“Since I’ve Been Loving You” ecoava pela Suíte Presidencial do Copacabana Pallace. Marina olhou para o lado e percebeu que seu “amante” estava desmaiado, ainda. Com muita delicadeza, levantou-se da cama e varreu o chão com seus olhos para encontrar sua camiseta. Sem sucesso. Então, decidiu, vestir a camisa xadrez de seu companheiro. Não encontrou nenhuma outra peça de roupa então optou por apenas usar aquilo. Tateou o chão em busca do seu telefone, passou as mãos por uma cueca, cigarros e até algum resto de cocaína, quando, enfim, achou o bendito celular. Selecionou o contato de Roger enquanto andava até a sacada:

– Está feito!

Roger demorou alguns segundos pra reconhecer a voz. Marina sempre mudava de número e não tinha o costume de dizer “Alô, é a Marina”. Depois de um longo “downloading”, ele respondeu:

– Ele ainda tá apagado?

Marina revirou os olhos. Ele achava que ela era iniciante nessa profissão...

– Claro que sim, Roger.

Roger deu uma longa pausa, devia estar fazendo outro “downloading”...

– E as fotos?

Marina trabalhava com fotos. Muitas fotos. Na verdade, ela era paga pra seduzir famosos casados, transar com eles até toda sua dignidade ser evaporada, enchê-los de drogas e bebidas. E ainda garantir que cada momento disso fosse fotografado. Para preservar sua identidade, ela nunca saía nas fotos. Deixando assim, o caminho livre para outro cliente famoso e casado cair na armadilha. Era um emprego que não exigia um pingo de caráter, portanto, perfeito pra ela. Andou de volta até o quarto, apoiou seu celular no ombro comprimindo-o contra o ouvido. Pegou a câmera, ligou-a e começou a olhar as fotos que garantiam seu ganha pão:

– Estão ótimas. De fato, ele é fotogênico – ela riu. Adorava o humor negro – Quando te entrego?

Roger riu. Outro que não tinha um pingo de caráter.

– O mais rápido possível, entregarei pra “Fofoca” ainda hoje...- Roger deu uma pausa como se tivesse lembrado de algo mais importante que sua vida, ou seja, qualquer coisa- E o nosso encontro?

Marina bufou:

– Nem fodendo, Roger. – desligou a ligação-

Olhou para o dorminhoco na cama. Saulo Amarante. Um jogador de futebol famosíssimo, casado, 3 filhos. Ela o encarou por um tempo e esperou sentir alguma solidariedade. Isso não aconteceu. Nunca acontecia. Decidiu então, ligar pro serviço de quarto e pedir um uísque na conta do filho da puta.