Before Sunrise
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Clair’s POV
Depois de ir para o boliche comemorar a nossa estadia permanente em Londres nós fomos para uma baladinha que tinha perto dali. Eu e Harry estávamos – literalmente – nos agarrando ferozmente na frente de todos, e eu sei que isso estava indo longe demais porque eu já conseguia sentir o nível de excitação borbulhando de nós, então ele teve a brilhante idéia de irmos para casa... Tenho que dizer o quanto isso simplificou tudo? Entramos no carro e o tempo todo em que ele ia dirigindo eu passeava com a minha mão por sua coxa, tronco e pescoço e sentia todos os pêlos dele se eriçarem, era bom a sensação de dar arrepios em uma pessoa. Ele parou o carro no estacionamento do nosso apartamento e foi abrir a porta pra mim, ele me puxou pela cintura fortemente, encarando-me nos olhos e sussurrou com os dentes trincados, como se estivesse segurando uma vontade.
- Aja normalmente... – Ele deu uma piscadinha, entrelaçou seus dedos nos meus e entramos na recepção do edifício, todos ali pareciam cansados, mas mesmo assim completamente atentos à tudo. Fomos caminhando até o elevador, apertei o botão e vi Harry me examinar de cima à baixo mordendo o lábio inferior, decidi provocá-lo um pouquinho.
- Ta calor aqui né? – Falei abanando-me com a própria blusa e passando a mão por minha coxa, levantando um pouco da barra da blusa, Harry ainda estava com seu olhar fixo em mim, ou devo dizer, meu corpo. O elevador se abriu e ele me puxou brutamente para dentro, me colando na parede e prensando seu corpo contra o meu, soltei um leve gemido, uma mistura de dor e excitação. Ele dedilhou um caminho pela lateral do meu corpo, desde a coxa até meu pescoço, me fazendo arrepiar toda e completamente. O elevador enfim chegou ao meu nosso andar, apressei-me em pegar as chaves ainda com os lábios grudados nos de Harry, ele me chocou contra a porta de casa enquanto eu tentava – com MUITA dificuldade – me virar para colocar a chave na fechadura e abrir a mesma, me virei e senti os lábios de Harry por todo meu pescoço e sua mão em meu quadril. Empurrei a porta com os pés, a fechei enquanto puxava Harry com uma mão só pela gola da camiseta, o joguei no sofá sem dó nem piedade se iria doer ou não, meu corpo estava definitivamente clamando por isso. Andei determinada em sua direção enquanto ele continuava com o mesmo e habitual sorriso malicioso no rosto, sentei-me em seu colo e lentamente colei meus lábios nos seus, sentindo Harry com pressa aprofundar o beijo cada vez mais. O calor percorria meu corpo inteiro e o dele também, tirei minha blusa em um movimento rápido, sentindo Harry pousar seu olhar sobre meu sutiã preto de renda, passei os dedos pelas alças do mesmo e me inclinei um pouco para beijar seu pescoço. Em poucos minutos estávamos os dois sem as peças de roupa, apenas de roupa íntima. Levantei-me enquanto ele me olhava com um olhar desapontado e confuso, segui em direção ao meu quarto enquanto ele ainda estava lá, parado.
- Não vai vir não? To querendo sua companhia essa noite... – Falei com a minha voz rouca, sexy e carregada de excitação, Harry deu um pulo do sofá e me agarrou com tudo, nos jogando na cama. Rimos da situação e ele logo fez um caminho de beijos da minha barriga até meu pescoço, eu revirava os olhos continuadamente enquanto sentia sua língua se arrastar por toda extremidade do meu tronco. Não agüentei mais e o puxei para um beijo demorado e intenso, eu sentia nossas línguas se movimentando e sua mão que estava parada sobre meus seios, os apertando vez ou outra me fazendo soltar leves gemidos no seu ouvido, vendo todos os seus pêlos da nuca se arrepiarem. Suas mãos voltaram-se para as minhas costas, mais precisamente: os fechos do meu sutiã. Ele estava tendo um pouco de dificuldade com o fecho, porque enquanto tentava abrir se frustrou e jogou sua cabeça no meu peito, como se estivesse se rendendo. Levantei-me o jogando na cama e sentando-me por cima dele, sentindo a sua ereção ficar bem nítida em contato com a minha intimidade. Abri o fecho do meu sutiã e senti suas mãos ágeis o puxando pela alça enquanto eu me escorava sobre seu – super-bem-definido – tórax. Ele ficou uma boa consideração de tempo só observando meus seios então apenas me deitei sobre ele o dando um pequeno e intenso beijo, suas mãos brincavam por minhas costas e barriga, até que seus dedos se enroscaram nas alças da minha calcinha, a puxando lentamente para baixo enquanto minha mão estava completamente agarrada à sua boxer. Depois de nos livrarmos das peças, sussurrei em seu ouvido deixando escapar alguns gemidos devido aos apertões e mordidas que Harry me dava:
- Me diz que você tem camisinha... – Ele sorriu malicioso e puxou um pacotinho da gaveta da cômoda. Eu beijava seu pescoço e então ouvi ele falar fracamente no meu ouvido:
- Para, põe por favor... – Sua voz estava extremamente – sexy devo dizer – carregada de excitação. Coloquei a camisinha com os devidos cuidados enquanto senti suas mãos grandes apertando minha cintura me encaixando perfeitamente em si. Soltei um gemido alto, de dor, e toda vez que isso acontecia ele parava e dava leves beijos em meu ombro e pescoço, como jeito de amenizar a dor. Minhas mãos agora arranhavam todo seu tórax e suas costas enquanto uma de suas mãos estava espalmada sobre minhas costas e a outra agarrada fortemente à minha bunda. Ele estava escorado na parede, com a cara afundada no meu pescoço e eu sentada sobre ele, fazendo uma bagunça enorme no seu cabelo enquanto ambos gemiam – demasiadamente – alto, fazendo tudo ecoar pelo quarto. Os movimentos foram parando lentamente enquanto eu apenas descansei minha cabeça sobre seu ombro e suas mãos faziam movimentos circulares na minha coxa.
- Eu te amo. – Senti minha voz tremer e totalmente fraca pela minha falta de energia.
Suas mãos apertaram-se mais ainda sobre minha coxa e ele virou delicadamente seu rosto para me fitar.
- Eu te amo Clair. – Ele disse e me deu um pequeno selinho, o puxei novamente para um beijo intenso e longo, enquanto caímos deitados na cama e ríamos alto.
- Diz pra mim que vai ter mais vezes! – Ele falou com seu habitual e sujo sorriso malicioso, dei uma grande gargalhada e um soquinho no seu ombro.
- Seu tarado! Por mim vai, só não vale me estuprar quando eu te recusar hein? – Falei rindo enquanto ele arregalava os olhos.
- Estupro é dor, e a última coisa que eu quero, é te ver machucada! – Agarrei sua cabeça e dei um beijo em sua bochecha, bocejei enquanto Harry tentava me acomodar no seu abraço, preparados para dormir. Dei um beijo em seu pescoço e fechei meus olhos, sentindo seu abraço se apertar em mim. Eu sabia do poder dele sobre mim, só não sabia que era amor, e que... Eu amava mesmo ele.
Sam’s POV
A festa ainda rolava dentro da balada, mas meu pé estava me matando e eu não conseguia chamar aquilo de festa, pra mim eram pessoas sufocadas e bêbadas dançando à um volume muito alto de música, mas não havia diversão, pelo menos não quando você está usando um salto de quase vinte centímetros e um vestido que insiste em subir. Me sentei em uma das mesas que haviam ao redor do bar enquanto esperava Liam chegar com nossas bebidas, batuquei com meus dedos na mesa esperando por sua companhia, senti um movimento em minha frente e abri um sorriso, esperando que fosse Liam, mas foi desmanchado quando vi Josh Hutcherson na minha frente. Não que ele seja ruim! Não! Só não era quem eu queria que fosse...
- Olá! Parece que nos encontramos de novo!
- Quem diria! Quanta ironia do destino... – Falei procurando Liam com o olhar e o enxergando pegando as bebidas na mesa e vindo em minha direção. Abri um sorriso instantâneo.
- Quer dançar? – Josh me perguntou me despertando de meus devaneios.
- Ahn, eu to... Acompanhada, Josh, mas obrigada pelo convite! – Disse já me levantando e recebendo Liam com um selinho, que encarou Josh de cima à baixo.
- Josh Hutcherson! – Josh falou estendo sua mão.
- Liam Payne. Desculpa ser assim intrometido, mas vou roubar a minha garota pra ir dançar, tudo bem? Até mais! – Me levantei sorrindo feito boba e acompanhando Liam até a pista de dança, tudo bem que não me agradava dançar naquele lugar, mas só estando na sua companhia tudo parecia mais agradável... Habitável. Dançamos um pouco até que senti sua respiração bater de leve em meu ouvido.
- Vamos embora? A gente pode fazer algo lá em casa... – Concordei com a cabeça e fomos em direção à saída. Dentro do carro nós fomos conversando animadamente sobre qual filme iríamos ver.
- Toy Story! Eu imploro!
- Não amor! Eu quero ver “Amizade Colorida” sem contar que você já passou da idade de Toy Story né? – Eu disse rindo da sua cara que estava em uma feição engraçada de um misto entre indignação e surpresa.
- Par ou ímpar?
- Liam!
- Ok, então vamos deitar na cama e ficar encarando um o outro!
- Ou podemos fazer outra coisa... – Falei me inclinando lentamente até ele que parou o carro e me olhou como se esperasse minha atitude. Toquei seus lábios lentamente e depois aprofundando o beijo, mordendo de leve o seu lábio inferior.
- Decidi o que faremos hoje. – Liam disse arrancando-me uma alta gargalhada e dando partida no carro.
Zayn’s POV
Chegamos à festa e ficamos dançando e bebendo alguns copos de vodka e algumas batidas que nos ofereciam, estava tudo sobre controle, até que a Mel decide rebolar até o chão – literalmente – e voltar, se o plano dela era me deixar louco certamente tinha dado certo, mas essa não era a Mel adorável que eu conhecia, ela tinha ido junto com a bebida que descia por sua garganta. Coloquei minhas mãos na sua cintura ainda sentindo seu quadril se movimentar de um lado para o outro e sussurrei em seu ouvido:
- Ei pequena, vamos embora?
- O quê? A festa mal começou Zayn! – Ela disse abraçando meu pescoço e dando um pequeno selinho em meus lábios, voltando a rebolar.
- Ta boa pra você pra todos os olhares que você ta atraindo né... Mel, vamos embora, você bebeu demais!
- Não Zayn! Deixa eu me divertir, qualé! – Ela falou com um copo de bebida na mão que o retirei rapidamente. Ela me encarou com seus dois olhos cheios de brilho, mas era um brilho diferente, como se não estivesse sóbria. A agarrei pela cintura e fui a levando calmamente até a saída, entramos no meu carro e dirigi até em casa.
- Mel, chegamos, va-... – Me virei para fitar seu rosto e vi seus olhos fechados e um sorriso fraco estampado no seu rosto, ela havia dormido, sorri com isso. Saí do carro lentamente e a peguei no colo com cuidado para não a acordar. Pedi ajuda à um senhor que estava por perto para que ele pudesse chamar o elevador para mim, e assim que ele o fez, entrei e fiquei observando seus traços finos e delicados. Os olhos fechados, mostrando toda a maquiagem que cobria sua pálpebra, os cílios grandes e perfeitos, como se ela tivesse os escolhido de uma caixa, o nariz reto e os lábios extremamente perfeitos, como se fossem desenhados à mão, cada curva que seus lábios tinham aumentava a minha vontade de os tocar com os meus. O elevador se abriu e parti para dentro de casa, da minha, deitei-a na minha cama de forma que ela pudesse se sentir confortável e resolvi trocar sua roupa. Tirei os saltos e os coloquei do lado do criado-mudo, tive um pouco de dificuldade para tirar o vestido, mas consegui logo depois. Era um pouco estranho observar Mel daquele jeito, deitada delicada sobre minha cama, apenas de lingerie e com um sorriso adorável nos lábios, busquei uma camiseta branca e a vesti, novamente. Depois de tudo pronto, coloquei meu pijama, escovei os dentes, deitei-me ao seu lado e desliguei a luz do abajur, a única que iluminava o quarto.
- Boa noite meu amor... – Sussurrei em seu ouvido, mesmo sabendo que ela nem ouviria. Deitei a cabeça e fechei os olhos, esperando o sono vir.
Cath’s POV
Acordei com o sol batendo no meu rosto, droga! Odeio essa sensação, me lembra os tempos da escola, coisa que não quero viver novamente tão cedo. Levantei da cama sentindo uma dor insuportável na cabeça, como se um piano tivesse caído nela. Cambaleei até a sala onde Louis trocava os canais da TV e Niall estava na cozinha fazendo ovos fritos, o cheiro era maravilhoso, mas ao mesmo tempo que minhas narinas sentiam o cheiro de coisa boa, meu estômago se embrulhava e se fechava. Andei até a cozinha tentando ao máximo manter aquele cheiro horrível longe de mim e me dirigi até a caixinha de primeiros socorros, procurando por um remédio pra dor de cabeça. O achei e peguei um pequeno copo d’água, tomando logo em seguida, levando o remédio garganta a baixo. Niall me encarava e o seu olhar me transparecia dor.
- Come alguma coisa Cath! – Ele falou sussurrando e olhando de relance para sala, onde Louis estava, entendi o que ele quis dizer, mas neguei com a cabeça.
- Não to com fome.
- Não é questão de estar, é precisar, você vai desmaiar se continuar com isso.
- Niall! Eu to bem. – Falei colocando o copo na pia e voltando em direção ao quarto. Senti o olhar de Louis queimar nas minhas costas e logo suas mãos envolveram um dos meus pulsos.
- Cath, podemos conversar? – Assenti com a cabeça e me dirigi até o quarto. Entrei e senti ele fechando a porta atrás de nós. Um silêncio se instalou sobre o quarto e jurei que era possível se ouvir as batidas do meu coração, de tão acelerado que estava. Sem contar na respiração descompassa que Louis tinha. Me sentei na cama com a cabeça baixa e a levantei em seguida quando o vi se pronunciar.
- O que está havendo com você? Não come, não bebe, não vive. Passa o tempo todo trancada no quarto e está fria. Eu me preocupo com você e eu não quis dizer aquilo na mesa, me perdoa... Eu estava chateado, não é todo dia que você vê sua namorada ficar fraca e doente. Porque me dizer que está bem é impossível. Eu te amo e quero te ver bem, me fala o que houve. – Ele tocou minhas mãos e eu levantei o olhar, sentindo aquelas gotas salgadas de lágrimas descerem pelo meu rosto.
- Eu sou bulímica, Louis. – Ele arregalou os olhos completamente. Como se não tivesse entendido e ao mesmo tempo levado um susto. – Eu como e vomito. Eu só queria ter um corpo perfeito, ser bonita, não ter “barriguinha”, olha o corpo da Clair! Ela é perfeita! Eu não conseguiria ser assim de jeito nenhum. Toda vez que eu coloco algo na minha boca, eu vejo que fiz algo que não deveria ter feito, então eu vou lá e boto tudo pra fora. Eu não queria te preocupar, eu só faço isso pro meu bem. Pra minha auto-estima. – Ele me abraçou forte e ouvi alguns soluços saindo da sua boca. O abracei com a mesma intensidade, sentindo cada músculo seu ao meu redor. As pessoas não entendem o porquê de eu fazer isso, às vezes nem eu mesmo entendo, mas virou um hábito e meu corpo se acostumou com isso. Ele se soltou lentamente e pegou meu rosto com as mãos.
- Vamos mudar isso. Isso não te faz bem, nem pra você nem pra ninguém ao seu redor. Nós vamos procurar ajuda e fazer disso um obstáculo vencido, tudo bem? – Assenti com a cabeça forçando um sorriso. Ele pegou minha mão e saímos do quarto, indo em direção à mesa onde Niall comia animado. Foi só ver aquelas comidas em cima da mesa que meu pé se prendeu ao chão.
- Não, não... Não Louis! – Seu olhar se encontrou com o meu e ele me deu um pequeno abraço. Fomos em direção à mesa e fiquei olhando o sanduíche que Louis tinha me feito, ele parecia gostoso, mas pra quê parecer bom se ele vai sair por minha boca do mesmo jeito? Louis me olhou me incentivando a comer, mordi um pedaço sentindo a comida descer por minha garganta. Fiz uma careta e voltei a morder todo o sanduíche, só olhando o meu prato já vazio. A culpa então me tomou conta, apoiei minhas mãos sobre a mesa para sair, mas Louis a segurava e me olhava com pesar e carinho. Sentei novamente e sorri para Louis, que depositou um beijo em minha testa. Depois de comermos, nós nos sentamos no sofá para assistir TV.
- Ei pequena, vou fazer uma ligação, tudo bem? – Assenti com a cabeça e o vi sair para nosso quarto com o telefone nas mãos. Depois de ouvir o barulho da porta se fechando, fui até lá e coloquei meu ouvido na mesma, tentando ouvir sua conversa.
- Alô? É da clínica de reabilitação “Forest Grant Lake”? Boa tarde, hm... Eu gostaria de levar minha namorada em uma de suas sessões de ajuda, ela é bulímica, ah tudo bem, vou esperar a ligação então. Obrigada! – Ele terminou a ligação e tentou mais uma, para outra clínica. Senti meus joelhos fraquejarem e minhas costas deslizarem na parede até o chão. Lágrimas invadiam meu rosto, mas não podia simplesmente deixar Louis as ouvir e me enxergar nesse péssimo estado. Peguei um casaco e minha bolsa e saí de casa, andando pelas ruas de Londres. Niall tentou falar comigo, mas o ignorei e saí porta a fora. Decidi ir até uma Starbucks para pegar um café. Me sentei em uma das mesas com o café em minhas mãos e a tensão borbulhando em cada pedaço do meu corpo. Ouvi de longe uma conversa entre duas mulheres...
- Eu tento, mas não consigo, enquanto eu estou arrancando meus cabelos a única coisa que se passa em minha mente é o cigarro. É como um refúgio, eu sei que é horrível, mas é fumando que por um momento, o nervoso passa. – A outra mulher se pronunciou, tentando fazê-la mudar de idéia, mas pelo visto foi sem sucesso. Levantei da Starbucks e passei em um mercadinho, comprei uma garrafa de água e no caixa me deparei com uma prateleira onde tinham caixas e mais caixas de cigarro. Comprei uma e saí do local. Andei mais ou menos uns vinte minutos procurando um lugar sossegado para sentar e pensar, enquanto eu era seguida por dez ou quinze paparazzis. Achei um parque e do lado um pequeno beco, me sentei no começo dele e acendi um cigarro, vendo toda aquela fumaça sair de minha boca e a nicotina já entrar em ação. Meu coração desacelerou um pouco e a tensão pareceu ir embora. Fiquei ali por mais ou menos dez minutos quando vi meu telefone tocar. Queimei o cigarro e atendi, era Louis.
- Cath do céu, onde você se meteu?
- Relaxa Louis, já estou indo pra casa.
- O que houve?
- Nada de mais, só precisava respirar um pouco. Te vejo já, beijos. – Desliguei o telefone e o coloquei na minha bolsa, junto com o maço de cigarros e a garrafa de água, coloquei os óculos escuros e fui andando até em casa. Abri a porta, larguei minha bolsa no sofá e fui tomar um banho, ao menos para deixar as idéias fluírem e a tensão abandonar por completo, todo o meu corpo.
Niall’s POV
Acordei cedo para quem estava super exausto ontem à noite. Levantei e fui fazer um café, mas só quem estava acordados eram Louis e Cath, eu sentia o clima pesado entre os dois, mas tocar nele o tornaria mais tenso ainda. Apenas “dei de ombros” e fui pra sala ver TV. Não tinha absolutamente NADA de bom passando então me levantei e fui até a varanda, fiquei um bom tempo lá, só observando as pessoas e as folhas caindo das árvores, até que sinto um braço nas minhas costas, tocando-a levemente.
- Oi! O que faz aqui? – Alison me perguntou ficando ao meu lado.
- Nada, o tédio está me consumindo! – Fiz um biquinho e ela deu uma leve risada. Já disse o quanto amo a risada dela? Pois é... Sua respiração estava pesada e ela estava fria, no sentido literal da palavra.
- Espere um pouco. – Falei entrando em casa e indo buscar um casaco, e então vi o meu, era grande e quente, com certeza melhor do que os finos que ela tinha. Voltei até lá e coloquei o casaco sobre seus ombros, que me agradeceu com um sorriso.
- Está tudo bem, Ali?
- Ta sim! Só um pouco cansada... – Ela soltou um longo suspiro, ela não parecia cansada, parecia... Não sei, algo mais tinha.
- Tem certeza?
- Não.
Um silêncio então se instalou sobre nós...
- Eu... Eu gosto de você Niall. – Na hora que sua voz pronunciou todas aquelas palavras, senti que o mundo tinha parado, o chão sumiu, o ar faltou, meu coração estava tão acelerado que achei que ele fosse colidir contra minhas costelas.
- G-g-gosta de mim?
- É. E não do jeito que deveria, porque... Aff! Por que isso sempre acontece comigo?
- Isso o que Ali?
- Eu... Eu tenho essa necessidade de estar com você o tempo todo, de te abraçar ou bei... Enfim, de t-ter você. Mas o pior é saber que nem ao mínimo sou correspondida. Ai desculpa te encher com isso ta? É só que eu não consigo mais guardar pra mim.
- Ali...
- Não tem problema você dizer que não gosta de mim, só prefiro não ouvir.
- Ali deixa eu f-
- Não! To poupando de me machucar.
- DÁ PRA VOCÊ CALAR A BOCA? – Ela me olhou assustada e logo assentiu com a cabeça. – Eu gosto de você, pra caramba, mesmo, de verdade, e do mesmo jeito que você gosta de mim, exatamente igual. Essa coisa doentia crescendo em nós e a gente com essa necessidade de ter um ao outro, não é mesmo? É, eu sei como você se sente e é justamente por você que eu me sinto assim. – Ela agora chorava muito, um misto de alegria e dor, não soube identificar ao certo, apenas a abracei fortemente, como se aquele fosse o nosso último dia de vida. Me separei dela, mas ainda mantinha meus braços ao seu redor, observei seu rosto e um pequeno e adorável sorriso se formando em seu rosto. Toquei sua bochecha com minha mão, afastando umas lágrimas que ainda insistiam em cair, fui me aproximando lentamente de seu rosto e vi seus olhos se fecharem, como se estivesse me aprovando do que eu estava prestes a fazer. Fui chegando cada vez mais perto, sentindo sua respiração bater de leve no meu queixo e enfim toquei seus lábios com os meus, foi como se um choque me percorresse todo, um arrepio enorme e incômodo, foi – estupidamente – maravilhoso, definitivamente o melhor beijo que eu já havia dado, tudo pelo simples fato de ser todo correspondido e por eu estar beijando quem eu amo, mas o melhor de tudo simplesmente é beijar quem te ama.
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