Begin Again
12 The Fault In Only The Stars.
Notas iniciais
Eu já disse que detesto quando o Nyah! corta as notas? então, estou dizendo agora.
Obrigada aos TREZE comentários, eu amo vocês pessoas ♥
– any marano
– Letícia Merlo
– Keet
– Liza
– Maria Isabel
– Princess Bubblegum (o que? De novo? u.u)
– Ms Hemmings (Vô Zeus? :o De que semideus você é filha? Talvez seja um de meus irmãos)
– CqC
– isah lynch marano
– Uma Direção
– Bih Silva
– vicvieira
– Duda
Aproveitem o capítulo ♥
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Austin’s POV
– Mais alto tio Austin! Mais alto! – Gritava a pequena Mel, jogando seus braços para o alto toda vez que eu dava um pouco mais de impulso em seu balanço.
– Você ouviu a garota, Aus. – Insistiu Ally. – Mais alto. – Ela estava sentada em um dos bancos do parque que fica perto da nossa faculdade, fotografando de vez em quando se achasse o ângulo perfeito para os cabelos ondulados e os olhos castanhos de Melody, que não via problema algum em ter sua imagem registrada.
As duas trocaram um olhar travesso – eram tão parecidas que se entendiam com apenas uma troca de olhares como aquela – e eu não tive outra escolha a não ser atender ao pedido da garotinha.
Umas semanas depois que Mel conheceu Ally, elas decidiram que não sairiam mais de perto uma da outra, o que agradou imensamente a Sra. Jackson que achara Ally adorável e imediatamente permitira que mantivessem contato. O Sr. Jackson também gostou da ideia.
Na verdade, o casal confiava tanto em nós dois que optaram por tirar umas férias – como uma segunda lua-de-mel – e deixar a filha sob os nossos cuidados durante o mês inteiro que estariam fora.
Ally e eu aceitamos e neste período, Mel fizera amizade com todas as camareiras e até mesmo o porteiro Seu Zé que a chamara de “docinho”.
– Mais alto! – Repetiu, insatisfeita com a altura que o brinquedo balançava. Mas dessa vez Ally fez um sinal de negativo.
– Já está alto o suficiente, pequena.
Ela formou um bico com os lábios e meu coração se encheu de uma sensação calorosa.
– Só mais um pouco, Alls. – Insisti junto com a garotinha, repetindo seu bico. Ally continuava com seu olhar repreendedor, um pouco suavizado agora.
– Tudo bem. – Cedeu. – Mas só...
Antes que ela pudesse terminar a frase, o balanço escapou de minhas mãos e Mel se desequilibrou. Seus olhos estavam consumidos pelo medo de cair, então acabou usando as costas para amortecer a queda.
Ally largou a câmera no banco do parque e avançou a tempo de segurar a cabeça da morena antes que batesse no asfalto frio. A outra metade de seu corpo tinha aterrissado na grama. Corri até as duas.
– Mel, meu anjo, você está bem? – Ela parecia estar tomada pelo pânico, a pesar de tentar fazer com que sua voz soasse calma e tranquila.
– Eu estou bem, tia Ally. – Melody sorriu erguendo os dois polegares em sinal positivo. Os ombros da morena maior deslizaram como se um enorme peso tivesse sido retirado deles. Seus olhos, entretanto, ainda estavam lacrimejados.
– Que tal brincar na gangorra com a Bianca? – Sugeriu. Bianca era a melhor amiga de Melody. Ela tinha acabado de chegar.
Mel se levantou de imediato, nos abraçou e correu até o brinquedo.
– Você está bem? – Perguntei, finalmente depois de Ally permanecer calada.
Ela se virou, com seu melhor olhar mortal e me deu um soco no ombro, andando de volta até o banco onde estava antes.
– Ai! – Exclamei, sentando-me ao seu lado. – Qual foi a do soco?
– Você. – Disse Ally. – Eu quase morri de susto! Sabe o quanto que ia me doer perder uma pessoa importante outra...
Sua voz falhou. Mas eu sabia do que ela estava falando. A morena perdera a avó para um câncer, uma tia em um acidente de carro e ainda tinha a história do desaparecimento de sua mãe desde seus quinze anos que parecia ter deixado um enorme rastro de dor em seu coração. Realmente, não precisava perder mais ninguém, ainda mais Mel. A possibilidade também me assustara infinitamente.
– Estou querendo dizer que... – Ela pigarreou para espantar o tom melancólico. – Só tome mais cuidado da próxima vez, o.k.?
– O.k. – Assenti, sem conseguir deixar escapar uma risada.
Ally franziu a testa.
– Do que está rindo? – Perguntou, descruzando os braços.
– Desse o.k. – Disse eu. – Me lembra aquela cena na sua casa quando você...
– Cale a boca, Moon. – Disse ela, rindo junto. – Eu já te expliquei, o.k... Tudo bem?– Corrigiu, antes que eu tivesse a chance de debochar. – Quando se trata de A Culpa é Das Estrelas, o meu lado emocional fala mais alto.
Eu fiz que sim, reprimindo o riso.
Entenda: semana passada – antes de começarmos a cuidar de Mel – eu decidi fazer uma visita á casa de Ally. Tudo por causa de algumas provas que teríamos nesse período. Eu sabia o quanto ela ficava nervosa em cantar em público ou ser pressionada e pareceu uma ótima ideia na ocasião.
O problema começou assim que eu toquei a campainha dela. Comecei a escutar um barulho de choro e minha mente se apegou as lembranças da última vez que a ouvira chorar daquele jeito – quando Dallas dera o primeiro sinal de vida pós os meses que ela o deixara em Nova York para seguir seu sonho em Miami. Só que dessa vez, o choro parecia ainda pior, mais intenso.
O que eu fiz? A primeira coisa que um cara desesperado faria – derrubar a porta dela e correr para dentro sem nem se importar se chamara a atenção de todos os vizinhos do prédio e quem sabe, da cidade dependendo da sorte dele.
– Ally? Alls? – Comecei a chamar a garota, procurando na sala e na cozinha. Aquela situação se tornava cada vez mais familiar e um enorme receio invadia o meu peito já imaginando as coisas terríveis que o ex de Ally dissera para fazer com que ela chorasse desse jeito.
Finalmente, na frente de uma porta branca de madeira com um pôster de alguma cantora americana – não me importei em checar na hora – o som se tornou completamente audível. A porta estava encostada, o que me deixou feliz de não ter que derrubar mais nenhuma passagem.
– Ally? – Tornei a chamar, até que a vi.
Ela estava agarrada em seus lençóis, com o cabelo caindo em cascata sobre os travesseiros brancos. A cama de casal ficara ainda maior devido ao seu corpo encolhido na esquerda, ao lado da janela e do ar-condicionado ligado no nível ‘Frio de lascar’. A tevê estava desligada e ela chorava tão alto que meu coração se apertou.
– Ei, morena. Está tudo bem? – Perguntei, sentando ao seu lado na espaçosa cama.
Ally grunhiu alguma coisa em resposta, mas eu não consegui entender.
– Por favor, me diga o que há de errado. Eu só quero te ajudar. – Acariciei sua cabeça e por um momento, ela pareceu melhor.
O suficiente para que pudesse apontar para a televisão.
– Quer que eu ligue? – Ally negou, apontando em sinal para que eu levantasse e fosse ver de perto como se fosse uma daquelas crianças se escondendo dos monstros em seus armários.
Mesmo assim, eu o fiz.
O aparelho de DVD estava ligado e eu a olhei, rindo comigo mesmo que talvez ela fosse a única pessoa que ainda assistia a DVDs, em vez de usar o celular ou notebook ou até mesmo ver direto de uma TV por assinatura. Afastei o pensamento e peguei o disco que estava fora do aparelho com as letras impressas:
Inspirado no romance de John Green: A Culpa é Das Estrelas
Eu conhecia o romance. Tanto o livro quanto o filme eram bastante famosos. Narrava a história de uma garota chamada Hazel Grace Lancaster que tinha câncer de tireoide, que conhecia outro garoto chamado Augustus Waters em um grupo de apoio para crianças com câncer. Tudo bem, eu posso ter descrevido errado. Mas na verdade, ele parecia ser muito bom e emocionante e tudo mais que houvesse para descrevê-lo, a pesar de eu nunca ter sequer lido.
Franzi a testa. O que isso tinha haver com Dallas?
– Como assim? – Perguntei, olhando para a morena de nariz e olhos vermelhos, que estava sentada na cama. Seus cabelos estavam bagunçados e sua blusa branca quase mostrava um pouco da alça do sutiã vermelho.
Ela tentou formar uma frase coerente, mas saiu mais como:
– Gus... Hazel... Sentimentos... Dor sentida.
E tornou a chorar.
Foi então que a ficha caiu. Ally estava daquele jeito por causa de um filme de romance estúpido?
– Está desse jeito por causa desse filme estúpido e besta? – Ela se virou bruscamente com um olhar de repita-isso-e-sofrerá-as-consequências.
– Não é estúpido! – Retrucou – É tão lindo como os dois se conhecem e vivem uma história de amor é-é-pica... – Sua voz falhou por um instante, a marca das lágrimas em sua bochecha estava ficando avermelhada. Parecia quase... corada.
– Tudo bem. – Cedi. – Eu pensei que você... – Me calei antes de terminar a frase, mencionar Dallas talvez só a deixasse mais triste. – ...fosse o tipo de garota que não chora em filmes de romance.
– É diferente. – Disse ela – Isso não é apenas um filme de romance, é uma linda obra literária arquitetada para fazer todas as formas de vidas humanas questionarem sua existência e o motivo de estarem guerrilhando quando se tem tanto amor para dar e tantas pessoas o desejando, e comecem a abaixar suas armas e abraçar umas as outras como se não houvesse amanhã e aquele fosse o último restício de amor verdadeiro que presenciariam antes da terra que conhecemos ser engolida pelo sol e tudo não passar de esquecimento e um vácuo enorme e vazio diante do passado.
– Nossa. – Disse eu, pensando se ela tirara todas aquelas conclusões só de um simples livro e que talvez eu também devesse ler esse simples livro. – Isso foi... profundo.
Ally riu.
– Eu sei. – Ela pareceu perceber que eu tinha vindo ali por vontade própria e bateu do outro lado da cama, depois de se sentar novamente. – Quer assistir comigo?
Sorri, concordando. O que eu tinha a perder? Além do mais, seria bem mais fácil contar que o apartamento dela não tinha mais nada que o separasse do corredor se assistisse ao seu filme favorito, certo?
– Mas você assistiu ao filme comigo. – Disse Ally, rindo enquanto observava Mel apostar corrida com alguns garotos. – Essa é a minha garota! – Ela ergueu os punhos para o alto quando percebeu que a garotinha vencera.
Ally Dawson 1x0 Teoria Machista
– Sim, assisti. – Confessei. – Era um bom filme.
– Você o chamou de estúpido. – Retrucou, com um sorriso desafiador nos lábios, sem me olhar. – e besta.
– Tudo bem, eu posso ter me equivocado um pouco... – Ally me olhou dessa vez, erguendo as sobrancelhas como quem diz ‘um pouco?’ – Talvez muito. É um bom filme e eu vou ler o seu livro não estúpido-e-besta o.k.?
– O.k. – Respondeu, parecendo satisfeita. – Espero que isso não tenha sido uma metáfora. – Sussurrou, esperando que eu não ouvisse.
E era melhor que ela pensasse que não ouvi mesmo, porque não era uma metáfora eu achar o sorriso dela o mais iluminado do universo e nem achar encantador ouvi-la falar horas e horas do quanto gostava de livros e motos e releituras de filmes antigos. Nem um pouquinho.
Mas a culpa de eu estar sentindo tantas coisas pela garota de olhos e cabelos castanhos e não saber distinguir nenhuma delas era claramente como Shakespeare e John Green afirmaram antes de mim: Das Estrelas.
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