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Luzes apagadas. Dezoito velas acessas sobre o meu bolo. Balões grudados na parede e alguns jogados no chão. Amigos e familiares reunidos no salão de festas da nossa fazenda. E tudo o que eu podia escutar era: ‘’faça o pedido antes de apagar a vela.’’ Eu estava diante de um bolo que dizia ‘’Parabéns Katherine!’’. Enfim, tinham chegado os meus dezoito anos. Eu me esquivei para soprar a vela e pensei nos meus pedidos. Tudo o que eu pensava era: ser feliz e com Stefan. É claro que pensei na minha família e nas minhas melhores amigas, Ashley e Caroline. Que estavam sempre me apoiando mesmo eu estando um pouco distante depois que as coisas com Stefan ficaram mais sólidas. Velas apagadas e milhares de ‘’uhul!’’ soltos no ar. Alguém veio por trás e me abraçou.

– Feliz aniversário, maninha. – disse Bekah. – Não acredito que esse dia chegou.

– Nem eu! – eu falei brincando. – Um ano mais velha, que saco.

– Um novo mundo está por vir, Kath. – Eu não sabia o que ela queria dizer. Talvez seria a emoção de ter dezoito anos? Tem algum segredo que eu não sei? Talvez seja a mesma coisa dos quinze. Moçinha vira mulher. Bleh! Eu apenas sorri e a abracei de volta. – Te amo.

– Eu também te amo, Bekah. Obrigada por tudo. – Meus olhos estavam cheios de lágrimas. Uau. Rebekah e eu sempre fomos ‘parceiras de crime’. Passei todos os momentos da minha vida ao lado dela. – Sempre e para sempre, lembra? – ‘’Sempre e para sempre’’ era como se fosse a nossa frase. Algo para lembrar uma da outra. Para nos manter ligadas sempre. E para sempre.

– Como não? – Bekah estava segurando minha mão. – Você tem que ver como está lá fora! Tem um pista de dança, um DJ e até uns barmans gostosos.

Não precisava de tudo isso! – eu bufei. – Eu só queria um jantar entre eu, você, Stefan e as meninas. Ele ia cozinhar para gente.

– Ele pode cozinhar para a gente outro dia, não acha? Reclame com a Caroline e com a Ashley, elas que me convenceram em fazer essa festa... Não que eu não fosse fazer. Faria em um porte menor. E eu sei que você se amarra numa festinha. – Ela tagarelava enquanto me conduzia para fora. Até que Rebekah estava bem nesses últimos dias. Ela estava muito ocupada treinando. Talvez isso a fazia esquecer Jeremy e Lydia. Ou era Damon que a fazia esquecer de tudo?

– Você tem razão. – Chegamos lá fora e eu abri a boca. Estava tudo lindo... Muito legal! Eu estava pronta para dançar a noite inteira. Minha irmã realmente tinha razão. Eu precisava de uma baita festa.

– Hey. – Uma voz sedutora sussurrou em meu ouvido. Era ele. Eu me virei e o beijei rapidamente.

– Hey. – e sorrimos um para o outro.

– Ah... vou deixar os dois pombinhos ai, sabe. – falou Rebekah se afastando de nós e dando uma piscadinha para mim. Estávamos no centro da pista de dança.

– Eu tenho um presente pra você.

– Hm, senhor Wasilewski, mal posso esperar para saber o que é.

– Acho que vai gostar, Senhorita Mikaelson.

– Tudo que vem de você eu gosto. – nos beijamos como se só existisse nós dois na festa. O DJ estava tocando desde... sempre. Eu só não havia percebido antes. Meus quadris começaram a se mexer. Estávamos dançando. Ashley e Caroline estavam conosco.

– Só falta a Ash fazer dezoito aqui? – berrou Caroline.

– Sim! Ela é nossa bebê, Care. – rimos.

– Escutem, sou a mais nova mas eu que sempre cuido de vocês. – Ela falou se achando.

– Ui! A madura Ashley. – soltamos uma gargalhada. Até Stefan entrava nas brincadeiras de Caroline. – Então, Stefan, cadê os seus amigos que você disse que ia me apresentar?

– Sabe, aqui eu não tenho muitos... Sou um solitário. Podemos ir á Itália, que tal?

– É uma boa! – Caroline disse entusiasmada e com os olhos brilhando. Eu sabia que em sua cabeçinha criativa ela estava se imaginando na Itália com roupas de grife e sapatos de salto alto e ao seu lado direito um loiro com cara de modelo esnobe e ao seu lado esquerdo um moreno sarado, do tipo surfista europeu que não pega ondas.

– Stefan você está encrencado... Caroline não vai te deixar em paz até cumprir o que prometeu a ela. – eu falei brincando com os dois.

– Sou um homem de palavra. – Ele falou sem perder o bom humor em momento algum.

…

– U. A. U. Você sabe fazer uma festa, Rebekah. – Damon falou olhando para Rebekah, no qual pegava uma bebida no bar improvisado, com seus olhos azuis brilhantes e seu sorriso torto sexy.

– Obrigada! E você já sabia que eu sei fazer uma festa...

– Só entre quatro paredes. – Ela olhou para ele sedutoramente e mordeu o lábio, soltando-o devagarzinho. – Para com isso, garota.

– Com o que? – eles riram. Damon se aproximou do ouvido dela e sussurrou:

– Você sabe com o que, Bekah. Eu não quero que todos saibam de nós. Seria um choque para a sociedade de Mystic Falls. Não acha?

– Hm. Entendi, Damon. – Ela sussurou no ouvido dele e depois deu um gole longo no seu copo de whisky, esvaziando-o. – Na verdade, não sei se seria algo muito forte. Um primo doze anos mais velho que a priminha... Legal. – Ela se virou e se perdeu na multidão. Bekah já estava um pouco alterada por conta do álcool. Damon bufou e continuou bebendo.

...

♪♫

– Não! Eu não acredito... Eu amo essa música! – Eu falei entusiasmada. Eu já havia bebido bastante. O equivalente ao que eu beberia em duas ou três festas juntas. Eu só esperava não aprontar nada... Muito menos dizer nada inapropriado. Eu grudei no pescoço de Stefan ferozmente. – Vamos arrasar!

Stefan assentiu e me dei um beijo de língua inigualável enquanto dançamos e pulávamos feitos dois adolescentes como se não tivéssemos com o que se preocupar. Como se não pensássemos em nada ao não ser dançar até o amanhecer. Minha cabeça rodava... Eu já estava com alguns sintomas de ‘’bebi demais na noite passada e as coisas para mim não vão acabar muito bem’’.

– Você não está bem. – Stefan falou preocupado diminuindo o ritmo da nossa dança.

– Nope. – falei baixo fazendo beicinho. Ele me deu um beijo, e me conduziu á um sofá próximo á piscina. Eu me joguei no sofá e ele tirou meus sapatos incrivelmente altos. – Ah! Sem saltos como isso é bom. – ele sorriu e massageou os meus pés.

– Obrigada. – Eu falei para Stef, quando ele se sentou ao meu lado me abraçando de um jeito protetor. E eu enterrei meu rosto em seu peito.

– Você vai dormir aqui?

– Aham... Seu abraço é tão acolhedor. – E ele estava sorrindo como uma criança.

– Eu posso te levar ao seu quarto.

– Eu só quero uma cochilada de dez minutinhos, Stef... — murmurei.

– Se você pegar no sono agora sei que não vai acordar mais e...

– E se formos pro meu quarto talvez eu não vá dormir. Faremos outras coisas obviamente. – eu o cortei e com muito esforço me virei para olhar a expressão de Stefan. Divertido e animado, mas um pouco cansado. Eu passei minhas mãos em seu rosto. – Te amo.

– Te amo também e parabéns. – Nos beijamos. – Vamos para o seu quarto! – Em um pulo ele ficou de pé.

– Tá bom, você venceu, Stefan. – Bufei. Eu me levantei e não vi que havia uma garrafa quebrada ao lado do sofá, na grama. – Ai! – Meu pé havia sido cortado. Stefan olhava para o meu pé fixamente. Seu corpo estava rígido, lutando contra algo.

– Você deveria cuidar disso, Katherine. Agora. – Ele falou entre os dentes. Eu me sentei no sofá e tentei ver a situação do meu pé cortado e um pouco ensanguentado.

– Stefan! O que é isso? – Por mais que estivesse escuro eu podia ver veias saltadas em baixo dos olhos, agora vermelhos, dele e sua boca... Bom, ele tentava me esconder algo. Eu me levantei e com minha mão limpa tentei virar seu rosto para mim. – Ei...

– Pare com isso! – Stefan falou irritado e em um tom grosseiro, e em um movimento rápido segurou o meu braço com força.

– Você está me machucando. – Eu estava assustada. Isso era o Stefan? Ele me fitava friamente. — Stefan, solte-me, por favor. – Ele me soltou rapidamente e apertou seus olhos. Meus olhos estavam cheios de lágrimas, prestes a cair. – Vou procurar a Ashley. Ela pode me ajudar fazendo um curativo. – Sem esperar a resposta de Stefan eu me virei e sai mancando atrás de minha amiga, deixando-o sozinho. Por mais que eu não quisesse deixá-lo todos os meus instintos diziam que isso teria de ser feito.

...

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– Como você conseguiu fazer isso, Kath? – perguntou Ash.

–Hm. Veja, pessoas bêbadas derrubando tudo no chão mais eu bêbada e no escuro. Resultado. Isso! – eu falei brincando tentando cobrir a minha expressão assustada enquanto Ashley se concentrava passando um remédio na sola do meu pé e colando um curativo.

– Não precisa fingir. Sei que você não está bem... – ela falou preocupada olhando para mim. Eu baixei a cabeça e sussurrei:

– É o que a bebida me fez. Estou nauseada e só. – Levantei a cabeça com um sorriso fracassado. Eu não iria conseguir mentir para a minha melhor amiga. Como eu pude pensar nessa hipótese? Ashley Lockwood sacava tudo de primeira.

– Você acha mesmo que pode mentir para mim? Acho que não pode. Nem consegue, Katherine. Agora me conte, o que tá acontecendo? – Ela me puxou para a minha cama e nos sentamos.

– É o Stefan. – eu falei sem forças e soltei um fundo suspiro. – Precisamos falar disso hoje? Estou tão cansada... – Ash me olhou com desaprovação e balançou a cabeça. É, ela não iria desistir. – Eu não sei como te dizer, Ash...Bom, eu quero estar com Stefan todo segundo da minha vida mas, ao mesmo tempo eu sinto que não posso. – Eu estava confusa e meus olhos ardiam. – Algumas vezes, ele age diferente. E nessas vezes, momentos, todos os meus instintos dizem para eu me manter longe dele. E isso está embutido em Stefan e nem o meu amor pode tirar essa coisa dele.

– Diferente, como? – Ela perguntou interessada e um pouco assustada. – Que coisa?

– Esse é o problema. Eu não sei do que se trata, Ashley. Ah! Amiga... – Eu estava chorando nos braços de minha amiga. Parecia que tudo o que havia ocorrido de estranho em relação á Stefan estava em minha cabeça nesse momento... Minha cabeça estava cheia de duvidas e conflitos no qual eu precisava despejar em algum lugar ou em alguém. Quando eu me acalmei finalmente consegui dizer algo. – Obrigada.

– Por nada. Amigos são para isso, não? – ela disse tentando me animar e sorrindo gloriosamente. – Quer que eu e Caroline passemos a noite aqui?

– Eu vou ficar bem. A única coisa que eu quero é dormir. Amanha é um novo dia e eu quero estar bem! – eu sorri.

– Então, boa noite. – Ashley me abraçou e saiu da minha suíte. Tudo o que eu precisava era de um digno banho. Água quente e esponja com bolinhas de sabão. E depois cama. Sem dúvidas.

...

Stefan estava bebendo descontroladamente e sozinho. Não era novidade que ele não tinha amigos em Mystic Falls. Talvez seja porque, ao chegar, ele logo ficou preso a mim e não teve tempo para fazer amizades. Tirando Ashley e Caroline, e lógico eu, Stefan não falava com mais ninguém.

– E ai Stefan! – Disse Stiles dando um tapinha nas costas de Stefan, no qual retribuiu com um sorriso mas imediatamente se virou para ir pegar uma bebida no freezer da cozinha. Ele não queria conversa com ninguém, era o que parecia. Chegando à cozinha, ele abriu o freezer procurando por algo e o fechou rapidamente fazendo um estrondo. Stefan estava inquieto.

– Stefan, certo? – perguntou Damon, amigavelmente.

– Certo. – Ele murmurou e mudou sua expressão rapidamente. Estava menos nervoso e preocupado.

– Sou Damon, prazer. – Se aproximando dele, estendeu á mão á Stefan. No qual analisou a mão de Damon e a apertou sorrindo. – Já sei de você e da Katherine. Casal bonitinho. Rebekah me contou.

– Obrigada. – disse Stefan cautelosamente. – Rebekah nos aprova.

– Ela os aprova. Eu não sei, garoto... Tenho minhas dúvidas quanto á você. – implicou Damon.

– Dúvidas? – Mesmo que Stefan não se mostrasse tão surpreso ele tentou transparecer isso.

– Você é novo na cidade. E bem, conheço a história da sua família, Stefan.

– Como eu conheço da sua família, Damon.

– Nossa, um jovem como você já está tão por dentro assim?

– Você não sabe o quanto. – Stefan sussurrou e foi em direção da porta da cozinha, ele só queria sair daquele ambiente vazio onde Damon o importunava com afirmações e perguntas um pouco indecentes.

– Hey! Não pense que terminamos... – Damon falou em voz alta com a finalidade de que Stefan escutasse.

...

♪♫

Rebekah dançava alegremente com os poucos convidados que restavam. Era fim de festa e a maioria das pessoas já tinham ido embora. Até que alguém muito familiar no qual ela não via a algum tempo se aproximou e começou a dançar ao lado dela. Rebekah percebendo quem era parou o que estava fazendo e ficou imóvel.

– Jeremy? O que você esta fazendo aqui? –Rebekah perguntou perplexa e sem pensar duas vezes.

– Eu estou apenas dançando. – Jeremy estava tentando ser legal e de algum modo ele queria se desculpar pelo jeito que eles terminaram. Ele sorria para ela. Bekah se virou correndo e foi para uma das salas da casa, onde tinha um resto de ponche. Ela pegou um copo vermelho chamativo e o encheu com o que restava da bebida. Depois de alguns minutos ela percebeu que havia alguém atrás dela.

– Jeremy, por favor, saia daqui. – Ela disse sem se virar.

– Jeremy? Sério? Acho que você está falando com a pessoa errada, Bekah.– Damon zombou.

– Damon! – Ela se virou e em um passo ele estava a centímetros dela.

– Acertou! Eu. Um homem. E não um garoto como o... Ops, qual é mesmo o nome daquele moleque?

– Damon...

– Ah, vamos lá, garota. Nem preciso dizer que sou muito mais sexy que ele. – Ele deu uma piscadela para ela, de bom humor.

– Não precisa ser convencido, Damon. – eles sorriram maliciosamente um para o outro.

– Onde está esse idiota, afinal?

– Espera, isso é problema meu. Você não tem no que se meter, por favor. – Bekah suplicou. Damon acariciava o cabelo dela e deu um beijo casto em seus lábios rapidamente. – Você realmente bebeu demais, não é? Qualquer um pode nos ver aqui.

– Você está vendo alguém aqui? Eu acho que não, hm. – Ele falou com o ‘’humor Damon.’’ Ela sorriu. Na verdade, Rebekah não conseguia reprimir o sorriso quando Damon falava com seu jeito único e extremamente sedutor.

– Tudo bem. Já que é assim, mais um beijinho. – Ela o agarrou. Suas mãos perdidas no corpo dele. Sua língua na de Damon.

– Talvez você tenha exagerado.

– Talvez. – Rebekah estava alegre novamente.

– Rebekah! – exclamou. Ela e Damon se assustaram e olharam para Jeremy. – Desculpe, sei que é difícil, mas não podemos conversar rapidinho?

– Damon, pode nos dar licença? – Por mais que ela se mostrasse durona, no fundo ela ainda tinha sentimentos por Jeremy e não resistira ao pedido educado dele para uma conversa rápida.

– Você tem certeza? – Damon sussurrou tão baixo que só Rebekah havia o escutado. Ela disse que ‘’sim’’ com a cabeça e Damon a fitou, incrédulo.

– Vai, Damon.

– Eu vou ficar bem aqui, do seu lado. – Ele não seria convencido a sair da sala. Rebekah estava fervendo de raiva.

– Pode começar Jeremy. – Ela falou impacientemente.

– Então, tenho noticias da Lydia. – Antes de expandir o assunto ele fitou Damon com certo receio. – Ela vai se mudar, Rebekah. E seria bom se você a visitasse pelo menos.

– Para onde ela vai?

– Ela vai ir estudar em Denver. O mais importante a te dizer é que ela não tem culpa de nada.

– Lydia traiu a minha confiança, assim como você. – ela o interrompeu.

– Não, ela só não sabia o que fazer diante de mim. O problema foi eu. Eu fui uma criança do jeito que aceitei o termino do nosso relacionamento. Desculpe.

– Criança? Criança. – Damon falou e riu. – Você é uma criança que não tem noção do que causou em Rebekah.

– Opa, quem é você? E eu estou falando com a Rebekah. –Jeremy retrucou.

Eles continuaram se agredindo verbalmente. Até que em certo instante Damon puxou Rebekah para si e a segurou, como se quisesse mostrar para Jeremy que ela pertencia-o.

– Parem com isso! – Ela gritou se soltando dos braços do primo. – Você já pode ir embora, Jeremy. Entendi seu recado. Lydia está indo embora. Ela não tem culpa de nada e você se desculpou. Obrigada!

Antes que algo fosse feito, Damon e Jeremy se olharam como se fossem inimigos mortais. Jeremy saiu do cômodo, deixando o ambiente mais leve mas ainda assim fez Rebekah lembrar de coisas que ela pensava ter esquecido. Agora ela teria que lhe dar com isso, resolver os problemas e não fingir que eles não existiam.

– Bekah... – sussurrou Damon, carinhosamente. Ele a abraçou. Rebekah não retribuiu o abraço, soltou-se e foi para o seu quarto sem dizer uma palavra. Deixando Damon sozinho.

…

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– Stefan! – eu me assustei ao ver que ele estava abrindo a porta do quarto. Eu estava com o cabelo molhado e de roupão.

– Desculpe. – ele sussurrou, recuando.

– Pode entrar. — me sentei na cama enquanto penteava o cabelo. Stefan estava assustado e até nervoso. Parecia que havia remexido no seu cabelo e sua testa estava enrugada. Ele se sentou ao meu lado e pegou a minha mão.

– Eu até imagino o que você está pensando sobre mim, Katherine. Não fique assim, por favor. – Ele suplicava, sua voz era calma e aveludada mesmo que ele estivesse tenso. Meus olhos se encheram de lágrimas e eu não pude impedi-las de agirem. Cruzei minhas pernas e fiz um coque no meu cabelo desajeitado. Continuei quieta. – Me diga algo. – Stefan colocou suas mãos no meu rosto.

– Você sabe porque eu estou assim? – ele me olhava surpreso. – Porque o homem que eu amo tem segredos os quais por algum motivo eu não posso saber. E eu sinto que tenho que me afastar dele quando certas coisas estranhas acontecem, como hoje aconteceu. Todos os meus instintos me dizem ‘’Corra, Katherine. Corra!’’. E isso dói, saber que tem coisas em você que eu não sei e saber que talvez o melhor seja nos distanciarmos. – Eu estava aos prantos. Stefan me abraçou, me apertando contra seu peito.

– Me desculpe por tudo isso. – Stefan olhava em meus olhos que lacrimejavam. Ele estava segurando as suas lagrimas. – Não! Eu não existo sem você... Por favor. O melhor não é nos distanciarmos. Não para mim. Mas se é o que você quer eu não posso fazer nada. – Ele olhou para baixou deixando uma lagrima cair.

– Stefan eu não quero isso, mas talvez seja a consequência de seus segredos, eu sei que cedo ou tarde uma separação será inevitável.

– Eu já te falei que irei te contar tudo. Cada detalhe da minha vida. Você só precisa confiar em mim e ter paciência. Só por favor, não me deixe.

– Eu confio em você, mas minha paciência está se esgotando, Stefan. Eu prometo que vou esperar um pouco mais, contanto que você me prometa que esse dia chegará logo.

– Eu prometo. Eu não vou te desapontar. – Nos beijamos. — Esse é apenas o começo de uma grande historia de amor, Katherine. Não podemos desistir de nós. Eu te amo.

– Eu também te amo. – E nos beijamos novamente e depois ficamos abraçados por um bom tempo. Eu podia escutar a respiração dele. – Eu estou cansada. Vamos deitar?

– Tudo bem. – Stefan puxou o edredom e fomos para baixo dele. Deitei virada de lado e Stefan ficou atrás de mim, estávamos deitados na posição conchinha e em poucos minutos eu apaguei completamente.

...

♪♫

O sol já raiava lá fora. Os raios solares batendo em meu rosto e esquentando todo o meu corpo. Eu abri meus olhos, cegada pela claridade. Me levantei rapidamente e abri a janela. Uma brisa leve e gostosa entrou no meu quarto. A paisagem era linda. As árvores começavam a perder suas folhas, e algumas delas forravam a grama já. Eu me troquei e fui arrumar minha cama, tinha um bilhete no travesseiro em que Stefan havia dormido.

‘’Bom dia, meu amor. Me ligue o quanto antes. O seu presente está te esperando. Stefan.’’

E eu fiquei toda alegre ao ler o tal bilhete. Stefan me dava vida. Me dava um motivo para suspirar e ter paixão pelas simples coisas. Mas porque ele havia ido embora? Coloquei o papelzinho amarelo no bolso da calça e fui para a cozinha.

– Bom dia, dorminhoca! – disse Damon soltando um enorme sorriso. Ele estava encostado na pia bebendo água. O almoço ainda estava na mesa com apenas um prato limpo em cima. Já devia ter passado do meio dia.

– Bom dia. Cadê todo mundo?

– Estão na sala te esperando.

– Me esperando? – eu soltei um sorriso.

– Sim. Não demore a almoçar, estamos entediados por sua culpa. – Ele brincou e me deixou sozinha para comer.

Chegando na sala todos me olhavam aflitos. Oh não, será que era alguma coisa com Stefan?

– O que tá rolando? – tentei quebrar o silêncio.

– Precisamos conversar com você. – Meu pai falou enquanto eu me sentava. – Por favor, leve as seguintes palavras a sério. O que for dito e feito aqui ficará aqui. Só nós podemos saber.

– Tudo bem, pai. O que eu não sei?

– Você está lembrada da história sobre a nossa família, certo? A maldição.

– Claro.

– É isso que iremos discutir aqui.

– Vocês estão brincando comigo? Sabem que eu não acredito nisso. Não sou uma crédula. – Eu murmurei e me levantei do sofá.

– Katherine! Isso é sério. De verdade, sis. – Rebekah falou docemente. – Sente-se. – Para ela dizer que era algo serio e necessário realmente deveria ser. Ela havia me convencido. Eu me sentei novamente e esperei pelo meu pai para reiniciar a blablação.

– Você vive em um mundo onde existem seres sobrenaturais e que devem ser combatidos por alguém.

– Seres sobrenaturais? – Eu não acreditava no que estava escutando.

– Vampiros em grande quantidade e lobisomens extintos – Damon falou.

– O quê? Não pode ser... – Tudo estava fazendo sentido agora. Mas não! Impossível. Ele não poderia ser um.

– Sim, pode ser. Porque você acha que eu viajei o mundo? Eu vivo combatendo essas coisas, Katherine. Eu treinei para isso, assim como você treina.

– Então somos treinados para virarmos caçadores.

– Bingo, Katherine! E você precisa levar isso á sério. Precisamos livrar a humanidade disso. – Niklaus falou.

– Somos os únicos? – Perguntei.

– Não. Os Lockwoods são caçadores também. Mas nossa família é a única com a maldição.

– Então, a maldição existe mesmo?

– Aham. E ela funciona assim: Você precisa treinar e depois de fazer isso por completo precisa matar um vampiro. E continuar fazendo isso. Caso contrário, você se tornará um cara pálida.

– Então nossa especialidade são vampiros, tecnicamente.

– Você está se saindo bem, filha.

– Eu não sei. Isso tudo é demais para mim, mãe. E se eu parar de treinar? – perguntei ao meu pai.

– Aos poucos sua audição e visão vão ficando mais aguçados e a sede por sangue vai nascer e começar a crescer dentro de você. E no final, se tornara um deles. Ou seja, se não treinar ou se treinar e começar a mata-los e parar depois, se transformará.

– Hm, sim. Existe uma quantidade mínima e máxima de quantos vampiros devo matar e se isso cancelaria a maldição?

– Existe, mas nunca nenhum dos nossos ancestrais falaram em seus diários essa tal quantidade. Nem a bruxa, no qual lançou a maldição sobre nós, escreveu isso em seu grimório. Então o melhor é seguirmos o que todos seguiram. Treinar. Caçar. Matar. E não parar.

– Bruxa? Diário? Grimório? Oh meu Deus...

– Bom, para existir uma maldição precisa de uma bruxa, não acha? As coisas não aparecem simplesmente. E nos diários e livros você encontrará a razão da nossa família ser uma das escolhidas... Se isso servir de consolo. – disse Damon, petulante.

– Então eu vivo em um mundo onde bruxas lançaram uma maldição sobre a minha família. E onde vampiros e lobisomens existem e eu devo combatê-los. Isso é loucura.

– Não, Katherine, não é loucura. É a realidade. Você nasceu nessa família e vai ter que carregar esse fardo. – meu pai falava com uma energia que eu podia sentir. -Se você não quer se tornar uma criatura das trevas deve detê-las. Mas antes deve se preparar. Fomos predestinados a sermos esse monstro, mas podemos reverter essa historia.

– Ai, não... porque isso está acontecendo comigo?

– Calma, Kath. Pelo menos você pode lutar por isso. Honrar nossa família e não ser uma vampira. – Rebekah passou seus braços em minha volta.

– Resumindo querida: treine agora para não ser uma cara pálida amanhã. Entendeu? – Meredith tentou me reconfortar.

– Tudo bem. Eu entendi e irei honrar a família. E claro, eu não quero ser uma vampira. – eu sussurrei e fiquei olhando para baixo.

– Irmã, aqui estão alguns livros contando tudo o que você deve saber sobre vampiros e o necessário sobre lobisomens. – Eram três livros com cerca de seiscentas paginas cada um. – E esses são alguns diários de nossos ancestrais como Esther, John, Finn, Marie e outros... Contam experiências e mais sobre a maldição e a historia por trás dela. É interessante que você leia. – Haviam cerca de sete diários finos. Por mais que eu estivesse assustada eu deveria encarar isso. Minha família não estava mentindo para mim, isso seria para o meu bem. Para o bem de todos.

– Okay, Rebekah. – Eu amarrei o meu cabelo e me levantei. — Eu preciso ficar sozinha por um tempo. – Eu estava quase chorando e já que iria chorar queria que fosse sozinha. Sem ninguém me ver. Eu subi para o meu quarto e não ouvi nenhum pio dos meus pais, nem de Damon e Rebekah.

Notas finais
-> Playlist ♪♫:
1. Lets Go - Matt & Kim.
2. Feel so close - Calvin Harris.
3. The Thread Of The Thing - Fay Wolf.
4. Diamonds - Rihanna.
5. The Scientist - Coldplay.
6. Free Falling - John Mayer.