Bedroom Talk
6 Capítulo 6
Mikey logo reconheceu o olhar desconfiado de Gerard quando entrou no apartamento com Frank. O irmão estava tomando café.
- Oi. — Gerard falou, olhando para Frank. Este também respondeu.
- Oi Gee.
Gerard mudou de desconfiado para desconfiado e confuso com aquilo. Fazia muito tempo que Frank não o chamava daquele jeito. Desde antes deles brigarem.
Mikey, que era o rei do falar-a-coisa-certa-no-lugar-certo-na-hora-certa, falou:
- Ahm... eu acabei de lembrar que eu preciso comprar inseticida pra gente. Vive aparecendo barata aqui, né, Gerard?
Este, que até agora apenas olhava pra Frank, falou:
- Ah. Baratas. Sim. É. Muitas. Ok.
Mikey sorriu discretamente antes de sair do apartamento.
Frank e Gerard olhavam para o chão. Então o primeiro falou:
- Hum... quer ir almoçar comigo hoje?
- Almoçar? — Gerard o olhou. Seu cérebro demorou alguns momentos pra registrar todas as implicações e possibilidades do que \"almoçar\" podia significar. Então falou:
- Ok. A gente se encontra hoje, à 1 e meia, naquele restaurante perto do seu prédio. Certo?
- Certo. — Frank assentiu. — Hum... tchau. Quer dizer, até mais. Eu vou te deixar aqui com as baratas.
Gerard riu. Um riso genuíno, sem sarcasmo, ironia ou escárnio. Uma risada pura. Fazia muito tempo que Frank não ouvia uma risada assim vindo de Gerard. Sorriu e foi embora.
***
Meia hora. Frank esperava Gerard há meia hora. Estava morrendo de fome, porque sabia que o outro não gostava de comer enquanto o outro não comia. Eram 2 horas da tarde. Ele só esperaria mais 5 minutos e então iria embora.
\"Mentiroso\", riu de si mesmo. Sabia que não iria embora.
Suspirou, e não se agüentando mais de fome, examinou o cardápio. Escolheria uma salada que vinha com frango e...
- Você sabe que eu odeio comer sozinho. Porquê está pedindo sendo que eu não estava aqui?
Levantou os olhos e viu Gerard se sentando à sua frente. Não teve que fingir irritação.
- Eu estou com fome.
- Ótimo, eu também. Vamos pedir então. — Gerard conseguia ser horrivelmente cínico, e continuar atraente. Escolheram e pediram, finalmente.
- Então. — Frank falou.
- Então. — Gerard falou. Usava uma jaqueta jeans preta surrada (na verdade, surrada é elogio pra aquela jaqueta. Ela dava pra ser usada como pão de chão. Gerard tinha aquela jaqueta desde antes de conhecer Frank, ou seja, há muito tempo. E sempre a usava.), camiseta preta e calça jeans um pouco apertada. Seu rosto pálido estava um pouco escondido pelo cabelo preto comprido e os óculos de sol enormes. \"Óculos de aviador\", como Frank os chamava. Resumindo, estava lindo. — Eu queria te perguntar uma coisa. Porque você de repente ficou tão amigo do meu irmão?
- Somos amigos. Mesmo com eu e você meio... afastados, eu continuo sendo amigo dele.
- Vocês já ficaram? — Gerard perguntou com o seu melhor tom de quem não quer nada.
- Não. — Frank respondeu. Então olhou pra cara do outro e riu. — Você está com ciúmes?
- Não. — ele mentiu. Mal. Frank riu mais ainda.
- Você está com ciúmes! Ha ha, isso é algo inédito.
Gerard também riu, mesmo contra a sua vontade. Deu aquele seu sorriso torto.
- Então... ouvi falar que você e Bert terminaram. — Frank falou.
- Ele me fez ficar sóbrio. Falou que só ia me aceitar quando eu ficasse...
Eles conversaram por muito tempo. Sobre abanda, sobre outras bandas, sobre o tempo, até chegarem na temida conversa sobre a relação passada. Tudo isso recheado de olhares furtivos, toques sutis, sorrisinhos.
- Porquê, Frankie? Porquê você tinha que ficar com ela?
Frank sentiu uma pontada de remorso e culpa.
- Eu estava puto com você. Eu estava bêbado... A gente tinha brigado.
- Sobre o quê mesmo?
Frank ficou vermelho.
- .... Não lembro.
Gerard riu aquela sua risada irresistível.
- Nem eu!
Eles acidentalmente trocaram um olhar, mas desviaram o olhar logo em seguida. Gerard mordeu o lábio, e falou:
- Ahm... acho que você ainda tá com aquele CD dos Misfits que eu te emprestei.
- Ah é.
- Tem como a gente ir no seu apartamento, pra eu buscar?
Frank sorriu o seu sorriso \"você é engraçado, Gerard\". O outro o olhava, quase apreensivo.
- Vamo lá.
***
Assim que entraram no apartamento de Frank e ouviram a porta fechar com um click, se olharam. Gerard olhava para Frank com *aquele* olhar, dessa vez coberto de cobiça e desejo. Frank não podia mais resistir. Não era tão forte àquele ponto. Foi então que voaram um pra cima do outro, com uma voracidade estranha até mesmo para os dois. Na verdade, foi Gerard quem empurrou o guitarrista contra a parede, encaixando seu corpo perfeitamente no dele. Frank podia puxar novamente aquele cabelo preto macio. Gerard finalmente matava as saudades do piercing que ele tanto gostava. Eles se beijavam com tanta paixão que chegava a ser violento.
Sem se separarem um milímetro sequer, foram se arrastando até o sofá da sala. A primeira coisa que Iero fez foi arrancar aquela jaqueta jeans velha do parceiro. O fez com tanta força que o outro chegou a dar um gemido baixo em seu ouvido. Então foi a vez de Gerard deixar suas mãos entrarem debaixo da camiseta verde de Frank e arranharem suas costas. Fazia movimentos circulares com as unhas que deixavam Frank louco, a ponto de tentar invadir as calças de Gerard ali mesmo. \"Calças de merda\", pensou. Então finalmente empurrou o vocalista para cima do sofá e montou em cima dele. Arrancou a própria camiseta e fez o mesmo com a de Gerard.
- Nossa, você emagreceu pra caralho.
- É, eu sei. — Gee falou apenas, sem fôlego, e puxou Frank pelo pescoço para outro beijo. Este deitou seu corpo por cima do outro e pôs-se a sugar seus lábios. Abriu os grandes olhos verdes por um momento para observar a expressão de satisfação de Gerard. Ele parecia estar em alfa, de olhos fechados, apertando a frágil constituição de Frank contra si. Agarrava-o como se fosse sua vida.
- Eu já falei que odeio essas suas calças, né? É mó difícil de abrir.- o guitarrista falou enquanto tentava abrir o zíper da calça de Gerard. — Que droga, porque você tem que usar essas calças apertadas?
- Realça tudo. — Gerard sorriu, safado. — Na frente e atrás. E admita, você adora.
Frank deu um meio sorriso e conseguiu abrir a tal calça. Estava com tanta pressa que tinha esquecido do botão — então arrancou-o. Gee continuava olhando-o com aquele sorriso maroto no rosto. Frank curvou o tronco, ágil, e segurou com força os cabelos do outro. Ouviu um grunhido quando massageou o coro cabeludo do parceiro. Ia beijar sua boca pálida de novo, mas preferiu deslizar os lábios pelo pescoço nu. E dessa vez ele mordeu um pouco, cravando os dentes por cada centímetro, pois sabia que Gerard adorava (toda aquela viagem de vampiros e tal. E, sendo honesto, Frank também gostava. Era bastante sensível no pescoço)
Gerard fechou os olhos ao sentir a boca de Frank no seu pescoço. Como tinha passado tanto tempo sem aquilo? Como tinha sobrevivido tanto tempo sem Frank?
A calça de Iero também se foi. No momento seguinte, ele estava por baixo do outro. Soltou um suspiro baixo ao sentir as mãos frias de Gerard tocando-o. Um leve arrepio passou pelo seu corpo seminu. Gee sentiu que Frank respirava ansiedade, e então o olhou significativamente, como se aguardasse por uma permissão. Os olhares se encontraram. Os dois pensaram a mesma coisa ao mesmo tempo. Gerard sorriu com malícia.
Passou as mãos do quadril até as coxas de Frank lentamente, ouvindo com atenção como a respiração dele ficava mais errática à medida que suas mãos se aproximavam daquilo que a cueca escondia, que ficava mais evidente a cada instante.
Ele continuou movendo as mãos por dentro da samba-canção do guitarrista, explorando com prazer o que seu tato alcançava. Então notou a expressão facial de Frank mudar quando ele passou de leve o dedo pela cabeça do seu volume. Iero grunhiu e mordeu o lábio inferior ao sentir aquele toque suave, mas ao mesmo tempo tão íntimo. Queria mais,. Precisava de mais. Gerard então abaixou com toda a calma do mundo a roupa-de-baixo do outro. Frank suspirou com o súbito ar frio.
Way deixou o dedo indicador correr por toda a extensão de Frank, causando um som disforme vindo da garganta dele. Aí sorriu, antes de repetir a ação com a língua.
Frank suspirou pesadamente, e correu as mãos pelo cabelo de Gerard. Este sorriu para si mesmo enquanto sentia as mãos de Frank o empurrando levemente. Então o envolveu com a boca, finalmente. Frank arquejava mais forte a cada movimento de Gerard. Caramba, quase tinha se esquecido do quanto ele era bom naquilo. Sua respiração ficava mais errática a cada segundo. Só se sentia daquele jeito com Gerard. Sentia as mãos do outro explorando o resto do seu corpo, mas no momento toda a atenção dos dois só estava em um ponto particular do corpo do guitarrista. Frank praticamente puxava o cabelo de Gerard, mas este não se importava. O telefone tocou, mas os dois estavam ocupados demais para se importarem. Só queriam aproveitar o momento. Frank arqueou a cabeça enquanto sentia que estava cada vez mais próximo... Até a mensagem da secretária eletrônica soar:
- Frank, oi. Você ... esqueceu o seu cinto aqui em casa. Que dia você pode vir buscar? Estou com saudade.
Era Kate. Os dois pararam imediatamente. Na verdade, foi Gerard que parou, e olhou para Frank. O seu olhar de incrdidulidade partia o coração. Havia até alguma emoção naquele olhar, o que era tão raro para ele. Havia o orgulho ferido, a traição, as lembranças, a humilhação, a raiva... tudo se juntava naquele olhar. Sem mais nenhuma outra palavra, ele levantou, se vestiu e foi embora.
***
10 segundos depois, Frank estava correndo atrás de Gerard no corredor, tentando fechar a calça e escorregando até bater na parede, mas continuou correndo do mesmo jeito.
- Espera!
- Não se expresse comigo de novo. Nunca mais.
- Pare de ser exagerado, Gee. Quer me ouvir?
Gerard parou e olhou pra Frank. O seu olhar faria o próprio demônio se esconder. Falou, cada sílaba pingando ódio:
- O quê? Você vai falar que vocês estavam bêbados, e...
- E eu te vi agarrando o Bert. Quis fazer ciúmes, mas aparentemente você não tinha me notado. Aí eu bebi. Muito. E quando vi...
- Estava acordando ao lado dela?
Frank assentiu Gerard estava realmente furioso.
- Nunca mais dirija a palavra a mim. — e entrou no elevador. Frank apenas ficou lá olhando a porta do elevador fechada, se sentindo a última bactéria da bosta mais fedida do porco mais sujo.
- Desculpa. — murmurou. Uma lágrima de dor, mágoa e raiva caiu do seu olho direito. Se perguntava porque tinha que ser sempre assim.
***
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