Before My Other Life - Dio's Diary

7 Capítulo 7 - the pain in your heart makes me cry


Depois de já algum tempo saio de meu esconderijo, decido dar mais algumas voltas pela casa até parar na frente da porta do quarto da antiga dona da casa, da escuridão uma silhueta, era loirinha do corpo todo arroxeado, uma garotinha, ela para um pouco e sorri pra mim.

Collina — Dio...

Dio — Collina?

Ela assente.

Collina — eu consegui Dio, eu sai da biblioteca. Tenho que ir agora, minha mãe chama por mim... acho que isso é um adeus.

Dio — Espera!... vamos nos ver de novo?

Ela se vira com um sorriso.

Collina — mais cedo do que você imagina, tudo depende de você e da jovem dama.

Ela entra no quarto e pude ver pela fresta que abraçava a mãe, não sei por que isso fez minha cabeça latejar um pouco, acho que certas memórias minhas doem quando algo as força, decido fechar os olhos e ignorar, dou uns passos curtos pra trás ao notar que topei em alguma coisa caída no chão.

Dio — um livro...? *tira um pouco de poeira dele e lê a capa com alguma dificuldade* uuuuuuuummm.... o ovo... flamejante...

Tentei folhear o livro e ler algumas coisas mas era um pouco difícil, meu olho... não consigo ler direito... vou andando até um corredor mais distante após passar por vários zumbis que como sempre me ignoravam (zumbis não mexem com outros zumbis) antes que a garota corra novamente e me deparo com uma bandeja de prata, levo um susto e caio pra trás, aquele era eu?! por isso Aya saiu correndo... se eu tivesse visto a mim mesmo fora de meu corpo também sairia correndo, ponho umas ataduras em meu olho e deixo na estante mesmo, aproveito pra trancar algumas portas atrás de mim, vai que aquele doutor maluco ou a assistente psicopata me encontrem, não que eu tenha medo de morrer, este não é bem o problema ultimamente, mas do jeito que meu corpo pesava era bem capaz de eu não levantar novamente, deito um pouco mais no chão mesmo da capela que eu havia entrado, não sentia dor mas me sentia cansado, quando você morre e é forçado a ficar num corpo que não lhe pertence mais você é obrigado a arrastar o próprio peso por ai e como a alma é muito mais leve... então é como se eu carregasse chumbo puro fundido e isso cansa demais, por isso somos tão lentos, as badaladas do relógio só fazem aumentar cada vez que chega perto a tal hora que tanto os zumbis falam, por que raios falam isso afinal? hora de que? Deixo esses pensamentos de lado quando ouço passos calmos , de esguelha eu consigo ver alguém sentado numa fileira a minha frente, tinha a pele acinzentada e os olhos pontudos, vestia preto, deve ser um terno.

?? — um... parece que o jovem zumbi jardineiro usou demais de sua energia não é?

Dio — jar... dineiro? espera... quem... quem é... você afinal?

?? — a você pode não fazer muita diferença agora mas, me chamo Ogro.

Dio — a menina... está bem? Você a viu?

Ogro — sim, ela está bem, está muito bem... -ele me olha de canto, não sei se aquilo foi um olhar de pena mas me deu um tanto que medo, eram os olhos mais esquisitos que eu já vi, posso ser, jovem... morto... mas não sou tolo, nenhum vendedor que se preze teria uma aparência dessas e ainda aparece do nada. — Olha garoto... vou te dar somente um conselho, não se intrometa demais nas coisas que não te dizem respeito, você pode acabar lamentando.

Dio — tch, não me diga o que fazer seu velho, se a única coisa que me guia agora é proteger essa menina e se isso me levar a um caminho onde eu devo ir então não será você a me impedir.

Ogro — '-'... u_u um... que seja garoto, mas se alguma coisa der errado não venha chorar depois... isso é... se você conseguir chorar já que suas glândulas lacrimais não funcionam mais.

Dio — "maldito..." ¬¬

A garota entra meio suja de sangue e terra com pequena parte de nada do vestido rasgado e a perna enfaixada, devia ter passado por poucas e boas... e droga! A culpa era toda minha! Eu deveria estar lá para protegê-la! Ela conversa um pouco com aquele maldito até ele sair pela porta, não ajuda em nada aquele baka, parece que a única coisa que ele faz é assistir sofrimento alheio como se estivesse num circo cheio de animais.

Me levanto com um pouco de dificuldade, as coisas não são muito fáceis por aqui, depois de uma boa conversa eu e a pequena conseguimos nos entender novamente, ela pediu desculpas a mim, parecia realmente arrependida, pela primeira vez depois de muito tempo eu me permiti sorrir, ela me fazia sorrir, creio que quando vivo já tive alguma coisa em meu peito que batia acelerado por ela, isso foi um flash que me veio, não sei se era por causa desse flash ou pela resposta a pequena só sei que deixei escapar isso:

Dio — não tem problema, isso está no passado agora.

Ela me sorriu de volta.

Dio — agora vem, preciso te tirar daqui agora. — Pego em sua mão delicada a puxando pra a saída mais próxima que conheço porém ela recuava cada vez que eu puxava.

Aya — não! por favor, eu preciso salvar meu pai!

O QUE?! ELA AINDA QUER SALVAR O PAI DELA?! Eu não acredito nisso!! Depois de tudo na mansão achei que a ficha dela já deveria ter caído a tempos!! Não interessa o quanto ela seja teimosa, eu vou tira-la daqui de todo jeito.

Continuo puxando ela com dificuldade, meu corpo é pesado como disse antes e não queria machuca-la meu gesto é interrompido por facadas na minha direção, aquela maldita me achou, a vontade que eu tinha era de pegar minha tesoura de jardineiro e atacá-la com tudo, ela ainda deveria estar presa nas minhas costas onde ninguém a veria mas não pude sequer fazer um movimento e aquela maldita foi mais rápida, droga!! Além de me desacordar as facas que ela me atirou deixaram-me fincado no chão e o pior de tudo é que pouco antes de apagar vi Aya ir atrás dela pra ainda tentar salvar o pai...

... garota imprudente.