Because We Are Survivors

3 Capítulo II - Visita! Proteger é o mais importante.


Notas iniciais
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POV AMY ROWLINSK

Acordei pulando da cama, completamente ensopada de suor, meu sonho era o mesmo a uma semana, desde que cheguei aquela fazenda. Nele Sarah morria, devorada por aquelas coisas, e eu, claro, fugia, deixava-a lá.

Beth levantou sonolenta e ligou as luzes do quarto.

– Pesadelos de novo? — Ela perguntou.

– O mesmo.

– Amy, fique calma, Sarah estará segura, ela vai ficar bem, junto com você.

– Eu tento me convencer disso, juro que tento, mas acabo sempre mais preocupada. Se alguma coisa acontecer com ela, não vou ter como seguir em frente, vai acabar tanto para ela, quanto para mim.

– Nada vai acontecer, tente dormir, eu vou fazer um chá para você tudo bem?

– Tudo bem. Obrigada Beth.

– Não se preocupe com isso, apenas se acalme.

Beth saiu do quarto dirigindo-se a cozinha, ela estava sendo uma segunda irmã para mim, por toda essa semana que passei aqui, sempre cuidava de mim, as vezes isso me incomodava um pouco. Como sou pequena, as pessoas acham que preciso sempre de uma baba. Sempre a criança inocente, eu nunca gostei disso, Sarah era idêntica, a irmã controladora e supor protetora, quando brigávamos vivia dizendo "O que você faria sem mim?", sinceramente, acho que sem mim, ela continuaria chorando jogada no cemitério até hoje.

Olhei para a cabeceira da cama, um móvel rustico de madeira. Em cima havia uma faca, afiada e perigosa, minha faca. Nesses últimos dias, Joseph vinha me ensinado a me defender dos errantes, caso a situação viesse a piorar. Sarah tentava aprender também, mas todos os dias, ela pegava a faca e largava no chão, tremendo e correndo de volta para dentro de casa.

Joseph dizia para mim deixa-la superar seu trauma sozinha, e eu tentava, mas tentar não se preocupar com ela é impossível. Nunca matei um errante, embora treinasse para isso, Hershel achava que aquilo tudo não passava de uma doença, e mandava Otis tranca-los no celeiro. Acho que o único doente é ele, eu vi o que fizeram com Jake, nada bonito. Mas não culpava o velhinho por isso, a mulher dele estava entre os "Doentes" afinal. Joseph no fundo estava do meu lado, mas apenas concordava com as decisões de Hershel, gerar uma discussão não parecia favorável.

Peguei a faca e segurei em frente aos olhos, conseguia ver meu rosto refletido, meus cabelos castanhos sedosos pelos cuidados de Beth, os olhos com as pupilas arregaladas pela falta de luz.

Ouvi um grito de Beth vindo de longe, segurei a faca com força e corri o mais rápido possível para a cozinha.

POV SARAH ROWLINSK

Estava no meu quarto quando ouvi os gritos de Beth, pulei da cama e fui a cozinha. Estava sem sono aquela noite, pensando em Jake. Há uma semana, íamos nos casar, construir uma família, ser felizes, e "Puff" Acabou. Simples assim. Amy parece mais fria desde o ocorrido.

A semana passou lenta, sofrida. Eu tentava todos os dias, me ocupar, distrair, pensar em outras coisas, mas não adiantou muito. Toda vez que segurava uma faca, uma arma, ou qualquer coisa que pudesse machucar, eu entrava em pânico. Me sentia completamente derrotada. Minha irmããzinha de apenas 10 anos sabia segurar uma arma melhor do que eu. Eu sou sua irmã mais velha, eu devia aprender a lutar, eu devia ser forte, eu devia protege-la, mesmo sabendo que Amy é muito mais evoluída psicologicamente do que qualquer pessoa de sua idade, protege-la era meu dever, não de Joseph, não de Beth, não dela mesma, era meu!

Desde o que passamos em Chicago no último verão, eu jurei que nunca deixaria ela sozinha, nunca deixaria ela passar por outra coisa assim, nunca! Mas minha fraqueza, minha ingenuidade, meu medo, estão fazendo com que o papel se inverta, com que quem deva me proteger seja ela.

Cheguei a cozinha, Joseph, que dormia no sofá, já estava lá, com a besta de pronto para atirar. Hershel olhava pela janela, Beth estava sentada na cadeira, encolhida. Amy segurava sua faca, postada em frente a Beth em forma de proteção.

– Temos visita. — Murmurou Hershel.

– Errantes? — Amy perguntou.

– Não, pessoas. E estão armadas, um grupo bem grande. — Ele respondeu. Eu fui em sua direção, e olhei para fora também.

Um grupo de pessoas caminhava sobre o gramado da fazenda, observando cuidadosamente para descobrir se tinham companhia. O homem mais a frente, com uma estrela de xerife grudada a camiseta, foi adiante para o celeiro, quando ia abri-lo Hershel berrou da janela.

– Não abra isso! Quer morrer homem?

Eles murmuraram assustados, apontando as armas para o pobre velhinho. Joseph chutou a porta, com a besta apontada para o xerife.

– Quem são vocês? — Perguntou.

– Calma amigo! Não queremos briga, apenas conversar. — O homem disse.

– Primeiro me diga quem é, e o que quer, aí eu penso se quero ser seu "Amigo". — Engoli em seco, nunca havia visto Joseph agir de tal forma com alguém.

Conforme o grupo se aproximava da entrada da casa, pude examina-los melhor. O xerife era alto, de cabelos enrolados, e olhos azuis, a sua esquerda havia uma mulher e uma criança, um menino provavelmente da idade de Amy. O garotinho tinha olhos azuis como os do homem, e a mulher era morena e alta, de pele clara. A direita tinha um negro gorducho, parrudo e forte, junto a uma mulher de meia-idade, com cabelos curtinhos, que parecia abalada. Também havia um velho, com chapéu de pescador, e uma mulher loira de cabelos cacheados e olhar decidido. Atrás um homem de olhar desnutrido e semblante debochado, junto a outro carrancudo, de olhar sensual e que segurava um besta como a de Joseph.

– Nós gostaríamos de falar com o proprietário da fazenda. — O xerife falou com cautela, abaixando sua arma, e fazendo sinal para que os outros também abaixassem, inclusive o garotinho.

– O que querem? — Disse Hershel.
– Gostaríamos de poder passar a noite em seu terreno, a floresta não é segura. — Pediu com sinceridade. — A propósito, me chamo Rick.

– Está bem. — Hershel falou. — Mas dormem fora da casa, amanhã conversaremos direito, fiquem aqui, Joseph, fique de olho enquanto Beth vai buscar as barracas para eles.

– Sim papai. — Ela falou. Pude ver ela sorrir simpática para a senhora mais velha, que parecia triste. Beth tinha a estranha capacidade de fazer os outros se sentirem melhor.

– Amy, vá ajudar ela! — Eu falei, Amy fez uma careta.

– "Não vai acontecer nada, apenas tente se acalmar." — Falou debochada, e Beth riu, enquanto as duas iam a casinha do lado do celeiro buscar as barracas.

De longe vi tudo muito rápido, mas quase cuspi fora o coração. Beth abriu a portinha da casinha e tirou as barracas de dentro, de trás do celeiro um errante apareceu, Amy estava de costas, tudo que consegui ouvir antes de uma flecha atravessar a cabeça dele foi um grito de Beth.

Corri para Amy, chorando, me atirando no chão para abraça-la. Ela estava em choque, não movia se quer um musculo, não derramava uma lagrima, apenas respirava calmamente. Me virei para trás ainda lacrimejando, pronta para agradecer Joseph, porém este estava tão afoito quanto eu. Só então pude perceber que a flecha não viera dele, e sim, do homem carrancudo do outro grupo.
Beth tocou meus ombros, e Amy se soltou de mim, levantando e indo até o cara da besta. Eu só observava, estática com sua indiferença aos acontecimentos.

– Obrigada! — Disse ela ao se postar na frente do homem.

– De nada baixinha. — Ele respondeu, sua voz era grave e rouca, e seu tom, tão indiferente quanto o dela.

– Prazer, Amy Rowlinsk.

– Daryl Dixon. — Ele se apresentou. Afagando a cabeça da minha irmã. — Tenha uma boa noite. — Disse por fim, pegou uma barraca das mãos de Beth e seguiu para o meio do gramado, acompanhado pelo grupo que o seguia, desejando boa noite e obrigada a Hershel.

– Venha Sarah. — Amy se aproximou e pegou a minha mão. — Vamos dormir. — Eu assenti brevemente, limpando as lagrimas que ainda restavam.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.