Bebendo Estrelas

1 Capítulo Único - Somos uma grande granada


Notas iniciais
Olá gente, depois de tanto tempo sem postar, vim com essa one-shot de A culpa é das estrelas (minha segunda fic sobre) pois eu tive essa ideia de entrevista e queria colocar na prática. Enfim, obrigado por ler e nos vemos nas notas finais.

Eu estava sentado na minha poltrona de couro já velha e insubstituível descansando para a correria do estúdio algumas horas depois. Já vestia o terno preto que era exigido pela emissora, e minha maquiagem ainda seria feita. Eu só pensava no que me aguardava, de fato seria algo um pouco novo para mim, um pouco estranho.
Os minutos passaram... À hora chegou e fui com o meu carro até a base de produção do meu programa ao vivo todas as sextas, entrevistar Hazel Grace. Ela já estava sentada na cadeira virada para mim, o olhar fixo no teto, as mãos inquietas.

A contagem de dez segundos anunciou a nossa entrada ao ar.

— Boa noite, meu nome é Josh e você está assistindo ao FRIDAY! Interviews. Hoje estamos com a jovem guerreira que venceu o câncer e hoje é um exemplo a todos. Boa noite, Hazel. — disse e notei que ela estava dispersa, e por isso demorou uns cinco segundos para me responder.
— Boa noite, Josh. Boa noite, América.

A luz apagou e a vinheta foi ao ar e enquanto isso aproveitei para dar um toque na pobre garota, cutucando-a e dizendo.
— Ei, relaxe. — ela apenas deu um sorrisinho forçado.

O programa prosseguiu.

— Então, Hazel, me conte um pouco sobre sua vida.

— Eu basicamente... Sou uma granada — ou era, pelo menos. Pra mim, eu ainda sou.

Sem entender muito, prossegui.

— E quais são seus medos? Você acha que o câncer pode voltar?

— Meus medos, hm... Eu tenho medo de ser esquecida, de minha existência não valer a pena, de tudo que eu fizer enquanto estiver viva não tiver importância nenhuma há uns cinquenta anos.

Com essas duas respostas, eu notei que a jovem era no mínimo estranha, mesmo assim, não fiz nenhum gesto, apenas continuei com as perguntas. Ela respondeu todas, sempre com olhar irônico [...].

— E você Hazel, teve algum amor? — perguntei depois de muito enrolar em suas respostas góticas.

— Eu... Claro que tive. Tive o amor que pedi a Deus. Mas ele morreu oito dias depois, foi assim que anotei no meu diário, “oito dias depois”. Eu não queria parecer perdidamente e loucamente obcecada por aquele garoto.

— E qual o nome dele? — interrompi.

— O nome dele não é importante. — retrucou. — Nós bebemos estrelas, e é isso que importa. Nada mas, nada.

De fato a audiência com aquilo praticamente triplicou.

— E o que seria ‘beber estrelas’?

— Por que vocês não pesquisam no Google? Afinal, vocês, filhos da mãe, vazaram todo o meu diário na internet.

Eu fiquei sem resposta. De fato, colocaram todo o diário dela na internet e isso teve tanta repercussão que ficou viral na rede.

— Minha vida foi toda exposta. — continuou. — Vocês não têm vergonha na cara.

Ela estava certa.

— Vocês não têm dignidade. — prosseguiu.

A produção mandou-me eu deixá-la continuar, afinal, nosso ibope estava nas alturas.

— E vocês só pensam na audiência que eu estou dando.

Antes que eu pudesse falar algo, ela se levantou e saiu. A equipe não estava totalmente insatisfeita, afinal, batemos recorde de audiência.

Mas, ela estava totalmente certa.

Nós somos granadas. Nós destruímos o mundo e ao redor, e, qualquer um que ela tenha amado, foi imensamente feliz, afinal, as estrelas que mandam, elas decidem, elas são as culpadas. E onde ela estiver — cinquenta anos depois dessa entrevista (os dias atuais) — saiba que ela nunca vai ser esquecida, ela vai ser sempre Hazel. Hazel Grace... a menina que bebeu estrelas.

Notas finais
Se gostou, deixa seu comentário, favorite, recomende, espalhe para os amigos, faça um outdoor, cole na testa, etc rsrs! Se não gostou, manda vírus, ou procure por uma das minhas outras fics, quem sabe você não se interessa por uma? Enfim, até a próxima ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!