Before You Go...
1 Before you go...
Notas iniciais
"Esta é a história de um homem e uma mulher, dois jovens, que se apaixonaram perdidamente em uma época difícil. Este não é, no entanto, um conto de fadas."
O rapaz abriu os olhos lentamente, a luz ofuscando sua vista momentaneamente. Piscou algumas vezes, até acostumar-se com a claridade, observando então o lugar em que se encontrava. Tratava-se de uma tenda imunda, o chão de terra mesmo, com vários objetos entulhados.
Tentou movimentar-se, mas ao pisar no chão sua perna esquerda doeu tanto com seu peso apoiado nela, que desistiu no mesmo instante, deitando-se novamente. Olhando bem agora, ela estava enfaixada. Na verdade ele tinha ataduras por todo o corpo e, à medida que a sonolência dissipava-se, começava a sentir dor em outros lugares.
"O que aconteceu?", perguntou a si mesmo, esforçando-se para lembrar. — Ah, sim — murmurou, à medida que as imagens passavam como em um filme por sua mente.
Ele estava correndo e metralhando ao mesmo tempo quando um dos soldados oponentes atirou uma granada e, não tendo alternativa, jogou-se de qualquer jeito em um buraco no chão, que devia ter servido de armadilha, mas lhe salvara no momento. Foi muita sorte sua o rapaz não ter ido atrás dele. Tudo o que lembrava depois disso era de receber a ajuda de um companheiro para sair dali e então perder a consciência.
— Eu esperava encontrá-lo semimorto novamente, mas pelo visto já esta bem melhor, para ter tentando se levantar.
Virou o rosto em direção à porta da cabana, vendo uma jovem de cabelos longos e dourados presos em dois rabos, um de cada lado, óculos e roupas de enfermeira azul clara entrar. Trazia com sigo o que pareciam ser lençóis limpos, ou ao menos mais limpos que os de sua maca improvisada.
— Você não devia falar assim com alguém que esta lutando para salvar a sua pátria. – brincou, sem tirar os olhos da figura feminina.
— Pff... Não me compare à sua gente, sim? – respondeu com um certo ar de irritação, revirando os olhos.
— Não é americana? – indagou surpreso.
— Tenho cara de americana? Oras, poupe-me... You wanker. – respondeu, começando a revirar uma das caixas do chão, de onde retirou ataduras.
— Ah, é inglesa!
— Não diga! Como descobriu? – fez graça, sorrindo sarcasticamente, agora começando a trocar as ataduras do rapaz.
-...Ai! Hey! Vá divagar! – reclamou o loiro, fazendo biquinho.
— Desculpe. – A jovem trabalhava tão concentrada e ficava tão bela deste jeito, aos olhos do rapaz, que ele não ousou continuar a conversa por temer importuna-la, limitando-se a apenas a observar e reclamar uma vez ou outra de dor.
Foi apenas quando ela estava preste a deixá-lo novamente que, mais por reflexo do que por pensamento, agarrou o braço da moça delicadamente, porém de forma firme, fazendo-a voltar-se para ele, surpresa.
— O que foi? – perguntou áspera.
-... Não vai me dizer seu nome? – indagou em resposta, sorrindo marotamente.
Elateve certeza de duas coisas: A primeira era de que estava sendo cantada e a segunda de que o nome tinha sido apenas uma desculpa.
— Alice Kirkland. – disse, a voz firme e altiva, como se quisesse ressaltar o orgulho que sentia dele, enquanto puxava o braço de volta bruscamente. – Acredito que esteja esperando que eu pergunte o mesmo para você. Estou certa?
— Sim, mas eu diria mesmo que não me perguntasse. Sou Jones. Alfred F. Jones, ao seu dispor!
Naquele momento, quando o soldado inflou o peito e sorriu de forma idiota, a inglesa sentiu seu coração pulsar mais fortemente. Os olhos azuis celestiais do rapaz pareciam brilhar tanto na penumbra da tenda, que ela teve a sensação de que poderiam ofuscar-lhe a qualquer momento, ao mesmo tempo, ela teve a impressão de pela primeira vez em sua vida compreender plenamente o significado da palavra liberdade.
"Depois daquele dia, ele começou a importuná-la tanto que por muito pouco ela conseguia se controlar e não espancá-lo de vez. Afinal, se o fizesse, demoraria ainda mais para ele voltar aos campos de batalha.
Só que, conforme o tempo corria, os dois passavam mais e mais tempo juntos, conversando sobre suas vidas, seus sonhos, suas famílias, seus países, e o sentimento entre eles também cresceu. Um amor parasita de quem está há muito tempo longe de quem ama e procura desesperadamente por alguém a quem recorrer, alguém para se apoiar. Ao mesmo tempo, uma angústia terrível passou a assolar o coração dos dois jovens, conforme as feridas de Alfred melhoravam. Ambos sabiam que tão logo ele se encontrasse parcialmente recuperado, seria convocado novamente."
— Hey, Ali! — cumprimentou de forma espalhafatosa, como sempre, o americano, entrando sem permissão na tenda onde tratavam os feridos.
-... – Ela não respondeu, limitando-se a revirar os olhos.
— Noooossa, não seja tão fria! Assim você me magoa, sabia? – brincou, abraçando-a por trás.
— Pelo visto já esta bem mesmo, nem precisa mais de muletas... – comentou em tom amargurado, embora não fosse sua intenção deixar transparecer seus sentimentos.
Alfred afrouxou o abraço, permitindo assim que garota se voltasse para ele. Diferentemente do que ela imaginava, não encontrou a expressão abobada e despreocupada de costume, mas uma séria, de testa franzida.
Alice acariciou delicadamente a face do americano, seus olhos verdes esmeralda pregados nos azuis dele.
— Me convocaram para a operação de amanhã. Eu vou pilotar um dos aviões, já que estão com falta de pi...
— Eu sei. Ajudei a tratar os poucos sobreviventes do ataque surpresa.
— Não vai me pedir para ficar?
— Não seja ridículo. Não é como se você tivesse escolha ou eu pudesse impedir. Apenas certifique-se de voltar com vida. – as palavras saíram rápidas ao mesmo tempo em que algumas lágrimas escapavam de seus olhos. De cabeça baixa, ela agarrava-se fortemente ao casaco de couro do soldado, contrariando as próprias palavras.
— Ei, ei... Não se preocupe. Eu vou ficar bem... – consolou Alfred, embora ele mesmo não sentisse tanta confiança assim. – Você sabe que vou, não sabe?
— Como pode ter tanta certeza? Como pode sorrir em uma hora dessas? – indagou irritada, as lágrimas já descontroladas.
O americano levantou delicadamente o queixo da jovem, para que assim pudesse fitá-la, respondendo então com simplicidade e o mesmo sorriso de sempre, embora um tanto dissimulado desta vez.
— Porque eu sou o herói!
Alice piscou uma, duas, três vezes, até as lágrimas deram lugar a um ataque de riso. Alfred não sabia bem o que fazer diante daquela cena tão rara e começou a rir também. Foi neste momento que, para a sua surpresa, a enfermeira voltou-se novamente para ele um tanto bruscamente, beijando-o de forma apaixonada em seguida.
Primeiramente, arregalou os olhos, surpreso ao ver a garota tomar a iniciativa, porém não demorou a se deixar envolver pelo momento, abraçando a cintura fina da loira e aprofundando o beijo. Aquela noite eles passaram juntos na tenda da enfermaria.
"E então ele foi para a guerra novamente e ela ficou a lhe esperar."
"E depois? O que aconteceu??", indagou hiperativamente o garoto, ajoelhando-se no sofá. Ele tinha cabelos loiros um pouco mais escuros que o da mãe, olhos bem azuis e sobrancelhas grossas. Vestia uma roupa que lembrava a de um marinheiro.
"Eles nunca mais se viram", respondeu simplesmente a mulher, desinteressadamente.
"Como assiiiim?? Não pode ser, mama!! Ah, vaaai! Diz o que aconteceu!! Me conta, me contaa! Ele foi mesmo um herói??
Neste momento a mãe sorriu, um sorriso triste, como não deixou de perceber o garoto, enquanto os olhos verdes esmeralda tornavam-se mais brilhantes do que nunca antes.
"Sim Peter, ele foi um herói. O maior de todos os heróis".
"He, he. Eu sabia!", comemorou ele, abrindo um enorme sorriso.
"Agora você vá para o banho que já esta na sua hora, mocinho", ralhou ela, vendo o menino pular do sofá e correr até o banheiro.
"Hunf. Imagino o que você diria se o visse agora. Ele é a sua cara. Aposto como ficaria me enchendo o saco por causa disso", comentou com sigo mesma ao ver-se sozinha novamente no recinto. Rindo de si mesma, uma lágrima de saudade rolou.
Alice corria de um lado para o outro procurando entre os vivos, os feridos e perguntando aos amigos se algum deles tinha notícias de Alfred, mas ninguém o vira desde que embarcara no avião e ela tão pouco tivera sucesso em suas buscas. Recusava-se, no entanto, a procurar entre os mortos. Seria doloroso demais e ela não sabia se conseguiria suportar ver o corpo do americano sem vida.
Os feridos começavam a amontoar-se e ela sabia que precisava voltar ao trabalho e ajudar suas companheiras, por mais difícil que fosse. Foi neste momento que uma figura alta e esguia destacou-se entre os outros homens, fazendo-a da meia-volta e correr em sua direção. A inglesa abraçou fortemente o outro, mas tudo que sentiu foi uma mão acariciar-lhe a cabeça.
Ao olhar para cima, então, ela percebeu seu engano.
— M-Matthew! M-me desculpe, eu... Você por acaso não viu seu irmão? Estou procurando aquele bastardo idiota faz horas, mas não o encontro de jeito nenhum! – indagou, rindo nervosamente, sem tirar os olhos do chão.
— S-srt. Alice eu... Eu sinto muito. – os olhos do canadense se fecharam e, ao fitá-lo novamente, na esperança de encontrar qualquer traço de que o irmão de seu amante estivesse mentido, não viu mais do que uma forte vermelhidão abaixo de seus olhos, prova de que estivera chorando.
Alice permitiu-se, então, cair de joelhos na terra lamacenta e chorar como nunca antes havia se permitido. Ela não conseguia evitar perguntar-se "Por quê?". Na verdade, sua mente gritava, berrava aquela pergunta, embora ela fosse orgulhosa demais para proferir tais palavras.
Aos poucos foi se acalmando, com a ajuda de Matthew, Francis e alguns outros amigos. Eles à levaram até uma das tendas, a mesma na qual um dia cuidara de Alfred, deixando-a sozinha quando pensaram que já dormia.
Em sua solidão, a inglesa acariciou o próprio ventre e chorou.
Notas finais
Please, não me matem! Eu ando com um sério bloqueio para comédia! A escola também esta me matando-q Mas assim que eu melhorar atualiazo as outras fics, fiquem tranquilos, eu não abandonei elas ♥
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