Behind Black eyes
4 Good friends.
Notas iniciais
Depois do almoço, eu e os meninos ficamos conversando a toa na varanda. Eu não podia evitar sentir os olhares de Seth sobre mim e, às vezes, nos raros momentos em que ele não estava prestando atenção em mim, eu também o olhava.
E ficava maravilhada com o que via. Ele tinha olhos pequenos e meio puxados e isso o deixava extremamente fofo. Era mais fofo ainda quando ele ria e os olhos se encolhiam mais ainda. Seth era realmente bonito. E absurdamente legal comigo. Ele me ouvia atentamente mesmo quando eu estava dizendo coisas totalmente sem sentido, como comentar que o tronco da árvore a minha esquerda era mais escuro do que os outros.
E eu me sentia bem perto dele. Eu nem ao menos sentia frio quando estava próxima a ele. Mas, claro, eu não tinha como esquecer de que tinha Erik. Erik em Los Angeles. Eu não era trouxa ao ponto de achar que esse nosso namoro a distância iria durar, mas eu gostava dele. Não o amava, longe disso, mas ele era legal comigo e isso era tudo que importava.
Fui tirada de meus devaneios ao ouvir um barulho de carro. Olhei na direção do som e minha boca se abriu em um perfeito “o”. Um Porsche preto, m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o, entrou na reserva. Assim que ele parou, desceram dali de dentro uma garota com cabelos acobreados. Logo que a vi, não pude evitar olhar para mim mesma.
Ela usava um vestido florido e seu cabelo tinha cachos perfeitos. Quer dizer, a pele dela também era perfeita. Eu não era do tipo de garota que tinha problemas de auto-estima, mas naquele momento me senti um tribufu com minha calça jeans e blusa branca de mangas compridas.
Olhei na direção do carro mais uma vez e meus olhos se arregalaram ao reconhecer Bella. Fazia muito tempo que eu não a via, da última vez em que nos vimos ela tinha quase 14 anos e eu não tinha completado dez. Ela estava realmente diferente. Bem mais branca do que de costume.
– Amanda? – ouvi a voz de Jacob me chamando e o olhei. Ele estava abraçado com a garota dos cabelos acobreados e sorria como se não houvesse amanhã. – Essa é a Renesmee.
– Oi, Amanda. – ela sorriu e me abraçou. – Tudo bem?
– Tudo ótimo. – sorri para ela também e franzi a testa ao observá-los. – Então você é a famosa Nessie? Jake não parava de falar sobre você quando conversávamos. – ri e pude vê-la corar ligeiramente.
– Ele fala sobre ela o tempo todo, acredite. – uma voz feminina disse, e eu reconheci Bella. – Tudo bem, Amanda?
– Oi, Bella! – a abracei levemente e, meu Deus, ela estava tão gelada. Ela sorriu pra mim e se afastou em seguida, indo até Charlie.
– Então... – Seth chegou ao meu lado e eu o olhei sorrindo. Sorriso que ele retribuiu. – O que vamos fazer?
– Podemos jogar baseball. – Jake sugeriu ainda abraçado a Nessie.
– Baseball! Sim, vamos jogar baseball! – eu disse animada, dando um pulinho, mas meu sorriso logo murchou ao ver a cara de Jacob. – Você não vai me deixar jogar, né? – perguntei pra ele.
Ele negou com a cabeça e se soltou de Nessie.
– Eu também não iria te deixar jogar. – Seth disse baixinho e eu o olhei, rindo. Fiquei na ponta dos pés e beijei seu bochecha.
– Você é tão fofo. – ri e me sentei em uma das cadeiras da varanda. – Senta aqui, Nessie. Vamos ver esses fracotes jogarem.
Ela riu e deu um tapinha nas costas de Jacob, que revirou os olhos e foi, juntamente a Seth, até os outros garotos para que eles pudessem jogar.
– Você e Seth estão... juntos? – Nessi perguntou, se sentando ao meu lado.
Eu a olhei confusa e balancei a cabeça, rindo. – Não. Quer dizer, eu o conheci ontem.
– Ah. – foi a vez dela de fazer uma expressão confusa. – É que eu pensei que... Nada. – ela riu baixo.
– Bem, ele é bonito e muito legal comigo, mas eu tenho alguém em L.A, sabe?
Ela arregalou os olhos e me olhou. – Você tem namorado?
– Bem, é mais ou menos isso. – ri e cruzei as pernas em cima da cadeira. – Eu não sei se ele vai... Se segurar, entende?
– Entendo. – ela riu e prendeu o cabelo em um coque. – Mas você gosta muito dele?
Suspirei fundo e neguei com a cabeça. – Eu gosto dele, mas não sou apaixonada, sabe? – ri baixo e balancei a cabeça. – Ele é mais aquele cara que foi legal comigo uma vez e ai resolvemos ficar juntos.
Ela concordou com a cabeça e pareceu pensativa por um tempo. – Esquece isso. Se for pra ser, vai ser. – ela sorriu.
– É, você ta certa. – sorri e passei a observar os meninos, que riam e jogavam a bola sem muito sentido.
Renesmee acompanhou meu olhar e riu. – Vendo eles assim, nem dá pra suspeitar que eles são o que são.
Olhei para ela e franzi o cenho. – São o que são?
– É, ué. – ela me olhou e balançou a cabeça, rindo. – Você sabe. Lobos e tudo mais.
Estava pronta para perguntar a ela sobre o que ela tava falando – porque não fazia o menor sentido – mas senti meu celular vibrar no bolso. Olhei na tela e vi brilhando o nome de Erik ali.
Pedi licença a Nessie e fui atendê-lo.
– Alô? – eu disse e pude ouvir uma música alta tocando ao fundo, acompanhada pelo som de risadas. – Erik?
– Oi, Amanda. – ele disse e pude perceber que ele tinha ingerido algum tipo de bebida. – Só liguei pra te avisar de uma coisa.
– Pode falar. – eu disse, sentindo meu coração apertar. Tinha a sensação de saber sobre o que ele queria falar.
Andei até uma árvore pequena e me sentei embaixo dela, sentindo a atenção de Jake sobre mim por um momento, mas logo depois ele voltou a jogar.
– Eu moro em L.A, gata. – ele riu ao telefone e eu suspirei.
– Disso eu já sei, Erik.
– Claro que sabe. Você sabe de tudo. – nesse momento, sua voz se tornou mais séria. – O que eu quero dizer é que tem muita mulher aqui, Amanda. Mulher bonita.
Fechei os olhos e respirei fundo. Sabia que isso aconteceria. Antes de sair de Los Angeles, eu tinha conversado com Erik. Ele disse que entendia o meu pai, mas que eu estava sendo egoísta demais ao achar que poderia exigir fidelidade ou algo do tipo vindo dele. Ele só disse isso. Não chegamos a terminar.
– Vá direto ao ponto, Erik.
Pude ouvi-lo suspirar e falar mais baixo. – Eu gosto de você, Amanda. Não quero te magoar ou fazer algo errado.
Concordei com a cabeça, mesmo sabendo que ele não estava vendo. – Tudo bem. – eu disse mais baixo, mordendo o lábio com força.
– Você entende que eu preciso fazer isso, não é? Eu não quero te trair, mas também não posso te jurar fidelidade. – ele disse sério. – Eu preciso terminar com você.
Suspirei pesadamente e deixei umas lágrimas caírem. Eu nunca pensei que seria tão difícil assim. Acho que o fato de estar colocando um fim ao meu primeiro relacionamento doía mais do que ter meu namorado dizendo que queria terminar comigo.
– Eu... Eu sei, Erik. – disse baixinho. – Eu entendo.
– Você ta... ta chorando? – ele perguntou e percebi um tom preocupado em sua voz. – Por favor, não chora. Eu não queria te magoar, eu só... Você foi muito importante na minha vida e eu vou sempre me lembrar de você como a garota que queria botar ordem na escola.
Eu ri fraco e funguei, passando as costas das mãos nos olhos, limpando as lágrimas. – Você também foi importante pra mim, Erik. Obrigada por tudo.
– Obrigada você, baixinha. – ele disse e mandou um beijo pelo telefone, me fazendo rir e derramar mais algumas lágrimas. – Eu vou desligar, tudo bem?
– Tudo. – disse baixo. – Até algum dia, Erik.
– Até. – ele disse e depois tudo o que eu ouvi foi aquele barulho irritante de quando alguém encerra uma ligação.
Segurei o celular em minhas mãos com força e encostei a cabeça na árvore, me permitindo chorar. Estava me sentindo aquele tipo de garota adolescente que chora assistindo Diário de Uma Paixão, mas também sabia que aquilo era necessário. Toda aquela coisa que John Green fala, sabe? “A dor precisa ser sentida.”
Percebi alguém se sentar ao meu lado e depois mais outra pessoa. Abri os olhos devagar para ver Jacob me olhando preocupado e Seth – esse garoto me assusta às vezes – também com um olhar preocupado no rosto. Mas mais que isso, ele parecia estar... triste.
– Quem eu devo matar dessa vez? – Jake perguntou baixinho e passou a mão pelos meus cabelos, beijando minha testa em seguida.
– Ninguém. – ri baixinho – Tá tudo bem, Jacob, são apenas coisas da vida.
– Mas você ta triste! – ele disse meio exasperado.
– Eu to bem, Jake. De verdade. – sorri e beijei sua bochecha.
– Sério mesmo? Você ta chorando. – Seth se pronunciou pela primeira vez, se sentando a minha frente.
Eu o olhei e sorri, voltando o olhar para Jacob. – Eu deixei Nessie sozinha. Vai lá falar com ela, Jake.
Ele me olhou mais uma vez e então olhou para a varanda e depois para Seth. – Você quer ficar sozinha, tudo bem. Qualquer coisa nos chame. – ele se levantou e Seth se levantou também, mas eu segurei em sua mão.
– Seth, será que... será que você podia ficar aqui comigo? – perguntei e pude sentir o sangue se alojando em minhas bochechas novamente.
Ele me olhou surpreso, mas sorriu. – Claro que posso. Jake?
Meu irmão nos olhos com as sobrancelhas arqueadas, mas sorriu. – Cuida dela, Seth. – ele disse e se afastou, indo na direção de Nessie.
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POV Seth
Quando eu a vi chorando, foi como levar uma facada no peito. Billy não estava brincando quando disse que machucaria muito ver nosso imprint triste ou magoado. Eu só queria abraçá-la, confortá-la e dizer que tudo ficaria bem pra depois acabar com a raça de quem a magoou.
Mas quando ela segurou em minha mão e me pediu para ficar junto dela, um calor gostoso invadiu meu peito e eu senti como se pudesse gritar para o mundo todo ouvir.
Me sentei ao seu lado e tudo o que eu queria era abraçá-la forte, trazê-la para perto de mim, mas não sabia se era isso o que ela queria, então resolvi não arriscar.
Até que ela me olhou com os olhos marejados e vermelhos e passou os braços ao redor da minha cintura. Era o encaixe perfeito, sabia que era ela, feita especialmente pra mim. Retribui o abraço e deixei que ela chorasse até que estivesse suficientemente calma para falar.
Assim que ela parou de chorar, se afastou levemente de mim e minha alegria murchou um pouco. A olhei, preocupado e segurei em sua mão.
– O que aconteceu?
– Meu... namorado. – ela disse, limpando algumas poucas lágrimas que ainda teimavam em cair. Ao ouvir suas palavras, eu tive vontade de ir correndo até Los Angeles para quebrar a cara do desgraçado. – Nós, bem, terminamos.
A raiva se misturou com o alívio e com a tristeza de pensar que ela estava livre para mim, mas também estava triste.
Passei meu braço por seus ombros e sorri quando ela encostou sua cabeça em meu ombro. – Você gostava muito dele?
Ela riu e balançou a cabeça. – Nem tanto. É só que era meu primeiro relacionamento e bem, eu não pensei e não queria que acabasse assim.
Me senti aliviado com suas palavras. Eu não precisaria matar o cara. Ela não estava magoada com ele e sim com a situação toda. Ao menos era mais fácil alegrá-la. Tenho certeza de que ela não precisaria de muito tempo para se recuperar emocionalmente.
– Seth? – ouvi ela me chamar baixinho.
– Oi. – disse, a olhando.
– Você não me acha uma menininha mimada, chorona e idiota por isso, né?
Não pude evitar soltar uma risada ao ouvir essas palavras. – Claro que não, Mand. – sorri e beijei o topo de sua cabeça.
Ela sorriu e segurou minha mão novamente, brincando com meus dedos. – Eu me sinto bem perto de você. – ela disse baixinho. – Me acalma.
Não contive um largo sorriso ao ouvi-la dizer tais palavras. Essa coisa toda de lobo era engraçada. Eu a havia conhecido a menos de 24 horas e ela já tinha se tornado a parte mais importante de mim. E saber que eu a fazia se sentir bem era... inexplicável. Esse era meu único propósito na da vida, fazer com ela estivesse sempre bem e protegida.
– Também me sinto assim perto de você. – eu sussurrei perto de sua cabeça e senti quando ela se arrepiou. Sorri com isso.
– Acho que... seremos bons amigos. – ela sorriu e beijou minha bochecha.
Não pude evitar me sentir meio entristecido com essas palavras. Bons amigos. Obviamente, meu sentimento por ela era muito maior que isso, mas eu não podia culpá-la. Ela não tinha nenhum conhecimento sobre o assunto. Talvez se ela conhecesse toda a história, ela mudasse de ideia. Mas para isso eu precisaria da autorização de Jacob e Billy para contar tudo a ela.
De qualquer forma, não importa. O que importa no momento é que ela esteja bem. E para ela estar bem, eu sou capaz de ser qualquer coisa. Qualquer coisa que ela precisar. Irmão, babá, namorado ou... um bom amigo.
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