Beg For It
7 Break The Rules
Notas iniciais
Estava na sala de leitura conversando com Carlos... quer dizer, estava tendo uma conversa e não era com minha mãe ou o meu antigo psicólogo e isso é muito bom. Começamos a falar da escola, de como achávamos as pessoas idiotas, ele me entendia e eu estava adorando isso. É inacreditável que ele esteja falando comigo. Resolvo perguntar a ele:
– Por que um Nova-Iorquino de nascença veio parar aqui em Minessota?
Ele me olha com um olhar confuso, será que eu não devia ter perguntado, Droga, alguém resolve falar comigo e eu faço essa besteira mas ele responde meio sem graça:
– É complicado.
– Não precisa falar se não quiser.
– Não é isso, quer dizer, eu morava em Nova Iorque com minha mãe e meu pai, mas as coisas não iam bem no casamento sabe... até que minha mãe morreu por causa de uma doença terminal.
– Carlos, me desculpe, não fale mais nada.
– Não, eu quero falar, a enfermeira que cuidou da minha mãe morava aqui em Minessota, e meu pai... bem, acho que você já sabe, se apaixonou e Blá blá blá.
– E aqui está você.
– Pois é, amava Nova Iorque, mas não podia fazer nada. Mas e você? Qual a sua história?
– Eu não tenho.
– Não me venha com essa cara!
Ele riu, bem, ele me contou algo que acho ser bem pessoal, acho que não faria mal eu falar:
– Bem, eu nasci aqui, meu pai era militar e morreu antes de me ver... minha mãe era de Nova Iorque, também.
– Ah! Então temos um Meio Nova Iorquino.
– Pode ser...
O Sinal do fim do intervalo acabou, que raiva, começo a me levantar, quando Carlos fala:
– Que tal a gente sair?
Eu fico vermelho, como assim sair? Eu só respondo.
– Que?
– Sair da escola, vamos, perder algumas aulas não vai nos matar.
– Eu não sei
Ele só sorri, pega na minha mão e me puxa, começamos a correr, chegamos no corredor lotado de alunos ou como prefiro, um labirinto cheio de obstáculos, passamos por eles... o que eu estava fazendo? Era meu segundo dia na escola e eu iria matar aula pela primeira vez. Estava animado, mas também com medo... mas segui ele mesmo assim, chegamos ao portão principal, ninguém notou nossa presença, então saímos, lá fora estava tudo vazio, nem parecia o mundo caótico daquele corredor, Carlos me puxa de novo, ele me leva atrás da escola. Era tipo um minijardim cheio de rosas, geralmente aqueles casais toscos vem se pegar aqui, mas é realmente lindo sem isso. Eu pergunto:
– Por que estamos aqui?
– Bem, aqui é maravilho, mas está sempre tão cheio, temos só agora para aproveitar...
Ele se joga nas flores, eu realmente não entendia esse garoto. Nos falamos só a meia hora e ele me faz vir para cá. O que eu estava pensando. Ele me chama:
– Vem, Logan!
– Estou indo.
Me sento no chão ao lado dele. Conversamos por um bom tempo, éramos tão idiotas, estávamos fazendo piadas tocas, falando de filmes e Tv e mais um monte de baboseira, para simplificar, jogando conversa fora. Mas eu estava tão feliz. Quer dizer, eu estava me divertindo com alguém. Só que Carlos me pergunta:
– Por que você é tão sozinho?
Fico imóvel, quer dizer, quem pergunta isso? Tudo bem que ele podia estar me dando o troco pela minha pergunta, lá na escola, mas não queria responder, mesmo assim eu falo:
– Eu não sei, as pessoas não gostam de mim.
– Mas, por quê?
– Eu não sei, sou simplesmente invisível.
– Para, ninguém é assim.
– Eu sou!
Falo bravo, ele percebe o que fez.
– Desculpa, eu não queria.
– Deixa, você não entende mesmo, tão popular, até aqui no fim do mundo... consegue a atenção de todos.
– É, mas eu não gosto.
– Acredite, você deveria amar isso, é horrível não ser lembrado por ninguém.
De repente, uma lágrima escorre do meu olho, tinha lembrado de todos esses momentos horríveis, em que estava sozinho sem ninguém para me ajudar, me apoiar, ou simplesmente para ficar comigo. Carlos se aproxima e com suas mãos enxuga minha lágrima e fala:
– Bem Logan, eu estou aqui, não vou te deixar sozinho.
– Mas, por que eu? Por que você fala comigo como se fossemos grandes amigos?
– Bem, para falar a verdade, você me lembra alguém.
– Como assim?
– Dá primeira vez que te vi se enrolando para se apresentar na aula, me fez lembrar de uma pessoa querida.
– Quem?
– Minha mãe, sabe, ele era tão tímida, não falava muito e meu pai nunca me contou o porquê se apaixonou por ela...
Deixa eu recapitular aqui, eu lembro... a mãe dele.... Por isso ele fala comigo, eu realmente não sei o que deveria falar, mas ele continua:
– E quando você trombou comigo, vi que estava com problemas e não poderia deixar você sozinho e eu realmente queria conhecer você, por isso estou fazendo o trabalho com você.
Eu sorrio, e respondo a única coisa que me vem à cabeça:
– Eu nunca pensei que poderia lembrar alguém.
– É, você provavelmente deve me achar um doido ou retardado.
– Não, na verdade eu gosto disso. Mas sabe...
– O que foi?
– Se você começar a andar comigo, provavelmente vão ter zoar, e na pior hipótese você pode acabar que nem eu.
– Bem, eu não ligo, estou nessa escola a uns seis dias, conheci um monte de pessoas, e você é o único que realmente me parece legal nesse lugar.
– Bem, azar o seu.
– Não, eu diria sorte.
Um breve silencie prevalece ao redor, o que me dá tempo o suficiente para realmente colocar tudo em ordem o que acabou de acontecer. Ele realmente quer ser meu amigo, eu acho.
Bem, depois desse clima “Meio tenso” continuamos conversando sobre outras coisas. Ele era tão diferente de mim, quer dizer, espontâneo de mais, fazia graça de tudo, ria sozinho, mas acabava fazendo eu rir também, aquele provavelmente era o melhor momento da minha vida. Tudo bem, isso até pode ser idiota, mas era importante para mim, alguém estava querendo a minha companhia.
Já estávamos matando umas quatro ou cinco aulas seguidas, não queria que esse momento acabasse, mas não queria que o sinal da saída tocasse e as pessoas me vissem matando aula, não que isso importe muito né.
– Carlos, é melhor a gente voltar.
– Ah, mas está tão legal aqui.
– Eu sei...
– Tudo bem, vamos.
Ele se levanta e me ajuda, seguimos até a porta e esperamos o sinal da última aula que finalmente toca. Entramos quase que sincronizados, professores e alunos estão andando, vamos até a nossa sala e entramos.
A classe estava uma bagunça, as pessoas nem notaram que nós entramos, Carlos vai para seu lugar e eu vou para o meu.
O professor entra e começa a falar, mas nem presto atenção, estava lembrando de tudo o que aconteceu hoje, é, meu primeiro dia pode ter sido horrível, mas depois das minhas pequenas e não previstas “férias”, meu segundo dia estava perfeito, finalmente conheci alguém que gostava de mim. A aula acaba e como sempre, os alunos loucos da minha sala saem correndo, eu é claro sai depois, assim que saio da classe, vejo Carlos, me esperando. Nossa era estranho e novo isso tudo para mim.
– Vamos amigo?
– Ér... vamos.
Ele estava me acompanhado, saímos da escola conversando, estava tão legal, ele parecia que iria me acompanhar até em casa, então resolvo perguntar:
– Você está indo comigo até a minha casa?
– Ah é, me desculpa. Posso te acompanhar?
Eu dou uma risadinha e falo:
– Claro, mas por quê?
– Não faço nada nesse final de tarde, então vou andar com você.
– Está bem.
– Ah, quase esquecendo, se acostume com isso, vou andar muito com você.
– É o eu que espero.
Conversamos por mais algum tempo, até chegar na minha casa, eu pergunto se ele quer entrar, mas ele recusa:
– Tenho que ir, sabe, ainda tenho caixas para desempacotar da mudança.
– Está bem, eu te vejo amanhã?
– Claro! Não tem porque não.
Ele ri sozinho, eu me viro para entrar, mas ele me pega e me dá um abraço, é, ele realmente gosta de abraços, ele vai embora.
Eu estava tão feliz, não estava acreditando no que fiz hoje, quebrei as regras, matei aulas e passei a tarde toda com uma pessoa que realmente se importava comigo. Subo para meu quarto, ainda não estava na hora de dormir, mas eu gosto de deitar para pensar melhor, minha mãe ainda não tinha chegado.
Depois te um tempo relembrando o dia, droga, percebo o que não queria, o que eu achava improvável, mas que Droga, eu estou gostando do Carlos, mas que droga, porque Ele?
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