♪♫

Eu não havia pregado o olho a noite toda. Minha mente não parava de pensar no que havia acontecido. Essa foi, sem duvidas, a noite mais apavorante da minha vida. Havia medo em mim, sim, eu não podia negar mas havia algo maior dentro de mim me dizendo para ajudar e cuidar daquele que eu amo e que tanto se culpa pelo o que é. Os meus instintos estavam em alerta e me diziam para ficar em casa, em segurança... Mas meu coração me dizia o contrario. Que tipo de pessoa eu seria se deixasse Stefan sozinho em um momento como esse? Eu precisava de ajuda com certeza, mas eu pude ver nos olhos de Stefan vergonha, raiva, dor e culpa. Muita culpa. Ele também precisa de ajuda. Eu preciso ajudá-lo. Mesmo que isso custe a minha vida.

– Katherine? – Minha mãe abriu a porta do meu quarto, admirada por eu estar em casa.

– Sim? – Eu me sentei na cama e enxuguei as lagrimas que se acumularam no canto dos meus olhos.

– O que você está fazendo aqui, querida? Não ia dormir no Stefan? – Minha mãe se aproximou e acariciou as minhas bochechas rosadas.

– Oh, mamãe me abrace, por favor. – Minha voz saiu tremula.

– O que aconteceu? – Meredith me abraçou apertado.

– São tantas coisas, mamãe, eu não sei nem por onde começar... – Minha mãe jamais poderia saber o que realmente acontecera. Oh, agora eu só queria me esconder em um canto escuro do meu quarto e esperar a minha morte chegar. Eu realmente não era nada sem Stefan e doía só de pensar que, agora, nós dois iríamos ter que enfrentar tantas coisas juntos, como meu pai e minha mãe, Damon e Rebekah e até pelas minhas amigas. Bom, se é que ‘’nós’’ ainda existe.

– Problemas com o Stefan? — Eu apenas balancei a cabeça e com as mangas do meu pijama enxuguei as lagrimas que pousavam em meu rosto. – Veja minha filha... O verdadeiro amor tudo supera.

– Eu o amo tanto, mamãe. Eu nunca amei alguém como eu amo Stefan. – A voz trêmula estava presente novamente.

– Katherine, é tão difícil ver uma filha sofrendo assim. Eu queria poder ajudá-la mas eu tenho certeza que isso é entre vocês dois. Dê um tempo e depois o procure para vocês conversarem e resolverem as coisas. O amor de vocês é lindo e eu tenho certeza que irão ficar juntos novamente. Eu torço por vocês. – Ela soltou um sorriso que me fez sorrir também.

– Obrigada.

...

– Por hoje é só. Podem ir beber água, meus amores. – Disse meu pai todo carinhoso e passando a mão em minha cabeça.

– Só? – Rebekah falou asperamente e desviou do carinho de nosso pai. Ela estava com raiva de Niklaus, por ele ter mandado Damon á uma nova expedição caça vampiros sem ter necessidade alguma. Meredith havia resolvido contar tudo á ela: que papai havia pedido, na verdade, mandado, Damon ir á Polônia cuidar do país contra ataques sobrenaturais que estavam ocorrendo frequentemente mesmo com outros caçadores já indo pra lá e que ele havia feito isso para afastar Damon dela e, claro, Rebekah teve a reação que todos nós esperávamos...

– Filha, eu estava pensando no seu bem. No bem de todos nós.

– Eu tenho até medo de quando você diz que estava pensando em meu bem... Imagine se fosse no meu mal. Bem de todos nós? Ou para o seu bem? Seria uma vergonha na família, é? – Bekah falava em um tom alto.

– Rebekah... – Meu pai falou entre dentes, ele já estava perdendo a paciência.

– Por favor, parem! – Eu gritei. Rebekah me olhou firme nos olhos e saiu correndo para a casa da fazenda. Sai atrás dela. – Ei, me espera!

– O que foi?

– Me desculpe. – Eu estava sem fôlego por ter corrido atrás dela. Nossa! Rebekah tinha um ótimo condicionamento físico.

– Pelo o que?

– Você sabe. Eu não te apoiei nem um pouco quando você me contou sobre vocês dois. Eu fui uma péssima irmã. – Os olhos de minha irmã estavam cheios de lagrimas.

– E uma péssima amiga também. – Soltei um sorriso e ela também. – Afinal, agora eu só tenho você, irmã.

– Eu sei. – Nos abraçamos.

– Talvez estejamos em situações bem parecidas. –Eu fechei os olhos e olhei para baixo.

– Como assim? – Ela perguntou intrigada.

– Vamos voltar para a cidade? – Niklaus interrompeu.

– Claro, pai. – eu disse. Ele nos deu as costas e foi em direção ao carro. – Depois eu te conto, mas temos que estar longe de todo mundo. – Rebekah concordou e depois seguimos Klaus.

...

Eu cheguei na escola e todos já estavam entrando em suas salas. Nem sinal de Stefan.

– Oi atrasadinha! – Caroline falou toda radiante e me deu dois beijinhos no rosto. Como ela conseguia ter um ótimo humor logo de manhã?

– Oi, amiga. – Eu falei sem graça.

– Ih, você está bem?

– Estou. – Não!

– Cadê o Stefan? Você não dormiu na casa dele?

– Não, eu acabei nem dormindo na casa dele. Quem te contou que eu ia dormir lá?

– Ashley Lauren Lockwood. Quem mais poderia ser?

– Uh, obvio. – Dei uma piscadinha pra ela. – E você não viu o Stefan hoje?

– Eu não sou a namorada dele! Você que deveria saber amiga... Escute, cuide muito bem dele. Soube que a vadia da Phoebe Grey, do terceiro ano vai dar uma festinha e o convidado de honra dela vai ser o Stefan, se é que você me entende.

– Urgh, que vadia! Ela pode tentar, mas o Stefan é m-e-u. E ele não iria sem mim nessa festa, então estou bem tranquila... – A verdade é que eu não estava nem um pouco tranquila, mas não por esse problema, se é que pode ser titulado como um.

– É assim que se fala, Kath! – Batemos nossas mãos como duas criancinhas para fazermos o nosso toquinho da amizade. — Ah, estamos juntas na primeira aula.

– O Matt também está nessa aula, Care.

– Como poderia me esquecer? – Sorrimos uma para outra enquanto caminhávamos para nossa sala. – Preciso confessar que eu só tenho olhos pro gato do Alaric. Nem fico reparando no Matt.

– Caroline, é o nosso professor de história, uns 20 anos mais velho que você.

– Idade não é problema, amiga. – Só Caroline pra me fazer esquecer certos problemas. Eu soltei uma gargalhada assim como ela.

...

A aula havia terminado, eu não esperei minhas amigas saírem de suas salas e fui correndo para o estacionamento pegar o carro de Stefan. Eu tinha que evitar os olhares curiosos se perguntando ‘’Porque a Katherine esta com o carro do lindo do namorado dela?’’. Precisava entregá-lo, já! Eu estava a caminho da mansão dos Wasilewskis. Chegando lá, Taylor, o porteiro, abriu o grandioso portão para eu entrar. A porta principal estava aberta... O silencio pairava sob o enorme hall de entrada feito de mármore branco e azul marinho. Com uma mesa redonda exatamente no meio do cômodo e um lindo vaso de flor com rosas vermelhas sobre a mesa. A escadaria ficava logo atrás da mesa. Eu subi as escadas no maior silencio possível mesmo que fosse inútil afinal, Stefan já havia percebido que eu estava aqui.

Depois de uma longa caminhada no corredor do segundo andar da mansão eu cheguei a porta do quarto do meu amado. Ah, esse quarto! Calafrios me envolviam só de imaginar o que eu havia passado nele ontem... Mas as coisas boas que passei aqui são muito maiores!

– Stefan? – Bati na porta. – Stefan? – Minha voz quase inaudível. Eu respirei fundo e abri a porta. Tudo em perfeita ordem. A bagunça de ontem havia sumido. Nenhum sinal de Stefan.

♪♫

– O que você está fazendo aqui? – Uma voz fria e seca veio por trás de mim e me fez pular. Era ele! A minha voz tinha sumido e eu não conseguia pensar em nada. Eu fechei meus olhos e coloquei minhas mãos em meu rosto. Me acalmei, abri meus olhos, e Stefan estava parado na minha frente. Me olhando curioso e friamente o que me fez olhar para baixo e entrelaçar os dedos.

– Onde mais eu deveria estar? – Imediatamente o olhei. Ele não estava mais com aquele ar frio que me fazia tremer de medo. Nossos olhos estavam conectados daquela maneira. Meu queixo já estava tremendo e eu mordia meus lábios para os conter.

–Na sua casa, em segurança. – Ele cortou nossa conexão.

– Mas eu estou segura aqui com você. Sei que você acha que não, mas eu estou Stefan. Eu confio em você. É onde o meu coração quer que eu esteja. – Vendo que ele continuava sem olhar para mim eu continuei: Certa vez um cara me disse que eu devia seguir o meu coração. Seria o certo a fazer e é isso que eu estou fazendo.– E tudo o que ele fez foi me olhar com pena soltar um sorriso com sarcasmo que escondia uma certa nostalgia por trás.

– Que cara idiota.

– Não. É apenas o Stefan romântico e que eu conheço muito bem.

– Você não me conhece de verdade, Katherine. – Oh não, que dor no meu coração. Eu apenas abaixei o olhar. — O que você quer? – Sua voz saiu como um sussurro e eu tive que me esforçar para ouvir. Stefan saiu da minha frente e foi para a enorme janela de vidro que tinha como visão o bosque mais próximo. Eu continuei imóvel.

– Eu só queria que você me abrasasse e que eu pudesse chorar e ensopar toda a sua camiseta. – O meu esforço contra minhas lagrimas foi inútil. Stefan estava na mesma posição, olhando a paisagem. – Stefan, me escutar é o mínimo que você pode fazer por mim, por favor me escute! – Em um piscar de olhos ele estava na minha frente. Que susto. Acho que eu nunca iria me acostumar com o fato de que ele poderia correr cem vezes mais que eu.

– Não. O mínimo que eu posso fazer por você é deixar você ir embora daqui. Da minha vida...

– Pare com isso.

– ...E deixar você ter uma vida normal. Crescer, se casar, ter filhos...

– Não, não, não...

–...E não causar problemas com sua família por você estar namorando com um vampiro. – Stefan já estava gritando e ele tinha lagrimas no canto dos olhos.

– Nada disso terá sentido se não for com você. – Depois de alguns segundos de silencio eu continuei — Eu sei que é difícil, mas eu quero morrer ao seu lado. Mesmo que isso signifique passar por cima da minha família e deixar a minha vida humana de lado.

– Você não sabe o que está falando. – Stefan andava para lá e para cá.

– Eu sei o que eu quero. Stefan, eu te amo. Eu me apaixonei por você desde aquele domingo lá em casa, você se lembra? Se lembra de como me olhou? – Eu não conseguia parar de falar. Um turbilhão de sentimentos me invadia. – Eu estou com medo, muito medo mas o meu amor por você é maior do que qualquer coisa e juntos, vamos enfrentar todos os obstáculos que vierem. Por favor, acredite em mim! – Minhas mãos já estavam no rosto dele. Eu estava desesperada.

– Merda! Foi um erro eu ter voltado pra cá. – Stefan se livrou de mim.

– Foi um erro nos conhecermos? – Eu dei um tapa na cara dele com toda a minha raiva e frustração. Como ele pode dizer isso? –Ah! – Gritei. Eu estava prensada contra a parede. Stefan segurava os meus braços com tanta brutalidade e seus olhos estavam daquele jeito, prontos para atacar a caça.

– Vai embora.

– Não! – Eu gritei na cara dele. Stefan me soltou. Seus olhos já estavam normais.

– Me desculpe, eu... Eu perdi o controle. – Ele se sentou na cama, envergonhado.

– Tá. – Quando eu olhei para os meus braços, involuntariamente, abri minha boca. Parecia que alguém havia os espancado. – Oh, meu Deus. – Quando eu olhei para Stefan, ele estava chorando e descabelado do jeito que eu gosto. Me sentei ao lado dele, ficando um pouco distante ainda assim.

– Katherine, — sussurrou com a cabeça entre as mãos. – eu não estou controlado no momento, o que aconteceu ontem à noite me abalou demais, e eu não sei o que eu posso fazer com você. Eu posso te machucar mais... Se algo pior acontecer com você eu jamais irei me perdoar. – Finalmente, ele me olhou nos olhos.

– Machucar mais? Nenhuma dor física pode ser comparada a dor que meu coração está sentindo.

– Dói tanto, tanto, tanto, saber que sou eu que causei tudo isso.

– Não, Stefan, não se martirize, por favor... O problema não é você, é só que...

– Katherine! – Ele me interrompeu. – Vá embora. – Ele falou calmamente e apalpou minha mão. Ah, nossa faísca. Tudo o que eu podia fazer era olhar a sua mão na minha.

– Eu quero ficar aqui com você. – Stefan, por minha surpresa, enxugou minhas lágrimas com a ponta dos dedos. Ele olhava fixamente cada movimento que fazia. Era como se ele estivesse marcando bem essas cenas para nunca esquecer.

– Não é o melhor momento.

– E quando vai ser? Hein? – Agora minhas lagrimas tinham se multiplicado. Eu me encolhi e coloquei as mãos no rosto. Eu soluçava sem parar.

– Eu não sei. – Eu apenas o senti se aproximando de mim, e, com delicadeza ele me abraçou. Eu me recostei no seu peito. – Me desculpe.

– Podemos apenas conversar? Me conte tudo sobre sua vida. No meu aniversário, você tinha prometido que iria me contar os seus segredos.

– Você não vai desistir, não é? – Eu não podia enxergá-lo mas sabia que ele estava com um esboço de um sorriso.

– Não vou desistir. – Olhei para cima, com um pequeno sorriso, ele já estava serio novamente. Ele se levantou da cama — nãaaaao! — e se sentou em uma poltrona próxima.

– Tudo bem. Chegou a hora! – Stefan se endireitou na linda poltrona de veludo preto. — Eu nasci na Polônia. Minha família é originária de lá. Quando eu tinha apenas quatro anos nos mudamos para a Toscana, na Itália. – Ele falava cheio de inspiração e orgulho. – Meu pai era um homem muito rico e influente por lá. Tínhamos terras espalhadas por grande parte da Itália e em outros países Europeus. Eu tinha dois irmãos Elijah, meu irmão mais velho e Kol, o caçula. Tempos depois, um dos irmãos de meu pai resolveu se mudar para a América do Norte. Aqui, em Mystic Falls. A partir daí é que nossa família se expandiu para este lado do mundo. Mas meus pais, eu e meus irmãos continuamos na Europa. Quando eu completei meus dezoito anos, Elijah me chamou para irmos á taberna beber e se divertir. Em meio a tantas mulheres no bar, somente uma me chamou a atenção. Rosalie. – Stefan agora sentia raiva. Era o que parecia. – O único problema é que ela não era apenas uma mulher...

– Ela era uma vampira. – eu sussurrei. Rosalie... Eu conhecia esse nome de algum dos diários dos Mikaelsons.

– Sim, ela era e eu não me importava com isso. Eu era fascinado pela beleza dela. Os cachos cor de mel que lhe caiam perfeitamente nos ombros, o olhos sempre cheios de disposição e vida, o seu jeito atrevido e vulgar, a pele perfeita e clara e o corpo magro e frágil. Ela era a mulher que todos queriam, mas que somente eu tinha. – Ele realmente fora apaixonado por ela. Conforme ele me dizia sobre ela eu imaginava a mulher perfeita e que eu nunca iria ser... Senti uma pontada de inveja e uma enorme carga de ciúmes. — Passamos meses nos encontrando às escondidas. Só nos víamos a noite já que ela não podia sair á luz do dia... Alguns ataques começaram a acontecer nas fazendas e bosques afastados da cidade, eram os vampiros. Meu pai e outros homens importantes da sociedade italiana se uniram e montaram um grupo de caçadores. E então, surgiram as famílias tradicionais, Katherine. É por isso que sua família é uma. Um de seus ancestrais, Mikael Mikaelson, estava nesse primeiro grupo de caça contra vampiros. E quando a América foi atingida por minha raça, caçadores surgiram aqui também.

– Isso é incrível! – Eu estava fascinada com tudo isso.

– Os corpos drenados começaram a se multiplicar até que uma das vitimas foi o meu irmão, Elijah. – Stefan fechou os olhos, com dor e tristeza. – Eu me lembro como se fosse ontem... Eu vi minha mãe enlouquecer após a morte de meu irmão e vi em meu pai uma raiva desumana contra vampiros. Ele passou a se dedicar a isso, caçar. Nossa família chegou há um ponto em que falimos. E a única coisa que tínhamos era a nossa casa, uma charrete, alguns cavalos e poucos empregados. Para piorar a situação, meu pai, Giuseppe, descobriu que Rosalie era uma vampira. Ela me propôs que fugíssemos e eu aceitei. Sem ela saber, antes de partirmos, eu passei em minha casa, para dar adeus a minha mãe. Meu pai me pegou de surpresa, e me prendeu no sótão. Rosalie, percebendo algo estranho, foi me procurar. Giuseppe, armou uma armadilha contra ela. Mas antes que ela caísse, Rosalie me encontrou, fomos correndo para os fundos da casa, e saímos de lá pela porta do fundo da cozinha. Eu escutei um estrondo, em seguida eu não conseguia sentir minhas pernas, e então cai no chão. – Meus olhos estavam arregalados. — Meu pai havia errado o alvo. Ele matou o próprio filho.

– Eu sinto muito. Mas, você não morreu de fato...

– Rosalie me dava seu sangue, quando ela tomava o meu. E quando eu fui acidentalmente assassinado, por sorte, eu havia bebido do sangue dela pela manhã. Foi assim que eu me tornei o que sou hoje.

– Em que ano você se tornou um vampiro, Stefan? – Eu respirava fundo. Eu estava nervosa e muito ansiosa.

– Eu tenho dezoito anos desde 1849.

...

– Alô?

– Rebekah? Sou eu, Ashley.

– Ah, oi Ash. A Katherine não está aqui…

– Não?

– Não. E nem com você....

– E nem comigo. – Depois de uma pausa Ashley continuou: Eu já liguei e mandei sms pra ela, mas nem um sinal da Katherine. Estou preocupada. Ela tinha combinado comigo que após a aula nós iríamos conversar um pouco...

– Então, ela também tinha combinado de conversar comigo. O que será que é? Você sabe se está acontecendo alguma coisa séria?

– Acho que é algo com o Stefan. Parecia ser algo urgente. Hoje, no intervalo, eu percebi que ela estava ansiosa e muito pensativa.

– Eu percebi isso hoje de manhã também... Bom, em qualquer caso, temos que encontrá-la.

– Casa do Zach, é a minha primeira opção.

– Claro, vou ligar para lá. Em seguida te ligo, tudo bem?

– Tudo bem, Bekah.

...

– O que? – Stefan soltou um sorriso, mas não era de felicidade.

– É isso mesmo.

Eu fechei meus olhos. Uma dor de cabeça infortuna estava presente.

– Bom, eu seria tola se achasse isso impossível. Isso não é normal, vai além do que qualquer um pode compreender. – Eu me levantei e fiquei ao lado de Stefan. — É pura magia, não tem ciência aqui. — Passei as mãos no rosto dele. Stefan fechava os olhos com meu toque. Eu me sentei em uma outra poltrona ao lado dele. – Quando você me conheceu você já sabia sobre a minha família?

– Sim. – Stefan me olhou com ternura.

– E mesmo assim...

– Eu não consegui evitar. Me desculpe. – Ele me interrompeu e passou as mãos no cabelo nervosamente.

– Não, não, Stefan. Está tudo bem. – Nós nos olhávamos. E ficamos assim por longos segundos. – Eu quero te beijar.

– Não podemos.

– Ste... – Eu ia protesta-lo mas ele colocou um de seus dedos nos meus lábios para me calar.

– Já conversamos sobre isso. Eu também quero te beijar e ter você toda para mim. Mas é tudo no tempo certo.

– Eu confio em você. Eu não vou deixar você perder o controle.

– Eu sei. – Ele olhou para baixo, ressentido. – Katherine, eu já fiz coisas horríveis. Eu tenho medo o tempo todo de perder o controle com você.

– E você nunca perdeu?

– Já. Poucas vezes, mas eu conseguia disfarçar.

– Nem tanto, eu percebia. Você é um péssimo ator. – Eu tentei quebrar o clima de tensão e seriedade. Soltei um largo sorriso para ele. Ele me olhou com os olhos brilhantes e sorriu também.

– Tenho mais a te contar sobre a minha longa historia de vida.

– Continue. – Eu me aconcheguei na cadeira e cruzei meus braços.

– Depois que eu tecnicamente morri, Rosalie pegou o meu corpo e levou para onde ela estava indo. Eu acordei em uma carruagem e com um novo anel no dedo e a pedra era igual ao de Rosalie. Há poucos dias ela estava com o dela... – Imediatamente meus olhos deslizaram para o seu dedo que sempre estava carregando tal anel com a linda pedra de lápis-lazúli. – Bom, o meu anel me impediria de virar cinzas caso eu andasse na luz do dia. Ela havia planejado tudo, um futuro para nós dois. E seria eterno se eu fosse um vampiro. Estava tudo feito! Havia uma criada conosco na luxuosa carruagem. Rosalie... – Esse nome. É familiar! — ...fez com que eu bebesse todo o sangue daquela mulher. A criada, Genevieve, foi a minha primeira de muitas vitimas. – Eu estava arrepiada. – E assim, eu completei a transição. – Stefan ficou em silencio e olhando para o nada.

– Stefan, você está bem? Quer continuar? – Eu acariciei a perna dele para acalmá-lo.

– Eu não estou bem. – Eu o abracei e as mãos de Stefan me envolveram. Não queria soltá-lo nunca. Eu quase podia sentir a dor dele. Eu estava disposta a fazer tudo por ele, Stefan merecia minha ajuda. Ele era um garoto que se perdeu nos encantos de uma mulher e acabou se tornando algo que ele não queria mas era irreversível. E o assombraria pelo resto da sua vida eterna.

– Você não teria se transformado mesmo que isso significasse que passaria o resto de suas vidas juntos? – Eu perguntei ainda abraçada a ele. Stefan se desprendeu de meus braços e me olhou, analisando-me.

– Não. Eu não a amava. Era tudo ilusão. – Ele colocou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. – Eu não sabia o que era amar uma mulher de verdade, até você chegar. – Eu o olhava surpresa, com os olhos cheios de lagrimas e com a boca semi aberta.

– Nossa. – Eu sorri e uma lagrima caiu. Ele a secou dando um beijo onde ela pairava.

– Não chore.

– É que eu sei que você sofreu muito, Stefan. E eu só quero te ajudar a ser feliz e se aceitar, mesmo que isso seja a ultima coisa que eu faça em minha vida. Tudo porque eu nunca amei alguém como eu amo você.

– Katherine... – Ele sussurrou. – Eu também te amo. Demais.

– Então me deixe fazer isso.

– Você já me faz feliz.

– Me deixe fazer mais... – Eu o beijei. Que saudades disso. Dos nossos lábios colados e de toda a nossa química incomparável. O telefone tocou nos interrompendo.

– Merda! – Stefan se levantou e pegou o telefone que ficava no criado mudo ao lado da cama, enquanto eu pressionava os meus lábios delicadamente com meus dedos. – Alô? Ah, ela está aqui, Rebekah. Não, não, está tudo bem. Aham. Okay, tchau, tchau. – Stefan desligou, ele estava tenso.

– Rebekah? – Eu perguntei surpresa.

– Ela e as suas melhores amigas estavam desesperadas a sua procura. Estão vindo te buscar.

– Que saco! O meu celular ficou no seu carro – Eu apalpei meu bolso. — e eu tinha combinado de sair com elas. – Stefan não podia saber que eu ia contar a elas sobre o segredo dele.

– Sair?

– É, programa de garotas...

– Tudo bem.

– Está com ciúmes?

– Você sabe que sou um pouco possessivo. – Sorrimos um para o outro. Ah não, que saudades disso...

– Eu sei. – Eu o abracei de surpresa. – Fique bem, por favor. – Ele beijou meu cabelo, minha bochecha e fez um caminho de beijos até minha boca. Foi um beijo curto mas eterno. Stefan me puxou pela mão, estávamos indo para fora da casa esperar Rebekah e Ashley. — Até amanhã, Katherine.

– Até. – Um carro branco estacionou na frente da porta principal, onde estávamos. Eram elas. – Amanhã é feriado, vamos ter mais tempo juntos, posso vir aqui, já que é assim?

– Claro e poderei te contar porque é feriado. – Ele sorriu.

– Tudo bem! Você está melhor. – Eu sorri.

– Estou. – Mesmo sem querer lhe dar as costas eu entrei no carro e seguimos para a fazenda.

...

♪♫

Eu não sabia que a Care iria com a gente, claro, seria chato por nossa parte não chamá-la, mas nós não estávamos indo á fazenda para fazermos uma festa do pijama, nós iríamos ter uma conversa muito seria e que acabaria em surpresa, desapontamento e até medo. Ashley também tem uma família caçadora entretanto não seria um baque tão grande para ela. Caroline iria surtar, com certeza, a neurótica e nem um pouco controlada Caroline. Oh, meu Deus. Mas já que eu iria contar para Bekah e Ash sobre Stefan, porque não já contar á Care? Eu precisava confiar nelas, e eu sei que elas não me trairiam.

Depois de quase meia hora na estrada, chegamos á fazenda, e nos instalamos na sala. Lareira acessa, canecas de cerâmica com chá quente em mãos e cobertores peludos nos envolvendo.

– Meninas! Já decidi que roupa eu vou na festa da Phoebe. – Caroline falou toda animada enquanto mexia no cabelo.

– O que? Ela te chamou? – Ashley perguntou secamente.

– Ela nos colocou em um grupo no facebook onde só os convidados estão. Ah Kath, o Stefan está lá...

– Ele nem deve ter visto ainda... – Eu disse. Até parece que eu ou Stefan teríamos tempo para nos preocupar com esse tipo de coisa.

– Chega de papo furado. O que você queria tanto nos contar, Katherine? – Rebekah estava nervosa.

– É sobre o Stefan. Mas antes, acho que a Caroline precisa saber sobre sermos caçadoras. – Eu falei, determinada.

– Caçadoras? – Caroline fez uma cara esquisita.

– Isso mesmo. Caçadoras. Nossa, eu nem sei por onde começar...

– Katherine, você está maluca? – Rebekah me interrompeu.

– Rebekah, ela é minha melhor amiga. Ela precisa saber também. – Eu aumentei o meu tom de voz assim como Rebekah o fez.

– Eu realmente odeio ficar por fora...

– Caroline, você tem que prometer que, não importa o que aconteça, isso ficará somente entre nós, ou seja, boca fechada. – Ashley havia dito tudo!

– Claro. Boca Fechada. – Caroline olhou em meus olhos e segurou a minha mão. – Amiga, pode confiar em mim. Alias, todas vocês podem, sei que tenho esse meu jeito mas eu não sou sem noção. Jamais colocaria vocês em risco, por nada. Nem pelo gato do professor de historia. – Eu soltei um sorriso.

– Obrigada. – Nos abraçamos. – Tudo bem, ai vai a historia desde o inicio... – Eu havia contado sobre as famílias caçadoras, o que fazemos, porque fazemos isso, como fazemos isso. Sobre os treinos e quando eu contei sobre vampiros e cia Caroline não acreditou, mas insistiu que eu continuasse. Eu expliquei, não só para Care, mas para a Ashley também que ainda não sabia sobre a maldição, porque os Mikaelsons são diferentes. Falei tudo o que eu sabia sobre a tal maldição... E contei o pouco que eu sabia sobre as bruxas. Rebekah adicionou algumas coisas também, afinal, minha irmã tinha mais conhecimento do que eu. As meninas ficaram chocadas e eu pude ver a pena que elas sentiam por mim e Rebekah em seus rostos. Ashley tentou manter seu equilíbrio como sempre e Caroline surtava de vez em quando. As duas estavam brancas, não tinham cor e chegou uma hora que elas já não tinham reação.

– Eu não posso acreditar no que estou escutando... Ashley, me belisque. – Caroline falou monofitamente.

– Podem acreditar, é verdade. Mas ainda não chegou na pior parte...

– Como assim? – Rebekah mostrou preocupação em sua voz. – O que eu não sei, irmã?

– Na verdade, o que nós todas não sabemos? – Acrescentou Ashley.

Eu as encarei e em seguida olhei para baixo, entrelacei os dedos e respirei fundo.

– Você está bem? – Caroline apressou-se. – Katherine?

– Não, eu não estou nada bem. – Aquela dor de cabeça estava me incomodando e o fato da hora ter chegado mais ainda... Caramba, por onde começar?

– O que você tem? Katherine! – Rebekah já estava nos nervos. Eu dei um longo gole no meu chá doce e quente enquanto todas me olhavam com cara de espanto.

– Acalmem-se. – Eu me posicionei melhor e joguei o cobertor que me envolvia para o lado. – O que eu realmente quero é que...

– Diga! – Caroline gritou.

– Care... – Ashley a alertou.

– É muito difícil eu ter que dizer isso... Eu estou colocando a vida dele em risco e eu acho que a de vocês também. – Eu sussurrei.

– Ah, não. Não me diga que é o que eu estou pensando, Katherine. – Rebekah falou sem pensar duas vezes.

– Eu estou confiando em vocês, não me desapontem. É só isso que eu peço. — Eu olhei para todas novamente, balancei a cabeça e por fim falei — Stefan não é humano.

– Oh, não. – Rebekah sussurrou e a sua expressão me mostrou que ela havia entendido sobre o que eu havia dito á ela pela manhã. Bom, as reações foram diversas. Eu chorei e até sorri quando contei sobre o lado bom de Stefan, que, a propósito, elas já conheciam em parte... Ficamos até o amanhecer conversando sobre isso. Minhas amigas me apoiaram e há todo momento se perguntavam como elas não haviam percebido que Stefan era um vampiro. A reação de Rebekah foi a pior. Afinal, ela já deveria saber o que iria acontecer com nossa família. Brigas e mais brigas. Ela ficaria em cima do muro. Eu sabia que no fundo ela não concordava comigo. Que no fundo ela achava que o melhor para todos seria deletar Stefan da minha vida. E o meu maior medo seria dela ficar contra mim e apoiar os meus pais. Enfim, as coisas ocorreram menos piores do que eu imaginara. Mas quando a ficha das meninas caírem... Nossa, eu não sei nem se a minha ficha já caiu.



Notas finais
-> Playlist ♪♫:
1. Are We There Yet - Ingrid Michaelson
2. Poison and Wine - The Civil Wars
3. Never Say Never - The Fray