Bedroom Talk
7 Capítulo 7
Algumas horas se passaram depois disso até que a rede telefônica começasse a funcionar. Mikey foi o terceiro a receber um telefonema. Ironicamente, de Bert.
- Cadê o Gerard? – ele soava urgente.
Mikey não escondeu sua irritação.
- Eu não acho que...
- Mike, é sério. Ele sumiu. De novo. Frank acabou de me ligar.
“O que deu errado agora?” Mikey pensou. Falou:
- Ligue pro resto do povo e vem pra cá. Eu ligo pra banda.
- Ok.
Mikey funcionava em piloto automático quando acontecia algo assim. Era sempre a mesma coisa, todos já sabiam o procedimento. Um vai ligando pro outro, perguntando sobre o paradeiro de Gerard. Todo mundo se encontrava num ponto, e alguém (geralmente Mikey) ficava responsável de ficar ligando pro celular de Gerard de meia em meia hora. Um ligava para os hospitais, outro pra polícia, outro pros amigos. Depois de 3 dias, declarava-se desaparecido. Numa das vezes que Gerard sumiu, Frank teve que gravar uma mensagem de ajuda, descrevendo o vocalista e falando pra qualquer um que o visse pra ligar pra eles. E também tinham as equipes de busca: procuravam em hotéis, bares, polícia, hospitais, necrotérios, cemitérios (ele gostava de cemitérios).
No momento, Mikey ligava pro celular de Gerard, que só dava desligado. Ray tinha ido à polícia, Bob aos hospitais, Frank aos bares e hotéis. Bert ligava pra todo mundo que conhecia. Antes de Frank sair, Mikey perguntou a ele:
- O que houve afinal?
- Kate ligou e deixou uma mensagem bem... óbvia na minha secretária. Gerard foi embora, e foi a última vez que o vi. – ele estava desolado. Obviamente, se culpava pela situação toda. Mikey falou, simpatético:
- A gente vai achá-lo. A gente sempre acha.
E lembrando disso, enquanto dirigia, parando de bar em bar, subitamente lhe ocorreu uma idéia tão óbvia que Frank quase se bateu por não ter pensado nela antes. Ligou para Mikey:
- O quê? – o outro falou. Frank deu um sorriso cansado.
- Relaxem um pouco. Estou indo pra Jersey.
***
De algum jeito, Frank sabia exatamente aonde ir. Não era um cemitério, ou uma floresta sombria. Em Jersey, Gerard ficava simples. (encher lingüiça aqui)
Frank estacionou o carro na frente da casa de 2 andares. Tinha tantas recordações daquela casa. (encher lingüiça). A antiga e primeira casa de Gerard e Mikey, a casa de seus pais. E talvez de Frank, pelo tempo que ele passara ali na sua adolescência. Quando Frank e Gerard eram inseparáveis. Frank teve que aprender muitas coisas cedo demais por causa de Gerard.
Agora a casa estava abandonada. Os Way tinham se mudado para a casa que Gerard tinha comprado para eles, em Jersey mesmo. Mas aquela casa que Frank olhava agora... tinha muita história pra contar. Quantas vezes não ficara no quarto de Gerard com ele, ouvindo música, fumando um e observando-o desenhar. Quantas vezes não havia escutado naquele quarto os planos de Gerard de mudar o mundo. Quantas vezes não havia escutado as desilusões de Gerard com o mundo naquele quarto.
Foi ali, naquele quarto, que eles tinham se beijado pela primeira vez. Gerard estava bêbado, e beijou Frank. Este recuou com a surpresa, mas pensou “foda-se, ele é o meu melhor amigo. Não dá pra ficar mais íntimo que isso”.
Depois disso os dois tinham sido bi por muito tempo. Ficavam de vez em quando, até que (já estavam com a banda formada, morando sozinhos) pensaram “foda-se, mal não vai fazer” e começaram a namorar. O namoro mais turbulento de Jersey. Os dois viviam brigando, separando e voltando. E a cada evento a cidade inteira ficava sabendo, porque eles eram tão dramáticos. Era sempre assim. Mas era óbvio que se amavam.Se separavam, ficavam com outras pessoas (tanto garotos quanto garotas), voltavam de vez em quando. A banda foi formada, tudo parecia bem. Então eles brigaram por causa da falta de atenção de Gerard em Frank, aí Kate apareceu, e o resto é história.
No momento, Frank estava subindo a escada que havia no jardim, que dava direto para o quarto de Gerard. Aquela escada tinha sido muito útil pelos anos. Frank chegou ao topo, abriu a janela e entrou, assim como nos velhos tempos.
E assim como ele previu, ali estavam os olhos verdes (agora vermelhos) de Gerard, assim como o resto dele. Ele se virou e deu um sorriso trágico para Frank.
- Sabia que você ia vir.
Frank também sorriu.
***
Mikey e Bert estavam sozinhos no apartamento quando Frank tinha ligado. Com essa notícia, Mikey relaxou um pouco e se dedicou ao fato de que estava sozinho com Bert.
- Então... – falou.
- Então. – Bert sorriu.
Outro minuto de silêncio. Mikey criou coragem e finalmente falou:
- Você realmente terminou com o Gerard por causa da bebida?
- É, depois daquela festa. – ele deu de ombros. – Eu vi ele e o Frank tentando fazer ciúme um no outro, aí pensei “foda-se. Estou sobrando aqui.” e mandei ele parar de beber, como desculpa. E depois, — olhou para Mikey e sorriu – sempre tem o outro Way.
Mikey ficou olhando pra ele. Então lentamente, sorriu.
***
- Ei, eu não mandei você não falar mais comigo? – Gerard falou.
- Mandou. Mas desde quando eu te obedeço?
Gerard riu por um segundo, e então assumiu uma expressão miserável novamente.
- Isso não vai funcionar, Frankie. Nós dois.
- Quem disse? – Frank falou, cruzando os braços. – Porque você acha que eu só fiquei com a Kate? Eu poderia ter pego qualquer outro cara naquela festa, mas não. Sabe porquê? Porque você é o único que eu quero. O único que eu amo. Eu fiquei com uma garota porque elas são nulas pra mim. Eu não sinto nada. Mas com você... eu não posso nem começar a explicar o que eu sinto quando estou com você. Pra começar, dor. Mas é uma dor feliz. Tipo... dói toda vez que eu te vejo, mas ao mesmo tempo eu fico feliz, porque eu estou te vendo.
Gerard o olhava, impassível. Frank continuou:
- E também... ódio. Porra, como eu te odeio quando você faz as suas burradas, e vem com as suas cenas de ciúme. Mas eu te amo apesar de tudo, por isso eu agüento. – Suspirou. – Que merda, eu amo tudo em você, Gerard. Amo seu cabelo, seus olhos, sua pela, sua boca, seu toque... Seu jeito insensível, que você usa pra esconder a sua sensibilidade exagerada.
Eles riram. Frank falou:
- Viu? Amo sua risada, e o seu jeito de... sabe-tudo ingênuo. Você é tão ambíguo que irrita!
- Ah, eu sou o ambíguo? Você aí falando que me odeia e me ama ao mesmo tempo e eu que sou o ambíguo?
- ... E dramático. Você é realmente muito dramático.
- Você também. – Gerard deu um meio sorriso, se aproximando. Frank também deu uns passos à frente. Gerard olhou pelo quarto. – Memórias, huh?
- Poisé.
- Lembra daquela vez em que eu tive que botar Black Sabbath no último volume, porque você simplesmente não conseguia ficar quieto? Não tinha como não desconfiar.
Frank riu.
- O que eu podia fazer? É impossível ficar calado quando você faz aquilo comigo.
Gerard sorriu, presunçoso.
- Eu sei que sou bom.
Frank deu um passo à frente, ficando mais próximo ainda de Gerard.
- Então... voltamos?
- Desde que você não me traia de novo.
- O mesmo pra você. E desde que você pare de ser idiota.
- Aí você está pedindo demais. – ele sorriu. Frank riu.
Silêncio. Então Gerard puxou Frank violentamente pela nuca, beijando-o.
(completar com mais coisas)
***
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