Because I Know That I Love You ..

5 Saída com Paulo & surpresa *---*


Notas iniciais
Gente , só pra avisar q ele tem 16 anooooooos ! u-u

São Paulo, 25 de março. Seis e trinta da tarde, exatamente.

O táxi me deixou na porta do prédio vermelho-terra velho da rua 121.av
Me vesti assim (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=85422020&.locale=pt-br)

Ele estava sentado nas escadinhas que antecediam a porta do prédio, com um jeans propositalmente rasgado no joelho e uma blusa azul clara.

– Cheguei cedo? – perguntei, vendo-o virar seu olhar pra mim. Parece que dessa vez quem estava em transe era ele.

– N… Não, não – ele acordou – Chegou na hora.

– E então? – comecei a andar um pouco ansiosa na sua direção – Qual é a surpresa?

– Hm… – ele me examinou dos pés à cabeça – Isso, senhorita. Eu ainda pretendo fazer um pouco mais de suspense – ele deu de ombros, se levantando.

– Droga, Paulo. Isso é sacanagem – fiz minha “cara fofa”, arrancando-lhe uma risada.

– É – ele tirou uma chave do bolso e abriu o portão do prédio – Primeiro, vamos lá para cima. Meu pai quer ver você.

– Ah, e como o velho Guerra está? – eu disse animada, passando pela porta, enquanto Paulo a segurava.

– Forte como um touro.

– Como sempre – completei.

Paulo morava num prédio simples e velho de São Paulo , junto com várias outras pessoas. Havia quatro apartamentos em cada andar (eram três andares). As escadas do prédio eram estreitas, os apartamentos muito unidos e pequenos. Paulo não se importava e, se estava tudo bem pra ele, para mim também estava.

Enquanto subíamos as escadas do primeiro para o segundo andar (ele morava no último), ouvíamos urros de dor de uma mulher, vindo do apartamento 201.

É a Senhora Stevens… – ele me olhava, coçando a cabeça um pouco sem graça – Ela deve estar parindo.

– De novo? – eu perguntava incrédula – Esse já deve ser o décimo terceiro filho dela…

– Ou décimo quarto — ele levantou as sobrancelhas.

– Que estranho… Da última vez que vim aqui, ela também estava parindo… – estreitei os olhos.

– Quando foi a última vez que você veio aqui? – estava subindo as escadas na minha frente.

– Semana passada… – meu tom ainda era pensativo – Mas se ela não estava parindo, o que ela…? – Paulo olhou pra trás, com os olhos arregalados, como se me dissesse: “não complete a pergunta!”. Engoli a língua – Enfim…

Começamos a subir o próximo lance de escadas, ainda a tempo de ver um vulto ser lançado para fora de um dos apartamentos do terceiro andar.

– Ligue para mim, gracinha! HAHA! – gritava a pessoa arremessada para fora do apartamento que a tinha arremessado. Ouvimos o bater da porta.

O rapaz no chão parecia se divertir. Era negro, alto, forte e possuía dreads no cabelo. Aparentava ser só um pouco mais velho do que eu.

– Jay-Jay… – Paulo começava um pouco nervoso – O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – alterou-se.

– Qual é, mano doido?! – Jay-Jay se levantou do chão, abraçando Paulo e lhe dando dois tapinhas nas costas. Dei uma risada.

– O que você estava fazendo no apartamento da Mary Ja… – Jay-Jay o empurrou para o lado, antes que ele terminasse, fixando seu olhar em mim com um largo sorriso.

– Você trouxe a princesa! – e me deu um forte abraço. Eu já conhecia aquele abraço. Sorri.

– Ei, Jay-Jay – eu o correspondia, enquanto via Paulo girar os olhos.

Jay-Jay morava no apartamento do lado do da família Guerra. Sempre morou lá. Então desde que Paulo se mudou para a vizinhança, eram ótimos amigos. Embora eu não saiba exatamente o que “J.J” significa, nos demos bem logo que nos conhecemos, na primeira vez que vim à casa do Paulo, há anos. Jay-Jay se tornou um excelente companheiro.

– Você sabe que, se for preso outra vez, não vou ter como livrar a sua barra – Paulo falava um pouco sério.

– Relaxe, irmão – ele me soltava de seu abraço, se virando para o amigo – Você sabe muito bem que da ultima vez fui preso injustamente – parecia certo do que falava – Eu estava bêbado e não sabia que a loira não queria…

– Jay-Jay! – Paulo o interrompeu, me indicando com os olhos.

– ‘Ta certo, ‘ta certo… – resmungou – “Nada de palavras feias e/ou obscenas perto da princesa” – ele fazia uma voz afetada, imitando algo já dito por Paulo. Dei uma gargalhada.

– Você é um inútil mesmo – Paulo suspirou – Vamos entrar.

Ele destrancou a porta e girou a maçaneta. Um senhor de mais ou menos sessenta anos colocava a mesa. Olhou-nos quando entramos. Jay-Jay também entrou.

– Lí! – veio na minha direção, me dando um abraço que também correspondi.

– Senhor Guerra! – eu tinha um carinho muito grande por ele.

– Faz quase uma semana que não a vejo… Está perdendo a freqüência de vir por aqui. Porém, com certeza essa situação vai mudar, agora que o Paulo… – Paulo fez um sinal com a mão para que ele se calasse – Ah, você ainda não contou pra ela, meu filho?

– Ainda não – ele abaixou a cabeça.

– Até eu já sei – Jay-Jay deu uma risada – Mas pense assim, mano… — ele colocou o braço sobre os ombros de Paulo – Agora que você tem recursos, sei de um lugar ótimo para vocês dois… – Paulo o fuzilou com os olhos – “Olhe a boca, Jay-Jay” – novamente ele fazia a voz afetada, girando os olhos. Ri de novo, apesar de estar um pouco confusa.

– Já vou servir o jantar. Podem se sentar à mesa – senhor Guerra dizia, indo em direção à pequena cozinha.

A mesa de jantar ficava na sala. Logo, nós três (contando com o J.J) já havíamos nos sentado.

– A título de curiosidade… – eu começava a perguntar, olhando para os dois – J.J é abreviação de quê?

– Você nunca soube disso? – Paulo perguntou boquiaberto – Mesmo depois de todos esses anos? – fiz que não com a cabeça.

– Jason Jeffrey — J.J estendia a mão para mim – Muito prazer, princesa – ri do “cumprimentado”.

Sr. Guerra já tinha colocado a comida na mesa e começamos a jantar. Seu espaguete estava impecável, como sempre.

–… E ele disse isso enquanto estava dormindo cara! – dizia Jay-Jay entre gargalhadas. Todos nós ríamos – Dá para acreditar?

– Ai… — eu dizia, já sentindo dor no abdômen de tanto rir – Se eu falasse enquanto dormia, seria muito vergonhoso. Quem sabe o que eu poderia dizer? – mais risadas.

Eu também – Paulo disse, já parando de rir.

– Na verdade, Paulo… – senhor Guerra limpava a boca com o guardanapo. Jay-Jay soltou um “Iiiih!”, como se quisesse dizer: “ferrou para você, cara”. Paulo fez careta – Você fala dormindo, sim.

– Ah, não brinca! – Paulo disse boquiaberto — O que eu falo? – ele parecia um pouco tenso, me olhando de lado. Eu prestava atenção.

Sobre o que será que o Thur sonhava? Acho que nunca conversamos sobre isso.

– Você sussurra o nome da Alícia a noite inteira – Paulo começou a engasgar e eu também – “Lícia”… “Lí”… – senhor Guerra imitava.

– Calúnia! – ele começou a dizer entre tosses. Jay-Jay se divertia.

– Pior é que é verdade, cara. Até eu que moro no apartamento do lado escuto – mais risadas. Só que dessa vez, apenas entre ele e o senhor Guerra.

Enquanto engasgávamos, Paulo me lançou um olhar, como se quisesse ver a minha reação. Eu estava vermelha de vergonha, assim como ele também.

– Não dê ouvidos ao que esses dois falam – Paulo dizia, descendo as escadas – Eles sabem de nada.

– Tudo bem – eu disse um pouco sem graça – Não dei ouvidos mesmo.

– Preparada para a surpresa? – ele disse, retomando o ânimo.

– Ah! A surpresa – já tinha quase me esquecido dela.

Paulo abriu a porta do prédio e desceu as escadinhas, correndo, parando na frente de um carro.

– “Tcharam”! – ele disse, virando as duas mãos na direção do veículo.

– Isso é sério? – perguntei boquiaberta – Você agora tem um carro?

– Bem… – cruzou as duas mãos atrás da cabeça — Ele ainda pode parecer uma lata-velha, mas nada que algumas horas na oficina não resolvam – deu de ombros.

Corri para perto, para vê-lo (o carro) melhor. Era um Oldsmobile Starfire Holiday antigo, azul, com a pintura meio gasta e as rodas um pouco sujas, mas servia bem.

– Quer dar um volta? – ele olhou pra cima um pouco sem jeito.

– Claro! – concordei, já abrindo a porta do carro e me lançando para o banco do carona.

Paulo se sentou no banco do motorista, girando a chave na ignição.

– Quando aprendeu a dirigir? – perguntei com as duas sobrancelhas levantadas.

– Sei de muita coisa que você nem suspeita, baby – ele piscou pra mim, me fazendo rir.

– Não sabia desse seu lado de “agente secreto britânico” – brinquei.

– O nome é Paulo , querida — piscou pra mim de novo – Paulo Guerra – dei uma gargalhada com a tentativa do Paulo de fazer uma “cara sensual”.

Ele acelerou o carro, me fazendo ficar surpresa com o fato de ele, realmente, saber dirigir.

Ficamos um momento em silêncio, enquanto eu tentava sintonizar a rádio.

– Aquela tontura… – Paulo começava a falar.

– Hm?

– Hoje de manhã… – ele olhava sério para a estrada – Foi por causa do Gabriel?

– Ah… Não sei ao certo. Acho que não – mentirosa. Eu sabia. Tinha sido por causa do Gabriel. Parecia que eu tinha um bloqueio para falar desse tipo de coisas com o Paulo .

– Você já está melhor?

– Bem melhor.

– Aconteceu alguma coisa entre vocês? – ainda sério.

– Ah, não. Nada. Ele só me levou para a enfermaria – dei de ombros – Ah!

– O quê?

– A Valéria me pediu pra “vender o peixe dela” para você – ele riu.

– E é isso que você vai fazer?

– Não – comecei a brincar com o meu cabelo depois de desistir de sintonizar a rádio – Eu disse para ela que você não era do tipo que “comprava o peixe” de alguém – novamente ele riu.

– Que bom que você sabe.

– Para onde está me levando? – lembrei-me desse pequeno detalhe de repente.

– Para casa – Ele sorriu – Já está mais do que na hora de você ir para a cama.

– Está parecendo o meu pai – cruzei os braços. Ele olhou de rabo de olho e deu uma risada.

– Está na hora de alguém aqui começar a ter um pouco de responsabilidade. Não acha?

A rádio, enfim, sintonizou, e continuamos o caminho, cantando qualquer música da Celine Dion que tocava.

Continua ..

Notas finais
Grande né ? haha