Before - League of Legends II
13 Liga
Instituto, enquanto isso:
Sivir tinha recebido uma convocação para a sala da Alta Conselheira Vessaria Kolminye. A primeira desde sempre, e ela suspeitava de que não gostaria da conversa:
– Eu sempre sonhei com a glória. – A mulher por trás da cadeira vermelha comentou, mostrando a mão repleta de anéis cravejados de joias coloridas. A recompensa por Kalamanda. – Oh, olhe para você, Sivir. De uma simples mercenária, se tornou isso. Uma heroína, um símbolo. Uma campeã e uma lenda.
– Uhum. – Ela murmurou em resposta, um pouco desconfortável com o que viria após tantos elogios.
– O que você está disposta a fazer para proteger essas pessoas? O Instituto. – Vessaria se virou para Sivir, girando a sua cadeira e colocando as mãos cheias de anéis na mesa, os dedos se entrelaçando.
– Não entendi a pergunta. – Sivir falou, antes de completar a muito custo. – Senhora.
Vessaria sorriu. Seu sorriso fino não era atraente ou acolhedor. Era carregado de desdém. Sivir não conseguia olhar para o batom roxo com nenhum sentimento menor do que nojo, mas não deixou isso transparecer. Ela era boa em enganar as pessoas.
– Eu recebi informações. – Ela se levantou, percorrendo o salão oval que outrora pertenceu a Reginald Ashram. Os saltos de seus sapatos cintilantes fazendo barulho pelo piso que formava um mosaico. – Brandon Beck está voltando. Suas intenções são… incertas.
– Então, não podemos esperar ele chegar e simplesmente perguntar? – Sivir encolheu os ombros. Ela duvidava que Brandon tivesse cortado a conexão de metade de Valoran ou bombardeado Piltover. Não combinava com o Brandon que ela conhecia. Se ele fosse assim, ela pensava, a Liga não teria tido tantos problemas no ano anterior.
– Não vou arriscar a vida das pessoas deste lugar. – Vessaria respondeu taxativamente, com um olhar que ela provavelmente pretendia tornar meigo. Para Sivir, parecia um olhar muito, muito malvado. – Você tem as suas ordens, campeã. Reúna toda a Liga, vocês vão capturar Brandon Beck e seus companheiros para interrogatório.
A mercenária respirou fundo antes de responder: — E se eu recusar?
Vessaria sorriu, sem demonstrar um punhado de surpresa sequer. Se dirigindo até a própria mesa, a Alta Conselheira abriu uma das gavetas, retirando uma pequena sacola de couro e arremessando-a na direção de Sivir, que a apanhou prontamente.
– O progresso virá. Com ou sem você. Mas quem disse que você não pode sair ganhando? – Vessaria falou, parando para pousar a mão no ombro da moça enquanto saía da própria sala, deixando-a lá.
Sivir abriu a bolsa. Dezenas de moedas de ouro, com um valor inestimável, jaziam do topo ao fundo, quase sem espaço umas entre as outras, de tão volumosas e fartas. Quanto uma amizade valeria? Certamente um valor que aquelas moedas eram capazes de pagar…
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Estávamos na frente do portão principal. Eu mal respirava, e não me atrevia a olhar para os lados, me limitando a imaginar como Riven e Vayne se sentiam. Por mais que elas fossem guerreiras, aquilo era sem comparação. A última pessoa capaz de invadir o Instituto era justamente por quem nós tentávamos repetir a façanha.
– Certo, antes de fazermos isso, eu tenho duas coisas para dizer. Primeiro, não matem ninguém. – Aquilo realmente me preocupava quando se tratava delas. – E então, corram. Corram mais do que já correram. Precisamos chegar até lá. – Apontei para a Torre de Doran. Cem andares acima, cem andares abaixo.
Elas concordaram com ruídos mínimos. Olhei para Vayne, que posicionava a sua besta no punho. Segundo ela, a própria arma gerava mais dardos, só não sabíamos durante quanto tempo. O sobretudo negro caía bem nela, assim como os óculos vermelhos. Ela quase me assustava mais do que o que estávamos prestes a fazer.
Passamos pelos portões um segundo antes do ruído ensurdecedor. Os alarmes soavam enquanto diversos hologramas de exclamações vermelhas pulsavam onde quer que fosse. Minha foto aparecia em qualquer projeção de tela ativa. Não esperamos as contramedidas do Instituto para intrusos e começamos a correr.
Passávamos por pessoas confusas onde quer que fosse. O barulho e as telas eram irritantes. “Eles já estão aqui”, ouvi Riven dizer, me atrevendo a olhar para trás durante um segundo. Diversos invocadores corriam em disparada atrás de nós. Eles eram apenas o começo. Derrubei uma banca de frutas ao passar, deixando eles lidarem com diversas goiabas caídas.
– Por aqui! – Exclamei, fazendo as duas pararem de correr para se voltar na direção que eu apontava.
– Pare, senhor! Em nome do Instituto, ordenamos que pare! – Ouvi um dos invocadores que nos perseguia gritando. Só que era tarde demais para parar.
O chão de pedra levantava poeira com os nossos passos. O beco para onde íamos terminava com um pequeno muro e várias caixas e tábuas de madeira abandonadas. Riven pulou em duas delas para subir, desequilibrando a estrutura levemente. Vayne foi em seguida, estendendo a mão para mim, já no topo do muro. Agarrei-a, e antes de subir totalmente, chutei uma das caixas torcendo para que aquilo não os machucasse gravemente.
Após subir as escadas de incêndio laterais, finalmente estávamos no topo dos prédios da cidade. Onde quer que eu olhasse, as câmeras flutuantes, em formato de olho, nos seguiam. Dezenas delas. Continuamos correndo, dessa vez preenchíamos o espaço entre os edifícios com nossos saltos. Eu podia ver a Torre de Doran no nosso horizonte. Ainda tínhamos muito caminho para percorrer.
– Isso não é bom. – Vayne comentou, derrapando levemente ao parar de correr. – O exército mais poderoso de Valoran, diante de nós.
Olhei para onde ela estava olhando. Diversos campeões estavam nos esperando no topo de um prédio à nossa frente. Conhecidos meus ou não, ali eles estavam, seguindo as suas ordens. Annie, Amumu e Fiddlesticks figuravam entre os velhos companheiros enquanto Malphite, um monstro rochoso, Shaco, um monstro que me assustava e Tristana, uma yordle que gostava de atirar, se uniam a eles. Todos membros da Liga, nosso pior desafio. E sequer eram os únicos.
– Três para cada uma? – Riven perguntou, com metade de um sorriso, segurando a sua espada negra com força.
– Do que você está falando? Vamos passar por isso juntos! – Exclamei, exasperado.
– Não, você vai libertar seu amigo, inimigo, que seja e parar aquele maníaco de Ionia. Qualquer outra coisa vem depois. – A noxiana disse. Desde o começo, elas entendiam o quão impossível aquela missão era e, diferente de mim, não foram carregando nenhuma esperança. – Sabe por que eu gosto tanto dessa espada, Brandon Beck? – Dei um olhar confuso para ela. – Ela é como eu. Ainda que esteja partida, é capaz de cortar qualquer coisa em seu caminho.
– Certo, me alcancem depois. – Sorri para as duas, com um aperto no coração. Praticamente estava condenando-as à morte. E pelo quê? Por quem? – E não se esqueça, tudo o que está quebrado, pode ser reforjado.
– Ei, essa é das boas. Eu deveria anotar. Agora, vá. Salve o mundo.
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Vayne:
Vayne provavelmente não gostava da ideia de lutar simultaneamente contra tantos adversários. Desde pequena ela treinava para combater criaturas das trevas. Seres poderosos. Seres que usavam a magia e a tecnologia a bel-prazer, apenas para trazer o caos ao mundo. E ela tinha apenas o próprio corpo, que tinha seus limites. Não naquela tarde.
“Fraca”, ela rolava pelo chão, empurrando para trás o grande golias de pedra marrom apenas com um dardo. “Lenta”, as balas de canhão que a yordle arremessava não a atingiam, por mais que ela tentasse. Vayne deslizava entre elas, vendo cada movimento. “Burra”, ainda que o palhaço estivesse invisível, ela podia ouvir os seus passos. E se ela sabia onde estava, podia atirar. Cada um de seus defeitos tinha sido corrigido com os anos de treino e ninguém mais zombaria dela.
– Venham! Lutem! – Ela vociferou para os oponentes. – Mostrem o seu pior, eu não vou cair para vocês!
Na sua frente, o palhaço macabro, agora visível, se dividiu em vários, cercando-a, com um sorriso maligno:
– Muito bem, uma boa lutadora. Mas será que você poderá descobrir qual de nós é o verdadeiro… — Cada um deles puxou um punhal para a própria mão, enquanto uma dúzia de vozes repetia a mesma sentença. — …antes que esta lâmina encontre o seu coração?
Ela admirou-se por um segundo com aquele truque. Malphite e Tristana também se preparavam para atacar. Aquela era realmente uma Liga de lendas, mas ela também era lendária. Não morreria ali: — Fraca, lenta e burra. – Sussurrou para si mesma. – É o que nós veremos.
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Riven:
– Por que vocês estão lutando conosco? Nós somos seus malditos aliados. – Riven esbravejava, enquanto Annie usava o vento da guerreira para incrementar as suas chamas. – Ei, isso é muito perigoso para uma criança!
– Por favor, só se rendam. Não queremos mais conflitos, só respostas. – A múmia chorosa respondeu, criando um campo ácido com suas lágrimas. Riven anotou mentalmente que deveria ficar longe daquilo.
– Você não tem chance. – O espantalho prometeu, sorrindo com a sua boca rasgada. – Nem mesmo tem uma espada completa.
– Hehe, eu sei. Devia ter comprado a garantia estendida da lâmina. – Riven admitiu, juntando uma energia verde ao redor da própria espada. – Não se preocupe. Essa espada é muito especial. É uma lâmina de recordação de energia.
– O que isso significa? – Annie indagou, segurando com força o seu ursinho de pelúcia.
Então, a energia se transformou em pedra negra. Pedaços restantes da espada eram unidos pela energia do vento que transbordava de Riven. A espada estava se refazendo: — O meu espírito é o poder dela. Vocês têm muito azar. Eu conheci um cara capaz de alavancar o espírito dos mortos. Um homem brilhante e maravilhoso, a esperança desse mundo, e vocês deveriam se envergonhar de não confiar nele.
Os três hesitaram durante um segundo, mas as palavras de uma desconhecida não eram o bastante para fazê-los mudar de opinião. Riven suspirou, com tristeza. Houve um tempo em que só a força bastava para ela. Com um rápido olhar na direção da torre, torcendo para que Brandon estivesse bem, ela segurou sua espada reforjada e partiu na direção do trio.
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Eu saltava cada vez mais longe. O vento passava por mim impondo sua resistência, me desacelerando, como se mesmo a natureza me quisesse longe dali. Sorte a minha que eu não era conhecido por respeitar a natureza. Naquele momento, eu só podia torcer pela segurança das duas. Torcer por um improvável desfecho positivo.
A Torre de Doran estava cada vez mais próxima. Estendi a minha mão em sua direção, fazendo-a cobrir a silhueta da torre cada vez menos, cada vez menos, cada vez menos, até uma lâmina ser atirada na direção de minha mão.
O sangue e o corte não duraram mais do que três segundos, embora a sensação ainda me fosse esquisita. Olhei para o lado, em tempo de ver a lâmina que me acertou voltando. Uma lâmina dourada de quatro pontas com um grande buraco circular no centro. Contudo, ela não voltava para mim, e sim para a mão de sua dona.
– Brandon. – Sivir falou para mim, um pouco mais tensa do que o normal.
– Sivir. – Confirmei, cauteloso. Não sabia se ela estava sob domínio de Warlock, ou se simplesmente tinha decidido seguir as ordens de me capturar.
– Ei, vamos lá, você não acha que eu ia lutar com você, certo? – Ela caçoou, colocando as mãos na cintura enquanto ria. – Vamos lá, somos amigos. – Disse, se aproximando de mim.
Respirei aliviado, estendendo a mão para ela: — Ufa, ei, isso é muito bo…!
– Desculpa, Bran, eles ofereceram uma grande quantidade de dinheiro por você. – Ela falou, enquanto repousava uma faca em meu abdome.
– Nós… Nós somos amigos. – Implorei, sentindo um gosto de sangue na minha boca. Não importava para mim se as feridas fechariam ou não, tudo o que eles queriam era me capturar. E agora conseguiriam, graças ao meu descuido.
– O que posso dizer? – Ela justificou, com um sorriso que pedia desculpas. – Sou muito boa em enganar pessoas.
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