Before everything

8 Preparado para o pior


pov de Michael

Chamo-me Michael, vivo em uma casa de campo. Aliás, muitas pessoas se mudaram para a zona rural, pelo menos as que puderam. Tenho uma filha de 13 anos, seu nome é Brenda. Todo dia eu saio para floresta pegar suprimentos (apesar de ser pequena, mas a parte que se recuperou é bastante rica em frutas), às vezes vou para as cidades conseguir suprimentos extras, evito o máximo ir para esses lugares porque a chance de me infectar é maior, sempre tem um que escapa. Eu tenho permissão para a entrada e saída de qualquer campo, abrigo ou cidade. Já trabalhei por um tempo no CRUEL como segurança-chefe, acompanhando o chanceler para qualquer lugar. Era para protegê-lo mais dos Cranks do que outra coisa. Quando houve o primeiro vazamento fui embora. Vazamentos acontecem quando o vírus escapa do centro de estudos ou uma horda de Cranks invade a Sede, ou até quando um membro chega ao estágio final e arriscando todo o campo, mas raramente acontece porque seu comportamento é diferente aos dos outros, então enviam seu corpo para a incineração. Fui embora porque uma horda invadiu o quartel, e depois pedi dispensa, eu não posso arriscar tendo uma filha.

– Pai, você vai demorar muito?

– Daqui a pouco eu volto. E se os roupa-branca aparecerem?

– Eu fujo para a floresta. — Em seguida fiz um gesto positivo.

Os supostos roupa-branca são os "caçadores de imunes", eles procuram imunes por todo lugar para entregá-los ao CRUEL. Nomeei-os assim para Brenda gravar mais rápido, mas isso quando ela era menor, agora ela tem quase 14 só que acabamos nos apegando com o apelido. Nunca lhes entreguei minha filha porque não concordo muito com os métodos de experimentos, sei pouca coisa sobre o assunto, mas meu trabalho ajudou.

Reconheço cada árvore desse lugar, cada pedaço de rocha que existe aqui. Fico caminhando todo dia com o um pequeno recipiente de plástico para guardar a comida. Andei até o outro lado da floresta, um pouco mais adiante de onde estão as raízes são secas e raramente crescem pés para a colheita, e logo depois é um lago (ou pelo menos era um lago) cheio de areia contornado por árvores e arbustos secos.

Tentei subir no pé de macieira, fixei as mãos nos galhos acima de mim apoiando o pé em outro galho na lateral do tronco, meu impulso fez com que o mini tronco onde meu pé estava se apoiando quebrar-se, cai de costas no chão observando o céu claro. Ele estava com um número razoável de nuvens, mas aquilo que eu estava vendo não era uma nuvem, trilhei o caminho da estranha nuvem até chegar a um ponto depois da floresta, fui mais adiante para saber a origem dela. Um arbusto tapava minha visão e uma massa cinza emanava de lá, saquei minha pistola da cintura. Eu a carrego caso apareça alguma pessoa biruta da cabeça, atravessei o arbusto mirando em alguém ou algo que apareça na minha frente.

Um Berg se localizava no meio do lago de areia e outro no topo da montanha, fumaça cinza flutuava saindo dos propulsores. Este Berg pode ser qualquer coisa, pode ser dos próprios roupa-branca que sofreu uma colisão ou pode ter acabado o combustível, me sinto até aliviado, eles são quase inimigos da sociedade porque eles roubam seus filhos.

No início eles pedem autorização, mas se você não aceitar eles te imobilizam e te dopam, quando você acorda já perdeu tudo. A nave caída pode ser outra coisa, pode ter acontecido um vazamento em uma das sedes e uma pessoa biruta decolou com o Berg e abateram-no causando sua queda também.

Movi-me em direção à nave. Na ponta dos pés, observei o painel quebrado. A nave estava vazia. Fui para a traseira vasculhando o lugar, a rampa estava aberta e duas pessoas se jogaram da nave a fora batendo com força na areia. Me escondi nos lados.

Espera, eu estou com uma arma e elas estão quase desmaiando e acabaram de sofrer uma colisão, eu estou no poder agora.

Sai do esconderijo e mirei a ponta da pistola nelas, a mulher fixou o olhar em mim assustada e cansada, a garota olhou para mim por um segundo e desmaiou em seguida.

Carreguei a menina no ombro e levei para casa. Encostei seu corpo no sofá, dei uns tapas fracos em seu rosto, ela acordou e soltou um gemido.

– Onde estou? — Falou atordoada.

– Está tudo bem. Só preciso saber o seu nome.

– Teresa.

Ela precisava de um banho. Corri no quarto de Brenda e peguei uma camisola, ela parecia ter o mesmo tamanho de minha filha, levei até ela e entreguei-lhe. Arrumei a cama, pelo jeito ela tinha que pelo menos tirar um cochilo. Logo em seguida a mulher, ou Karen — perguntei seu nome no caminho de casa — entrou no banho e depois dormiu.

– Pai, quem são elas? — Brenda perguntou sentada no sofá.

– Elas sofreram um acidente.

– Que tipo de acidente?

– O Berg delas caiu. Eu já te falei oque é um Berg, lembra?

– Sim, sim.

– Eu quero que você seja amigável com elas até eu descobrir o que houve. Eu não quero pessoas estranhas aqui em casa.

Fissuramos na porta quando Karen saiu do quarto. Ela vestia uma camisa e uma calça minha, ficou meio largo nela porque eu sou um pouco maior que ela. Ela olhou para Brenda e depois para mim.

– Filha, por que você não vai ver como a garota está?

A pistola estava debaixo da almofada, se qualquer coisa acontecer eu atiro.

Sugeri que se sentasse no sofá para cuidar de suas queimaduras de 1° grau. Não fiz isso com a menina porque ela precisava criticamente de descanso.

– Pode me contar o que aconteceu? — Perguntei observando seu rosto fino, os cabelos pretos com um corte moderno da forma de um V, seus olhos negros.

– Houve um vazamento. — Ela respondeu rápido. Parece que minha ideia está caminhando rumo à certeza, mas ela não é um Crank, ou não parece um. — O alarme de evacuação soou, no entanto todas as crianças foram transportadas ao Campo Abrigo Central...

– Como procedimento padrão. — Eu a interrompi e me desculpei. Quando você fica bastante tempo em uma profissão seu cérebro demora a se desacostumar.

– Como o senhor sabe? – Ela disse. A encarei elevando a sobrancelha.

– Tá, perguntas depois.

Ela continua

– Quando estava a caminho do transportal um Crank atacou uma criança, Teresa, após eu ter o detido outros apareceram. O único lugar que nos sobrou foi o subterrâneo do quartel, como a base foi tomada parcialmente tivemos que fugir pelo Berg. Enquanto estávamos no ar um Crank nos pegou de surpresa, e para detê-lo a nave foi programada em piloto automático.

– Como os agentes lhes encontraram?

– De algum modo eles nos acharam. Os agentes fizeram uma transmissão dizendo que iriam nos abater se não respondesse ou pousasse, mas o Crank me ocupou causando minha queda e de algum jeito o deles também.

Durante o tratamento de Teresa fiz as mesmas perguntas, ela respondeu igual à mulher e algumas coisas disse que não se lembrava.

Passeava para um lado para o outro no corredor, ponta à ponta planejando o dia seguinte já que temos visitantes, preciso coletar pelo menos o dobro de alimentos. Raspou pelo meu ouvido a palavra "roupa-branca", no mesmo instante prestei atenção me curvando na porta com os ouvidos colados na madeira.

"Amanhã vamos avisá-los que iremos ir embora, não podemos meter mais gente nisso" A mulher disse.

"Vão nos rastrear" Teresa explicou.

Os roupa-branca vão achá-las aqui, se eles souberem de minha filha... Eles já devem saber onde nós estamos ainda não sei por que não vieram. Minha casa está muito perto do impacto do Berg. A nave ecoa um sinal de radar para ser rastreada e para mostrar oque está em volta em um raio de 100 metros.

Parece que amanhã vou ter sair preparado para o pior.