Begin Again
8 A Girl For Austin
Notas iniciais
Ally's POV
– Amanda ou Emily? — Perguntei, passando as fotos de duas garotas na tela do celular. Austin deu mais uma mordida em sua panqueca e observou as garotas com atenção.
– Magra demais e baixa demais. — Revirei os olhos, passando a próxima foto.
– Ei! — Gritei. — Baixa demais?! — Tive a certeza que a minha cara estava emburrada naquele momento quando o loiro apertou minha bochecha e riu.
– Você é uma baixinha fofa, Alls. Ela não. — Antes que eu pudesse retrucar dizendo o quanto não sou fofa, Dorothy apareceu servindo mais café.
Nós estávamos no Café, tentando encontrar uma garota que estivesse nos padrões de qualidade Moon desde que Austin cismou que eu sou a cupida premiada dele, a senhora do destino e um monte de outras coisas na sua teoria de romance conspirativo.
Foi até legal, mas não precisava ter me tirado da cama em um sábado às sete da manhã — Quem sabe as nove? — Então o meu humor não estava o melhor. Acho que todos vocês conhecem o mau humor nova iorquino, certo? É exatamente isso.
– Camila? Karen? Riley? — Tornei a perguntar.
– Hum... Não. Essas parecem ser muito comuns.
– Austin, o que você quer? Uma garota que vive em Marte? — Zombei.
– Pode ser... Você é amiga de alguém assim? — Revirei os olhos, bufando.
– Essas são as garotas da Universidade, nenhuma delas seria amiga de uma garota estranha como eu. — Suspirei, abaixando minha cabeça e voltando a procurar as fotos. Uma mão segurou delicadamente em meu queixo e o levantou, acariciando o local. Sorri para o loiro, ele estava bem perto. — Mas todas dariam o sangue para sair com caras como você.
– Mas eu não vou sair com nenhuma garota fútil que tenha dado as costas para a minha melhor amiga. — Reprimi o impulso de abraça-lo. Com certeza, seria mais estranho do que essa vontade repentina.
– Então... isso descarta todas as nossas colegas. — Bufei. — O que fazemos agora?
– Você não tem nenhuma amiga que não seja comprometida? — Perguntou.
– Não, eu... — Um clarão invadiu a minha mente e algumas lembranças vieram.
"Cassidy havia amado cada detalhe de Paris. Da Torre Eiffel ao Arco do Triunfo. Sem falar nos garotos, ela conheceu vários. Mas nenhum francês a agradou, talvez porque — por incrível que pareça — Cass nunca gostou muito de romantismo."
– Cassidy. – Sussurrei.
– Alls? — Ouvi a voz de Austin me chamando e comecei a analisar o porte do loiro.
Ele era alto, atlético e bastante simpático, não era do tipo que se envergonhava facilmente e tinha atitude o suficiente para expressar sua opinião sobre algo.
Eu tinha acabado de formar o casal perfeito! Como não percebi isso antes?
– ALLYCIA! — Um loiro confuso gritava atrás de mim, enquanto eu entrava em um táxi e passava o endereço do hotel de Cassidy para o motorista.
Acenei para o garoto, prometendo que explicaria tudo depois e o táxi finalmente deixou o café, cantando pneu pelas ruas de Miami.
Não demorou muito até chegar ao West Village Hotel. Mas com certeza demorou para encontrar o quarto da modelo internacional Cassidy Nina Turner, já que ela se registrara com outro nome devido ao assédio dos fãs — o que costumava acontecer frequentemente, de acordo com as camareiras e a recepcionista Madison, que por sinal era bastante simpática. — Sophie Biergarder. Eu já estava pensando em desisitir quando uma das camareiras me reconheceu de algumas fotos no quarto de Cassidy e eles não tiveram outra escolha, se não permitir minha entrada.
– Quarto 453, deve ser aqui. — Sussurrei enquanto batia na porta. — Vai ficar me devendo uma, Austin Mônica Moon.
– Ally?! Que surpresa maravilhosa! Vem! Vem! Entra! — Uma loira histérica toda rosa me puxou para dentro do cômodo, o sorriso mal cabia em seu rosto.
Aquilo me fez pensar que talvez eu e Trish não temos visitado nossa amiga o suficiente. Depois que tudo isso acabar e eu tiver juntado Austin e Cassidy, podíamos combinar de fazer mais coisas juntas.
– Então, Cassie, eu vim aqui porque queria te dizer uma coisa muito importante. — Comecei, cruzando as mãos por cima de meu colo. A garota sentada ao meu lado no sofá pareceu me analisar por um momento.
– Não me diga que... — Começou e pelo tom dela, já sabia o que vinha pela frente. — Está grávida? — Arregalei os olhos, negando imediatamente. — Está noiva? — Neguei. — Vai voltar pra Nova York? Se apaixonou pelo porteiro do seu prédio? Vai largar a faculdade? Se alistar pro exército? Cantar em beira de estrada? Trabalhar no Starbucks?
– Não. O que? Largar a música, enlouqueceu? Não sei segurar nem arma de esguichar água. Acho que não dá pra viver disso. É uma boa, mas não. — A cara da loira se transformou em um ponto de interrogação gigante enquanto eu respondia as inúmeras perguntas. — O.k... — Disse. — Então, o que quer me dizer?
– Quero que você conheça uma pessoa. Topa? — Ela assentiu, pedindo para que eu explicasse melhor.
~//~
– VOCÊ FEZ O QUE?! — Afastei o celular da orelha. Trish realmente consegue deixar uma pessoa surda com seus gritos. Fiquei me perguntando se o Dez sabia como proteger sua audição nas discussões dos dois. Suspirei, sabendo que ia receber um sermão.
– Eu não fiz nada demais, Trish. — Me defendi. — Só acho que a Cassidy é linda e o Austin é um cara legal, seria ótimo se eles saíssem. — Ouvi a latina proferir alguns xingamentos em espanhol e me senti grata por ter escolhido italiano como minha segunda língua.
– Ally! Essa é uma péssima ideia! — Retrucou. — Onde você está?
– Tô na frente do Mini's. Foi aqui que eles marcaram, quer dizer que eu marquei deles se encontrarem.
– E eles já chegaram? — Perguntou alguém ao lado dela, que eu julguei ser Dez.
– Não, só o Aus. Espera aí, recebi uma mensagem. — Pausei a chamada e abri.
"Ally,
Eu adorei sua ideia de arranjar seu amigo loiro pra mim, de verdade. Mas acabei de receber uma ligação e tenho que ir voando pra NY ainda hoje, então vai ter que ficar pra próxima, tá?
P.S.: Se despede da Tris e do Dezmon por mim? Vou sentir saudades!
xoxo, Cass."
– Não, não, não! — Exclamei, desviando o olhar para um loiro sentado em uma das mesas que brincava com o cardápio, parecia claramente entediado.
– Ally? O que houve? — A voz de Trish ecoou por minha mente, só então percebi que tinha retornado a chamada. — Allycia, eu...
– A Cassidy não vem. — Interrompi. — Recebeu uma ligação de última hora e agora deve estar em um avião embarcando para Nova York. — Mais alguns palavrões e xingamentos foram ouvidos. — É, é, eu sei. Me xinga em espanhol depois! O que eu faço?!
– Tudo bem! — Bufou. — Eu vou te ajudar! — Pelo tom dela, ia ser mais um dos planos estilo Trish De La Rosa — como os que ela faz pra ser demitida — e era isso que me dava medo.
Austin's POV
– O que deseja, senhor? — Perguntou a garçonete pela quarta vez seguida. Dei a mesma resposta de antes, afirmando que estava esperando uma pessoa e a mulher revirou os olhos reclamando que um garoto como eu não deveria estar sozinho. Ignorei.
Mesmo assim, olhei a hora sem desbloquear a tela de meu celular, seja lá quem estivesse vindo estava dezoito minutos atrasada.
A verdade é que a Ally marcou esse encontro pra mim sem me dizer com quem eu iria sair, não sei nem mesmo o nome dela.
Meus devaneios foram interrompidos por uma agitação no restaurante. Olhei ao redor e percebi que todos pareciam enfeitiçados por algo ou nesse caso, alguém que conversava com o gerente do lugar. Era uma garota, não muito alta a julgar pelo tamanho de seu salto — uma sandália plataforma prateada com tiras douradas — alto. Trajava um vestido da mesma cor do sapato que estava escondido por um belo casaco vermelho, não consegui ver a cor de seus cabelos graças ao capuz do agasalho.
Foi quando ela se virou e começou a andar na minha direção que consegui ver seu sorriso radiante e seus olhos grandes e expressivos disfarçados por uma sombra azul.
– A-A-Ally?
Continua...
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