Before Sunrise
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Cath’s POV
Finalmente o último dia de aula. Sinceramente, acordar cedo todos os dias para ir ao colégio não é muito minha cara... Mas finalmente chegou o dia que eu posso jogar os papeis para cima sem ao menos ter que me preocupar. Meu despertador tocou as sete e meia, como sempre, o desliguei calmamente, e me levantei da cama, indo direto ao meu banheiro. Prendi o cabelo em um coque frouxo e passei a água gelada da torneira em meu rosto, me “acordando”. Escovei meus dentes e fui até meu armário procurar uma roupa. Penteei meu cabelo e logo o prendi novamente no mesmo coque frouxo de antes. Peguei minha bolsa e desci. Mamãe estava fazendo os ovos mexidos de Tyler, meu irmão mais velho, e papai lia ao seu jornal na mesa. Wealy, nossa cachorrinha, rodeava meu irmão, que brincava com um pedaço de bacon na mão, apesar de Tyler ter dezenove anos, tem uma mentalidade de onze. Dei um beijo em mamãe e papai e um tapinha leve na cabeça de Tyler, que reclamou logo depois. Fui andando em direção ao colégio, não era muito longe de minha casa. Quando virei a esquerda da minha rua, encontrei Kaley, o menino dos olhos mais hipnotizantes que existe, e ele sorria para mim, aquele sorriso me fazia derreter por inteira. Ele sorria e acenava e vinha em minha direção, mas Tyler, o estraga prazer – como será chamado daqui em diante – simplesmente me agarrou por trás e me deu um beijo na bochecha, me escabelando inteira, o que fez com que Kaley parasse e me olhasse surpreso, nós já estávamos em uma distância consideravelmente pequena, portanto expliquei.
– Tyler, meu irmão. Desculpa, hm... Bom dia Kaley! – Tentei me explicar dando um dos meus melhores sorrisos.
– Tudo bem, linda, ta indo pro colégio? – Confirmei com a cabeça – Vamos juntos? – Ele falou, dando aqueles sorrisos lindos, que só o Kaley sabe dar. O acompanhei em todo o trajeto até o colégio, ouvindo atentamente suas histórias fantásticas, e confesso que se minhas pernas estivessem mais bambas do que já estavam, eu teria caído ali mesmo. Chegamos lá e Kaley fez questão de me levar até minha sala, pois já havia batido o sinal da primeira aula. Quando estava entrando na porta, Kaley puxa minha mão e dá um leve beijo em minha bochecha, saiu de lá e foi em direção à sua sala. Kaley e eu éramos grandes amigos sem dúvida, mas a chegar nesse ponto... Com certeza aquele beijo não foi “amigável” considerando o quanto ele demorou a descolar seus lábios de minha bochecha. Eu sentia minhas bochechas queimarem enquanto acompanhava com os meus olhos, Kaley ir até sua sala, então sai do transe, e entrei na sala. Clarisse estava em uma das últimas fileiras, como sempre, enquanto Alison se encontrava no meio da classe e Melinda na carteira de frente ao professor. Pedi licença, e me sentei na cadeira ao lado de Clarisse, que me mandou um sorriso e logo começamos a conversar. Eu, Clarisse, Melinda, Alison e Samantha cantávamos em uma “banda”, digamos assim. Não era uma banda oficial nem nada, mas todas nós tínhamos belas vozes e Clarisse dançava muito bem, então gravávamos vídeos e colocávamos no youtube, para que algum agente ou alguém desse ramo possa descobrir a gente. E eu e Clair estávamos combinando para gravar o nosso último vídeo nessa tarde. Assim, as meninas iriam em minha casa e gravaríamos. A aula tinha passado rápido, os professores só conversaram conosco e tiraram algumas dúvidas, como era o último dia, dar uma matéria era impossível, portanto fomos dispensadas mais cedo. Contei à Clair todo o acontecimento com Kaley, e ela não pode deixar de lado, o seu usual sorriso malicioso. Fomos juntas até a saída, enquanto esperávamos as meninas saírem das salas e Kaley passou por mim. Sorri quando o vi, mas ele simplesmente me puxou para um lugar longe da saída. O segui, com nervosismo transbordando do meu corpo e virei minha cabeça para trás, Clair fazia um gesto com suas mãos como quem diz “Vá”, apenas sorri e continuei o seguindo. Ele abriu uma porta e entramos lá, parecia uma sala de artes abandonada, estava escuro por conta da falta de luz e das cortinas fechadas, o cheiro não era muito bom, e tinham várias obras penduradas na parede e algumas ainda em seus apoios. Kaley se virou para trancar a sala e fiz uma cara de desentendida. Ele andava em minha direção com uma feição muito determinada em seu rosto, e ele chegava cada vez mais perto, que era possível sentir sua respiração batendo de leve em meu rosto, então ele sussurrou no meu ouvido.
– Faz tempo que eu quero te dizer isso, mas... Infelizmente, só hoje estou com coragem para dizer... – Era uma distância consideravelmente pequena, que pairava sobre nossos lábios que estavam quase grudados, respirei fundo tentando acalmar o meu coração que batia com tamanha força sobre minhas costelas, dando a impressão que iria quebrá-las a qualquer momento. Kaley soltava beijos em minha bochecha, queixo e em meu pescoço, e por fim, nos meus lábios. Quando ele os selou, simplesmente me beijou como se não houvesse amanhã, estranhei o tal ato repentino, mas eu era completamente apaixonada por Kaley desde o começo do ano e ele sempre foi muito amigo meu, então eu deveria aproveitar esse momento ao máximo, não? Deixei que ele me beijasse, aproveitando cada pequeno segundo que passava, até que ele descolou nossos lábios, piscou algumas vezes, olhou em meus olhos, e eu podia sentir a profundidade que eu caia, até parecia que estava passeando por toda sua alma. Ele sorriu até mim, me esticou uma mão e andamos novamente até a entrada do colégio. Kaley se despediu de mim com um selinho demorado, atraindo vários olhares desconfiados de todos, até algumas meninas nojentas que estavam ali perto me encaravam com aqueles olharem mortais. Dei de ombros e senti Clair me puxando pelo braço, nós estávamos correndo, sei lá Deus para onde. Atrás de nós estavam Ali, Mel e Sam. Só percebi onde estávamos, quando Clair parou de correr e me arrastou até a porta de sua casa, abrindo a geladeira e despejando algumas bobeiras na mesa, matando toda a fome que havia em nós. Ela subiu para procurar sua câmera – e até ouvi um palavrão de lá – e quando voltou, começamos a gravar a música. Eu tinha uma voz muito bonita, tenho que admitir, e amava cantar, eu e todas as meninas, Clarisse era a única de nós que tinha um talento nato para dançar. Depois de gravarmos o vídeo, que por sinal tinha ficado ótimo, descansamos, todas nós deitamos no sofá da sala de Clair e algumas de nós até tiraram uma soneca rápida, menos eu, que tinha meus pensamentos divididos em minha carreira e em Kaley.
Clair’s POV
Estavam todas lá em casa, eu, Cath, Mel, Ali e Sam, havíamos gravado nosso vídeo e agora todas nós nos encontrávamos jogadas uma em cada canto dos meus dois sofás na sala. Gravamos uma música que Mel havia composto, Mel tinha o dom de escrever canções, e elas eram perfeitas. Dormi uma soneca de no máximo uma hora, assim como todas as outras, menos Cath, que ficara acordada o tempo todo. Levantei-me, sorri para Cath que fez o mesmo ao me encontrar, e fui até meu quarto, trocar de roupa. Aquele quarto estava uma zona, precisava de uma faxineira, urgente! Entrei no meu closet para – tentar – procurar uma roupa que esteja limpa e seja bonita. Hoje eu precisava me divertir, ainda mais por ser o último dia do ano letivo, isso precisa ser comemorado. Peguei uma roupa e fiz meu make, desci as escadas tentando não acordar as garotas, mas quando cheguei lá em baixo, todas estavam acordadas e se encontravam na sala, menos Alison que atacava minha geladeira. As garotas me viram e fizeram umas caras engraçadas de “o que está acontecendo?”. Soltei uma risada e disse:
– Garotas, a gente precisa se divertir, vamos nos arrumar que hoje a gente tem uma festa pra ir! – Falei sorrindo maliciosamente, que logo fui correspondia por mais quatro sorrisos assim.
Fomos até a casa de cada uma pegar uma roupa e depois disso, fomos até a casa de Cath, onde todas as outras quatro se arrumaram juntas. Eu ria da trapalhada de todas elas, elas estavam preocupadas em parecerem bonitas e sexys, menos Samantha que teimava em querer uma roupa sexy, porém que não fosse vulgar, complicado. No final, consegui arrumar uma roupa para ela e todas já estavam prontas. Saímos de casa todas juntas e fomos andando pela rua até encontrar um táxi disponível. Atraíamos olhares de garotos que assoviavam, e claro, não pude deixar de sorrir, enquanto outras velhas passavam por nós como se fossemos o pecado capital e o pesadelo de toda igreja. Entramos em um táxi e ficamos conversando sobre a festa e o quanto Sam estava nervosa, deixei de prestar muita atenção ao assunto delas enquanto pensava no ano que viria. Tantas novas coisas iriam acontecer, e eu precisava mudar, cansei de ficar com garotos por uma semana, isso era – honestamente – cansativo. Eu precisava achar alguém que estivesse disposto a ficar comigo por um longo tempo, achar alguém que eu possa contar e ser sincera o tempo todo, não alguém para beijar e largar, eu já estava cansada disso. Tudo bem, Clair, foco, você vai a uma balada para aproveitar a noite e dançar muito, quem sabe olhar alguns garotos, mas, deixe que o futuro diga o que é certo, e o que irá acontecer, por hoje eu quero curtir, só hoje. Afastei esses pensamentos de minha cabeça e voltei a prestar atenção à conversa das meninas, que agora estavam “checando” umas as outras, se o rímel estava certo, se o batom estava borrado ou a roupa amassada, e após isso, bom, estávamos perfeitas. Saímos do táxi em direção à entrada da balada, e claro, fui a primeira a dar o passo de entrada.
Mel’s POV
Quando saímos do táxi, meu nervosismo subiu à cabeça, eu nunca fui do tipo que curte balada, preferia um filme romântico ao lado de alguém especial, mas tudo bem, afinal era o último dia do ano letivo que nós havíamos completado, precisávamos curtir um pouco, e não custa provar algo novo, certo? Clair foi a primeira a entrar na festa, e eu e as garotas seguimos atrás, todas nós estávamos lindas. Enfim entramos, o lugar era enorme, não havia muitas luzes, apenas as de efeito que se mexiam no centro onde ficava a pista de dança, tinha um bar ao lado, com barman fazendo acrobacias com potes de bebidas e preparando coquetéis. Tinham meninos ao lado do bar, escorados em uma parede, observando as meninas dançarem na pista, e todos eles com olhares maliciosos no rosto. Clair não deu tempo a perder, logo nos puxou para a pista e começou a dançar fazendo todas dançarem também. Eu admito que meu tipo não é ir à festas, mas eu estava curtindo bastante. Ora ou outra, Cath nos trazia algumas bebidas, e alguns meninos passavam por nós. Um deles botou a mão na bunda de Cath que virou pra trás e falou:
– Cadê seu respeito, moleque? Vai apertar a bunda da sua mãe! – Todas as meninas riram com aquela situação e da cara do menino, que passou de assustada para ofendida e logo se retirou dali, Cath apenas bufou e virou para nós, sorrindo e voltando a dançar. Meu salto estava me matando, resolvi sair da pista e ir para as mesas que estavam à volta do bar. Sentei-me em uma mesa que estava vazia enquanto tirava meu sapato e botava o pé no chão, meu pé se contorceu em dor, ficar duas horas em cima de um salto de quinze centímetros e depois pisar o pé no chão, deixando reto, é realmente MUITO doloroso. Coloquei de novo e me voltei ao bar, que pedi para o homem que me atendia uma bebida cor de rosa que tinha um nome louco, foi uma das que Cath me trouxe. O barman botou a bebida na mesa, bem à minha frente e me virei para sair dali, mas esbarrei em um menino, derrubando toda a bebida na blusa dele. Eu comecei a pedir desculpas histericamente, enquanto ele apenas me olhava e sorria, como se aquela fosse uma piada, e das boas. Puxei alguns guardanapos que estavam na mesa do bar e pedi para limpar a camiseta dele, mas ele apenas negou.
– Ta tudo bem, ahn... – Ele disse.
– Mel.
– Sim, ta tudo bem Mel, não precisa limpar. Eu troco mais tarde, você ta bem? – Ele perguntou super gentil, e tinha um sorriso lindo nos lábios.
– To bem sim, só o que não ta bem é essa mancha de bebida na sua camiseta, ai, desculpa...
– Já disse que ta tudo bem, linda.
– Ai então deixa eu te pagar uma bebida ou alguma comida para compensar, to me sentindo mal por isso – dei um sorriso fraco.
– Senta comigo e conversa, que ta tudo bem, to me sentindo meio sozinho e perdido aqui. – Respira, Mel, respira, inspira...
– Tudo bem, ahn... Qual seu nome? – Perguntei tentando não soar tão nervosa quanto eu estava.
– Zayn, o seu é Mel, né?
– É sim.
– Belo nome, então, você é daqui?
– Sou, nasci em Miami, mas me mudei para cá quando tinha oito anos, e você, Zayn?
– Sou de Londres, to passando uma semana aqui para visitar meus avôs... Essa cidade parece muito interessante, mas ainda não tive muito tempo de conhecer.
– E ta fazendo o que em uma balada em Nova York, Zayn? – Falei, enquanto ele ria.
– Fugi para me divertir, ficar o dia em casa, olhando para a cara de um velho não é divertido, sabia? – Ele falou, ironizando, me fazendo rir. Ficamos conversando um bom tempo, até que Ali me chamou e me despedi dele, prometi a mim mesma que nunca iria esquecer ele, nem o seu sorriso, que de longe, foi o mais bonito que eu já havia visto. Voltei para a pista de dança, lançando alguns olhares para o lugar onde Zayn estava, e pude perceber que ele sorria, não deixei de sorrir também, então ele se levantou, e saiu.
Sam’s POV
As meninas estavam se divertindo bastante, mas por mim já não posso dizer o mesmo. Eu me sentia completamente deslocada naquele lugar, vestidos curtos, meninas assanhadas, meninos se aproveitando delas, gente bêbada, música alta e pouca luz, aquilo não era pra mim. Todas elas dançavam e eu só me movia de um lado para o outro, tentando não parecer muito entediada. Eu estava ali, dançando ao lado das meninas, quando um menino me agarra por trás, primeiramente, entrei em choque, não é todo dia que alguém te agarra assim, na maior cara dura. Tentei me esquivar, mas o garoto se agarrou forte e muito rente ao meu corpo, ele estava bêbado, eu conseguia sentir isso quando ele abria a boca para falar comigo e eu sentia aquele cheiro incômodo de bebida alcoólica. Ele pedia por um beijo meu e eu só sabia dizer “não”, até que ele se irritou e me virou de frente para ele, segurando forte em meus braços, os apertando com tanta força que doía. As garotas não haviam percebido que estava sendo incomodada, apenas quando ele gritou “Você vai me dar um beijo, SIM” que elas se assustaram e tentaram me ajudar. O garoto me agarrava a força, e eu me rebatia do jeito que podia, pois ele estava me imobilizando por completo. Cath chutou sua perna e deu um soco no seu ombro, o que fez com que ele me largasse e voltasse sua atenção para ela, com raiva do que ela havia feito. Ele ia em direção à Cath enquanto ela andava para trás, fugindo do menino, então eu a puxei e saí correndo dali, Ali e Mel estavam atrás de nós, então eu percebi que Clair havia ficado para trás porque estava conversando com um menino, pedi que Mel e Ali levassem Cath para fora e chamassem os seguranças enquanto eu fui atrás de Clair. Eu puxava seu braço e ela apenas o soltava dizendo “Me solte, Sam, to ocupada” e eu insistia nela, até que me irritei e berrei:
– Ta bom, Clair, fica aí paquerando um menino, deixa que eu fujo com a Cath pra outro lugar porque tem um MANÍACO NOS PERSEGUINDO QUERENDO BATER NA GENTE. – E só depois, Clair percebeu que a coisa tinha ficado séria. Ela se despediu do garoto, que fazia uma cara de desentendido, sussurrou um “desculpa” para mim e corremos para a saída da boate. O garoto estava a poucos centímetros de mim, mas ainda havia alguns meninos o segurando pelo braço, impedindo que ele corresse, enquanto eu e as meninas saíamos correndo de lá, em direção à casa de Melinda. Cath estava chorando e estava muito assustada, meus braços estavam pulsando de dor, pois as mãos do menino eram extremamente fortes, e eles estavam roxos, Ali e Mel tentavam acalmar Cath, enquanto Clair verificava meus braços, pra ver se havia algum hematoma ou algo do tipo. O roxo estava diminuindo, mas a dor parecia apenas aumentar. Chegamos à casa de Melinda, e entramos afobadas, mas pra nossa surpresa, todos os nossos pais estavam sentados no sofá, com expressões sérias. Então pai de Ali se levantou e disse:
– Tomamos uma decisão, garotas. – Ele então fez uma grande pausa. — Vocês vão para Londres.
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