Beber, lutar, navegar
4 Confronto
Notas iniciais
Stiles encarou o homem a sua frente com ódio, seus olhos varreram o local em busca de uma arma com a qual pudesse defender-se, embora apostasse que levaria uma bala no meio da testa antes mesmo de tentar algo.
Caminhando até a parede mais distante, pegou uma faca e escondeu na manga da camisa, antes de se virar para o capitão, que estava agora bem mais próximo do que gostaria.
– Quero que se una a minha tripulação. — disse tranquilamente, na verdade tamanha sinceridade fez Stiles abrir e fechar a boca várias vezes, surpreso.
– O que? — balbuciou a pergunta, na verdade estava indignado por naquele momento não ter dado uma resposta do tipo "Prefiro arrancar meus olhos com um garfo", mas a pergunta o tinha pego de surpresa.
– Você é intrigante, tem coragem, pode ser útil entre os meus. — declarou indo até a sua mesa e sentando-se, aguardando uma resposta do garoto.
Stiles se pegou pensando, afinal ele sempre quisera uma vida no mar, cheia de aventuras, aquilo era uma chance para viver seu sonho, a vida que sempre quisera. As palavras do pai, entretanto, lhe acertaram feito um tapa, apesar do mesmo ter sido tão duro ainda o amava, e não queria lhe causar tamanha vergonha.
Erguendo os olhos, fitou o homem a sua frente, seu olhar era intenso, tanto que mais uma vez considerou aceitar apenas para permanecer mais tempo ali. Suspirou balançando a cabeça em negação, ali não era seu lugar, tinha uma vida longe dali o aguardando.
– Vou recusar a oferta, meu lugar não é aqui, vou ser um médico e ajudar pessoas, não tirar vidas e roubar. — disse se controlando para não ser ácido, afinal pela demora ficara claro que ele realmente considerara tal hipótese.
– Tem certeza disso? Trocar tudo isso. — o capitão abriu os braços indicando seu redor. — Por uma vida entediante trancado em um escritório sujo atendendo doentes? — indagou arqueando uma sobrancelha.
Era a terceira vez que ele lhe fizera parar e pensar, céus mal acreditava que ele pudesse verbalizar seus pensamentos, aquele homem tinha alguma coisa errada.
– É minha escolha. — disse por fim, Stiles.
– Eu realmente espero que reconsidere, caso mude de ideia, basta ir a qualquer cidade pirata. — ele abriu os primeiros botões da camisa, o que fez Stiles ficar vemelho, e quando ia perguntar o que ele estava fazendo viu que ele tirava o colar com um pingente de triskelion tal como o que estava na bandeira pirata. — Ninguém duvidará com isso que tem ligação com um Hale, com Derek Hale. — aproximou-se e colocou o colar no rapaz.
– Eu não tenho ligações com você. — replicou pegando o pingente entre os dedos e o analisando com atenção, antes de finalmente erguer o olhar e sorrir debochado. — Achei que tivesse dito que você não pedia nada, apenas mandava ou tomava o que queria. — cruzou os braços. — E eu tenho certeza que a sua oferta foi um pedido.
Foi com espanto que notou o outro homem ficar poucos centimetros de seu rosto, sua paralisia chegou ao ponto de deixar que a faca escondida na manga cair num baque surdo no chão. Sentiu o ferimento no pescoço arder, enquanto o outro tocava com a ponta dos dedos.
– Pode se tomar muitos bens materiais, garoto. — a voz de Derek saía baixa e rouca. — Mas não se pode tomar a lealdade de um homem, isso não pode ser forçado, e a lealdade é fundamental em uma tripulação pirata.
Aquelas foram as últimas palavras que Stiles ouviu, antes de sentir uma forte dor na nuca, pouco antes de sua vista escurecer. A sua última visão seria a do rosto sério do pirata, e seu último pensamento era que ele provavelmente estaria morto em breve.
Qual foi sua surpresa ao abrir os olhos em uma cama confortável, enjoado com o balanço das ondas e sentindo uma forte dor de cabeça. Com um grande esforço, conseguiu se sentar e olhar ao redor, estava na enfermaria, junto a outros que reconhecera como membros da tripulação do barco em que estava.
– Deveria se deitar, levou uma pancada e tanto na cabeça. — disse um homem de vestes brancas se aproximando e tocando o ombro do garoto. — Mas pelo visto parece que fora o ferimento no pescoço, e o hematoma no abdômen não foi ferido gravemente, deu muita sorte rapaz.
– Não acho que foi sorte, ainda dói... — comentou passando a mão na nuca e apertando os olhos. Somente então recordou do que acontecera, pelo visto Derek lhe devolvera a tripulação quase sem lesões. — O que aconteceu? Os piratas...?
– Você foi largado no convés desacordado, eles pegaram joias de alguns passageiros, suprimentos e foram embora. — disse antes de pegar um copo e entregar a ele. — Aqui, beba. Se sentir-se disposto mais tarde pode ir para sua cabine.
E assim Stiles o fez. Serviu-se do jantar que estava sendo servido e depois seguiu para a sua cabine, tentando ignorar algumas manchas de sangue que agora adornavam a parede. Quando finalmente chegou a sua cabine, logo estranhou ao ver que a chave estava na fechadura, e tateou os bolsos apenas para confirmar que ela realmente não estava mais ali, embora ela estivesse consigo no momento em que ele desafiara o capitão pirata.
Entrou um tanto hesitante apenas para encontrar seu quarto organizado, bem, ao menos a bagunça ali era a que ele proprio havia deixado. Trancando a porta, foi até a sua cama, no entanto sobre o travesseiro um objeto lhe chamara atenção: era o colar com o triskelion. Debaixo do mesmo havia uma carta em uma caligrafia elegante, que certamente ele acreditara que não poderia pertencer a Derek, ele sabia ler e escrever?
"Lamento pela cabeça e pelos ferimentos, mas não poderia retornar inteiro a sua tripulação, isso levantaria muitas suspeitas.
Eu realmente quero você na minha tripulação, então guarde o colar em um lugar onde não possam encontrar e quando estiver pronto, sabe onde nos achar.
Derek Hale"
Sua vontade era amassar a carta e jogar fora, no entanto, por mais insano que fosse, apenas guardou com cuidado tanto o colar quanto a carta em sua mala em meio as roupas. E naquela noite, mal dormiria imaginando o que aconteceria se tivesse tomado outra decisão.
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