Notas iniciais
A História é de humor e nenhuma piada feita é com o intuito de ofender ninguém, certo? ?” A Hina é maior de 18 anos na fic então pode beber, talkei? ?” Algumas palavras foram grafadas erradas de propósito para demonstrar o modo como se é falado. Quando apadecer o "*" é porque estarei deixando o significado das girias nas notas finais. É isso. Beijo

Beber, Cair e Levantar

ShikaHina UA

Pinga Marvada



— Já que me ensinou a beber, já que me ensinou a sofrer, me ensina por favor como é que faz pra…

— Calar essa boca de afofô* que eu quero dormir, miséria. — ralhou Shikamaru enquanto se balançava na rede da varanda de casa.

— Bah*, deixa eu cantar piá*. — Hinata retrucou, aparecendo na porta e jogando o pano molhado na cara dele. Em seguida pulou na rede do amigo e se ajeitou como pôde.

Os dois viviam como cão e gato mas eram amigos de longa data e inseparáveis. Hinata havia nascido em Gramado, no Sul do Brasil mas sempre que tirava férias, ia com seu pai Hiashi junto de sua irmã mais nova Hanabi, viajar para Salvador, na Bahia, para visitar Neji. Foi em uma dessas viagens que a gaúcha conheceu Shikamaru, um baiano legítimo — cof cof, preguiçoso — como os que eram mostrados em memes e não tardou muito para que se tornassem grandes chegados, como o garoto dizia.

— Soube da nova? — ele perguntou.

— Tchê, fale logo! — a garota que estava vidrada no aparelho celular o desligou para prestar total atenção à novidade. Fofoca era o que movia aqueles dois.

— Num tem a Rafaela que mora aqui do lado? Ela tá prenha*. — Hinata abriu a boca em um ó perfeito, pondo a mão no queixo.

— Meu Deus, isso foi de cair os butiá do bolso*. Tão novinha aquela menina. — calou-se por alguns segundos e evitou contato visual com a citada que passava na rua, no entanto, assim que a mesma cruzou a rua, a morena tornou a falar: — E é filho de quem? — cochichou.

— Do Tiquim.

— Tiquim?

— Tiquim de um, tiquim de outro. — mal completou a frase e a morena tapou a boca segurando o riso.

— A mãe dessa guria deve estar muito atucanada* com essa história. — concluiu, olhando para os lados e se certificando de que ninguém estava ouvindo.

— Eu não sei o que quer dizer essa palavra, mas eu tenho pra mim que sim.

— Mudando de assunto... e a tua prenda*? — Hinata cutucou o rosto do moreno com o dedão do pé e recebeu um chega pra lá do mesmo.

— Ih, dá não macho.

— Uai, tu e Temari não estavam só no love?

— Aooonde?! — ironizou. — aquela mulher é virada no cão.

— Entendo, tchê. — a garota respondeu concentrada em retirar o cascão de ferida do joelho, ouvindo um não faz isso não, mofética* do amigo. Os dois continuaram a se balançar na rede até a mãe do Nara o gritar para que fosse pra casa.

— A conversa tá boa, a dor do parto é ruim e eu tenho que ir dormir.

Como se tua vida não fosse isso, pensou a garota.

— Tá bom, vai com Deus.

Hinata ficou na rede enquanto o observava descendo as escadas. Acenou em despedida, voltando sua atenção ao celular. Era terça-feira e já passava do meio dia. Aproveitando o horário de descanso, a gaúcha conectou os fones de ouvido e colocou no aleatório, fechando os olhos logo em seguida. Porém o seu momento de paz foi interrompido por um andrógino albino, ou melhor dizendo, Neji, o seu tão amado primo.

— Ei, mermã.* — ele sacudia levemente o ombro da garota — Ei, acorda aí. — dessa vez foi mais forte, e Hinata fingia que ainda estava dormindo, querendo que o primo desistisse. — Ei! — gritou, acordando-a.

— O que é que tu quer? — perguntou irritada.

— Vai bem ali pra mim.

— E pra quê eu vou lagartear* uma hora dessa?

— Mulher de Deus, é pra comprar refrigerante pra Hanabi. — a caçula estava no chão da cozinha terminando as atividades da escola e quando ouviu seu nome sendo proferido, o olhou com deboche. — Quer dizer, pra nós tudinho. E aí, tu vai? — Hinata bufou, arrancando os vinte reais da mão do primo e descendo as escadas. Antes de ir no comécio comprar o tal refrigerante, a mesma gritou perguntando o sabor do mesmo.

— Morte lenta. — Ah, era Coca-cola mesmo.

Hinata pensou em chamar o melhor amigo para ir junto mas tinham acabado de se ver, e a dona Yoshino não iria deixar o filho sair a essa hora, nem que fosse na porta da rua. Contornou o quarteirão procurando sempre uma sombra. Do outro lado da rua ela avistou Naruto, o amigo hiperativo fritando um ovo no bueiro. O sol nessa época do ano não era brincadeira não.

— Ê.

— E aí, bora muçar. — ele disse sorrindo.

— Não, obrigada. — ela acenou gentil e arqueou uma sobrancelha. Tudo vindo do loiro era bizarro e engraçado.

— Vai pra onde moradessa? — ele perguntou.

— Vou ali na budega do Asuma comprar refri.

— Ah, pois tá bom, vá pela sombra minha fia. — o loiro entrou entrou na kitnet onde morava gritando que o almoço estava pronto. Sakura estava na cadeira de balanço assistindo um desenho qualquer na TV enquanto brigava com Sasuke por algo que a morena não conseguiu ouvir direito. Assim que viram o Uzumaki os dois correram prontos para devorar a comida.

A jovem voltou ao seu percurso, não demorando mais que três minutos para chegar ao seu destino.

— Ô de casa, tem alguém aí?

— Mermã, uma hora dessa tá todo mundo é dormindo. — falou uma voz conhecida e Hinata se virou pronta para cumprimentar a sua Drag favorita: Orochimaru.

— Oi meu amor. — abraçou-o. — Há quanto tempo, o que você tem feito esses últimos dias?

— Tenho dado.

—Tchê, como assim dado?

— É — acenou em afirmação. — Dado de jogar, olha só. — ele mostrou uma miniatura do objeto preso no chaveiro. — Pensou besteira que eu sei, né.

— Mas as coisas que você diz sempre tem duplo sentido. — Hinata sorriu amarelo.

— Aí é coisa da sua cabeça, meu bem. — levantou as mãos no ar, se defendendo. — Aliás, o que você veio fazer aqui?

— Eu só tinha vindo comprar uma coisa, mas pelo visto vou voltar de mãos abanando. O ruim é que tô com uma sede…

— Não seja por isso, vamos ali na casa da minha comadre, eu peço pra ela te dar uma água.

— Então bora, tchê.

~°~

Travesti, anã e cachaceira juntos em um kitnet

— TSUNADE, Ô VELHA ABRE ESSA PORTA. — gritava Orochimaru na residência, até que depois de muito esforço apareceu a proprietária da casa. O fandango* ontem foi bom, pensou a mais nova.

— Afine o seu pescoço*, disgraça. Eu tava dormin… olha, quem é essa moça bonita aqui? — a mulher estava visivelmente embriagada e o bafo de cachaça fez Hinata colocar disfarçadamente a mão no nariz.

— Hinata, prazer senhora. — acenou timidamente.

— Me vê lá uma água que eu tô morrendo de sede.

— Vai lá tu, boca de me dê*. — disse a loira coçando a cabeça. — Senta aí minha filha. — falou para a Hyūga parada na porta.

Como é que eu vim parar aqui meu Deus do céu?

— Agradecida. — pegou o copo com água oferecido pela Drag e bebeu (de combo veio com o gosto de tudo o que deveria ter na geladeira).

— Num tem nada nessa casa para comer, só cerveja. Valeime minha nossa sinhora, isso aqui parece até o cabaré da Leila.

— Tem bolacha e café aí Orochi, peraí que eu vou pegar.

— Eu só achei esses doritos — apareceu na sala carregando alguns pacotes. — Café foi alucinação da tua cabeça, tem não.

— Oxente, eu pedi pro Jiraiya hoje de manhã fazer a compra do mês. — a loira desabafou.

— E aquela peste lá faz algo que preste? — Orochimaru manifestou-se e tsunade concordou.

— Bem...já que não tem café e eu não quero deixar a visita com fome. Aceita uma gelada, meu amor?

— Pode ser, dona. — a loira riu já se dirigindo à geladeira. "Jesus, me chicoteia", proferia Orochimaru.

~°~

A notícia

Um cochilo em qualquer hora do dia era sempre muito bem vindo para Shikamaru, isso claro, depois de concluir todas as tarefas pendentes, sejam elas escolares ou domésticas, pois o mesmo detestava o ato de procrastinar. Todavia, a sua cota de sono diário parecia ter sido atingida, visto que ele ainda estava acordado. O moreno então decidiu pegar o celular para ficar de bobeira na internet, ao ligar o aparelho o visor mostrara uma foto dele com a azulada em um momento de descontração. Sorriu e então abriu o YouTube à procura de uma distração, o Nara estava bastante entretido até chegar alguém no portão o chamando.

— ÊI SIBITO BALIADO*. — gritou o cosplay do Wesley Safadão, o moreno foi se arrastando até a porta ver o que o amigo queria.

— Mah, o que foi agora bonequeiro*...

— Hinata tá aí? — perguntou o Hyūga enquanto roía as unhas.

— Oxente homi, faz nem duas hora de relógio que eu saí de lá. — o Nara protestou cruzando os braços. Neji coçou a barriga preocupado.

— Então essa mulher tá na baixa da égua*, saiu no sol quente pra comprar um refri no Asuma e até agora não voltou.

— Tu já tentou ligar pro celular dela?

— Já, mas só dá caixa-postal, nessas horas a mucura não fica no tec tec. — o cabeludo simulou a prima com o aparelho na mão.

— Então vamo lá ver no Asuma, marrapaz. Qualquer coisa nóis chama a polícia. — sugeriu Shikamaru.

— Então pega tua chinela e rumbora que eu deixei o diabo da Hanabi sozinha.

— Perainda.

~°~

Dando no pé

Como uma pessoa poderia desaparecer de uma hora para outra? Esse era o questionamento feito por Shikamaru e Neji. Rapto, assalto, abdução. Todas as hipóteses eram possíveis quando se tratava de Hinata Hyūga, a anã fujona. Ao fazerem o percurso de ida para o comércio, os dois amigos acabaram se deparando com outro questionamento: por que diabos Sakura estava ameaçando Sasuke e Naruto com um pedaço de madeira na mão?

— FALA DE MIM DINOVO, FALA MISÉRIA. — berrava a rosada apontando o dedo para Sasuke. — EU QUERO DAR A MINHA ALMA PRO CÃO SE EU NÃO QUEBRAR A CARA DE VOCÊS HOJE. — o Uzumaki e o Uchiha tentavam se manter à salvos atrás da grade de proteção do campo.

— Diabéisso macho? — confidenciou o Hyūga.

— E eu que sei? Esse povo é doido. — disse o Nara.

— A PARTIR DE HOJE EU QUERO É VER SE VOCÊS AINDA ME CHAMAM DE TESTA DE ARROMBAR NAVIO! — ameaçou Sakura enquanto os dois se tremiam como vara verde.

— Sakura, raiva é como beber veneno e esperar que o outro morra. — disse Sai, que havia brotado misteriosamente na conversa.

— VAI TOMAR NO CU. — revidou a garota.

— O budismo nunca iria dar certo no Brasil. — constatou o Nara fazendo o Hyūga rir. No minuto seguinte a Haruno parou de gritar e se sentou na calçada.

— Eu só queria um pouco de paz. — choramingou.

— Te acalma mulher, bora desabafar, anda. Fala que eu te ouço. — Sai sentou-se do lado da amiga — Mas antes vamos tirar essa maquiagem estrambólica* da cara.

— Não é maquiagem, é Ki suco de morango que esses endemoniados tacaram em mim. — ela passou a mão no rosto molhado de lágrimas tentando limpar.

— Ô Saky, meu pedacinho de céu, midisculpa mai lovi. — Naruto se aproximava de mansinho da amiga usando o emo como escudo.

— É mucura, foi brincadeira. Tu sabe que a gente vive tirando com a tua cara, mas no fundo nóis é nóis. — Sasuke falou arrancando risadas da amiga.

— Ai, seus baitolas*, venham cá. — a garota puxa os dois para um abraço.

— Isso é tão emocionante. — revelou Sai. Mano tu é, né?

— Gente, esse momento novela mexicana foi lindo, mas eu preciso perguntar algo pra vocês. — após a fala de Shikamaru os quatro o olharam curiosos. — Vocês viram a Hinata?

— Eu vi ela mais cedo passando na rua, disse que ia no Asuma, porquê? — articulou Naruto se desvencilhando do abraço.

— Ela ainda não voltou pra casa, pelas horas que saiu.

— Meu pai Eterno. — Sakura arregalou os olhos.

— E o que nóis tamo fazendo aqui? Bora procurar a toco de amarrar jegue. — expôs o Uchiha.

~°~

Um, dois, três...testando

Enquanto Shikamaru mobilizava toda a galera indo de casa em casa e ligando para os conhecidos, a mesma se encontrava caída no chão da kitnet onde morava Tsunade.

— Eita trem bão mininu. — falava a garota com a voz arrastada sendo observada por um Orochimaru nada contente. — Dona Tsunade, a sinhora é boa di matimática?

— Marromeno.

— Então quanto é 51 dividido por dois? — questionou a azulada.

— Mêi litro pra cada. — a loira disse e desatou a rir, sendo acompanhada pela morena.

— Bêbado e suas graças. — sussurrou para si. — Hina minha filha, já está tarde e essa daí não é boa influência não. — falou Orochimaru.

— Já me vou, só quero testar uma coisinha aqui. — ela tentou ficar de pé e foi cambaleando até o portão. Boa tarde, senhor. — disse para Jiraiya que havia acabado de entrar.

— Quem é vivo sempre desaparece, né Jiraiya? — comentara a loira. Orochimaru saiu na porta procurando pela guria.

Valami, sai daí! Olha os carro Hinata!

— Quem era o pitel que passou por aqui? — falou o grisalho recebendo um tapão na nuca dado por Tsunade. — Ai!

— Cala a boca, infame, cadê as coisas que eu te mandei comprar?

— Eu… — Não dera tempo para completar a frase já que foram interrompidos por um barulho alto, seguido de um grito agudo. Correram de imediato para fora e se assustaram ao ver um carro batido no poste e a garota desacordada no chão.

A questão que ficava no ar era: eles estavam ferrados ou trucidados?

~°~

Os mortos de fome da Vila Embratel

— Ino, tu tem 1 real pra inteirar o dinheiro da merenda?

— Deixovê... — a loira falou abrindo a bolsa. — Toma aqui, trás o Nikito dos piqueno pra mim, Choji. — essa busca vai demorar, eu tenho é certeza.

Ino recebera uma mensagem de Shikamaru os avisando sobre o que havia acontecido com Hinata. De prontidão, a Yamanaka se ofereceu para ajudar na procura, mobilizando o resto do pessoal. Agora estavam todos em frente ao comércio do marido de Kurenai.

— Arriégua*, o que esse tanto de guri vieram fazer aqui na porta de casa? — estranhou Kurenai já indo chamar o marido. — Asuma, meu nego, chegue aqui.

— O que foi Kurenai? — o citado apareceu na porta com um cigarro, atraindo a atenção dos jovens.

— Falando no diabo…

— Ê tio, me vê uns nikito aí, por favor?

— A gente tá aqui pra falar da Hinata, compra tuas merenda depois. — repreendeu Shikamaru.

— Mas a gente também tá com fome! — gritou Naruto. Enquanto isso, o Sarutobi o olhava confuso.

— Ó a zuada* aí seus mininos. O que aconteceu? — perguntou o barbudo.

— A Hinata sumiu, você viu ela? — Essa foi a vez de Shino aparecer na conversa.

— Laele*, eu não.

— Ah, pois pronto! — bufou Neji. — Danou-se.

— Espera aí, meio dia eu vi ela passando na rua de baixo com uma mulher alta, com um cabelo preto liso e de macacão jeans . — Kurenai revelou.

— E agora, José? — disse Tenten coçando a barriga.

Antes que pudessem raciocinar, ouviram um barulho alto seguido de alarmes de carros sendo disparados, advindo do parque central que ficava a poucos metros. Rock Lee aparece correndo ao lado de Gaara rumo ao grupo.

— Ei negada, a gente achou a Hinata! Corre Corre! — chamou o sobrancelhudo e todos o seguiram. Ao chegarem lá, os jovens se depararam com uma situação alarmante. Um celta preto batido em um poste, Hinata caída no chão enquanto a tal mulher que foi descrita, brigando com a motorista.

— NUM SE METE COM CRIANÇA NÃO, VAGABUNDA! ME PROCESSA! PELA CRIANÇA EU DOU MINHA VIDA GRAÇAS A DEUS. — exaltou-se Orochimaru.

— Gente é ela, ou melhor, ele. — Shikamaru disse exasperado. — É o Orochimaru.

— Ele é mulher ou homem? — perguntou Sasuke observando a gritaria.

— Pelo que eu ouvi dizer, é andrógino. — respondeu.

— Gente, a Hina. — Tenten se alarmou.

— Alguém chama a polícia, a ambulância, SOCORRO! — ao ouvir a palavra "polícia" saindo da voz do Nara, Tsunade congelou. Teria que dar um jeito na menina ou senão, ela iria visitar o avô mais uma vez. Em um gesto impensado, a Senju pegou a garota no colo e saiu correndo com os jovens em seu encalço.

— IEEEEU, QUEEIMA QUENGARAAAL! — berrou um desconhecido enquanto vislumbrava a perseguição.

~°~

Onde é que eu tô, será que eu tô na Alagoinha?

Depois de muito correr, deitar e rolar pelas ruas e vielas, ela conseguiu despistar a muvuca. Agora sentada na beira do asfalto, a loira divagava sobre o que fazer com o corpo da outra.

— Em todos os anos nessa indústria vital, é a primeira vez que isto me acontece. — a loira desabafou. — Minha jovem, quero que saiba que o momento em que passamos juntas foi inesquecível, você é uma linda garota, cheia de vida, educada, gentil, é uma tristeza medonha saber que você partiu assim...que mundo é esse tão cruel que a gente vive? — discursou para a Hyūga desacordada. — Midisculpa, eu num deveria ter te oferecido cachaça, mas eu também num podia te deixar lá por causa que eu ia em cana, i eu num posso voltar pra lá. — deu uma pausa dramática para respirar. — Perdoa eu, mas vou ter que te deixar aqui. Tomara que você faça uma boa passagem pro outro lado. — a Senju depositou o corpo da jovem numa caçamba de lixo e foi embora. — Adeus.

Hinata acordou um pouco depois. A morena estava desnorteada e com grande dor de cabeça. Ela olhou ao redor, não reconhecia onde estava. Ao seu lado havia uma garrafa de 51 pela metade, mas era aquele ditado: se tá no inferno, abrace o capeta. Lembrava-se vagamente de estar com Orochimaru e ter a brilhante ideia de testar a gravidade, sim, a gravidade. Como? Correndo igual pato manco e pulando do banquinho da praça. A garota então pegou a garrafa e saiu andando na avenida lotada de carros e motos.

— De bar em bar, de mesa em mesa, bebendo cachaça tomando cerveja...— cantarolou dando um gole na bebida. — Foi no risca faca que eu te conheci...dançando...enchendo a cara...fazendo farra...TÔ NEM AÍ. — em um certo ponto ela já não enxergava mais nada, sendo guiada apenas pela grade de proteção. Hinata sentiu o corpo esfriando a medida que avançava porém não se importou e continuou andando. Cansada e com bastante calor, a gaúcha resolveu sentar em uma elevação que havia ali, um pouco depois os olhos ficaram pesados e não demorou para que Hinata pegasse no sono abraçada no litro.

~°~

Eu num tô falando, eu tô só dizendo!

O dia amanheceu e a preocupação de Shikamaru só havia aumentado, mal havia conseguido dormir. Todos estavam reunidos na casa de Neji, uns pelo chão, outros em sofás e redes. Era seis da manhã quando Neji apareceu batendo a colher numa panela visando acordar todo mundo.

— Bora se levantar que ninguém tem empregado aqui não.

— Crendiospai homi, tá de madrugada ainda. — reclamou a Yamanaka se cobrindo com o lençol.

— Ele acorda junto com as galinha. — disse Hanabi passando no meio dos corpos e desviando das redes. — Melhor obedecer se não é pior. — avisou.

— Bom dia — Sai bocejou. — já amanheceu?

— Não, ainda tá de noite, dã. — falou Naruto mau humorado.

— Armaria nãm, agora imita um cachorro que o cavalo foi perfeito. — revidou irônico.

— Mas já vão começar a putaria? — Shikamaru se intrometeu na conversa.

Ooolha o carro do ovo passando na sua porta, trinta ovos por dez reais, o carro do ovo está passando na sua rua. VOCÊ É O ESPELHO QUE REFLETE A IMAGEM DO SENHOR, NÃO CHORE SE O MUNDO AINDA NÃO NOTOU.

O alto da falante do carro terminou por despertar o resto. De repente o Nara sente o telefone vibrar no bolso da calça, era Yoshino, sua mãe.

— Oi, mãe. Bom dia. — atendeu o telefone.— Nada ainda...espera, Hinata tá no canal sete? — arregalou os olhos e fez sinal para que ligassem a TV. — Tá bom, obrigado. — desligou a chamada. — bota aí rápido, Hanabi! — a adolescente pôs no canal e todo mundo ficou vidrado na tela.

Corpo de jovem desaparecida é encontrado na manhã desta quarta-feira em um esgoto da Vila São José. Hinata Hyūga, de 19 anos, desapareceu na tarde dessa terça-feira ao sair dizendo para o primo que iria comprar refrigerante. Segundo relatos, a vítima havia sido sequestrada por Tsunade Senju, moradora do bairro Vila Embratel. As causas do homicídio ainda estão sendo apuradas, estamos agora esperando o corpo de bombeiros e o IML chegar para remover o corpo da vítima. De Kakashi Katake para o Bom dia buraco.

Todos estavam em choque. Shikamaru começou a chorar acompanhado de todo o resto, enquanto era amparado por Ino, que escorria catarro do nariz. O que ele iria fazer sem a melhor amiga?!

— I agora..snif...o que...vai ser...da gente...— a cada palavra que a loira dizia era um soluço.

— Temos que ir lá. — disse o Nara tentando se recompor.

— Eu num tô preparada pra isso. — era Tenten.

— A minha irmãzinha não — Hanabi elevou o tom de voz. Restara a Shikamaru a parte mais dificil: tomar as rédeas da situação.

~°~

The Walking Dead

O local do incidente estava lotado de curiosos, o Nara foi acompanhado do Hyūga mais velho ver pela última vez a então "falecida". Durante toda a viagem, o moreno se recordara dos bons momentos vividos com a amiga. Não havia sequer sinal nem de Polícia ou o que quer que seja. Ele bufou irritado, o pobre só se lasca.

— E então? — questionou o Hyūga ainda sem coragem de olhar para a prima.

— Eu acho que eles já deveriam ter chegado. — constatou.

— Sabe como é, né. Vamos esperar mais um pouco.

Esperaram dez, vinte, trinta, quarenta minutos e nem sinal de ninguém.

— Ah, quer saber, eu mesmo vou trazer o corpo pra cá. — com a ajuda de populares, o moreno conseguiu uma escada improvisada para descer. Mais uma vez ele ficou com a pior parte. O caminho até Hinata era difícil, tanto por não saber se havia buracos até pelo próprio lixo que boiava. Finalmente então ele chegou perto o bastante para poder levá-la para a superfície. — Hora de irmos para casa. — assim que tocou o ombro pálido a morena se remexeu. Diabo foi isso? Pensou assustado. Tentou novamente e dessa vez a azulada franziu o cenho. — Essa demônia tá viva! — ele sentiu o coração palpitar de alegria. — Hinata, TE ACORDA! — gritou.

— Mas o que é que ele tá fazendo? — questionou o repórter.

— Só mais cinco minutinhos, Neji. — dessa vez ela se virou para o lado abraçando com mais força a garrafa.

— HINATA!

— OI! — a azulada acordou num sobressalto, dando de cara com o melhor amigo. Os dois se entreolharam confusos e ela estranhou quando ele a abraçou. Pensando bem, estranhou o fato de estar em um esgoto, ver um helicóptero lhe filmando e ouvir aplausos de desconhecidos. — O que foi que eu fiz? — ela indagou ao ver o olhar assassino do primo e do tio (Kõ) que a observava.

— Deixe pra lá. — sorriu.

— NÃM, DEIXAR PRA LÁ E O CACETE. — esbravejou Kõ com a havaiana na não. — TU VAI APRENDER É HOJE QUE NINGUÉM TIRA COM A MINHA CARA, INFAME*.

— Tchê, me lasquei…

Era hoje que a Hyūga iria dormir de couro quente.

Notas finais
GIRIAS NORDESTINAS: Boca de afofô = pessoa que fala demais, alto ou gritando. Prenha: o que se diz da mulher grávida. Infitética = patética. Mermã = expressão reduzida de minha irmã, geralmente usado em contexto de amizade. Afinar o pescoço = diz-se quando alguém chega gritando. Boca de me dê = pessoa pidona. Oxente = interjeição para expressar espanto. Sibite baliado = pessoa muito magra ou das pernas finas. Bonequeiro = pessoa barraqueira. Baixa da égua = lugar muito longe. Estrambólico = extravagante, esquisito. Baitola = se refere do homem homossexual, usado sempre de maneira prejorativa. Nãm = não. Infame = desprezível. Arriégua = interjeição para reclamar. Zuada = barulho alto. Laele = enfatizar que uma negação. Queima Quengaral = expressão para vaia. GÍRIAS GAÚCHAS: Bah/ Tchê = Interjeição que vale para quase tudo. Dependendo da entonação, pode ser usado como surpresa, rejeição, aprovação ou admiração. Piá = menino, criança. Cair os butiá do bolso = expressão para espanto, supresa. Atucanada = aborrecida. Prenda = mulher, namorada. Lagartear = sair no sol quente. Fandango = festa. Como sou do nordeste, tive mais facilidade com as girias, as do sul, tive a ajuda do doutor google. Espero ter representado bem os gaúchos aqui Tchê, até a próxima seus mininu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!