Before We Go.

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Hey everybody!!

Voltei com essa oneshot totalmente dedicada a minha mana, amiga e parceira que fez aniversário segunda, porém só consegui postar hoje. Senhora Karly, fica aqui meu presente, espero que aprecie ;)

Oneshot baseada e inspirada no filme before we go, pra quem ainda não assistiu, eu recomendo super, pra quem já assistiu, vai notar muitas mudanças. Mas enfim, eu espero que gostem pois foi com todo carinho do mundo.

PS: não é fácil escrever em terceira pessoa, aqui fica meus parabéns para quem consegue essa proeza com tanto êxito.
PS²: a fic também teve citações/inspiração nos filmes casa comigo e Casablanca.
PS³: a música flor e o beija flor de Henrique e Juliano serviu como pano de fundo, assim como don't you forget about me do simple minds.

BOA LEITURA A TODOS!! ♥

"Don't you try and pretend

It's my beginning

We'll win in the end

I won't harm you

Or touch your defenses

Vanity, insecurity

Don't you forget about me

I'll be alone dancing, you know it, baby

Going to take you apart

I'll build us back together at heart, baby."

Don't you forget about me. — Simple Minds

Felicity bufou pela quinta vez naquela tarde, nunca deveria ter saído de Central city sua cidade solar e harmoniosa para essa maldita exposição. Barry bem tinha lhe dito que o dia não estava para viagens, agora além de perder o trem de volta para casa, estava presa nesta cidade fria e cinzenta.

̶ Ah não, só me faltava essa. – resmungou quando não encontrou seu celular no bolso do casaco. – Tinha sido assaltada e o pior, nem tinha se dado conta. – Droga de cidade que só me trouxe azar. – praguejou irritada.
̶ Com licença. – saltou ao sentir alguém tocar seu ombro. – Me desculpa não queria te assustar, mas você parece meio perdida.
̶ Oh não, eu estou bem. – sorriu mais por educação que por simpatia. – Na verdade, você poderia me informar se eu posso usar o bilhete para pegar o próximo trem? – estendeu o pedaço de papel.
̶ Podemos perguntar no balcão de informações. – sorriu Cortez. – A propósito, sou Oliver Queen. – estendeu a mão para um cumprimento.
̶ Megan. Megan Donner. – retribuiu o gesto, desconfiada.
̶ Então Megan, como eu estava dizendo, posso te acompanhar até o balcão.
̶ Realmente não é necessário. – sorriu nervosa com a situação. – Mesmo assim obrigada.

Oliver observou atentamente a loira se mover até o balcão, resolveu apenas observar o diálogo dela com um funcionário da estação.

̶ Com licença, o senhor poderia me informar se eu posso usar este bilhete para embarcar no próximo trem? – perguntou estendendo o bilhete até o senhor que não deveria passar dos cinquenta e quatro anos.
̶ Sim, você pode usá-lo, o bilhete foi comprado hoje e ainda é válido. – sorriu amigável.
̶ Ai que bom. E o senhor poderia me informar a que horas sai o próximo?
̶ Não sai. — falou simplesmente.
̶ Como assim não sai? Ainda são 17:00h.
̶ Hoje é domingo moça, em Star city não viajamos a partir das 16:00h de um domingo.
̶ Ótimo, eu definitivamente odeio essa cidade. – caminhou até a saída da estação sentindo uma crescente raiva dentro de si ao constatar a fina garoa que caia. O céu nublado anunciando que aquele fim de tarde seria de forte chuva. – Ótimo, não me falta mais nada.

Felicity se agarrou ao casaco grosso que usava, resolvendo sair dali, afinal não teria como ir embora tão cedo, estava sem dinheiro, sem celular e sem documentos. Sentiu-se apavorar à medida que sua ficha ia caindo, como faria para voltar para casa? E o pior, onde passaria aquela noite? Sem perceber havia entrado numa viela escura, sentiu seu corpo travar ao notar dois homens caminhando em sua direção. Os sorrisos jocosos e olhares fixos em seu corpo deixava claro que quaisquer que fosse suas intenções, não eram boas.

̶ ótimo Felicity, da próxima vez seja mais inteligente e fique em casa, se é que existirá uma próxima vez. – sussurrou consigo mesma sentindo o pavor lhe tomar as entranhas.
̶ Amor, aonde vai? Eu te pedi para me esperar. – sentiu braços fortes rodear seu corpo e suspirou aliviada ao constatar que se tratava do estranho do metrô. Bom, pelo menos por enquanto, afinal isso tinha espantado os caras.
̶ Obrigada. – falou assim que teve certeza que estavam longe dos dois brutamontes.
̶ Nunca te disseram que é perigoso andar sozinha por ai em ruas desertas? – rio pelo nariz.
̶ Já, mas não em plena luz do dia. — devolveu um tanto acida.
̶ Bem vinda a Star city. – o homem lhe ofereceu um sorriso debochado, mas ainda assim lindo. – O que faz por essas bandas... Megan? – inquiriu incerto.
̶ Na verdade é Felicity. Felicity Smoak. – a loira falou como quem tivesse acabo de ser pega no flagra.
̶ E por que se apresentou como Megan Donner? – Oliver fingiu um tom aborrecido, mas a verdade é que estava se divertindo com tudo aquilo.
̶ Bom, a verdade é que eu... Ah qual é? Um estranho me oferece ajuda sem ter porquê se importar, é claro que eu me senti desconfiada.
̶ Você costuma ser sempre assim, acida? – ralhou divertido.
̶ Só com estranhos.
̶ E o que a senhora "mamãe disse para não falar com estranhos" faz aqui?
̶ Por que te interessa? Ou melhor, por que veio atrás de mim? – ela se sentia curiosa com isso. – Por um acaso está me seguindo?
̶ Não... Sim. – confessou o loiro. – Olha, a verdade é que eu te vi meio perdida e resolvi ajudar, considere como minha boa ação do dia.
̶ Claro. – revirou os olhos, sarcástica.
̶ Vai me dizer qual o motivo de sua visita a cidade? De longe se vê que não é daqui.
̶ Só quando me disser o porquê de estar me seguindo.
̶ Tudo bem, eu digo, mas só se aceitar ir tomar um café comigo.
̶ E por que eu deveria? – cruzou os braços erguendo uma sobrancelha.
̶ Porque você está sozinha numa cidade desconhecida e perigosa, e já está escurecendo. Tendo em vista que sou o único disposto a te ajudar, acho que você deveria aceitar.
̶ Me convenceu. – a loira cedeu passando seu braço pelo o dele que estava estendido em um convite mudo.

Felicity se sentia estranha, nunca foi de socializar facilmente com estranhos, achava isso perigoso até, mas aquele homem de alguma forma lhe parecia confiável. Inalou o aroma de café assim que cruzou a porta do ambiente, o lugar era aconchegante e lembrava as cafeterias francesas, com toda sua delicadeza. Só quando olhou a vitrine de doces e bolos é que ela se deu conta de que estava faminta.

̶ Venha, vamos procurar uma mesa. – Oliver a puxou até um canto da cafeteria, uma mesa encostada ao vidro que dava para a rua, onde a chuva parecia engrossar. – Um café puro. – pediu ao jovem garçom que os atendera.
̶ Um cappuccino. – sorriu amigável para o jovem.
̶ Escolha um doce, deve estar faminta. – Oliver indicou vendo Felicity negar com a cabeça. – Traga alguns muffins, por favor.
̶ Não precisa se incomodar, eu aceitei tomar um café e não um lanche. – disse constrangida assim que o rapaz saiu.
̶ Digamos que eu também esteja com fome. – ele lhe ofereceu outro de seus sorrisos. – Se fosse mais cedo eu pediria torradas e geleia, mas a hora do café já passou.
̶ Se estivéssemos tomando café da manhã eu com certeza pediria ovos e bacon.
̶ Como assim? Torrada com geleia é muito melhor.
̶ Em nenhum lugar desse mundo. – a loira afirmou teimosa. Mas logo riram do diálogo bobo.
̶ Então, o que faz perdida em Star?
̶ Sou formada em T.I e vim para uma exposição tecnológica representando a empresa onde trabalho. Acontece que eu vim apenas com o celular e dinheiro para passar o dia, mas acabei perdendo a noção do tempo na feira tecnológica e perdi a hora do trem, o que me faz lembrar que eu não tenho como voltar para casa já que perdi o celular. – suspirou frustrada. – Mas e você?
̶ O que tem eu? – só então Oliver percebeu que ela estava o dando brecha para falar. – Ah sim eu, bem, eu sou publicitário. – ela sorriu esperando que ele continuasse. – Acontece que eu sou nascido e criado nessa cidade, mas a cinco anos moro em NY, dois que não venho aqui.
̶ Interessante. Continua. – sorriu agradecendo ao garçom que voltava com os pedidos.
̶ Bom, há alguns meses atrás eu descobri que minha mãe está muito doente e resolvi voltar para a cidade, mesmo tendo tantos fantasmas que ainda me assombram aqui.
̶ Ela ainda está em seu coração, não é?
̶ Ela quem? – franziu a testa, confuso.
̶ A mulher que te fez mudar para NY? – bebericou a bebida sem tirar os olhos dele.
̶ Por que tem que existir uma mulher? Por que simplesmente eu não posso ter escolhido respirar novos ares?
̶ Porque seus olhos estavam distantes quando falou sobre os fantasmas que ainda te assombravam e porque você não parece está confortável.
̶ Na verdade eu também voltei pelo casamento da minha irmã. – confessou. – O que me faz lembrar que eu estou atrasado para o jantar de ensaio. – bufou.
̶ Ela estará lá? – ele confirmou com um aceno de cabeça. – E o que pretende fazer?
̶ Não sei. Te por num táxi de volta para sua cidade e ir até lá, fazer meu discurso, tomar umas doses e sair de fininho, talvez.
̶ Eu posso fingir ser sua namorada. – Felicity não sabia de onde tinha tirado aquela ideia maluca, mas de alguma forma ela sentia a necessidade de retribuir a gentileza que Oliver tivera com ela.
̶ Não... Digo, você não precisa fazer isso só porque está sentindo pena de mim.
̶ Digamos que é minha forma de agradecer o salvamento naquela rua esquisita, o café e o táxi. – sorriu sapeca. – Qual é? Não deve ser tão ruim assim, eu nem sou feia.
̶ Não, você não é feia. — gargalhou pela primeira vez desde que tinha posto os pés de volta naquela cidade. – Bom, parece que eu não vou conseguir tirar essa ideia da sua cabeça, não é?
̶ Espero que eu esteja vestida apropriadamente para um ensaio de casamento. – sorriu para o loiro que lhe analisava.
̶ Está ótima. – Oliver passou seus olhos na mulher que vestia um vestido vermelho justo ao corpo, acompanhado de sapatos de saltos cor da pele e um sobretudo lhe aquecendo do frio. – Simples e elegante.
̶ Então, o que estamos esperando? – a loira saltou de seu lugar estendendo a mão para Oliver que aceitou divertido. Não sabia se daria certo, mas algo naqueles olhos azuis o fazia querer arriscar.

Entraram no local onde seria o evento e não precisou mais que dois segundos para que ele se sentisse excluso a todo aquele excesso de felicidade. Oliver não estava feliz, ou melhor, até estava pela irmã, mas aquele clima de alegria não contrastava com sua realidade, com sua mãe doente e sua vida amorosa tão fracassada. A verdade é que ele mesmo chegou a contestar Thea pela escolha de datas, mas acabou concordando com a caçula quando ela lhe falou sobre a preciosidade do tempo e que apesar da tristeza pela mãe, precisavam aproveitá-la enquanto viva. E lá estava Oliver, com uma falsa namorada e um sorriso ensaiado.

̶ Bigbro. – ouviu a voz doce de sua irmã ecoar pelo ambiente e logo sentiu seus braços o rodear. – Achei que não viria.
̶ Speed. – retribuiu o carinho, cheirando seus cabelos por um breve momento. – Desculpe o atraso.
̶ Tudo bem, se chegasse no horário não seria você. – sorriu notando a loira a seu lado. – Me apresente à moça bonita.
̶ Felicity, essa é minha irmã Thea. Thea, essa é Felicity. – apontou de uma para outra. – Nós somos...
̶ Românticos. – a loira se adiantou, enquanto trocava dois beijos com a morena. – É um prazer conhecê-la.
̶ O prazer é meu, achei que não viveria para ver Ollie trazer uma garota em casa.
̶ Speed. – o loiro advertiu. – E onde está mamãe?
̶ Ela preferiu se recolher cedo, não estava muito disposta. – ele notou um tom triste cintilar nos olhos da irmã.
̶ Ollie. – Oliver sentiu seu corpo tencionar com a voz que invadiu seu campo auditivo.
̶ Laurel. – girou nos calcanhares para cumprimentar a jovem que carregava um sorriso genuíno nos lábios. – Como vai?
̶ Eu estou muito bem, e você? – sentiu-se incomodado por passar anos trancado na infelicidade, enquanto Laurel apenas parecia estar bastante satisfeita com sua vida.
̶ Estou bem também. – devolveu o sorriso, sentindo algo se remexer dentro de si.
̶ Olá, eu sou Felicity Smoak. – a loira se apresentou ao perceber que Oliver não faria.
̶ Laurel Lance.
̶ Eles são românticos. – Thea cantarolou para Laurel que sorriu constrangida.
̶ Foi bom te ver, Ollie.
̶ Foi bom te ver também. – sorriu de forma amigável para a mulher a sua frente.
̶ Por que não marcamos um almoço qualquer dia desses? Tommy está na Califórnia a negócios, mas aposto que ele adoraria te ver.
̶ Claro, a gente marca.
̶ Tudo bem então, qualquer coisa eu estou morando próximo a Thea e você tem meu telefone.

Oliver sentia uma necessidade crescente de sair dali, sentia-se sufocando, então sem pensar muito ou lembrar-se da loira que lhe acompanhava, ele seguiu até a saída. Tragou o ar gelado com força, passando as mãos pelos curtos cabelos; estava nervoso com toda aquela situação, ver Laurel bem o estava incomodando e nem ao menos sabia o porquê.

̶ Fugindo? – ouviu a voz baixa em suas costas.
̶ Hey. – seu tom saiu mais frustrado que o esperado. – Respirando.
̶ Por que você saiu de lá, Oliver? – Felicity quis saber.
̶ Não sei. – sentou-se no meio fio da calçada. – É só que reencontrá-la depois de todos esses anos mexeu comigo, digo, ela parece feliz e radiante, enquanto eu só me mantive fechado nessa fossa.
̶ E por que você nunca tentou sair dessa fossa? – a loira sentou-se ao seu lado abraçando-se ao seu próprio corpo.
̶ Laurel e eu nos conhecemos desde a infância, começamos a namorar desde o colegial e depois na faculdade. Quando terminamos a escola, eu percebi que queria mais da vida, queria mais do nosso relacionamento, então eu comprei um anel e resolvi pedi-la em casamento, lembro que naquele dia eu estava explodindo de felicidade, não estava nervoso ou com medo, estava ansioso por sua reação, afinal nos amávamos. – ele falava nostálgico.
̶ E o que aconteceu?
̶ Eu comprei flores e fui até o apartamento dela, estava animado e achei que com o fim da faculdade nós realmente estivéssemos prontos para esse passo, mas quando fiz o pedido ela me respondeu que estava indo para Londres, que iria fazer sua especialização de seis meses. Eu me ofereci para acompanhá-la, mas ela disse que precisava fazer isso sozinha e que não queria casar sem primeiro realizar todas as suas metas. Eu fiquei tão arrasado que saí de lá direto para minha casa, arrumei as malas e voei para NY.
̶ E então você se fechou para o amor e se abraçou com essa dor. – Felicity concluiu encostando a cabeça no ombro de Oliver. – Eu só não entendo o porquê de você ter saído desse jeito. Você ainda a ama?
̶ Não sei. – ele suspirou pesaroso. – Eu acho que passei todos esses anos na expectativa de voltar e ela querer por fim tentar, talvez por isso eu não tenha dado fim ao maldito anel. Mas ver o sorriso dela me fez enxergar que é tarde demais.
̶ Não é tarde demais. – a loira falou de repente, erguendo a cabeça para olhá-lo. – Oliver, você ainda pode ter uma chance.
̶ Como assim, do que você está falando? – os olhos azuis dele esboçavam confusão.
̶ Você não viu como ela sorriu para você? Oliver ela disse que estava morando perto de sua irmã, ela mal olhou pra mim. – Felicity enumerava tudo numa lista subentendida. – Você tem que ir lá e falar com ela.
̶ Felicity, eu não vou cair nessa ilusão e me arriscar tão expostamente assim.
̶ Sabe o que eu acho? Que você é um covarde, que passou tanto tempo olhando apenas para sua dor e sentindo autopiedade que agora é incapaz de se arriscar.
̶ Você não tem o direito de me julgar assim. Eu não posso ir até lá e jogar tudo no colo dela.
̶ O que você tem a perder? – a moça cruzou os braços erguendo uma sobrancelha em desafio enquanto Oliver parecia ponderar se estava fazendo o certo.
̶ Tudo bem, eu vou. – Felicity bateu palminhas, animada. O homem ergueu-se do chão endireitando a postura, respirou fundo tomando pra si toda a coragem possível, enquanto a loira sorria em apoio.
̶ Eu vou ficar aqui te esperando e torcendo por você. – sorriu alinhando a gravada torta do loiro.

Oliver se sentia nervoso, parecia um adolescente tentando levar a garota ao baile, mas algo dentro de si se remexia em sobreaviso. Do outro lado da rua a loira observava atenta ao homem dando passos inseguros de volta à festa. Sentia-se orgulhosa dele, mas ao mesmo tempo tensa com os resultados dessa conversa. Caminhou de um lado para o outro enquanto esperava por Oliver, só torcia para que Laurel não o tivesse arrastado para um canto qualquer e ele houvesse a esquecido lá fora no frio e sem o dinheiro para o táxi. Tratou de espantar esses pensamentos num abano de cabeça quando viu Oliver caminhando em sua direção com uma feição indecifrável.

̶ E então, como foi? – perguntou antes que pudesse se frear.
̶ Nós temos um almoço no sábado. – falou passando por ela e ficando de costas. – Nós três.
̶ Espera, o tal Tommy vai também?
̶ Iremos eu, Laurel e o bebê. – Felicity sentiu-se engasgar com as palavras de Oliver, podia jurar que seus olhos saltaram da orbita. – Ela está grávida.
̶ Oh meu Deus, Oliver, eu sinto muito. – sentiu-se culpada por ter o incentivado. – Isso foi tudo culpa minha, eu te disse para ir até lá e se arriscar e agora você se expôs e ela está grávida de outro. Eu sou tão idiota.
̶ Não Felicity, eu não falei dos meus sentimentos para ela. A chamei para sair e estava disposto a conversar melhor lá, mas então ela jogou essa bomba sobre mim.
̶ Eu sinto muito mesmo, estou me sentindo péssima com isso.
̶ Não se sinta. – tocou-lhe o ombro esquerdo friccionando um leve aperto ali. – Você só tentou ser uma boa amiga e no fim estava certa, eu precisava arriscar, ao menos agora não vou viver na eterna duvida do "e se". Agora tenho a certeza de que Laurel refez a vida dela. Obrigada por isso, então.
̶ Sendo assim, não há de que. – sorriu observando por um segundo a curva suave no rosto do rapaz. Naquele momento Felicity se pegou perguntando-se o que mais havia por trás daquele minúsculo sorriso, quantos mistérios mais escondia Oliver Queen?
̶ Então. – ela despertou de seu torpor com o pigarro dele. – Está na hora de eu cumprir minha parte no trato.
̶ Ahm? – Oliver sorriu com o esquecimento momentâneo da loira. – O táxi, Felicity.
̶ Ah sim, o táxi. – bateu em sua própria testa, lembrando-se do trato.
̶ Vem, vou te por num táxi. — Oliver a puxou para que caminhassem até o ponto mais próximo. Ele não sabia o porquê, mas gostava da companhia da loira, ela era divertida e leve. Chegaram ao ponto de táxi, onde Oliver levou alguns minutos até convencer um senhor a levá-la de volta a sua cidade, mesmo lhe saindo mais caro.

̶ Então, essa é minha deixa. – Felicity apertou firme seu casaco.
̶ É a sua deixa. – Oliver sorriu matreiro. – Ou...
̶ Ou...?
̶ Ou você pode vir comigo e eu te apresento a noite de Star City, o que acha?
̶ Oliver, já passa das 20:00h, você está louco? – ela sorriu divertida com a ideia dele. – Além do que eu preciso voltar para casa.
̶ Qual é, você mesma disse que precisamos nos arriscar de vez em quando. Não estou lhe convidando para assaltar um banco, é só uma noite divertida e diferente para que nos conheçamos melhor. – ele sorriu e nesse momento ela constatou que com apenas um sorriso Oliver era capaz de convencer o presidente a dançar bachata. – Você não tem nada a perder mesmo.
̶ Oliver... – Felicity tentou, mas já se sentia persuadida.
̶ Vamos? – ele lhe estendeu a mão reforçando o convite, pendeu a cabeça para o lado num gesto charmoso, destruindo qualquer ideia que Felicity tivesse de recusar. Então se sentindo vencida, a loira agarrou sua mão, sendo puxada a tempo de ainda ouvir um resmungo do velho taxista, algo sobre jovens serem sempre indecisos.
̶ Então, onde vai me levar? – questionou curiosa enquanto enlaçava o braço no dele.
̶ Não sei, meu plano consistia apenas no convite. – riram da sinceridade dele. – Eu achei que você fosse recusa, ué.
̶ Eu devo ser mesmo louca de aceitar essa sua ideia maluca.
̶ Tive uma ideia de onde te levar. – Oliver olhou no relógio por um breve momento. – É ainda está aberto. Vem. – puxou a loira pelo braço de forma desengonçada.
̶ Onde estamos indo senhor guia turístico? – Felicity perguntou achando graça de toda aquela situação.
̶ Star city pode não ser um exemplo de segurança ou solar, mas a noturna da cidade é a melhor. – ele falava empolgado. – Serio, temos alguns pubs diversificados, karaokê, bons restaurantes.
̶ Nossa, parece bom. E onde exatamente você pretende me levar?
̶ Surpresa. – sorriu mostrando os dentes de forma que sua covinha se destacou ainda mais. Felicity se perguntou quantos suspiros já havia dado para aquele sorriso. – Mas me fala mais de você, o que você faz, do que gosta?
̶ Bom, eu sou formada em tecnologia e informática pelo MIT, o que já da uma boa dica do que eu curto. Adoro tecnologia, tudo que envolva eletrônica e modernidade.
̶ Imagino que você seja do tipo que maratona filmes de experimentos científicos e tudo mais.
̶ Que nada, quando se trata de cinema eu esqueço meu lado moderno, gosto mesmo é de filmes antigos.
̶ Ah é? E qual o seu filme favorito?
̶ Com certeza Casablanca. – a loira suspirou nostálgica, enquanto Oliver parecia rir de alguma piada interna. – Que? O que foi?
̶ Nada, nada. – ergueu as mãos em sinal de inocência para a mulher que mantinha um olhar desconfiado. – E por que Casablanca?
̶ Não sei, a forma como eles vivem o momento apesar de tida a guerra e conflitos da época, eles se amam e mesmo não podendo seguir com esse amor, se entregam de alma e coração enquanto estão juntos. Pra mim isso é amor, deixar que o outro vá mesmo sabendo que seu coração vai doer, mas com a certeza de que ele estará melhor onde estiver. Clichê demais? – Felicity riu de sua própria viagem.
̶ Não, na verdade eu gosto de como você enxerga o amor. – ele não sabia o porquê, mas olhar dentro dos olhos dela parecia fazer o tempo parar, tinha algo ali que o prendia de forma magnética. Oliver não saberia dizer por quanto tempo esteve mergulhado em seus olhos, só deu por si que a moça estaria constrangida, quando escutou seu pigarro o despertar para a realidade. – Oh, chegamos. – apontou a entrada de um bar.

O lugar era aconchegante com mesas distribuídas pelo espaço, um pequeno salão que ela deduziu ser uma pista de dança improvisada e ao fundo o balcão que tomava toda a dimensão do lugar, dois homens estava atrás dele servindo bebidas e aperitivos. O lugar não estava muito cheio e logo Felicity percebeu que ali era um ambiente mais pra relaxar que para encher a cara como nos pubs comuns.

̶ Oliver? Oliver Queen? – o homem que estava atrás do balcão questionou incerto.
̶ John Diggle. – o loiro por sua vez pareceu reconhecer bem o mais velho. – Não acredito.
̶ Eu que não acredito que depois de todos esses anos você voltou, e está aqui no meu bar. – o tal John Diggle contornou o espaço para cumprimentar Oliver, fazendo Felicity se encolher com seu tamanho.
̶ Estou de volta meu amigo. – se abraçaram saudosos.
̶ Sim, e vejo que está acompanhado. – só agora o homem pareceu notar Felicity.
̶ Ah sim, essa é Felicity, uma nova amiga.
̶ Prazer. – a jovem estendeu a mão timidamente.
̶ Igualmente Felicity, eu sou John Diggle, mas todos por aqui me chamam de Diggle. – explicou. – E então, de onde vocês se conhecem?
̶ Longa história, Diggle, depois te conto. – Oliver se antecipou. – E como vai Lyla e a pequena Sara?
̶ Estão bem, mas acredito que essa seja conversa pra outra hora. Ande vá sentar numa mesa com Felicity, eu levarei dois chopes até vocês.
̶ Obrigado cara. – Oliver por fim encerrou o curto diálogo e se dirigiu com Felicity até a mesa.
̶ E então, você e o Diggle costumavam ser amigos? – a loira quis saber.
̶ Sim, John trabalhou para minha família como segurança particular.
̶ Ah é? Conta mais da sua família. – Felicity acomodou-se na cadeira enquanto Oliver começava a contar o desastre que era a família Queen.

De longe John observava os dois com um sorriso matreiro. Oliver nunca fora de amigas, desde que Laurel partiu seu coração, ele vestiu a mascara de playboy milionário e garanhão e a tempo já não sabia como tirar. Mas vê-lo ali com aquela loirinha simpática fez com que John percebesse que não era tarde demais para o jovem. Ele só precisava enxergar isso.

̶ Mentira. – Felicity secou o que deveria ser sua milésima lágrima de tanto que ria das aventuras de Oliver. – Ainda não posso crer que você fez John Diggle e todo seu tamanho entrar numa roupa de balé. Você já viu o tamanho daquele homem?
̶ Pois é, eu fiz. – Oliver a acompanhou nas risadas.
̶ Oh meu deus, não acredito que tem uma dessas aqui. – ela se levantou fazendo com que Oliver a seguisse com o olhar até a velha maquina musical. – Por favor, me diga que funciona. – olhou de relance para o balcão onde Diggle estava escorado.
̶ Não só pega, como eu quero te mostrar uma coisa. – ela observou o loiro depositar uma ficha e apertar alguns botões. Foi só quando ouviu os primeiros acordes de as time goes by que Felicity entendeu a risadinha anterior de Oliver.
̶ Mentira que tem essa música aqui? Diggle, seu bar é o melhor. – gritou para o homem no balcão.
̶ Eu gosto dela, Oliver. – John devolveu divertido.
̶ Agora entendi seu risinho irônico quando falei sobre meu filme favorito ser Casablanca.
̶ Digamos que eu também aprecie bastante a história. – e mais uma vez lá estava o olhar. – Tive uma ideia.
̶ E o que é? – Felicity se permitiu admirar o sorriso matreiro do homem.
̶ Uma vez eu estava num bar de NY e dois jovens estavam escrevendo num guardanapo, era uma espécie de declaração. – explicou divertido. — Vamos fazer diferente.
̶ Como?
̶ Vamos escrever nos nossos guardanapos um bilhete, mas só poderemos ler quando formos embora. – o olhar pimpão de Oliver poderia convencer qualquer um de qualquer coisa.
̶ Tudo bem, mas não pode ser nada clichê tipo "foi bom te conhecer". – Felicity alertou sapeca já pegando seu guardanapo, enquanto Oliver buscava canetas com Diggle.
̶ Toma, pode escrever ai que eu sou o cara mais legal que você já conheceu. – a loira gargalhou das palavras dele, e aquele som pareceu sinfônico para Oliver. De repente ele se viu querendo a ouvir rir mais vezes.
̶ Prontinho, terminei. – Felicity dobrava o papel com cuidado, como se fosse um documento importante.
̶ Eu também, toma, guarda no bolso do seu casaco e só leia quando já estiver longe de mim. – a entregou o pedaço de papel, observando ela fazer o que fora dito. – Eu vou fazer o mesmo com o seu.
̶ Acho bom mesmo. — a garota fingiu um tom mandão não presente ali.
̶ Vem, vamos para outro lugar.
̶ Mas ta tão aconchegante aqui. — ralhou preguiçosamente, enquanto ele já estava a puxando.
̶ Eu sei, mas não teria graça eu te convidar para uma aventura e passarmos toda a noite no bar. – Oliver riu pelo nariz.
̶ Tem razão, e onde vamos agora?
̶ Assaltar um banco. – a forma como os olhos azuis da moça saltaram fez Oliver querer cair na risada, e foi o que ele fez. – Calma Felicity, eu estou brincando.
̶ Muito engraçado, Queen. Muito engraçado mesmo.
̶ Vamos ao parque, satisfeita? – ela acenou num consentimento mudo. – Então vamos logo.

A noite estava linda, o céu limpo sem uma única nuvem cinza, e apesar do frio que fazia, não tinha sinal de chuva. Oliver se permitiu sorrir com o esforço que Felicity fazia para se equilibrar no meio fio, era encantadora a forma com que ela agia tão natural e espontânea, ele não se lembrava da ultima vez que esteve na companhia de alguém tão... Real.

̶ Você vai cair, Felicity. – estendeu a mão para que ela segurasse.

̶ Once upon a time not so long ago. – Felicity forçou uma voz rouca.

̶ Você não vai fazer isso, vai? – a loira o olhou sujestiva. – Vai sim.

̶ Oh, we're half way there whoah, livin' on a prayer. — Felicity ergueu o punho fingindo um microfone, enquanto cantava o trecho de uma música antiga. Oliver achou tão encantadora a forma com que ela fazia aquilo que foi impossível não acompanhar a cantoria as gargalhadas.

̶ Take my hand, we'll make it, I swear whoah, livin' on a prayer.— Oliver a segurou antes que ela desequilibrasse no meio fio.

̶ Aqui é lindo. – Felicity elogiou enquanto sentava num banquinho escorado numa arvore qualquer, calçando seus sapatos.
̶ É sim. – concordou inalando o ar gelado e fresco do lugar. – As pessoas costumam achar que Star city é apenas cinzenta, fria e violenta, mas eu prefiro ver como uma cidade peculiar. Sabe, acho que as pessoas só precisam aproveitar mais os momentos, explorar os lugares, parar um pouco para apreciar o lado bom de tudo.
̶ É bonita sua forma de enxergar as coisas.
̶ Mas e você? Como é sua cidade?
̶ Você nunca esteve em Central city?
̶ Já, mas quero saber do seu ponto de vista. Quero que me mostre sua forma de ver as coisas.
̶ Bem, Central é totalmente o oposto de Star, é um lugar solar, florido e quente. – iniciou após um suspiro. – Não costuma ser tão perigosa quanto aqui e as pessoas preferem passeios vespertinos. Mas sabe uma coisa incomum? Essa carência que a cidade tem em ser explorada, as pessoas parecem não ter mais tempo para a vida real, tudo é mais importante que tirar uma hora do dia apenas para respirar o lugar.
̶ É como se a cidade estivesse sendo esquecida. – Oliver acompanhou a linha de raciocínio dela.
̶ É... – Felicity não sabia mais o que dizer, mais uma vez ela encontrava-se perdida no olhar de Oliver, e aquilo a assustava, nunca havia se sentido tão vulnerável a alguém daquela forma. Ela precisava sair daquele torpor ou só Deus sabe onde aqueles olhares os levariam. – Então, vamos caminha um pouco?
̶ Claro. – Oliver estava desconcertado pelo que tinha acabado de acontecer, ele pareceu hipnotizado por aquelas iris azuis. — Ah, quero te mostrar mais uma coisa.
̶ O que? Uma passagem secreta para o mundo de óz? – a loira zombou tentando quebrar o clima constrangedor que se instaurava.
̶ Já te disseram que você poderia ser piadista? – devolveu no mesmo tom.
̶ Já sim, inclusive preciso analisar várias propostas. – gargalharam juntos.
̶ Eu conheço uma maquina do tempo. – pararam em frente a um telefone público.
̶ Um telefone? Você precisa ligar para alguém?
̶ Na verdade eu quero que você ligue para alguém?
̶ Ah é? Quem?
̶ Você. — sorriu convicto, enquanto ela erguia uma sobrancelha em sinal de confusão.
̶ Você por um acaso é um doido fugido do manicômio que resolveu me distrair para me matar depois? – Oliver não pode conter o riso alto que soltou com a pergunta da garota.
̶ É serio, Felicity. – a encarou por fim. – Essa é a maquina do tempo, a ideia é ligar para o passado e sei lá, dar um conselho ou prevenir de algo. Olha, escolhe um ano e disca.
̶ Tudo bem. – falou depois de ponderar a ideia dele. – Parece absurdo, mas já que estamos aqui, vou ligar para a noite de ontem.
̶ Ótimo. – sorriu discando a data do dia anterior. — Vá em frente.
̶ Está chamando. – Felicity resolveu entrar na brincadeira. – Alô, Felicity? Aqui quem fala é a você do futuro. – deu uma pausa como se esperasse alguém responder. – Ela não acreditou.
̶ Claro que não, ela é esperta. – Oliver riu pelo nariz. – Tente algo que só vocês saibam, convença-a.
̶ Tudo bem. – a garota riu achando no fundo tudo aquilo divertido. – Sabe aquele acidente com os patins na quarta serie? Sim, aquele e que a turma inteira foi te visitar e você mentiu dizendo que tinha levado 20 pontos na cabeça, mas na verdade foram seis. – pausou novamente ouvindo a risada de Oliver. – Agora acredita? Então, sabe aquele convite de Ray para que você represente a empresa amanhã em Star city? Por nada no mundo vá, fique em casa com sua coberta quentinha e seu café, acredite em mim, você vai me agradecer por isso. – pausou olhando Oliver por um breve momento, seus olhos a fitando curiosos e com um brilho de decepção. – Ah Felicity, espera um pouco, na verdade vá sim a este evento. Leve dinheiro extra e tenha cuidado com seu celular, e em hipótese alguma fale com estranhos, a não ser que ele seja extremamente charmoso e tenha olhos incrivelmente azuis, ai sim você deve falar ok? Tudo bem é só isso, tchau. – bateu o telefone no gancho.
̶ Então você me acha charmoso? – Felicity sentiu seu rosto enrubescer com as palavras dele. Ela não precisava ser um gênio pra saber que devia estar com o olhar mais assustado da face da terra, nem ao menos tinha se dado conta de suas palavras.
̶ Sua vez. – desviou do assunto antes que começasse a gaguejar.
̶ Tudo bem, mas eu vou ligar para 2010. – avisou já discando os números. – Alô Oliver? Aqui é você do futuro. – pausou para uma falsa resposta. – O idiota acreditou. – direcionou o olhar a Felicity que riu brevemente. – Então, estou ligando para te avisar que você terá uma proposta de emprego em NY nas próximas semanas, aceite, vai te fazer bem. – olhou novamente a loira que parecia atenta ao seu monologo. – Sim, você vai precisar dessa proposta depois de levar um fora da sua quase noiva, o que me lembra uma coisa, faça o pedido antes de comprar o anel. – pausou novamente. – Ah, você já comprou? Tudo bem vai servir para dar entrada no seu apartamento em NY. Sim, tenho certeza. Tchau. — bateu o telefone no gancho.
̶ Por que ligou para 2010?
̶ Não sei, me pareceu o certo a se fazer. – deu de ombros, fingindo desinteresse.

̶ Oliver, porque você disse que o anel serviria para dar entrada no apartamento? Achei que você tivesse o guardado.

̶ Eu realente usei o anel, mas depois tratei de recuperá-lo. – explicou. – Tá com fome?
̶ Faminta. – Felicity confessou sapeca.
̶ Vem, tem um posto 24:00h aqui perto e na conveniência nós podemos fazer um lanche.
̶ Tá me chamando para um encontro, Mr. Queen? – a loira zombou divertida.
̶ Não, eu não tenho um restaurante chique pra te levar. – foi sincero. – Mas digamos que estamos caminhando para isso.

Felicity podia jurar que nunca havia se sentindo tão a vontade antes com alguém que não fosse Barry. Seu melhor amigo há esta hora devia estar morrendo de preocupações com sua falta de notícias, a loira sentiu-se culpada com esse pensamento. Esteve tão envolvida com Oliver que nem ao menos se lembrou de ligar para Barry avisando que estava bem.

̶ Felicity, ainda está entre nós? – Oliver estalava os dedos a frente de seu rosto, a despertando do que parecia ser um devaneio.
̶ Desculpa, eu só estava pensando em como Barry deve estar preocupado comigo.
̶ Barry, ele é seu...
̶ Melhor amigo. – a loira se adiantou antes que Oliver concluísse a frase.
̶ Ah. – ele enfiou as mãos no bolso, sentindo-se constrangido. – Chegamos. – apontou o posto que ao fundo possuía uma pequena loja de conveniência.
̶ Você sabe dizer se aqui tem algum telefone? – Felicity questionou enquanto entravam no lugar.
̶ Atrás de você. – ele apontou o balcão onde ficava o telefone e alguns mantimentos. – Avisa ao atendente que vamos consumir.

Felicity fez como Oliver instruiu, e logo estava discando o número do apartamento que dividia com Barry.

̶ "Alô ". – ouviu a voz aflita do amigo e sentiu-se culpada.
̶ Barry, sou eu Felicity. – fechou os olhos com força esperando o exporro de Allen, mas este não veio.
̶ "Graças a Deus, onde você se meteu?"
̶ Desculpa Bar, é uma longa história, mas te conto melhor quando voltar. Por agora eu só liguei pra dizer que eu estou bem.
̶ "Eu já estava prestes a ligar para a policia e para a sua mãe".
̶ Não precisa, eu me distrai e acabei esquecendo de ligar.
̶ " Tudo bem, só tenha cuidado".
̶ Não se preocupe, eu terei. De um beijo em Caitlin por mim, eu sei que ela está histérica.
̶ "Não imagina o quanto."

Logo Felicity se despediu do seu amigo e foi de encontro a Oliver que parecia concentrado no pequeno cardápio do lugar.

̶ Voltei. – a loira sentou-se a seu lado.
̶ Já não era sem tempo. — zombou endireitando a postura. – Então, o que vai querer? Temos misto quente e misto quente.
̶ Não sei, acho que vou querer misto quente. – falou depois de fingir pensar o que escolheria.
̶ Ótima pedida, vou pedir o mesmo. – riram entre si, antes de fazer o pedido. – Mas me conta mais sobre você.
̶ Não tenho muito o que falar.
̶ Qual é Felicity, você sabe um monte sobre mim e eu não sei quase nada sobre você, a não ser que é formada em T.I, que seu filme favorito é Casablanca e que tem um melhor amigo chamado Barry. Ah e que não sabe o significado da palavra precaução.
̶ Bem engraçadinho você. – a loira forçou uma risada inexistente para Oliver. – É sério, não tenho grandes coisas pra contar.
̶ Fala sério, você não pode ser tão desinteressante assim. – eles riram.
̶ Tudo bem, o que você quer saber?
̶ Não sei, talvez algo que ninguém saiba.
̶ Tudo bem. – a loira suspirou vencida antes de continuar. – Bem, eu não sou de Central City, na verdade sou de Vegas.
̶ Não me diga. – Oliver riu surpreso. – O que te levou à Central City, Felicity de Vegas?
̶ Oportunidades. – deu de ombros convencida. – Eu tinha acabado de terminar a faculdade e as indústrias Palmer estavam abrindo vagas para estágios, então me candidatei e consegui. E cá estou eu depois de cinco anos, me tornei chefe do departamento tecnológico, divido apartamento com Barry tomo café todas as manhãs na cafeteria perto da delegacia, onde meu amigo trabalha.
̶ Barry é policial? – o loiro perguntou curioso.
̶ Na verdade detetive forense. Ele é tipo perícia sabe?
̶ Deve ser um homem bastante corajoso e determinado.
̶ Quem, Barry? Aquele lá não passa de uma criança no corpo de um homem de 27 anos. – Felicity riu de suas palavras. – Na verdade o mais próximo de sério e maduro que ele chega é em seu namoro com Caitlin.
̶ Ela também é sua amiga?
̶ Sim, Caitlin é médica e o oposto de Barry. Ela é muito centrada e segura de si, sempre tem solução pra tudo e junto com Barry se tornou minha família em Central.
̶ Mas e seus pais? – Oliver indagou com a falta de menção dos dois.
̶ Meu pai abandonou a família quando eu tinha apenas cinco anos, desde então somos apenas mamãe e eu. – Felicity deu uma pausa, ouvindo um sinto muito de Oliver. – Bem, mamãe é mamãe. Costumo dizer que se Donna Smoak não existisse, teriam que a inventar.
̶ Por que diz isso? – ele cruzou os braços sobre o torço, fazendo Felicity perder a concentração por alguns segundos.
̶ Ela sempre foi maluquinha, não tenho muito como explicar, você precisaria ver para crer. Mas sabe, sempre que eu precisei ela esteve lá, ela sempre soube a hora de ser mãe e apesar das loucuras, foi ela que sustentou a casa quando papai se foi.
̶ Uma guerreira e tanto. – Oliver sentia admiração pela forma orgulhosa em como Felicity falava da mãe.
̶ Quer saber mais uma coisa? – ela perguntou divertida. – Eu não sou loira.
̶ Não brinca? – Felicity gargalhou com o olhar surpreso de Oliver. – Você está falando sério?
̶ Estou, eu costumava ter o cabelo escuro até o colegial, digamos que foi uma fase bastante sombria da minha adolescência. – a loira fez careta. – Mas passou e junto com ela, a cor do cabelo também se foi.
̶ Quantas surpresas mais você me reserva?
̶ Terá que descobrir sozinho. – as palavras saíram de forma insinuativa, fugindo do que Felicity realmente queria dizer.
̶ Acho que eu quero descobrir. – Oliver já tinha o rosto próximo ao dela, ele podia sentir a respiração quente da moça soprar seu rosto. Quando deram por si, já estavam envolvidos num beijo lento e suave, no começo apenas o roçar dos lábios. Com cuidado Oliver encostou a ponta da língua no lábio de Felicity pedindo passagem para explorá-la. A loira cedeu ao beijo, sentindo a textura da boca de Oliver, a sutileza com que manuseava tudo, o beijo era único, suave e quente. Eles estavam compartilhando uma sensação só deles, como se deixassem confidências nos lábios um do outro, tinha gosto de novo.

̶ Oliver. – Felicity abandonou os lábios dele ainda sentindo um formigamento percorrer todo o corpo.
̶ Desculpa. – o loiro apertou a mão da garota, que ainda estava estacionada em seu rosto.
̶ Tudo bem é só que... Você me pegou de surpresa. – sussurrou sentindo os dedos dele afagando seus cabelos. Felicity não sabia ao certo o que pensar ou sentir, o beijo tinha mexido com ela de uma forma diferente.
̶ Talvez tenhamos nos precipitado. – as palavras saíram tão incrédulas que nem mesmo Oliver acreditava.
̶ Sim, foi precipitado. – a loira concordou.
̶ Então por que eu não consigo me afastar de você? – Oliver roçou seus lábios nos dela. – Por que parece tão certo?
̶ Oliver... – já era tarde para protestar, nenhum dos dois tinha forças para parar com aquele ciclo vicioso, Oliver sabia que não podia se envolver tão intensamente, mas aquela garota estava mexendo com algo dentro dele. Já Felicity não entendia como um estranho fora capaz de deixá-la tão à vontade e desarmada a ponto de corresponder seu beijo, isso era loucura.
̶ Vem, vamos sair daqui. – levantou estendendo a mão para que ela o acompanhasse.

Eles tornaram a andar pela cidade compartilhando um silencio pessoal. A verdade é que nenhum dos dois queria falar sobre o beijo, eles não queriam estragar aquele momento com palavras.

̶ Te apresento o lago de Star City. – apontou para o pequeno lago perto da marinha da cidade. Felicity riu quando Oliver sentou no chão a puxando para seu lado. – Era pra cá que eu costumava vir quando precisava pensar ou tomar uma decisão. – ele explicou.
̶ E você precisou tomar muitas decisões importantes? – o olhar da loira era curioso.
̶ Algumas. Na verdade aqui foi meu refugio por muito tempo. – tomou uma longa respiração antes de continuar. – Desde o colégio quando eu queria fugir das garotas ou apenas matar aula, ou em casa quando meus pais brigavam e a situação ficava insustentável, era pra cá que eu vinha.
̶ Eles costumavam brigar muito?
̶ Quando eu era criança lembro de minha família ser a mais feliz possível, não tínhamos brigas em casa. Foi no fim do colegial que tudo mudou, Robert tinha uma amante e as brigas se tornaram constantes até que pouco antes dele morrer, mamãe pediu o divorcio.
̶ Sinto muito, Oliver.
̶ Já faz tanto tempo que nem dói mais falar. – sorriu forçado. – Não é só você que tem uma história triste de família, moça.
̶ Como você sabia sobre a música no bar do Diggle. – Felicity desviou o assunto antes que o clima se tornasse melancólico. – Quero dizer, você estava em NY todo esse tempo.
̶ Diggle já tinha o bar antes de eu me mudar, eu costumava passar minhas noites de sexta lá...
̶ Com Laurel. – completou.
̶ Com Laurel. – ele afirmou com uma careta. – Enfim, eu estava torcendo para que aquela música ainda estivesse lá. – confessou arrancando uma risada de Felicity. – É sério, eu não tinha certeza se o John tinha mudado ou não o rádio, digamos que foi surpresa para nós dois.
̶ Então a surpresa deu certo. – suspirou deitando a cabeça no ombro dele. – Oliver, já vai amanhecer. – observou olhando o céu clarear aos poucos com os fracos raios de um sol nublado. – Eu só queria agradecer.
̶ Agradecer pelo o que? – sua voz era tão baixa que ele podia jurar que a loira não tinha ouvido, mas ela ouviu.
̶ Por essa noite incrível, foi a melhor de toda a minha vida. – sorriu com o filme de toda a noite voltando a sua mente. Oliver não percebeu quando a loira caiu no sono, recostada em seu ombro, ele estava aéreo demais pensando em como uma única noite podia ter mudado tantas coisas dentro dele.
̶ O que você fez comigo, Felicity? – ele questionou a loira, tendo em resposta seu ressonado.

Logo o céu inteiro clareou trazendo incomodo aos olhos de Felicity que se remexeu sentindo algo pinicar seu corpo, enquanto sua cabeça subia e descia no travesseiro macio em que ela estava. Com dificuldade abriu os olhos se deparando com o loiro embaixo de si dormindo tranquilo, Felicity se permitiu sorrir com a lembrança de toda a noite que tiveram e isso foi o suficiente para lhe lembrar de que o conto de fadas estava acabando.

̶ Oliver. – ela chacoalhou o braço dele. – Oliver, acorda.
̶ Hum, que horas são? – perguntou sentando-se na grama esfregando os olhos.
̶ Não sei, mas não deve passar de umas 07:00h. – sorriu encantada com como o homem conseguia ficar ainda mais lindo de rosto amassado. – Bom dia.
̶ Bom dia. – sorriu. – Com fome? – a loira assentiu com um aceno de cabeça. – amos comer, então.

Qualquer um que visse Oliver e Felicity caminhando de mãos dadas em direção a cafeteria poderia dizer que eles eram um jovem casal feliz, mas a realidade era outra, e as mãos dadas tão fortemente significava apenas o receio que ambos tinham pelo fim. Eles tomaram café o tempo inteiro em silencio e de mãos dadas.

̶ O trem sai em meia hora. – Felicity se aproximou de Oliver com um sorriso fraco. O caminho até a estação de Star foi silencioso, ambos não sabiam ao certo o que dizer.
̶ Então é isso, está chegando a hora da despedida.
̶ Acho melhor irmos para a plataforma. – a loira falou após um pigarro, tentando ao máximo espantar aquele sentimento de despedida.
̶ Espera, antes quero fazer uma coisa. – a puxou até um telefone público da estação.
̶ Para quem você vai ligar a essa hora?
̶ Alô, Oliver? – falou ignorando a pergunta dela. – Aqui é você do futuro... De novo.
̶ Oliver. – a loira chamou divertida.
̶ Eu só liguei pra dizer que no dia 25 de Outubro de 2015 você irá conhecer alguém. – Felicity percebeu que ele falava dela e resolveu prestar atenção na falsa chamada. – Você saberá na hora que ela é problema. – pausou lançando um olhar divertido para a loira que riu suavemente, sentindo algumas lágrimas lhe embaçar a vista. – No fim da noite você vai querer falar algumas coisas, mas não diga, não estrague tudo. – suspirou sentindo os olhos molhados. – Apenas beije ela. Deseje boa sorte a ela. Agradeça-a... Por te mostrar que você pode amar mais do que uma pessoa nessa vida. – terminou a frase emocionado, batendo o telefone no gancho.
̶ Oliver... – Felicity estava com o rosto molhado pelas lágrimas, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, sentiu seu rosto ser puxado para um beijo. Um último beijo antes de ir.
— Boa sorte. — sussurrou nos lábios dela, enxugando suas lágrimas com a ponta dos dedos.

Felicity sentiu seu peito arder assim como seus olhos que já derramavam algumas lágrimas. A verdade é que nunca fora boa com despedidas, e por isso odiava o sentimento de partida, aquele aperto no peito e a angústia de não tornar após o adeus. Mas de alguma forma sentia-se diferente, não tinha a angústia nem a tristeza, como se algo dentro de si avisasse que tornariam a se ver.

Nunca se esqueça de sorrir, você tem um sorriso capaz de iluminar o mundo. Seja feliz Felicity... Onde quer que esteja agora

"nós sempre teremos Paris."

A loira riu com a paráfrase usada no bilhete, ela sabia o que aquilo significava, sabia que de alguma forma eles tornariam a se ver e com um sorriso genuíno nos lábios ela observou a não mais tão cinzenta Star City ficando para trás, imaginando a reação de Oliver ao ler seu bilhete.

Obrigada pela aventura, mas ovos com bacon ainda é melhor que torradas com geleia. Antes de partirmos eu só queria dizer que você foi a melhor coisa que me aconteceu naquela tarde chuvosa de outono.

Palmers Technologies, não demore a entender. ;)

Oliver riu no banco de trás do táxi. Nunca havia conhecido uma garota como aquela, ela era boa demais para apenas uma lembrança. Guardou o bilhete no bolso enquanto começava a planejar uma fusão da empresa da família com a empresa de Ray Palmer.

Notas finais
Então meninas, é isso. Espero que tenham gostado, principalmente dona Karly, já que é o meu presente kkkkkkk

Caso alguém queira assistir o filme, eu super recomendo, é lindo e emocionante ( e com o Chris Evans ;D).

Vou deixar aqui a listinha de música, vulgo trilha sonora que me inspirou na escrita.

* Don't you forget about me. - Simple Minds;
* Flor e o beija-flor. - Henrique e Juliano;
* Livin on a prayer. - Bon Jovi;
* Yellow. - Coldplay;
* Minha vontade - Fred e Gustavo; (sim, por causa do vídeo)
* as time goes by . - Frank Sinatra;

É isso, até minha próxima postagem. :* ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!