Becuz of You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Para a maioria das pessoas, ir para a praia no Japão em pleno inverno era loucura, mas para os jovens estudantes intercambistas de fotografia Mila Babicheva, Christophé Giacometti, Georgi Popovich e Viktor Nikiforv, aquilo fazia mais do que sentido. O quarteto nunca foi lá muito fã de calor, talvez pelos quatro serem oriundos de famosas terras geladas, a neve e o gelo davam uma peculiar sensação de familiaridade para eles.
Escolheram uma praia qualquer perto da cidade de Sapporo e contemplavam, cada um a seu modo, as belezas que a praia no inverno apresentava: a areia coberta de neve, a parte do mar congelada que dava até para andar sobre as águas, o conflito velado entre as forças do gelo e da água através das ondas, que iam para cima da parte congelada com tudo, mais a neve em queda para finalizar o cenário de tirar o fôlego. Perfeito para as mais belas fotos de paisagens, testar novas lentes, novas técnicas, compará-las.
Após tirarem as fotos, eles resolveram ir para a cidade comprar bebidas alcoólicas, na primeira loja de conveniência que viram. Logo após, eles voltaram para hotel típico japonês, o famoso ryokan, cujo qual eles estavam hospedados.
Dentro do local, eles tomaram as bebidas compradas, jogaram muita conversa fora, cantaram, dançaram as músicas nos celulares deles, beberam mais um pouco até o cansaço bater neles e decidiram ir para a cama. Quer dizer, ele bater em Mila e Chris. Algo estranho, pois geralmente Giacometti tinha uma energia e tanto, entretanto todo mundo tem seus dias atípicos.
No quarto, deitados em suas camas, um do lado do outro e ouvindo baixinho Becuz, música da aclamadíssima banda norte-americana de rock alternativo Sonic Youth, Georgi e Victor cantavam junto a música em um tom de voz baixo.
“(…) Confiando nele para caminhar à noite
Segurando sua mão como uma nova pipa
Os olhos azuis brilham bem aberto (…)”
Entretanto, Georgi percebeu que Viktor calou a sua voz para ouvi-lo atentamente cantando. Ficou envergonhado por motivos estranhos e o sentimento estranho piorou com a pergunta do amigo, feita em russo:
— Você fez aulas de canto alguma vez, Georgiy? Sua voz é muito bonita e, de certa forma, transmite o desespero da letra da música.
Georgi não sabia como reagir a esse tipo de elogio. Era acostumado com as pessoas elogiando seu talento para a fotografia, customização de roupas, maquiagem, senso de moda peculiar e até mesmo durante as intimidades, quando estava em situações propícias para isso, porém nunca a voz dele. Apenas conseguiu agradecer:
— Obrigado… mas eu nunca fiz aulas de canto formais na vida. O mais próximo disso foi quando eu namorei uma mina do clube de canto no colegial e ela me ensinou um pouquinho de técnicas de canto para mim. Acho que eu já falei da Anya para você e de como ela me chifrou na frente de todo mundo na minha formatura. Enfim, águas passadas, coisas de adolescência
— Falando em relacionamentos, como estão as coisas entre você e a Haruka? — perguntou Nikiforov sobre o atual rolo do amigo.
— Daquele jeito, a gente fica, mas não sei se é a hora certa para a gente namorar. Ela, de certa forma, demonstra que gosta de mim, mas sei lá. Estamos levando e prefiro deixar como está. Apesar de eu gostar muito dela, ainda estou solteiro, é isso. Mas quem está precisando de ombro amigo não sou eu. — Popovich aproximou-se de Viktor e abraçou-o bem forte, acarinhando seus longos cabelos platinados praticamente na altura da bunda. — Pode desabafar ainda mais a tosqueira que o Kaito fez contigo e se não quiser, apenas deixa eu te abraçar. Afinal, amigos são para isso. — Georgi falava sobre um ex de Viktor que o abandonou, assim que soube que o amigo sofria de depressão, pois ele alegava que não tinha “estrutura” para se envolver com “alguém problemático como Viktor”.
Diziam que por culpa da bebida, várias pessoas liberavam seus desejos mais escondidos; durante o abraço, Popovich começou a estranhar sobre detalhes que nunca mexeram com ele antes, como o peculiar cheiro de mar do cabelo do amigo e os olhos azuis cristalinos como as águas marinhas.
“O Vitya é um dos meus melhores amigos. Isso que você está sentindo é apenas culpa da bebida, Georgiy, para de loucura! Pensa na Haruka! Mas eu não tenho nenhum acordo monogâmico ou algo do tipo com ela… Droga!” — entretanto Popovich já fixava seu olhar para a boca de Viktor e depois ia para os olhos dele, e o pior: aparentemente essa estranheza era correspondida pelo amigo. Percebia o olhar de Nikiforov ir para os seus olhos, depois para a boca, como se quisesse mergulhar profundamente no turvo dos seus olhos também azuis. — “O Vitya também está bêbado e, pior, está muito carente. O que ele está fazendo é apenas reflexo da bebida. Esse desejo, ele aproximando seu rosto de mim, roçando os nossos narizes igual esquimó, nossas bocas encostando de leve, deixando claro que ele quer me beijar, é tudo culpa da bebida. Não vai rolar…” — porém os pensamentos de Georgi foram interrompidos pelos lábios de Viktor tomando os seus em um beijo cheio de tesão, mas ao mesmo tempo extremamente carinhoso. Ali, o rapaz entendeu qual era do amigo: Viktor apenas queria esquecer momentaneamente as merdas pelas quais passava ultimamente. — “Então se é carinho, escapismo que você precisa, Vitya, por hoje serei o seu melhor amante.”.
De início, Georgi estranhou o fato de beijar um dos seus melhores amigos, porém o gosto de saquê da boca do amigo, somada a própria bebedeira, fez ele esquecer qualquer pudor e entregou-se de vez aos beijos de Viktor. Sabia, através de relatos de algum ex-ficante do amigo, com quem tinha certa intimidade, que Nikiforov beijava muito bem, porém nunca imaginaria que comprovaria esse fato na prática. A língua de Viktor sabia como sincronizar-se com a de Popovich.
Instintivamente, os beijos transformaram-se em carinhos mais íntimos. As mãos de Nikiforov foram para dentro do quimono de verão de Georgi e as mãos do outro desatavam nós, retiravam com vontade as roupas de Viktor, gestos imitados por Nikiforov até ambos ficarem completamente nus. Os beijos pararam, a boca do rapaz de cabelos prateados foram para a orelha direita de Georgi e começou a beijar, lamber e morder levemente o local, arrancando os primeiros gemidos de Popovich. Obviamente, o rapaz não deixaria um ato desses sem retribuição; dirigiu seus lábios para a mandíbula de Viktor, trilhando-a com beijos leves até chegar ao pescoço do outro e gostava muito de ouvir os gemidos de Nikiforov. Entretanto ambos queriam mais, muito mais.
Depois, os beijos de Georgi desceram para a clavícula de Viktor, trilhando um prazeroso caminho até alcançarem o peitoral de Viktor. Ali, Popovich deleitava-se através de lambidas, caminhos imaginários com mordidas, um ou outro chupão instintivo em demarcar a pele do outro. Entretanto, o rapaz de cabelos compridos também queria provar de Georgi, não estava contente somente em deixar alguns arranhados nas costas do outro e apalpar a bunda dele, por isso trocaram de posição.
Nikiforov estava na dominância, primeiramente desceu seu corpo de modo a seu rosto alcançar os pés de Popovich e começou a beijar os pés do rapaz.
— Uau… Vitya Nikiforovo tem fetiche por pés? Quem diria! Continue, está muito gostoso. — mal sabia Georgi que o, digamos, “fetiche” do amigo inconscientemente começou através de um vídeo do seu ídolo mor de adolescência, o vloger e atual trainee para ator Yuuri Katsuki, no qual ele mostrou os seus pés.
Por outro lado, aquilo realmente não era importante para Georgi saber, pois o rapaz estava com a mente ocupada demais pelas carícias, beijos, lambidas dadas por Viktor, que subiam para as pernas de Popovich até as coxas. Ali, Nikiforov apreciou ao máximo, com direito a dar leves mordidas, fazendo o amigo dar gemidos de prazer mais intensos.
De repente, eles trocaram a posição e Georgi voltou a ficar por cima de Viktor, entretanto quando o rapaz desceu para as coxas de Nikiforov, esse começou a cobrir com as mãos as próprias coxas para tentar cobrir as cicatrizes delas, feitas nos piores momentos da sua depressão, no qual ele cortava seus próprios pulsos, antebraços e coxas para “tentar passar” o desespero de sentir um eterno vazio mais uma forma de “punição por ser um bosta”. Popovich pediu para Viktor tirar as mãos das coxas e passou a elogiar a beleza do amigo:
— Viktor, você é lindo do jeito que você é. Seus cabelos, seus olhos, sua boca, seu pés, absolutamente tudo é lindo em você. As suas celulites, estrias e principalmente as suas cicatrizes não são motivos para você ter vergonha do seu corpo. Pelo contrário, as suas cicatrizes nos pulsos, nos braços e nas coxas são motivos de orgulho.
— Mas…
— Tá, você quase teve uma recaída ano passado, quando você deu a crise no final do ano passado, eu e a Mila te impedimos e depois ligamos para tua psiquiatra para ela nos ajudar, porém faz quanto tempo mesmo que você não se corta, Vitya Nikiforovo?
— Um ano e meio. — respondeu às lágrimas.
— E comparado ao Vitya que você deixou em São Petersburgo não é uma vitória? Guerreiros sem cicatrizes são covardes que fugiram da batalha e covarde, ah, isso você não é mesmo. — finalizou Georgi. Logo em seguida, deu um sorriso malicioso para o amigo e falou. — Deixe-me contemplar seu corpo e através dos meus carinhos, reafirmar algo que, no fundo, por baixo de toda sua baixa autoestima, você já sabe: você é lindo. — para depois dar um beijo leve na glande de Viktor, fazendo o outro gemer alto, entretanto esse foi disfarçado com a música em tom alto suficiente para apenas disfarçar os gemidos, sem afetar a ordem do local. Como “resposta” e encorajamento para Popovich ir direto ao ponto, Nikiforov colocou seus dedos entre os fios de cabelo de Georgi, retribuiu os elogios do amigo, enquanto ele descia os beijos para o restante do seu pênis:
— Sabia que você fica ainda mais gostoso de cabelos baixos? — Popovich parou os beijos e ficou nitidamente espantado com o que acabou de ouvir. Nikiforov deu uma pequena risada e continuou. — O que foi, por que o espanto? A Haruka nunca te elogiou nesse sentido? — o silêncio de Georgi respondeu a questão indiretamente. Após esse tempo de silêncio, Popovich perguntou:
— Vitya, como você gosta que façam oral em você? — foi a vez de Viktor ficar espantado. — Que foi? Ninguém nunca… te perguntou isso? Nem o Kaito? — devolveu Georgi na mesma moeda.
— Não…
— Para tudo tem uma primeira vez, né?! E então? Quando eu disse que hoje eu ia ser seu melhor amante, Vitya, eu não falei brincando. Quero saber tudo como te dar prazer, como você gosta que te façam oral, como você gosta de ser preparado, absolutamente tudo. Fale sem medo como você gosta que façam oral em você.
— Eu gosto que fiquem enrolando, chupando minhas bolas, enquanto uma mão me masturba e a outra acarinha bem gostoso aqui entre o saco e o meu cu. Tudo nem muito forte e nem muito fraco… Ah, isso, desse jeito, Georgiy, não para! — guiado pelos gemidos constantes de Viktor, Popovich continuou as carícias simultâneas até o outro pediu para parar. Em seguida, o rapaz ouviu atentamente as palavras de Nikiforov — Depois, eu gosto que lambam meu pau todo… Ah, isso… beijem, aí um beijo na cabeça que se transforma em chupadas bem lentas que ficam fortes com o tempo. Oh… Georgiy, assim mesmo que eu gosto! — Viktor incentivava os carinhos do outro, deslizava cada vez mais seus dedos por entre os cabelos de Georgi, enquanto o outro continuava a deliciar-se com a intimidade de Viktor. Entretanto, após um tempo, Nikiforov passou a querer também dar prazer para o amigo e pediu para Georgi parar de chupá-lo. Pedido atendido, sugeriu:
— Vamos trocar “os favores”? Agora você fica por baixo, eu vou descendo até chegar nele. Pronto, e aí, como você gosta que façam oral em ti?
— Que explorem tudo ao máximo, mas não indo direto ao ponto. Amo quando beijam, acariciam, lambem meu períneo ao mesmo tempo em que apalpem gostoso as minhas bolas com uma mão, enquanto a outra me masturba… Desse jeito, Vitya, mas só diminuiu um pouco a velocidade da tua mão, porque está doendo.
— Me desculpe. Assim está bom? — perguntou o outro.
— Isso. — respondeu Popovich, enquanto gemia mais alto devido a Nikiforov ter lambido sua região escrotal. — Agora concentra sua boca no meu escroto, acarinha meu períneo e continua me masturbando, só que um pouco, bem pouco mesmo, mais rápido… Ah, ah… desse jeito! Continue! — e Viktor continuou os carinhos até Georgi pedir o início do sexo oral, porém antes disso, Nikiforov pediu o tubo de lubrificante e preservativos. Pararam momentaneamente o que faziam só para Popovich pegar os objetos solicitados na mala e depois retornaram de onde pararam, mas com um passo já avançado: Viktor, de fato, fazia sexo oral em Georgi.
Popovich gemia muito, acariciava os longos fios platinados de Nikiforov e tinha uma visão maravilhosa daqueles olhos azuis cristalinos mirando-o profundamente, ao mesmo tempo em que ele chupava o seu pênis. Além disso, Georgi passou a reparar que Viktor abriu o tubo de lubrificante e começou a se auto preparar. Achou a cena ainda mais excitante e perguntou:
— Vitya, quer que eu te “ajude”?
Viktor retirou o pênis de Georgi da boca e respondeu com certa vergonha:
— Não precisa, mas eu preciso te avisa uma coisa séria e até meio vergonhosa. Eu não fiz a chuca hoje, então, caso aconteça “aquilo” quando você for me comer, pelo menos eu te avisei.
Popovich deu uma risada pequena e comentou:
— Relaxa, eu não sou dessas pessoas escrotas que acham que quem dá, tem a obrigação de estar com a chuca em dia ou até mesmo ter que fazê-la. Eu não me chamo Kaito. — a resposta arrancou risos de Nikiforov e, ah, como era belo o sorriso dele! Contudo, essa conversa não chegou mesmo a quebrar o clima entre eles. Muito pelo contrário. — Voltando ao assunto… e aí, você vai começar ou eu começo?
— Tanto faz.
— Então, eu começo. — respondeu Georgi, já com as pernas bem abertas para o outro.
Nikiforov deu um sorriso malicioso, passou a língua levemente pelo lábio inferior, deu uma leve mordida no lábio superior, abriu o tudo, jorrou uma boa quantidade nos seus dois dedos, depois na entrada de Popovich, espalhou o lubrificante e perguntou:
— Como você gosta de ser preparado, Georgiy?
— Primeiro um dedo, bem lentamente, quase em câmera lenta para eu poder ter maior controle.
— Assim? — perguntou Viktor, colocando um dedo conforme as preferências do amigo.
— Exato, desse jeito. Pode continuar, não estou sentindo dor nenhuma, por enquanto. — e Nikiforov continuou, parou, voltou, recomeçou, seguindo atentamente as palavras de Popovich: preparação lenta, com movimentos de vai e vem bem suaves, ao mesmo tempo em que chupava o pênis de Georgi.
Após um tempo desfrutando as sensações prazerosas que a preparação mais o sexo oral proporcionavam, Popovich queria mais.
Pediu para Viktor parar o que fazia, pois queria logo a penetração. O pedido foi atendido, camisinha devidamente posta no pênis, Viktor ajeitou-se junto com Georgi na posição desejada e começou a penetrar o outro, guiado novamente pelas palavras do amigo até seu pênis entrar todo e ser autorizado a movimentar-se lá dentro.
“Céus, como o Vitya fode bem! Ah… isso, nem muito forte e nem muito fraco! Gostoso!” — pensava Georgi enquanto era invadido pelas ótimas sensações que o ato sexual dava-lhe.
Enquanto da parte de Viktor, a sensação de fazer sexo com um dos seus melhores amigos era confortável e muito boa. Naquele momento, ele entendia o porquê de várias pessoas terem amizades “coloridas”. O carinho, cuidado e a liberdade que tinham para falar sobre como gostavam de fazer sexo, Nikiforov não tinha com ninguém. Quer dizer, quase, pois nos seus devaneios eróticos de adolescente com Yuuri Katsuki, ele tinha; entretanto na vida real, Georgi era o primeiro a realmente tratar Viktor bem na cama por achá-lo bacana, não por barganhas do tipo “preciso tratar ele bem para ter outras noites de sexo garantido” ou “ele é meu namorado só porque não pintou coisa melhor, por isso preciso aturá-lo”.
Ambos não queriam parar aquele momento íntimo tão gostoso. Na verdade, eles queriam variar ainda mais o ato. Não era como se o sexo estivesse chato, muito pelo contrário. Viktor e Georgi faziam as mais variadas posições, entretanto eles não estavam satisfeitos em terem apenas uma forma de prazer. Georgi tomou a iniciativa, enquanto cavalgava no pênis do amigo:
— Vitya, você se incomoda se trocarmos de posição?
— Pelo contrário, eu já estava querendo mesmo! — assim que terminou de responder Popovich, Nikiforov retirou seu pênis de dentro do amigo, pegou outro preservativo e colocou-o no falo de Viktor, ajeitaram-se de forma a Georgi ficar encaixado no colo de Nikiforov para, por fim, ser penetrado pelo amigo.
Quando todo o pênis de Nikiforov estava dentro de si, Georgi começou a fazer movimentos lentos com os quadris de subida e descida. Auxiliado pelos movimentos de vai e vem de Viktor, entre toques, intimidades, suores e gemidos, eles tinham seu prazer a dois e conjugavam em seus corpos os verbos: deleitar, desejar, foder e gozar — primeiro Viktor, depois de um tempo Georgi. Além disso, Georgi ensinou para Viktor através do seu corpo, do compartilhamento da sua intimidade, o que era alguém desejar de verdade outro alguém — ato essencial para Viktor conseguir, pelo menos, aproveitar, no calor do momento, de forma plena o que o destino reservou para ele vários anos depois: a oportunidade de ir para a cama com seu ídolo mor.
Popovich mal poderia imaginar naquele calor do momento, mas a imagem de Nikiforov todo suado, gemendo ao máximo, jogando seus longos cabelos platinados para trás, enquanto tinha o seu orgasmo gemendo o seu nome permaneceu para sempre na memória do rapaz. Da mesma forma que a imagem de Georgi com os cabelos bagunçados, uma parto molhada pelo suor, gemendo pelo seu nome da forma mais obscena possível em seu ápice do prazer ficou marcado nas lembranças de Viktor Nikiforov.
Apesar de tudo não ter passado de uma noite, pois Popovich ainda gostava de Haruka mesmo após ter feito o que fez — tanto que duas semanas após o ocorrido, Georgi começou a namorar Haruka e o relacionamento durou anos —, nem Viktor estava com cabeça para mergulhar em um envolvimento novo e considerando o quadro de Nikiforov mais a situação do amigo, não faria bem ele engatar qualquer relacionamento, principalmente um com potencial para estragar uma amizade linda como a deles, mantida até o fim. Até Viktor Nikiforov pedir respostas aos mares de Fernando de Noronha e nunca mais voltar.
Para a maioria das pessoas, ir para a praia no Japão em pleno inverno era loucura, mas para o atual fotógrafo esportivo Georgi Popovich, aquilo fazia mais do que sentido, pois ali era o único local que poderia lembrar do dia em que viu a verdadeira natureza de Viktor Nikiforov, com a neve, o gelo e indiretamente Sonic Youth como testemunhas.
“(…) Por sua causa, por sua causa
Por sua causa, por sua causa
Gostaria de poder libertá-lo mas não posso, não estrague
Gostaria de poder libertá-lo mas não posso, não estrague”
(Becuz — Sonic Youth)
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