxou o pulso fino de Tamar novamente.
– Solte-me – os olhos da menina encheram de lágrimas.
– Eu... Eu... – Aaron tentou falar.
Aaron soltou-a sem entender tamanho pânico em seus olhos, ela estava desesperada e saiu correndo.
– Fique longe dele, menina Tamar – Eveline olhou para ela com carinho – Ele é noivo da senhorita Gärtner – contou.
– Deveria saber que um rapaz como ele jamais olharia para mim, a única coisa que recebi com isso foi uma bela surra – Tamar cruzou os braços e entrou correndo.
– Ela está bem Eveline? – Aaron caminhou até a governanta.
– Sei que não posso falar nesse tom com o senhor – a mulher parecia estar irritada – Não brinque com a menina Tamar, ela não merece e as coisas são bem mais complicadas do que pensa, não pode estar noivo da menina Liesel e brincar com os sentimentos d-da menina Tamar – gaguejou um pouco.
– Só me responda o motivo dela ter ficado tão assustada comigo – estreitou os olhos.
– Ela já passou por coisas ruins por culpa de soldados – deu ênfase.
Aaron sentiu seu estomago revirar, seus dedos se fecharam, ele não conseguia aceitar que houvesse acontecido coisas tão ruins com a pobre menina.
Ele a amava o suficiente para dar tempo á ela, mas a amava ainda mais para lutar pelo amor dela.
– Entregue isso á ela, por favor – pediu e tirou do bolso um papel e uma caneta.
Ele escreveu algo curto, mas com sentimento o suficiente para fazer com que seus olhos marejaram.
Eveline pegou o papel e levou até Tamar que estava escondida atrás do balcão na cozinha.
A garota pegou o bilhete e o abriu. Letras cursivas curvadas.
“Talvez você não acredite, mas existe algo que preciso de lhe dizer e precisa ser agora. Talvez sejamos como o vinho e o veneno, talvez Romeu e Julieta, talvez você não sinta o mesmo que eu.
Eu sei tudo o que você não quer que eu saiba por que eu a conheço muito mais do que você a si mesma. Tudo isso é apenas para te dizer que...
Tamar Ludwig eu amo você realmente, com toda a minha alma e coração, te amarei por toda a eternidade se assim os Céus permitirem.
Eu amo você minha doce, pequena Tamar, razão do meu viver e por você eu morreria.
Do seu e eternamente seu... Aaron Fhurman.
Tamar apertou o bilhete contra o peito e começou a correr para fora da casa, mas ele não estava mais lá.
~~~ ➹➹ ~~~
Pouco tempo depois Hadassa havia passado muito mal e a criança nasceria prematura. A garota estava pálida, fazia força demais, seus dedos estavam atrofiados, as lágrimas escorriam pelo canto de seus olhos.
– Hadassa mantenha seus olhos abertos – o médico implorava – Venha garoto – tentava trazer o garoto – Respire fundo e faça mais força – pediu.
– Eu estou tentando – Hadassa gritou.
– Tente só mais um pouco – pediu novamente.
Hadassa agarrou a manga da blusa de Ezekiel, gritou fora de seus pulmões e um choro ecoou pelo quarto. Adele sorriu ao ver o rosto do pequeno menino, o marido dela segurava o garotinho em seus braços.
– Bem vindo ao mundo pequeno, olha para a vovó – Adele encheu o garoto de mimos.
– Ele é um garoto lindo – o pai de Erick disse – Erick gostaria de vê-lo – olhou para Hadassa.
– Como ele se chamará? – Ezekiel perguntou.
– Daniel – respondeu.
– É a história bíblica preferida de Erick quando ele era criança – Adele lembrou.
– Cheguei – a voz ecoou pela escadaria.
Erick apareceu na porta todo molhado da chuva, e seus olhos encontraram a criança agora nos braços de Hadassa. Ele caminhou até lá com um sorriso bobo dançando em seus lábios.
– Ele é... – não conseguia falar.
– Daniel, o nome dele é Daniel Hakim – Hadassa disse.
– Você sabe que posso dar meu nome á ele – Erick quase implorou – Dê-me ao menos essa alegria, não me destes o teu amor, me dê o gosto de dar á ele meu sobrenome – pediu.
– Tudo bem – Hadassa estendeu os braços.
Erick pegou o pequeno menino em seus braços e sorriu ainda mais.
– Daniel Hakim Müller – Erick ergueu o garotinho.
– Acho que a nova era começa – Hadassa disse.
Ela tinha razão, a nova era estava para começar, mas essa era seria a pior que toda a humanidade já passou, essa era se chamava Nazismo.
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