Before You - 3 Temporada
17 PARA SEMPRE
“Algumas promessas não são feitas para durar…
são feitas para prender.”
POV BELLA
Casamentos são construções.
Não apenas de flores, vestidos ou votos cuidadosamente ensaiados… mas de narrativa. Uma história que precisa parecer perfeita o suficiente para que todos aceitem sem questionar. Um momento onde tudo precisa fazer sentido, onde o amor precisa ser visível, onde as escolhas precisam parecer inevitáveis.
E naquele dia…tudo parecia.
A mansão Higginbotham estava irreconhecível.
Não porque havia mudado… mas porque estava elevada. Cada detalhe amplificado, cada espaço preenchido com intenção, cada superfície refletindo luz demais, beleza demais, perfeição demais. As flores brancas se espalhavam pelos corredores como se estivessem tentando purificar algo que, no fundo, não podia ser limpo. O aroma era doce, quase enjoativo, se infiltrando no ar e se fixando na garganta, tornando cada respiração mais consciente do que deveria ser.
Eu estava no topo da escada.
Parada.
Vestida de branco.
Como se aquilo significasse alguma coisa.
O tecido do vestido envolvia meu corpo com precisão, ajustado demais, pesado demais, como se estivesse me moldando em algo que precisava ser visto de determinada forma. Minha mão repousava sobre o abdômen de forma quase inconsciente, os dedos tocando levemente, como se procurassem confirmação constante de algo que já era real demais para ser ignorado.
— Você está linda, filha…— disse Carlisle.
Eu virei o rosto lentamente.
Ele estava ali.
Firme.
Presente.
E naquele momento…ocupando um espaço que não era dele.
Mas precisava ser.
Porque Emmett não estava.
E nunca estaria.
Meu peito apertou.
Forte.
Silencioso.
— Vamos?…— perguntou ele, oferecendo o braço.
Eu aceitei.
Claro que aceitei.
Porque algumas ausências não podem ser preenchidas… mas podem ser encobertas.
A música começou.
Baixa.
Clássica.
Calculada.
Cada nota ocupando o espaço exato onde deveria estar, como se até o som tivesse sido ensaiado para não falhar.
E então…eu caminhei.
Cada passo lento, controlado, o salto tocando o chão com um som quase inexistente, como se eu estivesse flutuando, como se aquilo não fosse completamente real. Os olhares estavam todos voltados para mim, atentos, emocionados, convencidos.
E no final…você.
Edward.
De pé.
Esperando.
Os olhos fixos em mim como se não existisse mais nada naquele espaço além de nós dois.
E talvez…
naquele momento…não existisse mesmo.
Carlisle me entregou.
Literalmente.
E aquilo…
aquilo foi simbólico demais para ser ignorado.
— Estamos reunidos aqui hoje para celebrar o amor de dois jovens… Isabella Higginbotham e Edward Cullen…— disse o celebrante.
As palavras ecoaram.
Bonitas.
Vazias.
Funcionais.
As perguntas vieram depois.
Promessas.
Compromissos.
Para sempre.
Sempre essa palavra.
Sempre essa mentira.
E então…você falou.
— É uma coisa extraordinária quando conhecemos alguém com quem podemos dividir a nossa alma…— sua voz saiu firme, mas carregada de algo mais — quem nos aceita como somos…
Meu coração desacelerou.
— Eu tenho tentado, pelo que parece um tempo muito longo, superar o que eu sou…— continuou — e com a Bella sinto que finalmente posso começar.
Silêncio.
— Nenhum espaço de tempo com você seria suficiente…— disse, olhando diretamente para mim — comecemos com o “para sempre”.
Minha respiração falhou.
Micro.
— Eu amo você, Bella.
E ali…
naquele momento…eu quase acreditei.
Quase.
— Eu amo você, Edward Cullen…— respondi.
E aquilo…aquilo foi suficiente.
— Eu os declaro marido e mulher.
Simples.
Irreversível.
O beijo veio logo depois.
Profundo.
Lento.
Cinematográfico.
Como tudo precisava ser.
Como tudo precisava parecer.
Porque no fim…não importa o que é.
Importa o que parece e nós parecíamos perfeitos.
Mas perfeição…não sobrevive dentro de uma casa.
A vida real não sustenta silêncio bonito, não sustenta promessas sem falhas, não sustenta controle compartilhado.
E a mansão…a mansão começou a rachar.
Renée sempre achou que controle era direito.
Eu sempre soube que controle é conquista e essas duas coisas…não coexistem.
— Você não pode simplesmente decidir tudo sozinha!— disse ela, a voz firme, mas já elevada.
Eu ri.
Sem humor.
— Eu não estou decidindo sozinha…— respondi — eu estou decidindo porque é meu filho.
Silêncio.
Pesado.
— Nosso…— corrigiu ela — ele também é meu neto.
Meu corpo reagiu.
Imediato.
— Ele não é substituto do Emmett…— disse, mais baixo agora, mas muito mais perigoso.
O rosto dela endureceu.
— Você não entende…— começou.
— Não, você não entende…— cortei, a voz subindo — você não pode controlar isso!
— Eu sou sua mãe!— gritou ela.
E aquilo…
aquilo quebrou.
Eu avancei um passo.
— E eu sou a mãe dessa criança!— rebati.
O som do vidro quebrando veio antes mesmo de eu perceber que tinha sido eu.
Minhas mãos tremiam.
Respiração descontrolada.
Peito apertado.
— Chega! Por favor!— sua voz entrou no meio, firme, colocando-se entre nós duas.
Edward.
Sempre mediando.
Sempre controlando.
— Isso não vai ajudar ninguém…— disse, segurando meu braço com cuidado.
Carlisle apareceu logo depois, tentando reorganizar, tentando restaurar algo que já não existia.
Félix apenas observava, como sempre.
Registrando.
Aprendendo.
E talvez…planejando.
Os dias passaram.
Ou se arrastaram.
Difícil dizer.
E aos poucos…todos começaram a ir embora.
Alice foi a primeira.
— Londres…— disse ela, tentando sorrir — vai ser bom.
Jasper ao lado, firme, silencioso.
Presente.
— Eu vou sentir sua falta…— murmurei, abraçando ela.
E senti, de verdade.
Porque perdas…não param de acontecer.
Elas se acumulam.
Paul e Quill vieram depois.
— Paris…— disse Paul, rindo leve — É sempre uma ótima ideia e a gente merece.
Eu assenti.
Mas por dentro…algo afundou.
Porque enquanto todos iam…eu ficava.
Sempre ficando.
Sempre presa.
Sempre…permanecendo.
— Eu tô aqui…— você disse naquela noite, me puxando para perto.
E eu deixei.
Porque naquele momento…era mais fácil.
Bree apareceu na tela dias depois...
Pequena.
Segura.
Viva.
— Vocês estão bem?— perguntou.
— Estamos…— respondi.—Bree, queremos que você fique bem, então não fique com vergonha de pedir ou ligar...
— Qualquer coisa…— você disse — a gente ressolve para você.
E resolviamos .
Dinheiro.
Proteção.
Controle.
Família.
Do nosso jeito.
Foi Félix quem trouxe a ideia.
— Vocês precisam sair daqui…— disse ele.
Eu levantei o olhar.
— Por quê?
— Porque Los Angeles já viu demais…— respondeu — Madre Linda seria melhor.
Silêncio.
Novo lugar.
Nova história, mesmo padrão.
Eu olhei para você.
E você…já estava pensando.
Sempre pensando.
— Talvez seja hora de recomeçar…— disse.
Recomeçar...Interessante.
Porque no fim…não importa onde você está.
Se você é o mesmo…tudo se repete.
E nós...nunca fomos feitos para finais.
Só para novos começos.
Mesmo que eles terminem…exatamente iguais.
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