Não estava longe do meu destino, não que isso me animasse. O vento frio zumbia nos meus ouvidos, e esvoaçava meu cabelo. Ficava observando as crianças brincando no parque, enquanto por ali passava. A risada delas cantava em meus ouvidos. Lembrei-me de quando eu podia sorrir daquela forma. Quando não tinha de carregar aquele peso, e ter de dividi-lo com alguém muito em breve. Se eu encontrasse coragem para fazê-lo. O que estava tentando no caminho.

Carregava a prova em um dos bolsos do casaco pesado, que me protegia do frio. Teria chorado assim que o vi pela primeira vez, mas meus olhos não conseguiam produzir a substância necessária pra isso. Faltavam-me lágrimas. Talvez por causa do choque. Talvez por não acreditar que isso poderia acontecer. Mas o nó em minha garganta aumentava a cada passo que dava.

Isso iria destruir nossas vidas, óbvio. Esse era o meu medo. Não achava certo acabar com a vida de quem se ama. Mas o erro era nosso. Erro. Mesmo que não entendesse porque assim o chamavam.

Afinal, estava apenas amando. Amar. Uma palavra curta, mas que muda qualquer sensação de maneira gigante. E que te faz pensar que nada pode dar errado. E te deixa, de certa maneira, inconsciente sobre suas ações.Justo o necessário pra o que era bom ser tornar ruim. Mas quando te falam sobre amor, falam que é uma coisa linda. Ninguém avisa que você pode se machucar, ou tudo mudar por atos simples.

Lembrei-me de quando o conheci. E assim, esbocei um sorriso, involuntariamente. Ele sempre fez meu coração palpitar, minhas mãos suarem e meus pensamentos se embaralharem. E eu sempre havia desejado aquilo. Mas não agora, lógico. Éramos muito jovens.

Olhei para os dois lados antes de atravessar a rua.

Eu o amava tanto.

A casa dele era logo no fim do quarteirão.

Arrependia-me a cada passo que dava. Mesmo que achasse que aquilo era o mais certo a fazer.

Parei para observar o bosque que ficava em frente à casa dele. Tinha árvores verdes, que formavam sombras perfeitas para um piquenique. Os momentos que havíamos passado ali tomavam minha mente, enfraquecendo-me em minha decisão.

Respirei fundo e me virei de costa para o lugar das lembranças, me deparando com o meu destino.

Aquela casa branca, onde tudo havia acontecido. Balancei a cabeça, como se assim, esses pensamentos sumissem. Caminhei até a porta e bati.

Esperei a resposta. Que não veio. Então, ouvi vozes. Eles estavam no fundo da casa.

Andei até lá. Deparei com toda a família reunida realizando uma refeição.

Nicholas foi o primeiro a me notar. Seus olhos me encararam por alguns segundos, até que um sorriso bobo surgiu em sua face. Falou algo aos familiares e levantou-se, caminhando ao meu encontro.

Olhei ao redor. Ele tinha tudo. A família que o apoiava. Uma carreira perfeita. Um futuro brilhante. E se ele perdesse aquilo por minha causa, nunca me perdoaria. Eu o amava. O amava o suficiente para lhe desejar o melhor. Então, não podia continuar o que planejava.

Ele estava mais perto. E o brilho em seus olhos aumentava.

Ninguém sabia o que havíamos feito. Como iriam reagir? Os amigos, os fãs, a imprensa? A família?

Não podia fazer aquilo. Simplesmente, não podia. Eu poderia carregar o peso, sozinha. Era o melhor. Mesmo que significasse viver sem ele. Esquecê-lo.

Então, as lágrimas, antes inexistentes, apareceram. E nem tive tempo de tentar impedi-las de molhar meu rosto.

Ele estava próximo o suficiente para poder tocar-me.

Virei-me de costas e corri. Sem direção, ainda. Queria me afastar dele.

Mas ouvi seus passos me seguindo. Senti vontade de parar e beijá-lo. Meu coração chamava por ele. Mas quem me guiava agora era a razão. Ele merecia continuar a vida.

Entrei naquele bosque de memórias. As que ainda me faziam feliz no dia anterior. E em meio aquele monte de árvores, tentava ser rápida, despistá-lo. Mas meu pranto atrapalhava. Embaçavam minha visão. E em pouco tempo, em meio ao verde, ele segurou meu braço, e virou-me de frente, para encará-lo.

- Miley, o que está acontecendo? – perguntou, pelo seu tom, a preocupação o dominava.

- Me solta, por favor. – supliquei – Você está dificultando as coisas.

Ele realizou o contrário. Aproximou-me do seu corpo e me envolveu nos seus braços.

- O que está acontecendo, minha garota? – usou as palavras que sempre me deixavam boba ao seu lado. Estava me torturando. Dificultando tudo. Não queria deixá-lo.

Fugi do seu abraço.

- Miley... – chamou por meu nome.

Encarei-o por alguns instantes. O aperto no meu coração aumentava. E a dúvida me consumia.

- Eu te amo tanto. – falei.

- Você está me deixando confuso. – ele sorriu desconfiado, colocando suas mãos nos meus braços, em um quase abraço.

Lágrimas voltaram a rolar na minha face.

Estava no lugar onde me sentia mais segura. Perto dele. Com o seu toque.

- Eu estou grávida. – disse em meio a soluços. – Mas não precisa se preocupar, certo? Eu vou dar um jeito. Vou resolver. Ninguém precisa saber sobre a gente. Vou te deixar. – a última frase saiu como a dor de uma faca me atingindo no peito. Ele me encarava, pasmo. – Você tem uma ótima vida. Não precisa desistir de tudo. Eu te amo, Nick. Te amo o suficiente pra saber que você vai ser melhor se mim. – Virei e tentei fugir, antes que me arrependesse e voltasse atrás.

Ele segurava meu braço firmemente. Então, colocou as mãos no meu rosto, fazendo minha respiração falhar. Observei por alguns segundos os olhos que tinham feito me apaixonar. Ele juntou seus lábios aos meus, em um beijo que me aqueceu por completo, nem me parecia mais que estávamos no inverno.

- E eu te amo o suficiente pra saber que devemos resolver isso, juntos. – disse. Tirando todas minhas dúvidas. Era realmente ali onde eu deveria estar.

Notas finais
bom, minha primeira fic aqui. Espero que gostem. (: xx ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!