Before everything
11 O soro
pov de Minho
Depois de eu ter caído no sono no meio da aula, acabou tudo bem. Newt me contou que a professora não tinha nem desconfiado e que também me havia “protegido” toda aula, porque os outros alunos queriam-me fazer pegadinhas do tipo nojentas como: molhar o dedo de saliva e colocar do meu ouvido, ou também, fazer-me beijar o próprio sapato, quando ouvi isso fiquei confuso porque como a professora não viu isso?Fomos para o dormitório depois das aulas.– Você tem que me agradecer por não ter os deixado fazerem aquilo. – ele proferiu me apontando o dedo.– Eu já fiz isso milhares de vezes. O quê eles tem na cabeça?– Eles são nojentos. — Disse Newt fazendo uma cara de desgosto.– O senhor não é muito diferente, nem vem.Ele também faz umas brincadeiras sem gosto e bastantes nojentas. Newt já jogou um copo de suco em uma das meninas que nos servem e depois ficou de deboche com elas, também já urinou todo o banheiro, quando fez isso acabou levando uma bronca bem séria, mas acabou bem. Apesar de quebrar aquele gelo na Sede, suas brincadeiras passam dos limites.– Não é minha culpa de eu ser assim. – Sempre essa desculpa.– Hahaha.Fiquei paralisado fissurando o chão e mordendo uma ponta do meu lábio.– Você está pensando na Teresa, né?– Sim – respondi abrindo um sorriso – Como você sabe?– Não é porque nós ficamos sem se falar por um tempo que eu vou esquecer os seus jeitos, ainda te conheço, Minho. – Terminou cruzando os braços.– Por quê eles, que sequestraram-na, fazem isso? O mundo já está uma droga e ainda ficam fazendo-o piorar.– Às vezes pode ser “culpa” dela. — Sugeriu levantando os ombros.– Até que sim, ela só se mete em encrenca. – Teresa também não tem uma reputação muito boa. – Não é culpa de ela ser assim. – Soltei uma risada com Newt.Quando iria me sentar na cama, me lembrei que tinha o almoço, devo ter me esquecido porque não estou com muita fome, esses dias praticamente não me lembro de eu ter sentido fome ou sede, acho que é o estresse dos acontecimentos porque estive muito preocupado com o tal do sequestro e deixar um guarda inconsciente não é muito legal.Enquanto andávamos pelo corredor, avistei Thomas por canto de olho. Lembrei-me de nós apagando a consciência daquele guarda, só que depois daquele momento ainda precisava terminar algo, ainda precisava falar com Thomas, ainda não terminou.No dia seguinte, faltamos o projeto com sem nenhuma preocupação, na verdade com uma: enfrentar o chanceler. Sabíamos que estávamos fazendo a coisa certa, ou achávamos, mas mesmo assim, ninguém enfrenta o chanceler desse jeito.Batemos rapidamente na porta e entramos em seguida. Nenhuns dos dois se sentaram, Thomas se apoiou na cadeira e eu fiquei de braços cruzados em frente à mesa.– O quê os senhores estão fazendo aqui? Não deviam estar trabalhando no projeto? Saiam logo daqui. – Queremos explicações sobre o sequestro de Teresa. – Thomas se pronunciou primeiro.– Mas o quê?! Isso é confidencial.– Nós vimos e ouvimos tudo. – ameacei.– Como assim? Vocês não sabem de nada. Saiam daqui agora! Os senhores querem ser pu...– Sabemos de tanta coisa, que podemos fazer esta Sede um caos. – Thomas lhe interrompeu.O chanceler congelou. Thomas deu uma lançada de olhar rápida para mim, então lhe respondi do mesmo modo.– Vão para os seus dormitórios, agora! – Não. – gritamos juntos. Continuei:– Sabemos sobre o grupo do CPC. – Não tem saída, ou você nos conta tudo, ou iremos contar para todos que há um grupo de sequestradores raptando crianças. – Ele ameaçou sacando um gravador do bolso.Esperto. Thomas sempre impressionando.O chanceler ficou paralisado somente movimentando os olhos entre mim e Thomas.– Sentem-se.Sentamo-nos sem jeito porque não acreditávamos que conseguimos, convencemos o chanceler a falar um assunto confidencial! Deve ter algo errado, ele não pode ser convencido rápido assim, mas, aliás, com essas ameaças pode ser que seja considerada. Temos informações super secretas que podem desfazer o sistema, ou eu acho...– Não sei como vocês conseguiram essa informação, mas eu sabia que não era seguro fazer uma reunião com o sistema reinicializando. Nick venha aqui, por favor!Fizemos uma cara de desentendido e nos observamos, em seguida avistamos o guarda inconsciente da noite passada. O chanceler estalou os dedos.Sabia. Droga!Os guardas vieram atrás de nós prendendo nossos braços e nos arrastando para fora da sala.– Levem esses dois para os dormitórios e tranque-os! – O chanceler ordenou gritando.Tentamos prender nossos pés, mas eles quase não se encostavam ao chão. As sacudidas com os troncos não funcionaram. Thomas dava chutes nos tornozelos dos guardas, mas parecia que eles não conheciam dor. A força dos guardas é desproporcionalmente maior do que a de nós.Enquanto atravessávamos os corredores, os soldados pararam de repente em frente a uma mulher. No mesmo segundo (quase literalmente), ela enfiou um tubo de vidro nas nossas barrigas, parecia água. Não doeu porque a agulha na ponta era bem pequena e fina. Os guardas voltaram a nos arrastar.
Um deles abriu a porta do dormitório e nos jogou para dentro do quarto. Quando caímos no chão de madeira, um barulho agudo refletiu-se no quarto em contato com nossa pele, fazendo-a arder e avermelhar.– Vê se pensa antes de fazer uma besteira dessas! – O soldado gritou.– Boa noite! – Outro gritou fazendo um gesto com mão, em seguida, bateram a porta e a trancaram. Deu para ouvir o barulho da chave.Como assim, Boa Noite? Ainda é de manhã e acabamos de acordar. O quê ele ta pensando?O soro. Era por isso. Por causa dele estou começando a me sentir pesado mas não com sono, esse é o estranho. Minhas veias parecem que pesam mais 10 kg, minhas pernas perdem a força e caio.Olho para o lado e vejo Thomas caído no chão e dormindo. Parece que o soro agiu mais rápido com ele, mas estou ficando quase na mesma situação, falta pouco.Meus olhos ficam muitos pesados, impossíveis de mantê-los aberto. Eles se fecham e caio na escuridão. Não sinto mais nada, os sentidos se foram totalmente.***Sinto um balançar no meu ombro.– Ta na hora de acordar. – ouço uma voz desconhecida.Acordo e vejo um garoto loiro de cabelos grandes, seus olhos são castanhos.Newt. Meu amigo de infância. Antes de ser transferido ele era meu melhor amigo.Não me sinto descançado. Pensei que se dormisse de novo me sentiria melhor, mas aquele soro não foi feito para isso.– O que você fez, agora? – Faço uma cara de desentendido. Ainda estou acordando. – Praticamente te jogaram na cama, mais um pouco você cairia no chão.– Enfrentei o chanceler. — contei mesmo. O plano já acabou mesmo. Newt é de confiança.– Normal, já fiz isso antes. – disse levantando os ombros.Nossa! Normal, como ele diz isso. Também não consigo me lembrar quando fez isso. – Os soldados falaram que você transferido. Não adianta perguntar porque, eles não disseram.– Hum. Como sempre. – murmurei.– Depois você vai me contar tudo. Que feio, o certinho Minho foi transferido à força por soldados. — Ele riu no final, mas eu não, ainda estou meio atordoado.Ele continua:– Cara, você perdeu muita coisa quando estava fora.Fui retirado do meu sonho de lembranças drasticamente.Newt está fazendo gestos com a mão quase batendo em mim. Não me lembro de ter parado do nada. Pego a mão dele e lanço um olhar para ele tipo: “Já acordei, ta?”.Thomas. Uma onda de adrenalina é liberada no meu corpo. Não posso perder tempo. Dou meia volta e começo a correr. Viro o corredor atrás dele.– O que você acha que está fazendo? – Ele pergunta ao meu lado, mas não lhe respondo.Quando chego perto, seguro um ombro de Thomas e rapidamente me enfio na sua frente.– Minho? – Ele fala surpreso me dando um curto abraço.– Cara, estava te procurando em todo lugar. As palavras escaparam da boca de Thomas. Ele só conseguiu soltar alguns sons.– Você não vai almoçar?– Não estou com muita fome. – ele fala com uma expressão de desgosto.Avistei por cima do meu ombro uma psi surgiu no final do corredor. Olho para Thomas e levanto a sobrancelha.– Vamos indo para não causar mais problemas. – diz dando meia volta.– Ah, Thomas, esse é o Newt. Meu amigo antes de eu ser transferido.Eles se olham e Newt levanta o braço para um aperto de mão.– Newt. – Thomas aperta sua mão e balança.– Thomas. – Ele responde. – Parece que você não conhece muitas pessoas.– Newt! – chamo sua atenção.Ele sacode a cabeça devagar levantando os ombros.– Na minha antiga zona não tem muita coisa, é sempre projeto e aula, projeto e aula. ***O refeitório estava cheio de crianças, como sempre. Aquela barulheira de sempre. Não consigo imaginar como é o almoço dos adultos, devem ser sempre tediosos e silenciosos, talvez com alguns sussurros. Acho que perderia até a fome.Uma moça, mas não a mesma, outra, ela tinha cabelos castanhos escuros, pele morena, seu penteado era um rabo de cavalo. Sua expressão era séria quando nos entregou os recipientes, não se distinguia seus sentimentos, os olhos dela eram impenetráveis.– O quê deve ter acontecido com a outra? – Thomas perguntou.Enrolei o macarrão no garfo e o observei.– Quem se sabe. Coloquei o garfo na boca. A comida estava muito boa. Thomas quase não mastigava, engolia direto praticamente, acho que seu apetite surgiu do nada.Quando bebo o suco sinto um gosto estranho, é azedo e ácido. Thomas se expressou da mesma forma. Virei-me para tentar avistar a moça novamente, mas não vi nenhum dos funcionários. Tentei driblar as crianças com os olhos, também não deu.– Suco estranho.– Verdade. Só vou tomar as pílulas e ponto.Imitei-o dando o ultimo gole. Senti as pílulas descendo pela garganta.Tentei me levantar, mas acabei oscilando. Meu corpo todo está ardendo por dentro, sinto algo passando pelas minhas veias e enquanto se espalha, deixa brasas correndo no sangue. Contorço-me com uma pontada no meu estômago, parece que alguém o socou. Meus antebraços começam a palpitar.Todas as crianças me olham, mas não consigo aprestar atenção nelas porque meu mundo ta girando. A visão se embaça, um vulto parece que está em convulsão ao meu lado, acho que é Thomas. Mas que droga de suco foi esse?A moça morena grita para nós dois, no entanto, não consigo escutar nada, estou surdo. Minha visão escurece nas bordas, ela vai crescendo gradativamente, até que o único ponto de luz desaparece.Apago totalmente.***Acordo deitado em uma maca e Thomas em outra bem ao meu lado. O quarto que estamos é pequeno e simples. O som repetitivo de “beeps” é o único que ecoa dentro do aposento.Uma mulher de jaleco entra no cômodo com uma prancheta. Ela é um pouco acima do peso mas seu rosto é agradável e simpático.– Se sentem melhor? – Ela pergunta, mas respondemos-a com um curto sorriso. – Que bom!Ela continua:– Os senhores tiveram uma infecção sanguínea bem séria, só que por sorte, temos medicamentos para esse tipo de situação. Tivemos que tirar seus chips de identificação porque a substância ingerida os afetou.Temos chips de identificação? Estou muito por fora. Passo a mão na minha nuca e sinto uma pequena elevação. Tenho isso há quanto tempo?– Por quanto tempo dormimos? – Thomas pergunta sonolento.– 3 horas. Já volto.Acho que já dormi demais hoje, meu corpo está clamando por adrenalina. A médica vai embora. Alguns segundos depois, a mulher do refeitório entra no quarto fechando a porta lentamente, corre em nossa direção e para entre as macas.– Quero ajudar vocês.– Com o quê?– Eu sei que vocês querem descobrir o verdadeiro sequestro da menina Teresa.– E as câmeras... – digo assustado, mas quando vasculho o teto não encontro nada.– Fale mais. – Thomas pediu.– Havia um grupo do CPC, antes mesmo do CRUEL ser criado, era contra regras do CCP, só que agora esse grupo se chama Braço Direito. Estamos juntando forças para destruir o CRUEL...– Por quê? – Lhe interrompo.– Porque eles não estão fazendo a coisa certa. Deviam estar juntando recursos para controlar a epidemia, e não os gastando tentando arrumar uma “cura”.Meu cérebro foi iluminado. Agora eu entendo. Os sequestradores não só queriam raptá-la porque ela iria contar tudo, mas sim porque queriam salvá-la, mas de quê? Dos experimentos talvez?– Por quê eles sequestraram Teresa? – Thomas diz ficando nervoso.– Pode se acalmando! – Ela responde apontando para seu rosto. – Esses experimentos são totalmente letais, por isso eles a raptaram, para que não morra. Não podemos sequestrar centenas de crianças de uma vez, e quando ela nos ameaçou, foi a oportunidade perfeita. – Ameaçou?– Parece que sua amiguinha não contou. Ela soube de uma informação de um dos funcionários, sendo que ele era um de nós.Então era isso que ela não queria contar. Ela não queria nos botar em perigo também, porque se não, estaríamos junto com ela agora. Apesar de ela ter um pouco de sorte por estar onde quer que esteja. O único problema é que o CRUEL pode começar uma guerra atrás dela.– Ok. Mas oque você quer que te ajude? — perguntei dando um ríspido olhar.– Vocês são os únicos que podem passar pela escotilha. — Ela deu uma pausa e continou. — Só amostrando.Eu e Thomas nos olhamos e balançamos a cabeça. Como ela teve uma oportunidade perfeita, essa também é a nossa.– Conseguem correr? — indagou sacando uma arma e botando um tipo de silenciador na ponta.– Acho que sim. Fissurei a arma quando ela a destravou. Ela fez um clique quando sua parte de cima foi puxada para trás.
A médica entrou no quarto e deixou cair a prancheta no chão. Então a arma foi disparada duas vezes em seu peito.Pulamos das macas e seguimos a mulher. Quando passei por cima do corpo da médica, fiquei olhando em seus olhos, então me veio a pergunta: "Será que ela tinha culpa de algo?" Não importa. Segui em frente.– E se nos reastrearem? — Thomas pergunta.– Essses chips de identificação, na verdade, são rastreadores.***Chegamos ao salão dos portais: labirinto; deserto; Bergs.– E agora?– Deserto. Essa é a única saída, por enquanto.Corremos o mais rápido que podemos, até alcançarmos uma parede dividida ao meio. A escotilha da tubulação ficava bem acima de nós. Deve essa que ela está falando. Mas pelo tamanho, acho que ela caberia atravessá-la.– Essa?– Sim. Vou empurrar vocês, então escalarão até chegarem à uma parte que só vocês poderão entrar. Mas quando alcançarem a sala, terão que abrir a porta bem rápido, se não fizerem os guardas me pegarão.– Como a abrimos?Ela pegou um pé de cabra no canto da parede e esticou o braço para nós.– Vocês são fortes?Ela fez tipo uma concha com as mãos para nós se apoiarmos nela. Quando fui empurrado segurei em uma viga da tubulação e fui assim por diante. Thomas logo atrás de mim.Cheguei àquela parte espremida. Com certeza, ela não caberia aqui, não conseguiria nem entrar. Atrás de mim tinha outra dela onde Thomas estava se espremendo, no entanto, fiz o mesmo.Segurei na quina do outro lado e puxei meu corpo. Minhas pareciam que iam rasgar. Chego até um ponto que caio. Thomas chegou ao mesmo tempo. A minúscula sala tinha um pequeno painel no canto e do lado oposto uma divisão na parede.– Rápido.Enfiamos o metal entre a divisão e empurramos. Jogamos todo nosso peso em sua ponta, até que a porta fez um estalo e abriu. Descemos a escada, o problema que quando estávamos no meio do caminho o alarme soou. As luzes ficaram vermelhas. Fizemos o mesmo na outra porta.A mulher correu escada acima, ela tinha um formato em espiral.– Obrigado, garotos. Ah, soube de vocês porque trabalhava na área de segurança nivel um.– O quê vai fazer depois daqui? — Thomas pergunta uma última vez.– Salvar Teresa. — Então ela se foi.O som dos passos de um exército ecoava do corredor. Meu corpo não clamava por adrenalina? Aí está.Subi as escadas correndo para tentar avistar a moça. Uma das paredes da sala estava aberta, dando vista para uma caverna e logo a frente o deserto. A mulher tinha desaparecido, eu nem sabia seu nome.Soldados me esbarraram, enquanto permanecia parado ouvi um grito. De repente, algo entrou em mim com um belisco. O soro novamente.Apaguei. Mas com a consciência limpa, porque eu fiz minha parte, e agora é só esperar o próximo passo.
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