Becos

1 São Becos Sem Saída


Notas iniciais
Apenas um unico capitulo, caso houver muitos comentarios ou até alguma recomendação.
Quem sabe eu escrevo mais alguma coisa.

Sempre me perguntou onde estão as pessoas.

Não sei o responder, pois nem sei onde eu estou.

O que elas estavam fazendo antes de ver elas.

Ou até onde estavam.

Minha historia não é trágica. Mas também não é tão fácil quanto se imagina.

Meu nome não é Arabela, mas eu faço um estrago por onde passo.

Posso ser doce, mas não vou deixar passar uma vingança.

Principalmente vinganças.

Com 6 anos me apaixonei por um garotinho. Ele sentava comigo em quase todas as aulas. Ele tinha um corte de cabelo engraçado, parecia que colocavam uma tigela na cabeça dele e cortavam os lados.

Ele era muito inteligente, sempre que podia se esforçar ao máximo ele tentava. Uma criança quieta. Totalmente ao contrario de mim.

Um dia, na segunda serie, a professora pediu atenção de todos. Disse que esse tal aluno iria embora, e que todos deveriam fazer um desenho e montar um caderno de despedida. Assim fiz, meu melhor desenho.

Claro. O tempo passou, e esqueci quem era ele. Esqueci seu nome depois de um bom tempo, mas não esqueci totalmente seu rosto. Algumas poucas coisas ainda lembrava, mas eram poucas mesmo.

Na quinta serie mudei de turno, fui estudar no período da manhã. Foi uma grande "viravolta", eu tinha apenas uma amiga, ou melhor, conhecida naquela turma. Quando entrei na secretaria para pegar meus documentos, encontrei uma menina, ela estudava comigo no período da tarde. Entramos juntas na sala de aula, era ciências. Fui logo me juntando a conhecida.

Depois de um tempo fiz amizade com quase todos os alunos daquela turma.

Alguns foram embora, outros vieram, e assim foi sucessivamente.

Na sétima serie, ele voltou. Em uma aula de artes. Minha aula favorita. Ao olhar para a boca dele, senti um frio na barriga, me veio na cabeça quinhentas outras ideias, tigelas, lápis, desenhos, praias e um Adeus.

Ele sentava na primeira classe da segunda fileira, logo ao lado a mesa do professor. Aquele medo, o frio na barriga veio a tona. Levantei da terceira classe que ficava na parede a direita e fui ao seu "encontro", minhas pernas bambearam no meio do caminho e não tinha a mínima ideia do que perguntar ou o que fazer.

Qual seu nome?

Ele respondeu. Lembrei de tudo. Mas eu não tinha mais o que perguntar, então voltei para a minha cadeira.

As aulas ocorreram de forma normal. Até o final do ano tentei ser o mais responsável e inteligente que pude. Mas a tentativa foi falha.

Oitava serie me entreguei a irresponsabilidade, ao desleixo. E tentei ser amiga dele. Apenas amiga, eu nunca tinha tentado me aproximar de alguém tanto quanto ele. Minha vitima. Entre outras tantas no qual nunca me aproximei tanto. Queria que com ele as coisas fossem diferentes mas não deu certo. Eu era apenas uma qualquer, até hoje sou uma qualquer.

Ainda na oitava, minha mãe queria muito me enturmar com alguém, com algum grupo. Ela me colocou no passeio do final do ano, até um parque aquático. Mas eu não tenho o estereotipo das outras garotas, além de serem bonitas e usarem biquínis, nenhuma delas era como eu. Nem uma.

Me sentei em um banco, no canto, preparada para dormir, e chegou a criatura mais fascinante, mais quieta e ao mesmo tempo irritante. Sentamos juntos. Meu coração não parou de bater rápido até as 11:30 da manhã. O cheiro dele é tão bom. Chegar perto dele era um desafio.

Naquele dia, disse a ele que estava com sono

Por que não dorme então? Posso me encostar em você para dormir? Pode — disse ele dando os ombros.

Acho que foi isso.

Não deitei no ombro dele, mas deitei um pouco em suas costas. O suficiente para sentir certa proteção que nunca havia sentido antes.

Fiquei acordada o tempo todo.

Fingi que acordei, e conversamos mais um pouco.

Depois disso, me juntei a um bando de garotas, isso incluiria a ex-namorada dele. Tornei-me amiga dela tão rápido, uma menina um tanto quanto burra, porém sempre buscando novos interesses.

No meio da tarde, fui comprar um churros. Sim, um churros. E no meio desse caminho teria uma ponte, todos passavam por ali, até mesmo ele. Nossos olhos se cruzaram e passaram um pelo corpo do outro. Não consegui controlar meu olhar de desejo, aquilo seria tão obvio. E foi.

Na volta, ele sentou no mesmo lugar, e eu sentei ao lado dele. Não lembro se foi por vontade própria ou se ele puxou meu braço. Mas prefiro acreditar que ele puxou meu braço do que por vontade própria. Eu estava na ponta e não poderia ter proteção então deixei o sozinho, meu rosto e o dele chegavam tão perto, a vontade de beija-lo era tanta, mas o diretor estava no nosso ônibus, e qualquer tipo de afeto era quase proibido, então, a minha mão e a dele se encontraram e fecharam uma a outra, as mãos dadas é a maior e mais bela cena que tenho daquele dia.

Mas ele logo dormiu, e a menina da frente resolveu fazer uma brincadeira com ele, colocar protetor solar no rosto dele... Simplesmente não gostei e limpei o rosto dele, que acordou, e logo se entregou aos charmes dela. Tudo bem.

Ao chegar em casa recebo uma mensagem

"Estou com saudades de você"

Sim. Isso me fez ficar feliz, mas como sou burra e ingênua, respondi que não estava. Mas quem sentia saudades era eu.

Algumas semanas depois eu e ele brigamos, e ele tocou na minha cara algo que gostei

" A vontade de te pegar e beijar era imensa"

A minha era maior.

Continuamos a ser amigos, mas nada como antes.

Me conhecia muito bem e saberia que não daria certo. Ele era cauteloso demais para algumas frases minhas.

Depois de um tempo, tentando me tornar algo bom, algo amável, o surpreendi dizendo o que JAMAIS deveria ser dito por alguém, "eu te amo".

Depois deste episodio, essas palavras nunca mais fizeram sentido. Nunca mais tiveram o mesmo significado original. Eu mais amo e não sei demonstrar.

Hoje, dia 04 de junho, há 10 dias do meu aniversario, percebo que o meu maior presente, sempre imaginado antes de dormir, nunca irá acontecer.

Um único beijo. Apenas um, seria o suficiente, e eu nunca mais o procuraria, iria dedicar o meu tempo a ficar com meu "namorado".

Achei que tinha amigos ano passado. Mas na verdade, eram pessoas que me usavam para falar, pessoas que me usavam para tudo.

Agora é a minha vez de usar as pessoas, e eu escolho ele. Vou usa-lo e joga-lo fora, o tempo necessário para que ele entenda, cujo o chefe, sou eu. Quem manda? Sou eu.

Ano passado.

Eu parecia jovem.

Hoje eu já sou velha suficiente para entender meus erros. Entender onde errei, quando errei, e quando posso errar.

Para que meus erros resultem nas minhas melhores escolhas.

Minhas melhores escolhas sempre foram em cima de erros brutais e ridículos.

Fico feliz por errar, assim entendo o que não posso fazer novamente.

Por que aprendemos sobre a historia da humanidade? Desde de os egípcios, guerras, e bombas?

Aprendemos isso, para entender algo no passado. E para não repetir o mesmo erro que Hitler cometeu ao querer matar todos os seus "inimigos". Antes ter inimigos, e confiar em poucos, do que não ter inimigos e confiar em todos. Esses "todos" podem se voltar contra você a qualquer segundo, e você ira se decepcionar, porque a maioria das nossas decepções sempre vem de quem menos imaginamos, sendo ela da nossa família, até o cobrador do ônibus. Nunca achamos que ele vai roubar vinte e cinco centavos.

Bem. Acho que falei demais. Desculpa. Precisava desabafar contigo.

Atenciosamente,

Ninguém.

Notas finais
^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!